segunda-feira, 23 de maio de 2011

As Balzaquianas - 37º Cena às 7

          Um Espetáculo para rir e para chorar



O Grupo Máschara não é convencionalmente anticonvencional, nunca chocou ninguém gratuitamente, mas nunca hesitou em tratar de qualquer tema proibido quando sentia que nisto estava justificada a necessidade de transformar o homem.
    Grande parte do público cruzaltense quer ver comédia. E alguns não foram com receio da peça ser carregada de drama; Era no entanto uma tragicomédia. Subgénero dramático, cultivado principalmente do século XVI ao século XVIII, que se caracteriza pela união de características dos subgéneros da tragédia ( assunto e personagens ), com as da comédia (linguagem, incidentes e desfecho ).  Isto é, quem foi riu e chorou, a trama pendia distintamente para ambos os lados e após o derradeiro final a bandeira branca levantava os ânimos.
           Me falaram de dois monólogos, um chamado A Rainha do Rádio, o outro: Delírios de Amores e Cigarros, não sei nada sobre isso, sei o que ví, um espetáculo belíssimo, meio exagerado as vezes mas verdadeiro.
              O trabalho parece ter sido concebido a quatro mãos. E acredito pois o que vi foi o olhar que o Máschara sempre dá sobre os espetáculos clássicos ou contemporâneos. A historia vem da seguinte premissa. Uma dona de casa afixionada por um programa de rádio, ouve num determinado dia, a revolta de sua radialista preferida Adelaide Fontana, que tomada de um extremo de fúria pelos anos dedicados a sua vida vazia e frustrada, resolve lavar a roupa suja de uma cidade e a sua própria em frente aos dois microfones da rádio.
               O que se dá é um compendio de duas mulheres desiludidas, maduras, valentes que escancaram perante o público, temores, amores e dores.
                Um arrojo. 
                 O texto é muito bem pronunciado e os intérpretes tem ótimo desempenho vocal, respiração e domínio; não sei de quem é a autoria dos textos e acho um desrespeito o nome dos autores não constar em lugar algum. Em um deles me confunde a dramaturgia, pois alguns pontos ficam aquéns da compreensão e parecem estar alí apenas para dar vazão aos exageros da atriz, o outro resvala um pouco na postura contra a   ditadura. 
                 A trilha sonora é boa, brega as vezes, é verdade, mas ajuda a compor a época e o jeito de ser daquelas duas mulheres. A iluminação é raza, reflexo de uma sala de espetáculos sem aparato. O cenário é limpo embora o varal de lençol para a sombra chinesa seja de extremo mal gosto. E os figurinos do Brechó do Máschara são adequadíssimos. 
                    Cléber Lorenzoni compõe Adelaide Fontana, belíssimo, nos primeiros minutos a gente esquece que é um homem interpretando a rainha do radio, e que elouquencia no universo feminino. Angélica Ertel também estava bem, ambos tinham gana e competiam lado a lado, respeitando sempre os espaços a serem preenchidos.
                   No final do ato único o que se vê é um encontro de dois atores apaixonados um pelo outro e por seu espetáculo. O clima de alegria e amor que se criara no palco era absolutamente contagiante, provocando essa perfeita integração de espetáculo e platéia que é o verdadeiro fenômeno teatral.



