segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Sobre Lili Inventa o Mundo em Viamão

                           Toda vez que assisto um espetáculo que já assisti, faço um exercício profundo de libertação. Isto é, tento esquecer tudo o que vi anteriormente e me colocar aberto para as coisas novas que a então apresentação vai me oferecer. Nos espetáculos do Máschara por exemplo, há sempre algo novo. Algo que me lança para uma situação ímpar. Cléber Lorenzoni você me surpreende sempre com seus admiráveis atores. Em um mesmo dia assisti duas incursões ao mundo infantil de Mario Quintana. Na primeira, poesia e jogo, na segunda, ritmo confuso e agonia. Na primeira, Cléber Lorenzoni e Gabriel Wink renderam o público. O que mais esses atores ainda conseguem fazer em cena? O virtuosismo, as entradas e saídas, uma surpresa nova a cada instante. Certamente três estrelas para ambos.  Alessandra Souza esteve soberba. Sua Rainha das Rainhas finalmente é um personagem a mais em Lili Inventa o Mundo. Seu corpo e voz. Tudo trabalhou em prol da ação e não poderia voltar para casa sem as três estrelas que mereceu. Angélica Ertel esteve bem, mas sua voz baixa prejudicaram o espetáculo. Onde está a atriz tão completa de técnica vocal? Não era um espaço tão grande. Mereceu duas estrelas pela interpretação bonita e continuada. Renato Casagrande esteve bem, sem grandes vigores. As vezes o ator divide-se seu talento em energia e nuance, andas devem andar juntas! Duas estrelas.
                                     Lili Inventa o Mundo esteve na feira substituindo um espetáculo de outra Cia. e que bom que o fez, quem esteve na praça da prefeitura não se arrependeu e divertiu-se a valer. O palco era pequeno, mas o elenco correu, explorou o espaço, subiu e desceu do palco. Foi sem dúvida uma das melhores apresentações do Máschara. 
                                       Na versão da tarde, Lili Inventa o Mundo surpreendeu pelo ritmo diferenciado. Quem assistiu aos dois espetáculos deve ter percebido a discrepância. Havia microfones o que causou um verdadeiro pandemônio pelo palco. Cléber Lorenzoni pareceu desesperado em segurar cenas que pertenciam à Lili, que por sua vez adentrava o palco com seu figurino aberto, o que não chegava a prejudicar a cena, mas chamava a atenção pelo descuido. Já que o sutiã da atriz teimava em aparecer. Foi um espetáculo confuso, e que pelo número de problemas poderia ter oferecido mais comoção ao público. no entanto faltou o jogo para que a comoção se estabelecesse; Angélica Ertel poderia ter segurado a interpretação e Renato Casagrande esqueceu-se do que era trabalho em equipe. Ambos ganham uma estrela. Alessandra Souza recebe duas pelo seu trabalho continuado da manhã ao lado de Gabriel Wink que a tarde não trazia toda a alma da manhã;;; Cléber Lorenzoni começou fraco, talvez. Mas no decorrer, motivado talvez pelos percalços da encenação, cumpriu seu trabalho, segurando a platéia e arrancando boas gargalhadas. Mais três estrelas para esse admirável ator...
                                                A sonoplastia de Newton Morais foi muito bem trabalhada e o jovem merece três estrelas no mínimo em uma das apresentações. Gabriela Varone traalhou bem mas poderia ter impedido a organização sonora da feira, de ficar atrapalhando a cena e ainda, poderia ter ficado ao lado dos atores no momento de aprontá-los para a cena.
                                            Foi em fim um dia como outro qualquer de bom teatro e de revelações!!!!



                                                A Rainha

Texto para leitura dramática II


A MAIS FORTE
De August Strindberg
Tradução de Thais A. Balloni
Cenário: uma casa de chá, duas mesas de canto, uma sofá forrado de veludo vermelho, várias cadeiras.
Miss Y sentada no canto do café à sua frente uma garrafa vazia ale (espécie de cerveja). Ela lê uma revista, que mais tarde troca por outras. Mrs. X entra vestida com roupas de inverno, chapéu, capote, carregando uma sacola de compras, de desenho estranho.

