quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Campanha de natal - Um encanto de natal


 

Renato Casagrande e Antonia Serquevittio ao lado do Deputado Dr. Pedro Westhalen


 

975-O Menino do Pastoreio (tomo V)

                      Teatro é a arte de equipe


                      Equipe é quando você se importa com o todo, não existe um ator em cena, mas um corpo vivo, único. Todo ele vibra junto. Quando você pensa em equipe sua cena já não importa tanto, importa mais o espetáculo como se ele fosse uma única grande cena. No senso de equipe você entra em cena e pensa em como ajudar a cena do colega, a ser boa, você joga a bola para ele o tempo todo. Como no exercício do balão, que a alguns anos era muito praticado na ESMATE.

                       Um espetáculo com tantas trocas de roupa e cenas rápidas acaba acontecendo muito atrás das cortinas, da rotunda, e deu para perceber isso na apresentação desta terça feira em uma escola do município de Pejuçara. Os atores rapidamente se resolviam, e uma história muito doce, encantadora, era contada. 

                       Cléber Lorenzoni conseguiu orquestrar um espaço ótimo e as crianças ainda que pequenas, ficaram totalmente absortas no espetáculo. O diretor/ator ainda conseguiu adaptar alguns momentos muito próximos entre as crianças e o Compadre Isidoro. Um comunicador. O teatro não pode ser algo estanque, petrificado... 

                         Clara Devi precisa limpar alguns momentos, triangular. Por exemplo, quando Nerêncio cai, ela precisa marcar bem os momentos. Primeiro chocar-se, depois correr até ele. Depois encerrar a cena com Isidoro, entregar o saco de dinheiro de forma visível, para que o público compreenda que para os senhores fazendeiros, pouco importava a vida dos escravos. Somente depois ela deve se ajoelhar e aí sofrer...

                           Nicolas Miranda, na cena em que está correndo, não pode esperar o balde com a cobra; na situação que ocorreu por exemplo, devia ter dado mais uma volta até que Laura joga-se de forma correta o cesto. Tanto que CLéber precisou chutar e gritar "olha a cobra". Ou seja, pequenos pecadinhos que estragam uma cena.  

                            Os anciãos do Máschara possuem um mérito: prática e rápidas soluções. Talvez até por isso as cenas com eles sejam repletas de energia. Renato Casagrande compõe muito bem o fazendeiro velho e Alessandra Souza dá um show como Tia Tê. 

                             Os jovens da ESMATE, precisam talvez de mais maturidade. Primeramente, saber que assuntos falados entre os membros do grupo, são assuntos internos do grupo. Fofocas, intrigas, e imaturidades, geram desconforto e estragam o crescimento da equipe.

                             Fabio Novello é um grande técnico, com soluções rápidas, e pode tomar decisões as vezes sem precisar da permissão do diretor. Isso é ser ancião deliberativo. 

                               O Menino do Pastoreio é um grande espetáculo, que deve ser muito apresentado e merece um festival de teatro para ele. Basta que cada um faça sua parte. Cuidar mais os detalhes, a bacia de plástico por exemplo destoou bastante assim como o machado que Nerencio carrega.


                            O Melhor: A solução de cobrir o espetáculo com panos pretos.

                            O pior: A cena da parelha, que ficou muito prejudicada e pouco compreensível.



O Menino do Pastoreio 

Texto e direção - Cléber Lorenzoni

Elenco: 

Cléber Lorenzoni (***)

Renato Casagrande (**)

Alessandra Souza (***)

Clara Devi (**)

Laura Heger (**)

Nicolas Miranda (**)


Equipe Técnica:

Fabio Novello (**)

Antonia Serquevittio (**)

Ellen Faccin (**)


                                       Arte é Vida

                                                        A Rainha




                       


Renato Casagrande e Nicolas Miranda em O Menino do Pastoreio


 

Clara Devi e Laura Heger em O Menino do Pastoreio


 

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

973/974 - O Menino do pastoreio (tomos III e IV)

               Cada vez que o Máschara viaja, leva com eles duas premissas: a certeza de que deve levar o seu melhor as cidades que os contratam e a necessidade de encontrar uma ponte de comunicação com a população daquela comunidade. Quem contrata artistas, quer fazer um dia diferente em sua cidade, oferecer alegria, colorido, diversão e lazer ao seu público. 

