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sexta-feira, 6 de setembro de 2019
quinta-feira, 27 de junho de 2019
quarta-feira, 8 de maio de 2019
Crítica do espetáculo As balzaquianas por Antonio Carlos Brunet
CENA VIVA 2019 - FESTIVAL INTERNACIONAL DE TEATRO DE SANTA ROSA
As Balzaquianas
Cruz Alta-RS
As Balzaquianas
Cruz Alta-RS
Crítica do espetáculo por Antonio Carlos Brunet
Equilíbrio raro, entre ternura, irreverência e ousadia, é o que consegue Cleber Lorenzoni e o Grupo Teatral Maschara, de Cruz Alta, RS, com o espetáculo As Balzaquianas.
Estamos diante de uma livre adaptação do monólogo de José Saffioti Filho, A Rainha do Rádio. Numa manobra arriscada, porém vitoriosa, Cleber Lorenzoni ousa introduzir outra personagem ao texto original, criando assim Leninha, sua ouvinte e fã ardorosa. Adelaide, personagem central, é uma locutora de rádio, que mantém um programa diário, ao meio-dia, sobre variedades, inserções musicais, poesias e comentários sobre o cotidiano das pequenas cidades do interior. Durante a ação, Adelaide comemora os 25 anos do programa, de maneira muito peculiar: ao invés de ir ao ar ao meio-dia, está sendo transmitido à meia-noite, já que ela tem como entrar no prédio e colocar a rádio no ar. Por estar comemorando, ela, durante o programa, brinda aos seus ouvintes com um espumante, que ela bebe, e que, com o passar do tempo, vai alterando o comportamento da distinta apresentadora. Leninha, do outro lado, ouvindo o programa, reage à altura às provocações de Adelaide.
Estabelecida tal circunstância, Cleber Lorenzoni deita e rola, com picardia e irreverência, sem 'perder a ternura jamais', lançando um olhar agudo, crítico e solidário às agruras femininas, com elas (as agruras e as mulheres) identificando-se plenamente e, com seu talento e perspicácia, envolvendo a todos nós, espectadores, convidando-nos a um mergulho vertical às profundezas da alma feminina.
Há respeito e admiração. Há deboche e inconformismo. Há delicadezas e grosserias. E, sobretudo, há um talento e uma verve extraordinários desse ator/diretor que, mesmo nos momentos onde, à primeira vista, corre o risco de cair numa vala comum de concessões e apelos chulos, estes são objetivamente direcionados, e com maestria, coerentemente à concepção, que visa traçar um painel sensível e humano sobre a solidão humana (tanto faz feminina quanto masculina). No caso específico, a escolha cai sobre uma personagem feminina. Representada, porém, por um homem; o que escancara sobremaneira, via distanciamento, a necessidade e a justa premência do empoderamento que se estabelece no decorrer da ação. Cleber Lorenzoni, com sua Adelaide, é a mulher mais empoderada vista em cena, durante o Festival Cena Viva, de Santa Rosa, RS, 2019. Ativo e enfático ele dá conta do recado, na prática, sem levantar bandeiras e teorias, ao contrário do que sói acontecer muitas vezes, com trabalhos absolutamente apáticos, onde o empoderamento buscado permanece tão somente como um tremendo esforço de ser, encoberto por camadas de passividade.
O Grupo Teatral Maschara chegou, ao longo de seus 27 anos de existência, a um patamar incontestável de qualidade em seus trabalhos. Tudo gira a favor da plenitude do espetáculo: cenário, trilha, iluminação e figurinos, com unidade, bom gosto e simplicidade.
Dulce Jorge, atriz e fundadora do Grupo, juntamente com Cleber Lorenzoni, defende com garbo sua dona-de-casa rádio ouvinte. A direção usou o artifício da ouvinte alheia ao universo original do texto, inserindo-a, não meramente como escada para os devaneios e discursos de Adelaide, mas, principalmente, como representante legítima da mulher comum, que ao se permitir transformar, abre portas para que se estabeleça um empoderamento consciente, que jamais havia sonhado ter e poder.
Esfuziante. Borbulhante. Inebriante como uma taça de champanhe, que nos leva - como um soco na boca do estômago - à reflexão sobre as contradições e as condições do feminino no mundo contemporâneo, é o que nos proporciona As Balzaquianas.