Ensaios de Um Inimigo do Povo - 2007

Lili tentando inventar seu mundo para Mario Quintana

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O Público infantil do Máschara em Bento Gonçalves

Com o público infantil

Teatro 24 horas por dia

Leitura dramática I -Texto Essa propriedade está condenada - Texto para dois atores

De Tennesse Williams
Tradução de Domingos Oliveira
Distribuído através do site www.oficinadeteatro.com Para uso comercial, pedimos a gentileza de entrar em contato com o autor ou representante!
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(Nos trilhos do trem nos arredores de uma pequena cidade do Mississipi. O céu está branco como o leito. É de manhã e de vez em quando um corvo grasna. A menina Willie avança, equilibrando-se no trilho, os braços abertos. Numa mão uma banana, na outra uma boneca loura e destruída. Tem treze anos e uma inocência a despeito da aparência. O garoto Tom, um pouco mais velho, olha ela. Usa calças curtas, suéter, traz uma pipa com uma bonita cauda).

TOM: Oi. Como é seu nome?
WILLIE: Não fale comigo antes de eu cair. Segure minha boneca manca – faz favor.
TOM (pegando num salto): Faço.
WILLIE: Eu não quero – que ela quebre quando – eu cair! E acho que não vou – agüentar – muito mais – você não acha?
TOM: Não sei...
WILLIE: Estou quase caindo.
(Tom vai ajudá-la).
WILLIE: Não, não toca em mim! Se ajudar não vale. Tem de ser sozinho. Meu Deus, eu estou tremendo hoje! Não sei o que me botou nervosa! Ta vendo o reservatório d`água lá atrás?
TOM: Han?
WILLIE: Foi lá que subi no trilho! É o mais longe que eu já consegui, vir sem cair nenhuma vez. Quer dizer, se eu conseguir chegar lá no poste de telefone! Ah! Lá vou eu! (Cai).
TOM: Machucou?
WILLIE: Ralei o joelho, só. Ainda bem que eu não estou com minhas meias de seda, ainda bem.
TOM (sentado): Cospe no joelho. É bom, não inflama.
WILLIE: Tá. (faz).
TOM: Os bichos todos fazem isso. Eles sempre lambem as feridas.
WILLIE: Eu sei. Acho que o principal foi minha pulseira, é. Caiu um dos diamantes. Onde é que será que está?
TOM: Não vai ser fácil achar não, no meio desse cascalho todo.
WILLIE: Mas deve dar, ele brilha muito.
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TOM: Mas não era verdadeiro, era?
WILLIE (rindo): Como é que você sabe?
TOM (encabulado): Imaginei (refazendo-se.) Porque se fosse você não ficava aí andando em cima dos trilhos com sua boneca velha e meia banana...
WILLIE: Eu não teria tanta certeza. Pode ser que eu seja excêntrica ou qualquer coisa assim, nunca se sabe. Como é seu nome?
TOM: Tom
WILLIE: O meu é Willie. Nós dois temos nome de homem.
TOM (rindo): E como é que foi isso?
WILLIE: Meus pais estavam esperando um garoto, eu acho. Garota eles já tinham. Alva é o nome dela. Minha irmã. Por que você não está no colégio?
TOM: Achei que ia ventar e que eu ia poder levantar meu papagaio.
WILLIE: Por que é que você achou que ia ventar?
TOM: Porque o céu está branco.
WILLIE: E isso é sinal de vento?
TOM: Claro!
WILLIE: Eu sei que é. E está branco mesmo. Parece que foi tudo varrido com uma vassoura, não parece?
TOM: Parece mesmo.
WILLIE: Branquinho como uma folha de papel.
TOM: Hum, hum.
WILLIE: Mas não tem vento.
TOM: Não tem não.
WILLIE: Tem sim, bebê, mas está alto demais pra gente sentir. Alto, alto, varrendo tudo, lá no sótão do céu.
TOM: Hum, hum. E você, não está no colégio?
WILLIE: Eu não, eu larguei. Já faz dois anos que eu larguei.