                                                                                        A RAINHA






quarta-feira, 18 de maio de 2011

Feriadão em Bento Gonçalves, por Cléber Lorenzoni

As vezes você não sabe por que faz teatro... As vezes você não sabe ao certo o que sente ou o que sentir quando está em cena. Sabe que sente algo bom, sabe que o aplauso é maravilhoso, que o olhar do colega de cena criando algo com você chega a ser erótico. A energia, o toque, a respiração, a química. O público é voyer, e você se mostra, frente e verso, carne e alma. Alma quando se entraga, lógicamente. As vezes você gostaria de ter talento suficiente para carregar tudo sozinho, para salvar a cena, as vezes você gostaria de desaparecer em meio à uma troca de roupa errada, ou ao gaguejar algo que parecia tão fácil. As vezes você tem vontade de ensaiar muito, mas teus colegas não gostam de ensair muito... As vezes você entraem cena querendo que acabe lógo, mas no decorrer é tão bom, tão brilhante que você arrasta para que dure momentos eternos. As vezes você entra em cena querendo que dure horas, mas está tão cheio de rítmo que passa voando.
O teatro é tão complexo, tão maluco que as vezes nos escapa por entre os dedos. Mas existem vários tipos de artistas, os que amam o drama e desprezam a comédia, os que amam a comédia e fazem pouco do drama, os que amam tudo, os que não amam e fazem apenas por que não sabem fazer outra coisa.  Existe a atriz neurótica, nervosa, frágil, que precisa de ajuda e ama o que faz, mas se sente extremamente sozinha, existe o ator exibido, estrela, que pisa em todos por que no fundo é inseguro, que tem medo que percebam sua frágilidade. Existe o arrogante que nunca aparece, apenas em dias de aprersentações, ele acredita profundamente que é o melhor, mas sua capacidade é liumitadíssima. As pessoas são capazes de acreditar em ótimas mentiras quando bem ditas. Existem as atrizes geniosas, que se negam a fazer tudo, que dão trabalho e que são talentosíssimas. Existem os atores passivos, omissos que nunca opinam, que estão alí por que na vida real se sentem vazios, e querem preencher no teatro esses sulcos que a vida abriu. Existem os atores cretinos. Senhores de sí, que não percebem o quanto são infames. Mas ninguém tem coragem de lhes abrir os olhos. Existem os pequenininhos, humildes que viram Deuses no palco. Existem milhares mas todos são necessários.
Alguém já percebeu o virtuosismo do máschara...? Os atores que fazem parte da trupe são ávidos por ação, em cinco dias cinco espetáculos diferentes... Duas estréias, entre elas a reformulação de Feriadão. E lá estava apenas um dos intérpretes da primeira montagem, por isso mesmo fazendo muito bem sua parte.
Angélica Ertel, Alessandra Souza, Gabriel Wink e Renato Casagrande foram maravilhosos como as quatro crianças atuais. Em Feriadão o Máschara demonstra o dominio que tem da cena, a capacidade em mudar um espetáculo tantas vezes e manter o âmago. Torná-lo palatável ao expectador ainda que com milhares de mudanças. Alguém lembra da Dona Cirandinha? Do Felipão, colega do Felipeto? Alguém percebeu que de cinco crianças viraram quatro e que de quatro tornaram-se novamente cinco? Não era meta-teatro, era ludicismo, era fantasia, era a magia acontecendo. Pena que um espetáculo dure apenas 40 minutos e por isso mesmo é tão triste. Saber que daqui a pouco tudo voltará ao normal... Poderia continuar ainda que com princesas ou super-heróis... Ainda que meio desafinado as vezes, mas percorrido com gana. Parabéns Grupo Máschara por mais uma página que se inicia...