Estamos diante de uma livre adaptação do monólogo de José Saffioti Filho, A Rainha do Rádio. Numa manobra arriscada, porém vitoriosa, Cleber Lorenzoni ousa introduzir outra personagem ao texto original, criando assim Leninha, sua ouvinte e fã ardorosa. Adelaide, personagem central, é uma locutora de rádio, que mantém um programa diário, ao meio-dia, sobre variedades, inserções musicais, poesias e comentários sobre o cotidiano das pequenas cidades do interior. Durante a ação, Adelaide comemora os 25 anos do programa, de maneira muito peculiar: ao invés de ir ao ar ao meio-dia, está sendo transmitido à meia-noite, já que ela tem como entrar no prédio e colocar a rádio no ar. Por estar comemorando, ela, durante o programa, brinda aos seus ouvintes com um espumante, que ela bebe, e que, com o passar do tempo, vai alterando o comportamento da distinta apresentadora. Leninha, do outro lado, ouvindo o programa, reage à altura às provocações de Adelaide.
Estabelecida tal circunstância, Cleber Lorenzoni deita e rola, com picardia e irreverência, sem 'perder a ternura jamais', lançando um olhar agudo, crítico e solidário às agruras femininas, com elas (as agruras e as mulheres) identificando-se plenamente e, com seu talento e perspicácia, envolvendo a todos nós, espectadores, convidando-nos a um mergulho vertical às profundezas da alma feminina.
Há respeito e admiração. Há deboche e inconformismo. Há delicadezas e grosserias. E, sobretudo, há um talento e uma verve extraordinários desse ator/diretor que, mesmo nos momentos onde, à primeira vista, corre o risco de cair numa vala comum de concessões e apelos chulos, estes são objetivamente direcionados, e com maestria, coerentemente à concepção, que visa traçar um painel sensível e humano sobre a solidão humana (tanto faz feminina quanto masculina). No caso específico, a escolha cai sobre uma personagem feminina. Representada, porém, por um homem; o que escancara sobremaneira, via distanciamento, a necessidade e a justa premência do empoderamento que se estabelece no decorrer da ação. Cleber Lorenzoni, com sua Adelaide, é a mulher mais empoderada vista em cena, durante o Festival Cena Viva, de Santa Rosa, RS, 2019. Ativo e enfático ele dá conta do recado, na prática, sem levantar bandeiras e teorias, ao contrário do que sói acontecer muitas vezes, com trabalhos absolutamente apáticos, onde o empoderamento buscado permanece tão somente como um tremendo esforço de ser, encoberto por camadas de passividade.
O Grupo Teatral Maschara chegou, ao longo de seus 27 anos de existência, a um patamar incontestável de qualidade em seus trabalhos. Tudo gira a favor da plenitude do espetáculo: cenário, trilha, iluminação e figurinos, com unidade, bom gosto e simplicidade.
Dulce Jorge, atriz e fundadora do Grupo, juntamente com Cleber Lorenzoni, defende com garbo sua dona-de-casa rádio ouvinte. A direção usou o artifício da ouvinte alheia ao universo original do texto, inserindo-a, não meramente como escada para os devaneios e discursos de Adelaide, mas, principalmente, como representante legítima da mulher comum, que ao se permitir transformar, abre portas para que se estabeleça um empoderamento consciente, que jamais havia sonhado ter e poder.
Esfuziante. Borbulhante. Inebriante como uma taça de champanhe, que nos leva - como um soco na boca do estômago - à reflexão sobre as contradições e as condições do feminino no mundo contemporâneo, é o que nos proporciona As Balzaquianas.
AS BALZAQUIANAS
Texto adaptado - Cleber Lorenzoni & Angélica Ertel Cenografia - Grupo Teatral Maschara Iluminação - Renato Casagrande Sonoplastia - Angélica Ertel Figurino - Cleber Lorenzoni Maquiagem - Cleber Lorenzoni & Dulce Jorge Elenco - Dulce Jorge / Cleber Lorenzoni Direção - Cleber Lorenzoni
Texto adaptado - Cleber Lorenzoni & Angélica Ertel Cenografia - Grupo Teatral Maschara Iluminação - Renato Casagrande Sonoplastia - Angélica Ertel Figurino - Cleber Lorenzoni Maquiagem - Cleber Lorenzoni & Dulce Jorge Elenco - Dulce Jorge / Cleber Lorenzoni Direção - Cleber Lorenzoni
Antonio Carlos Brunet
Maio 2019.