                    Assim sendo, algumas cidades escolhem o Máschara por ser uma das Cias. Teatrais mais profissionais do interior. O Máschara não chega e oferece qualquer coisa ao público. Há uma preocupação com o ambiente, com as cadeiras, com a luz, com o melhor que se pode colocar sobre o palco. 

                    Um dos  pontos altos, é sempre a acolhida com que o diretor explica e reflete seu trabalho, aproximando a equipe do público. O menino do Pastoreio é um grande espetáculo, precisa é claro de alguns ajustes, mais ensaios, talvez?

                           Nicolas Miranda abraça Nerencio, sobre quem se passa a história e precisa correr atrás de mais força cênica. Sua interpretação é ótima e capaz, mas todo dia é um dia para aprender mais. Tomar cuidado para não gaguejar. A cena inicial ficou muito linda nesse formato mais longo, mas senti uma certa lentidão nas trocas de cenas. O Estancieiro e Nerêncio podem e precisam ser mais poéticos na cena em que falam dos cavalos. 

                            A cena da queda do cavalo, durante a parelha também me pareceu prejudicada, um tanto gritada. O espetáculo, dentro do grupo dos espetáculo fabulosos, onde figuras mitológicas solucionam as dores dos mortais. Alessandra Souza esteve perfeita, e a fala "sou a madrinha de quem não a tem" parece um ótima ponte com o fato da mesma atriz interpretar Tia Tê. 

                            Laura Heger tem se mostrado a cada dia mais vivaz e joga com perfeição com Clara Devi, esta última no entanto precisa as vezes de mais recurso, quando cabe a ela o improviso. 

                            Uma pena Renato Casagrande ter optado por tirar o bife tão bonito, que na segunda encenação colocou de volta. Um dos pontos altos e que nos dão a medida certa de quem é o estancieiro. 

                               Cléber Lorenzoni como Neco me pareceu desconcentrado e o dia foi certamente do compadre Isidoro. Algo que me chamou a atenção foi o fato de na plateia haver crianças de idades muito distintas, o que complica e muito o trabalho dos atores. Cada espetáculo é feito e pensado para um público específico, quando o ator muda esse público, precisa usar de todo seu recurso para adaptar-se, para recodificar o espetáculo. Quando se colocam públicos de várias faixas etárias juntos, aí realmente o ator encontra um tour de force. 

                                O Menino do Pastoreio reúne praticamente os melhores atores em capacidade de viajar... E Cléber Lorenzoni, embora tenha colocado um principiante como protagonista, o que funciona muito bem, já que a imaturidade de palco, ajuda Nicolas Miranda a parecer um jovem menino inseguro. Em contrapartida os atores ao seu redor, parecem poderosos homens e mulheres brancos no mundo da escravidão. Sendo assim, é importante Nicolas Miranda manter essa sensação de imaturidade no papel, mesmo que evolua como ator, afinal, vários atores, quando são ditos "velhos" para um papel, não é porque envelheceram fisicamente, mas por que perderam o frescor de suas composições.

                                   Foram duas agradáveis apresentações. 

                                   O Melhor: A união do grupo que é tão necessária para que os projetos fluam.

                                   O pior: A dificuldade em alguns atores em compreender o que significa ser diretor, e quais suas funções.



O Menino do Pastoreio - Boa Vista do Incra

Clara Devi (**)(***)

Laura Heger (***)(**)

Nicolas Miranda (*)(**)

Antonia Sequevittio (**)(**)

Fabio Novello (**)(**)

Ellen Faccin (**)(**)


                                   Arte é Vida

                                                         A Rainha 

                                   

Os Saltimbancos na Feira de Livros de Cruz Alta


 

terça-feira, 23 de novembro de 2021

O prólogo de Auto de Natal - Um milagre de natal


 

972-Auto de Natal, um Milagre de natal (tomo IV)

 O Natal voltou...


