segunda-feira, 12 de abril de 2010

Premiados em Itaqui

Festival de Itaqui

As Areias do Tempo


Em Itaqui, ao parar em frente ao teatro Prezewodowski , você tem a nítida impressão de que voltou no tempo, de que está no inicio do século XX. Que damas vão descer de seus coches ornadas de jóias e vão adentrar pelo tapete vermelho em direção aos camarotes imperiais do teatro. As cortinas de veludo, o lustre, as galerias, tudo evoca o tempo que incansavelmente vai passando levando com ele o melhor de cada época.
Dos três dias de festival participei de dois, e assisti há quatro espetáculos: Surrealice, Olhos mortos de sono, O galo Tião e a Dinda raposa, e Ir rita ação. E apesar da pouca idade da maioria dos intérpretes, ví sobre o palco, o tempo. Sim o relójio surreal marcava lentamente que aquele momento mágico da arte também passaria, a  arte-cênica tem carater momentâneo, o que se vê hoje em cena, talvez não seja visto nunca mais, e não há como guardar nem mesmo com a tecnologia, os preciosos momentos de uma interpretação sobre o palco. 
O texto de Charles Lutwidge Dodgson escrito na era Vitoriana fala de uma menina que não compreende o mundo dos adultos, já que esses mais parecem malucos tomando chá o tempo inteiro e falando de uma rainha autoritária, me faziam pensar no tempo, na diferença da infancia e da idade adulta, do choque que lentamente vamos tendo ao percebermos que fazemos agora parte dos convidados do chá. Que perdemos a graça das crianças para nos tornarmos malucos perante elas.  A criada que não consegue suportar as reclamações e atribulações acentuadas pelo choro de uma criança que não a deixa dormir dia após dia, cansaço a cansaço, tempo a tempo... Mesmo a paixão que sempre começa tão maravilhosa e vai se perdendo pelo tempo como com o casal de ir rita ação, ou a mudança de valores surpreendente de um mundo onde a tolerância entre as diferenças desponta por todos os lados como entre a rapoza e a familia galinácea.
O Tempo enfim estava ali presente, as evoluções, a arte. O velho ator que conduz a sua bengala, o jovem ator que surpreende a todos com seu talento, o ator que ve depois de vinte anos vê seu papel sendo reinventado, a atriz que vense barreiras para continuar levando teatro as crianças, os amigos de anos que vão se reencontrando a cada ano nos festivais, ou um mestre que é superado por seu aluno. Assim se mostra a arte, e apesar de ouvir no dia da premiação constantemente a frase: "Está chegando a hora mais esperada", ouso dizer que no dia do galardoamento, a hora esperada já havia passado, fora durante cada abrir de cortinas, foi por isso que este libelo ao teatro aconteceu, para valorizar, apresentar cada obra criada em cada canto do estado.
Foi para que mais gente visse e ajudasse a manter imortal aquele momento do tempo, o momento do teatro.

A Rainha