Cartaz da feira de livros de Bento Gonçalves

Crítica da rainha - O Incidente I e II em Bento Gonçalves

                                    Artistas mambembes


Ainda há pouco, ví uma jovem no sinal, vestida de forma espalhafatosa, colorida, com o rosto pintado. Não quero me equivocar dizendo que era uma palhaçinha, mas acredito que a intensão era a mesma. Fiquei analisando e me perguntando até que ponto um artista precisa submeter-se para sobreviver.  Havia naquela jovem um sorriso de quem sabe sua função, de quem precisa beirar a humilhação de cabeça erguida, sim por que embora o artista ame essa exposição toda, ele fica a mercê de coisas horríveis ao se expor.
O artista do palco esta mais protegido. Não corre os riscos da intempérie, ou ainda a exposição à grosserias dos transeuntes. Aquela artista provavelmente daría tudo para ter um contrato. para estar sobre um palco. Como o estavam os atores do Máschara hoje pela manhã no palco da 26ª feira de livros de Bento Gonçalves.
Assisti as duas inserções, terça e quarta. Na primeira vários aquéns, na segunda aplausos merecidos. Angélica Ertel, Gabriel Wink, Cléber Lorenzoni e Luís Fernando Lara são os artistas mais antigos e fizeram o esperado em ambas as apresentações. Alessandra Souza e Renato Casagrande  precisam igualar-se, precisam quebrar a casca. O Incidente parte da premissa do capitulo de mesmo nome dentro do livro O Incidente em Antares de Erico Verissimo. Os sete mortos ganham vida e invadem o coreto da cidade.  A cidade de Antares pode bem ser qualquer cidade do Brasil e por isso mesmo o público se apropria tanto do espetáculo. A direção de Cléber Lorenzoni me confunde nesse espetáculo tão pouco Aristotélico; Curva, catarse, tudo é diferente em O Incidente. Mas é bom se for bem feito. São ótimas personagens, arquétipos contundentes.
Gabriel Wink esteve muito bem em ambas apresentações e Menandro Olinda é sua melhor construção trágica até hoje. Sua apresentação na rua foi uma aula de técnica e sensibilidade, sem o uso das tais perfumarias, "sonoplastia, cenário e iluminação". Um ator contraditório que parece esquivar-se pela tangente de cenas dramáticas mas que é um eximio artista quando em cenas de dor e sofrimento. Luis Fernando Lara é um ator técnico, nunca o ví em uma cena de dor e não sei se sua técnica seria o suficiente para emocionar, para viver uma personagem sofrida. Espero poder vê-lo um dia em algo intensamente dramático. Angélica Ertel encontrou melhores inspirações nessa segunda intervenção de Dona Quitéria Campolargo, mas senti falta de uma partitura mais formal. Cícero foi maestro e guiou a orquestra com mão firma como sempre. "Presença" O resto é silêncio. Mas silêncio agradável, quando acompanhado de intenção.
O Incidente é um texto popular, para se falar e questionar a sociedade, função prima do teatro. O Espetáculo O Incidente do Máschara, é uma união de um belo texto com a interpretação de personagens fortes de Erico Vesrissimo, Um texto de compreensão fácil, de aceitação inegável, um dos textos mais coerentes para o público adulto de uma feira de livros.




                                             A Rainha

Crítica da rainha - Lili em Bento Gonçalves


Eu não lembro...




Será que o ator esquece como atuar? Será que perde sua capacidade, ou enferruja, ou ainda, será que é como andar de bicicleta?
Os atores do Máschara trabalham com teatro de repertório. São quatro ou cinco espetáculos sendo trabalhados ao mesmo tempo, isso requer versatilidade, capacidade... e se eles se propuseram a executar esse intento, devem fazê-lo com maestria, ou não façam!


 Diverti-me muitíssimo assistindo Lili Inventa o Mundo, e claro que depois de assistir por tantas vezes, existem cenas que me "torram a paciência" profundamente. Outras eu já decorei e poderia executá-las, ôta profissão essa em que basta ter sensibilidade ao ver alguém fazendo e você já pode sair repetindo... Mas hoje quando vislumbrava as cenas percebi que alguns atores esqueceram ou relaxaram ou abriram mão de boas tiradas... Alessandra Souza não se fez prezente na apresentação, não a Alessandra atriz que conheci em Progresso em 2010. Será que a atriz esqueceu a formula? Será que ator bom precisa de motivação? Ou ele mesmo cria a motivação? O teatro é a arte do encantamento, nos encante Alessandra Souza. Use dicção, cante, espalhe-se pelo palco... Não era a rainha das rainhas, era a perdida das perdidas. Com todo o respeito, que a pessoa de Alessandra Souza merece, a atriz Alessandra Souza faltou.! Gabriel Wink exerceu sua função, coluna bem trabalhada, mas a percussão poderia ser mais explorada.