TOM: Em que ano você estava?
WILLIE: Quinto.
TOM: Miss Preston.
WILLIE: Ela mesma. Ela sempre dizia que minhas mãos estavam sujas, até que expliquei que era cinza de trem, de tanto eu cair dos trilhos...
TOM: Ela é fogo.
WILLIE: Fogo o que, ela é seca assim porque não casou. Provavelmente ninguém quis, coitada. Então ela teve de ficar sendo a professora da quinta até morrer. Eu detestava era Álgebra, nunca consegui entender pra que servia aquele x...
TOM: Andar nos trilhos não ensina ninguém.
WILLIE: Nem empinar pipa. E sabe o que mais...
TOM: O que?
WILLIE:...uma menina não precisa muita coisa. Precisa saber conviver na sociedade, isso sim. Minha irmã alva me ensinou tudo. Os homens da ferroviária adoravam ela.
TOM: Os engenheiros de trens?
WILLIE: Engenheiros, maquinistas, os caras da fornalha... Ela era o que a gente pode chamar de “Atração Principal”. Linda? Jesus, ela parecia uma artista de cinema.
TOM: Sua irmã?
WILLIE: Um deles, da ferroviária, toda viagem trazia pra ela uma caixa de bombom em forma de coração com um laço vermelho em cima, toda viagem. Não é maravilhoso?
TOM: É. (um corvo canta).
WILLIE: Sabe onde Alva está agora?
TOM: Em Menfis?
WILLIE: Não!
TOM: Nova Orleans?
WILLIE: Não. Terceira chance.
TOM: São Luís?

WILLIE: Você nunca vai adivinhar.
TOM: Onde?
WILLIE: Última morada, cemitério, túmulo, tumba, buraco...Não entende inglês não?
TOM: Entendo! Desculpe.
WILLIE: Não tem de que. Você não sabe nem da metade, meu camaradinha. Nós passamos uns grandes tempos naquele casarão amarelo.
TOM: Foi, é?
WILLIE: Tinha música o tempo todo, música de verdade, gente, tocando.
TOM: Que instrumentos?
WILLIE: Piano, guitarra havaiana. E tinha vitrola também, quando eles cansavam. Todo mundo tocava alguma coisa. Agora não. Agora aquilo lá está quieto. Horrivelmente quieto. Você não houve nem som quando passa por lá, ouve?
TOM: Não. Está vazio lá agora, não está?
WILLIE: Quase. E pregaram uma placa enorme na fachada.
TOM: Dizendo o que?
WILLIE: Esta propriedade está condenada. Só que eu continuo morando lá.
TOM: Sozinha?
WILLIE: Hum, hum.
TOM: Mas o que aconteceu. Por que todo mundo foi embora?
WILLIE: Mamãe fugiu com um homem que freiava o trem das oito. Depois disso foi tudo pro brejo. (um trem apita longe.) Ouve isso? Esse é o apito do Expresso do Sul. A coisa mais veloz que corre entre São Luís, Menfis e Orleans. Meu pai bebia muito. Era um bêbado mesmo.
TOM: Quedê ele agora?
WILLIE: Sei lá, desapareceu. Acho que qualquer dia eu devia dar parte à polícia, eles lá tem uma seção de desaparecidos. Sei porque ele deu parte quando mamãe desapareceu. Aí ficou eu e Alva. Até os pulmões de Alva ficarem doentes. Você vai ao cinema? Viu Greta Garbo na “Dama das Camélias?” Passou aqui no ano passado na primavera. Ela tinha a mesma coisa que Alva teve. Doença do pulmão.
TOM: É?