                 Está aberta a temporada de mitologias...
               Começa hoje e se estende até a páscoa do Máschara. O auto de natal, que algumas pessoas insistem em chamar de "alto", nasce da influencia clerical que se estabeleceu no período medieval e se estende até hoje. Tendo o teocentrismo como conceito chave, não é de se estranhar que seja sempre o Deus ex machina quem solucione seus dramas, ou então que ele envie seus representantes. Os milagres, os mistérios, os sotties, as paixões e os jograis, nascem todos desse período. 
                 O Milagre de Natal, auto escrito pelo dramaturgo Cléber Lorenzoni, tem todas as estruturas do teatro medieval, e ainda se equilibra sobre o formato dramatúrgico proposto por Stanislaviski: Ação Inicial, principal circunstancia dada, etc... Logo no primeiro ato, muito choro e sofrimento, um vilão exagerado, quase "demoníaco" que Romeu Waier interpreta um tanto caricato em demasia. Após o senhor Manoel pedir socorro aos céus, um grande intermezzo se estabelece, com musical, coristas e bailarinos, exatamente como no teatro do período que antecedeu a renascença. 
                   No segundo ato, as soluções rápidas tem sabor de magia, e são em um turbilhão tão exagerado que causa uma comoção difícil de não se deixar contagiar. 
                   A sagrada família interpretada por Fabio Novello e Eliani Aléssio cumpre sua função e o olhar da atriz precisa ser elogiado, bem como a emoção com que poucas vezes vi o ator Fabio Novello atuar. No entanto, talvez Aléssio pudesse no primeiro ato, carregar uma aparência mais sofrida. Nós (plateia) compramos com facilidade a ideia, mas é necessário que a convenção seja de mais carência na esposa de José. 
                      Henrique, (não sei seu  sobrenome), estreou muito bem e triangula de forma orgânica com os atores mais maduros com quem divide a cena. Aliás as crianças todas estão muito bem, Alana Ramos, chegou a  desenvolver micro ações que ficaram muito verdadeiras no palco. 
                     As gags de Stalin Ciotti e a energia de Renato Casagrande tornaram o intermezzo vivo, intenso, ágil. Uma agilidade que ajudou na curva do espetáculo. 
                     As soluções rápidas dos  atores são dignas do Máschara, O senhor Manoel saindo para trocar de casaco, a substituição da roupa, o cenário, a cadeira... Tudo reflexo de erros e acertos. Quando algo da errado devemos lembrar que todos erram, mas que a qualidade mais louvável, é a capacidade de solucionar. Lorenzoni administrou rapidamente alguns imbróglios cênicos, e Alessandra Souza esteve uma diva no palco. 
                        Vale também mencionar o poder do prólogo, onde uma suíte da o tom do espetáculo unindo figuras alegoricas conduzidas pelo que seria o Rei Sol e sua fiel auxiliar. Vitoria Ramos e Renato Casagrande fazem ali uma dupla dinâmica e cheia de jogo. Aliás, a pequenina é de extremo profissionalismo., e a construção das três jovens atrizes, Clara Devi, Laura Heger e Antonia Serquevitio. A primeira, caminhando para ser uma grande atriz. 
                             A trilha muito bem administrada por Ellen Faccin, deixa a desejar quando ainda no primeiro ato, há algum tipo de remendo e a aceleração de algumas faixas, pôs em risco muito do espetáculo. 

                O melhor: A intensidade com que o espetáculo foi apresentado, arrancando lágrimas até dos mais incrédulos;
                   O pior: O esquecimento de cenários e figurinos por parte da equipe principal. 



Auto de Natal - Um Milagre de Natal - Ibirubá/RS
sta,I-Renato Casagrande (*)
sta,II-Alessandra Souza (*)
sta,III-Clara Devi (*)

sta,I-Cléber Lorenzoni (***)
sta,III - Fábio Novello (***)
sta,IV- Douglas Maldaner (**)
sta,V- Stalin Ciotti (***)
sta,V- Laura Heger (**)

E-Antonia Serquevittio (**)
E-Vitoria Ramos (**)
E-Nicolas Miranda (**)
E-Romeu Waier (**)
E-Eliani Aléssio (**)
E-Ellen Faccin (**)
E-Alana Ramos (***)
E-Henrique (**)

                             Arte é Vida

                                                          A Rainha




Grupo Teatral Máschara é declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Municipio