O jogo ficou a cargo das já BALZAQUIANAS do teatro, Angélica Ertel e Cléber Lorenzoni lutaram em cena. Faltou jogo, confesso, mas de um para com o outro. Angélica Ertel é sim uma atriz instintiva, mas as vezes erra feio. Cléber Lorenzoni me disse mil coisas com os olhos, seu "poeta" é diversão certa. Ponto! Por que com cinco, será que essa diminuição de elenco vem realmente a calhar. Renato Casagrande deveria ser a terceira peça da engrenagem em Lili Inventa o mundo, mas acaba sendo a ultima. As pessoas confundem energia com correria, presença com exibicionismo e volume com gritaria. Há microfones. Lili já se transformou em espetáculo de rua, e infelizmente alguns intérpretes atuam como se estivessem em seus quartos. Não da para encarar sempre a primeira apresentação da turnê como um aquecimento, uma preparação para a próxima. Lili Inventa o Mundo é um dos cinco melhores espetáculos infantis que já assisti, mas tem sido executado de forma desleixada. Não vou mais elogiar Cléber Lorenzoni, isso me cansa. Faz bem sua parte e ponto!
O teatro pode ser a arte da repetição, mas as crianças de Bento Gonçalves estavam em suas mãos, entregues, dispostas. Vocês abraçam o público com carinho e ele se deixa levar. Então hajam como se fosse uma peça nova. Como se fosse um espetáculo novo. Não estrague seu próprio texto mocinha de rosa. Não subestime as crianças na hora da transformação palhaço menino. E quanto aos outros continuem levando seu talento por todos os lados, pois estão no caminho certo, e que a poesia viva sempre, sempre em seus corações e ponto final...








                                                 A Rainha

segunda-feira, 2 de maio de 2011

As Balzaquianas - 37º Cena às 7

As Balzaquianas - 37º Cena às 7

Adelaide Fontana e Leninha...

Alessandra Souza e sua visão na concepção de Lili em Esconderijos do Tempo

Quando meu diretor Cléber Lorenzoni, pediu-me que falasse sobre qualquer personagem que eu já tenha feito, lógo meu cérebro foi pesquisar e várias personagens me passaram pela mente, cada uma com determinada importância, mas como sempre tem uma que se destaca, que para mim é o meu marco inicial no teatro, a personagem Lili do Espetáculo Esconderijos do Tempo, e não é só a minha personagem favorita, mas também a que mais me exigiu e exige até hoje.
Quando entrei no Grupo Máschara, para nos dar uma noção do que é teatro o diretor Cléber pediu para a atriz Kellem Padilha, fazer a cena como Lili, eu assistindo, sem noção nenhuma de técnica ou qualquer outra coisa, fiquei fascinada com a personagem, no ano seguinte eu entrei no grupo e a Kelem saiu da Cia. então abriu vaga e começaram os testes. Eu só havia interpretado duas personagens. No "Ed" que fiz um "tipo" e em Lili Inventa o Mundo a "Rainha das Rainhas" e todas com pequenas participações, era um desafio fazer um cena inteira com curva dramática, emoção, presença...
Era uma cena só pra mim, éramos a disposição duas atrizes que começaram juntas.
Foi quando começou o desafio cantar, dançar, acreditar, emocionar, tudo com um novo desafio, dediquei-me portanto a passar a cena em casa várias e várias vezes, entrar cantando e dançando é um desafio que tenho até hoje, mas evoluí um pouco, tirar meus vícios de mão, "nuvem" também foi complicado, mas penso que venci. Entrar na historia, emocionar-me, transparecer a minha alma, sem parecer a Alessandra, e mesmo assim sendo eu, é  que mais gosto. Hoje percebo o porque amei tanto a Lili, a primeira vista é porque sou eu no âmago de inocência e meiguice, mas a vida vai nos tirando e o teatro vai nos polindo e nos deixando ver realmente quem somos independente de ser o que o mundo espera de nós. Por que muitas vezes somos apenas o que a vida exige de nós e nem sabemos quem somos de verdade.


Alessandra Souza    

Dia 15 de Maio Estréia...

As Balzaquianas  

foto:   Dieguito Pedroso

Pré-divulgação de As Balzaquianas

domingo, 1 de maio de 2011