WILLIE: Só que com ela, a Greta Garbo, foi mais bonito. Você sabe como é no cinema, violinos tocando. E montes e montes de flores brancas e os namorados todos voltando pra ver ela morrer.
TOM: Eu não vi.
WILLIE: Os de Alva sumiram todos, não apareceu um.
TOM: Foi, é?
WILLIE: Como ratos que abandonam um navio naufragando! Assim é que ela falava. Perguntava: quede o Alberto? Quede o Clemente? Mas não tinha ninguém por perto. “Onde é que está o Johnson”, ela me perguntou. O Johnson era o Superintendente do Almoxarifado da Ferroviária, o cara mais importante que já tinha ido lá em casa. “Ele não trabalha mais aqui. Foi transferido de cidade, eu dizia. Mas deixou lembranças”. Mas ela sabia que eu estava mentindo. “Assim é que eles me pagam”, ela dizia: “Ratos!” Fugiram todos, menos o Sidney.
TOM: Quem era o Sidney?
WILLIE: Aquele das caixas de bombom.
TOM: Ah.
WILLIE: Mas Alva não ligou nunca pro Sidney. Ela dizia que os dentes dele não eram bons.
TOM: Ah.
WILLIE: Não foi uma morte como nos filmes, ah, não foi não. Não teve violinos. Não teve nem vitrola! Ela pediu, mas o hospital não deixou, era contra os regulamentos. Gostava muito de cantar.
TOM: Alva?
WILLIE: Sabia todas as letras. A favorita dela era assim: (canta.)
Você é minha estrela única
No meu céu azul
E você vive brilhando
Só pra mim!
Só que eu desafino, eu sou horrorosa, quando eu cantava Alva me mandava calar a boca. Mas ela não, ela cantava abessa, a noite toda. Essas roupas eram dela. Herdei. Tudo de Alva agora é meu. Menos o colar de bolinhas de ouro puro.
TOM: Aconteceu o que com ele?
WILLIE: O colar? Ela nunca tirou.
TOM: Ah!

WILLIE: E eu herdei também todos os namorados dela. Alberto, Clemente e até o superintendente do almoxarifado. No início eles sumiram todos. Acho que ficaram com medo de ter de pagar alguma despesa, ou coisa assim. Mas, de uns tempos para cá voltaram. Igual andorinhas. Me levaram para sair a noite. Agora eu sou popular: vou a todas as festas da ferroviária. Olha aqui!
TOM: O quê?
WILLIE: Como eu danço bem. Eu sei mexer minhas cadeiras (E mexe.)
TOM (num rasgo de coragem): Frank Waters disse que...
WILLIE: O que ele disse?
TOM: Você sabe.
WILLIE: Sei o que?
TOM: Que você levou ele pra dentro de sua casa...e dançou pra ele sem roupa.
WILLIE: Ah, isso. Minha boneca maluca está precisando lavar a cabeça. Eu fico com medo de lavar, com medo que a cabeleira descole, que a cabeça tá meio rachada, você viu. Os miolos dela devem ter saído todos. Ela anda completamente boboca depois que rachou. Anda dizendo e fazendo coisas horrorosas. Preciso colar ela.
TOM: Por que você não faz a mesma coisa comigo?
WILLIE: Colar tua cabeça?
TOM: Mesma coisa que você fez com Frank Waters.
WILLIE: Porque naquele dia eu estava me sentindo muito sozinha e hoje não estou. E você pode dizer isso pro Frank Waters, se você quiser. Diz a ele que eu herdei todos os namorados de minha irmã. Agora eu saio com homens adultos, homens que tem empregos importantes. O céu está mesmo branco. Como uma folha de papel.
No quinto ano Miss. Preston dava pra gente folhas de papel em branco e deixava desenhar o que a gente quisesse. Eu desenhei meu pai bebendo numa garrafa. Ela achou bom e falou: “Olha aqui. Um retrato de Carlitos com o chapéu do lado da cabeça”. Aí eu disse: “Não é Carlitos, é meu pai, e não é chapéu, é uma garrafa”. Todo mundo riu muito.
TOM: E Miss. Preston.
WILLIE: Ninguém consegue fazer uma professora rir. E você metas idéias na cabeça – quando passar pela casa amarela grite que se eu estiver apareço na porta, você é um bom menino. Quer dizer, não sei quanto tempo eu vou morar lá: a propriedade está condenada, apesar de não ter nada errado com ela. Um cara do governo ficou rondando anteontem. Eu reconheci logo, pelo tipo de chapéu.
TOM: E você fez o que? www.oficinadeteatro.com
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WILLIE: Me escondi, ele foi embora. Você dá um recado a Frank Waters que eu mandar?
TOM: Dou.
WILLIE: Diz a ele que eu fui dançar no Cassino Lagoa Azul. E que cheguei em casa bêbada, de manhã! Que lá teve música com todo tipo de instrumentos, até trombone e trompetes. E guitarras havaianas. E que eles tocaram até música de Alva.
TOM: Está bem. Eu digo.
WILLIE: E agora eu vou voltar.
TOM: Pra onde, Willie?
WILLIE: Pro tanque d´agua, começar tudo de novo. Vai ver qualquer dia eu quebro um recorde. Alva uma vez quebrou um, numa maratona de Danda em Meville. É atravessando a linha do trem. Alabama. E diz ao Frank que agora eu não tenho mais tempo pra garotos da idade dele.
TOM: Eu estou aqui pensando...
WILLIE: O quê?
TOM: Se tudo isso é verdade mesmo ou se você está inventando um bocado.
WILLIE: Não estou inventando nada não, seu bobo. Nem contei tudo. Eu podia provar, mas não vale a pena. Tchau. (E vai equilibrando-se nos trilhos.).
(Luzes se apagam...)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Mais uma do público do cena às 7