Maio 2019.
segunda-feira, 29 de abril de 2019
domingo, 28 de abril de 2019
sexta-feira, 26 de abril de 2019
sexta-feira, 5 de abril de 2019
Em abril no festival Cena Viva tem As Balzaquianas
quinta-feira, 30 de agosto de 2018
sábado, 26 de maio de 2018
806 - As Balzaquianas - tomo 10 - 72º Cena Às 7
As Balzaquianas marca a passada de Angelica Ertel pelo Máschara, pois foi o ultimo espetáculo a ser montado com a participação de Angelica Ertel, e que participação. A Atriz que fez parte do Máschara por tantos anos, codirigiu e atuou como uma "diva" ao lado de Cléber Lorenzoni. Enquanto a atriz esteve na Cia. dedicou-se memoravelmente e é impossível aos contemporâneos assistirem esse espetáculo sem lembrarem dessa atriz. Por outro lado quem assistiu As Balzaquianas nesse domingo de Cena às 7 possivelmente imaginou que Dulce Jorge fosse mesmo a primeira interprete de Leninha, tal sua desenvoltura, segurança e força em cena.
Os dois monstros enfrentaram família, enfrentaram partidos políticos, enfrentaram auditórios vazios, invernos gelados, crises politicas, falta de verba, intrigas, mas não caíram. O Máschara se reinventou e assim deve ser para uma instituição que dure, reinventar-se, descobrir o melhor a dar ao público, sair as ruas, aproximar-se da platéia, agradecer o amor do público. Humildade, generosidade, trabalho e sensibilidade. Esse certamente é o lema do Máschara.
Sobre o palco diretor e diretora, profundidade, constância, um texto bem pronunciado, pausas, intenções, triangulação. Bons exemplos para quem está começando. Ambos se entregam passionalmente, Cléber Lorenzoni como a radialista Adelaide Fontana e Dulce Jorge como Dona Leninha. Ela é a água, passional, impulsiva, geniosa, intensa, Ele a terra, a segurança, o razão, a lógica. Juntos ambos formam uma unidade emocionante e louvável.
A direção de Angelica Ertel e Cléber Lorenzoni valorizou cada trecho do texto e vai conduzindo a trama para um desfecho apoteótico, onde Adelaide Fontana chega ao extremo de sua capacidade de suportar a vida que a destruiu. A curva acentua-se com a revelação das dores das duas mulheres que permitiram amar e acabaram por se amargurar devido ao peso de um jugo machista. A narrativa da radialista foi tirada da obra A rainha do Rádio de José Saffioti Filho, e direciona por tanto todo o espetáculo. Dona Leninha representa uma das ouvintes e nos mostra o lado de lá, onde em meio a solidão apenas a voz de Adelaide consegue chegar. Ambas estão solitárias, ambas cantam, bebem, fumam, falam de seus dias perdidos, produzem o ritual do enterro...
A iluminação de Gabriel Wink e a trilha de Angelica Ertel cumprem-se de forma exemplar nas mãos de Renato Casagrande e Alessandra Souza e oferecem ao espectador o ambiente perfeito para delirar nas asas do teatro. É preciso ainda mencionar a dedicação do jovem Stalin Ciotti que torcemos que um dia seja um dos atores do primeiro escalão do Máschara, pois a cada dia se mostra mais esforçado e digno de admiração.
Em alta: A capacidade do Máschara de levar ao palco espetáculos de nível profissional mesmo com produção do próprio bolso.
Em baixa: Os desentendimentos internos, os orgulhos, as vaidades que colocam em risco um trabalho incrível.
Espetáculo ; A Rainha do Rádio Direção Cléber Lorenzoni e Angelica Ertel Elenco Dulce Jorge e Cléber Lorenzoni Assistência Renato Casagrande Trilha Sonora Angelica Ertel Iluminação Gabriel Wink Contra-regragem Stalin Ciotti e Evaldo Goulart Portaria Sandra Lazzari Ricardo Fenner Operadores Técnicos Alessandra Souza e Renato Casagrande Figurino: Cléber Lorenzoni Fotografia Alexandre Giacomini Cenário Angelica Ertel e o Grupo Arte Gráfica Renato Casagrande Produção Cléber Lorenzoni e Ricardo Fenner Divulgação Ricardo Fenner Realização Grupo Máschara
terça-feira, 22 de maio de 2018
segunda-feira, 21 de maio de 2018
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