Nice Padilha,  Lúcia Bagatini Muradás e Rosane Barbosa Marques, presenças especiais no 43º Cena às 7

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

44º Cena às 7

Garibaldi - fim da tournê

Cenas finais...

                A ultima apresentação do Máschara em Garibaldi foi com o espetáculo Feriadão, sem muitas revelações. Historia novamente bem contada, maquiagens interessantes, embora a sombra colorida nas pálpebras tenha sido abolida, mas alguns atores ousam sempre poluir as coisas cheios de boas intenções. 
                       Os destaques do dia ficaram para Renato Casagrande e Alessandra Souza, ambos muito ativos em cena, colunas impecáveis, focados no trabalho, merecem três estrelas.. Alessandra Souza é uma atriz que a cada dia se destaca mais, provavelmente pela sua garra e paixão pelo que faz. Outra coisa que pesa para sua melhora é o tempo, tempo é algo valioso no teatro. Uma atriz com cinco ou seis anos jamais terá a carga e a técnica de uma atriz com dez, doze ou quinze anos de palco. 
                        O teatro tem uma regra muito interessante, os atores que começam em papéis principais geralmente descem para os coadjuvantes, e os que começam pelos coadjuvantes vão lentamente escalando o caminho em direção aos principais. Não há nada de depreciativo em nenhuma das duas situações, mesmo por que principais e coadjuvantes não se distinguem em talento. O principal é apenas aquele que assume o papel tema de um espetáculo, o que o conduz. Pode ser por ter um físico ou uma idade apropriadas, como pode ser por seu talento em conceber tal personagem. Mas quem aproveita mesmo são os coadjuvantes. Eles não carregam o peso de defender e guiar o espetáculo, eles são o recheio dessa maravilhosa torta, eles dão o gostinho a mais, as surpresas...
                              Artistas são pessoas muito complexas, carregam consigo os dramas de suas personagens, debatem-se em erros e acertos. Os leigos costumam vangloriar a vida dos artistas por esses terem o privilégio de viverem várias vidas. Mas será que carregar dentro de sí mesmo o sofrimento e a delícia de tantas vidas é algo sadio e agradável? Áh! Os leigos! 
                               Gabriel Wink destaca-se muito em seu Felipinho, mas me questiono se aquele vovô tão adulto, tão traquejado, falador, não deveria ter mais detalhes de menino, para que fosse verossímel sua transformação. Outro detalhe relevante é o figurino, Gabriel Wink, ator tão detalhista, mantenha o colete do vovô abotoado. Costumes teatrais costumam ser feito as pressas e quase sempre não tem forro, tem costuras nem sempre muito bem acabadas por "n" motivos que nós amantes do teatro compreendemos, portanto, abotoe o figurino! 
                               Angélica Ertel carrega nessa multidão de vidas internas, Lili, Rosa Maria e finalmente Serenita, isso se mencionarmos apenas personagens infantis. E admiro sua mutação para compor cada uma delas. A destreza com que adapta sua postura para o público menor ou maior é algo muito bonito de se ver.                                      
                                     Cléber Lorenzoni da a voz e linha do espetáculo e é dele a voz que mais se escuta, por que os outros colegas de cena não se espelham nesse exemplo e brindam o público com mais potência vocal?  
                                    A sonoplastia foi bem administrada, mas continuo aconselhando o Máschara a investir em um bom sonoplasta que dedique-se apenas a esse setor do trabalho.
                                     Há esses três brilhantes atores, duas estrelas...

                                         A Rainha...

                       
                                 
                              

Mathias, o pequeno pé de pilão!

sábado, 12 de novembro de 2011

A Maldição do Vale Negro - Garibaldi nov/2011

O Erro e o acerto

                       Teatro é algo muito complexo. Ninguém mede talento, não há certo e errado, digo sempre que o que o rege é o bom senso... Mas enfim, quem pode culpar ou julgar o mal senso? É difícil comandar o trabalho de atores, há sim o diretor, mas uma vez na cena, o ator é senhor de suas ações, o ator pode salvar, ou destruir um espetáculo. 
                      E por isso o teatro é inigualável, um jogo indescritível, um equilibro, uma ação as vezes confusa para os leigos, um misto de sentimentos, uma fogueira de vaidades, com seus limites próprios impostos a cada novo espetáculo. Na verdade o que mede a sagacidade, o talento, o sucesso de um espetáculo, é o público, no entanto, o público as vezes não é muito exigente, e por tanto, aplaude sucessos e fracassos com a mesma energia e calor. 
                        Eis portanto a função do crítico, tentar guiar o olhar dos atores quando eles começam a guiar cada um sua atuação para um lado diferente da visão do diretor... ou do tal bom senso! A Maldição do Vale Negro apresentada em Garibaldi, encheu os olhos da platéia formada por alunos e professores. Os atores estavam contundentes em suas atuações, explosivos como a comédia deve ser, e arrancaram gargalhadas. No entanto a falta de ensaio ocasionada pelo grande número de espetáculos que formam o repertório do Máschara, acarretaram algumas desnivelações com a base do trabalho. 
                          Esquecimento de texto, exacerbações nas atuações. Ricardo Fenner pesou demais a energia  nas primeiras cenas, o que pôs em risco toda a medida do espetáculo. Isto é, a curva dramática já começou muito em cima, como mantê-la em um espetáculo de uma hora e meia? Gabriel Wink encarna três personagens, mas precisa de muito virtuosismo para carregar tantas personalidades diferentes. Alguns textos  se perderam, e preciso dizer ao jovem ator que cada cidade, cada grupo de pessoas tem sua própria cultura então piadas que funcionam em um dia, podem não funcionar em outro, não cabe ao ator cortar textos com a desculpa de que o fez por que determinadas piadas não funcionam! A equipe de contra-regras precisa comandar sim a caracterização dos atores, que precisam dedicar-se a atuação. Então lenços virados, sapatos trocados, vestidos abertos, nada disso pode ser tolerado. Quanto a equipe técnica, luz estourada, sombras, iluminação expressionista não pode ser permitida em uma comédia como essa, ainda que tenha sido um descuido. O retorno do som pirando os atores que começam a gritar pois pensam que o público não os escuta, não se remedia quando após o espetáculo lhes é informado que o público os estava escutando. Precisavam durante o espetáculo, de segurança. O melodrama se caracteriza por grandes revelações, momentos de tensão, e a sonoplastia auxilia, sublinha  isso com temas e sons. Contudo o tempo desses sons foi burilado pela pessoa que administrou o aparelho, resumindo assim as reações dos atores há tempos muito curtos, que tiravam a graça da gag.  
                    Cléber Lorenzoni, Gabriel Wink, Ricardo Fenner ainda improvisaram muito, jogaram,  o que nos comprova o quanto são bons atores, mas precisam sim ensaiar muito, pois não são Deuses sobre humanos, o organismo esquece de movimentos corpóreos e de textos.  
                             A Maldição do Vale Negro é um dos melhores trabalhos do Máschara e para continuar assim precisa que todos tenham humildade para exercerem suas funções. 
                              À Intérprete de Rosalinda só posso declarar três estrelas, por sua eloqüência, criatividade e ritmo interno. À Gabriel Wink e Ricardo Fenner, embora tenham sido maravilhosos em cena, dedico-lhes uma estrela apenas, para que retomem seus textos e ensaiem mais, para que sejam sempre ótimos atores, nesse e em outros trabalhos. À equipe técnica também uma estrela apenas, afinal os atores ficam a sua mercê, dependem deles e determinados equívocos não podem se repetir. À contra-regragem, duas estrelas, fizeram praticamente o que se esperava, mas me questiono, fazer com louvor o que é esperado é sempre bem vindo, fazer o mais, os destaca! Desejo sempre ao Máschara o melhor, o perfeito, é isso que faz todos admirarem sempre seu trabalho.


                        A Rainha


A Maldição do Vale Negro
Direção: Cléber Lorenzoni
Elenco: Cléber Lorenzoni, Gabriel Wink e Ricardo Fenner
Operador de som: Angélica Ertel
Operador de Luz: Luis Fernando Lara e Angélica Ertel
Contra-regragem- Alessandra Souza e Renato Casagrande

            

A inexquecível Cordélia Brasil

Feriadão 2005


Em cena Ricardo Fenner, Dulce Jorge, Jorge Pittam, Geltom Quadros, Kelem Padilha, Daiane Albuquerque, Cléber Lorenzoni, Tatiana Quadros, Gabriel Wink e Rafael Aranha

Os mortos atacando

Mais uma de Bulunga o Rei Azul


Em cena Diulio Penna como Gato Bulunga, Cléber Lorenzoni como Fada Morgana e Dulce Jorge como Bruxa Magnólia

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Garibaldi, os mortos de Antares

                   O teatro é sempre inusitado, cada encenação tem seus códigos próprios, seu jogo, mais intenso ou mais calmo, o estado de espirito dos atores interfere diretamente em cada cena e deve ser assim, ou então não passaria de algo robótico, feito por artistas medíocres. A presença do público e sua postura interferem também no que acontece no palco. Platéia silenciosa é platéia ausente, Platéia barulhenta, agitada é platéia inexistente. Platéia interessada platéia que aproveitará o que está sendo mostrado. 
                     Os atores do Máschara entraram no clube 31 de outubro de Garibaldi às 9 e 17 da manhã da última quarta feira.Os mortos foram recebidos com uma gritaria alucinada dos jovens na platéia e demorou bastante até que Dr. Cícero Branco, auxiliado pelos outros defuntos conseguisse imperar sobre à assistência.
                      O ator é servo do público, ele decide o que quer ver, e como quer ver... O público quer rir, o público jovem quer participar e nem sempre de forma sadía. O público as vezes pode ser muito terrorista e impor aos atores limites muito árduos para que estes façam seu trabalho. 
                         O dia não foi de grandes revelações, ou surpresas. O Incidente desenrolou-se em tempo agradável, com exceção da cena de Alessandra Souza que parecia disposta a sair logo de cena, embora sua interpretação estivesse muito criativa e graciosa. Cristiano Albuquerque e Luis Fernando Lara atuaram bem e Renato Casagrande e Cléber Lorenzoni mostraram seus básicos, cada um em sua proporção.  
                              O prazer do dia foi dado por Angélica Ertel, que deu à sua Quitéria Campolargo todo um novo colorido, provavelmente inspirado no trabalho da colega Dulce Jorge, apresentado no último domingo. Quitéria Campolargo esteve muito viva ainda que morta. Havia uma graciosidade de gestos, boas nuances. Quanto à Gabriel Wink, deu-nos o básico de Menandro Olinda, e me pergunto, por que dar ao público tão pouco? Sem a frase "Até que toquei pela primeira vez as teclas de um piano..." fica dificil para o mesmo perceber o peso que a música tem para o pianista.  Um dia sem grandes revelações. De tudo o que foi feito, o mais interessante pareceu-me a conversa na beira do palco após o agradecimento.

Teatro é mais que uma encenação - teatro é gangrena!


A Rainha



Elenco:
Alessandra Souza   +
Angélica Ertel  C
Cléber Lorenzoni  +
Cristiano Albuquerque  +
Luis Fernando Lara  +
Gabriel Wink +
Renato Casagrande +

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Quitéria Campolargo e Tibério Vacariano!

Embate de atrizes...

Elenco Atual do Máschara

Atores        Tempo     Status  

1- Dulce Jorge (Fundadora)  ---->
2- Giane Ries
3- Claudia
4- Diogo
5- Cezar Dors
6- Thire
7- Marli
8- Wilson
9- Nadia Régia (1992/1994) I
10- Eduardo Gonçalves (1992/1995) II
11- Janaína Peroti (1992/1996)
12- Dão Dill (1992/1995) III
13- Vera Porto (1992/1998) IV
14- Fernandra Strainbrenerr (1996)
15- Altiva Soares (1993/1997) IV  + 2009
16- Katiússia (1996)
17- Claudia Cavalheiro (
18- Odacir Pena (1996/1997) II
19- Carolina Monteiro (1996/1997) III
    20- Evandro Silva (1992/1994) IV
    21- Cléber Lorenzoni (membro remido) I
    22- Fábio Branco (1996)
    23- Bibiana Monteiro (1996/1997) IV
    24- Zenaide Perez (1996/1997) IV
    25- João Paulo Perez (1996/1997) IV
    26- Maiara
27- Paulo César Perez (1996/1997) IV
28- Alexandre Dill (1996/2006) I

29- Janiele Peroti (1996/1997) IV
30- Adriane Fiúza (1997/1998) IV
31- Adilson Sattes (1997) IV
32- Naiara (1996/1997) IV
33- Simone De Dordi (1997/2002) I --->
34- Luciano
35- Maria Amélia

36- Ariane Pedroti (1998/2003) III    
37- Fernanda Garrido (1998/2001) V
38- Cristiane (1999)
39- Leonardo Mattos (1999/2002) IV
40- Matheus da Rosa (1999) IV
41- Úrsula Macke (1999/2000) V
42- Guilherme Macke
43- Eduardo
44- Rosimere
45- Marcele Franco (1998/honorário) III
46- Fábio Novelo (2001) IV
47- Diego Barcellos (2001) V
48- Ricardo Fenner (2001/____) II
49- Yanna Monge
50- Suzzete Siqueira
51- Cássius
52- Lauanda Varone (2002/2006) II
53- Pothira
54- Rafael Aranha (2003/2006) III
55- Daiane Albuquerque (2002/2006) III
56- Ana Paula (2002) V
57- Jorge Pittan (2002) IV

58- Guto Baugrathz (2002) V
   59- Monique Vogel (2002/2003) IV
   60- Luiz Fernando Lara (2002/ Honorário) III
   61- Lílian Kempfer (2005) V
   62- Cristiano Albuquerque (2002/2005) IV
   63- Gelton Quadros (2005/2010 ) III
   64- Kellen Padilha (2005/2007) II
   65- Mirian Almeida (2005/2006) II
66- Ezequiel Mattos (2005) V
67- Tatiana Almeida (2005/Honorário ) III

68- Fabiúla
69- Claudia
70- Gabriel Wink (2006/___) II  
71- Marciele Benittes
72- Angélica Ertel (2006/____) II
73- Luiz Henrique Da Costa (2006/2008) IV
74- Jéssica Martins (2006/2007) V
75- Kauane Leite Linassi (2006/2007) V
76- Alessandra Souza (2008/____) III

77- Roberta Corrêa (2008/2010) IV
     78- Renato Casagrande (2008/____)III
     79-Pamêla Canciani
     80-Rodrigo Fabrício
     81-Michele da Rosa
     82-Diego Pedroso 
     83-Lucas Padilha 
     84-Newton Moraes (2011/____)V
     85-Gabriela Varone (2011/____)V