segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Um pouco da alegria das crianças entre as personagens de Chapeuzinho Vermelho


Chapeuzinho vermelho - um conto (tom 01)

           A escolinha Anjo da guarda recebeu pela terceira vez em sua historia, uma visita do Máschara. O dia era de aniversário, da pequena Clarice e o tema era Chapeuzinho Vermelho. O argumento é antigo, e a historia já fora contada de várias formas. Ainda assim, chapeuzinho vermelho continua extremamente atual no que diz respeito aos perigos a que estamos expostos quando nos afastamos do olhar cuidadoso de nossos familiares. 
            A equipe formada por quatro talentosos artistas, esparramou-se pelo pomar da escolinha, uma das mais antigas de Cruz Alta e ali a historia foi contada de forma bastante peculiar. Renato Casagrande, como caçador, assumiu as vezes de narrador, afinal o mesmo já tem tarimba nesse contado direto com o público. O ator manipulava com muita capacidade a boneca que representava a mãe da teimosa e geniosa menina. 
            Dona Alice enviara sua filha a casa da avó, (dona Cremosina) para levar doces e quitutes. Mas a menina era tão teimosa quanto sua interprete, que muitas vezes não se deixava levar pela platéia que em vários momentos opinava. Clara Devi por exemplo ignorou quando as crianças informaram logo de cara que o lobo estava disfarçado de vovó. O lobo de Douglas Maldaner é puro encantamento. O ator mergulha no papel do animalzinho e consegue bons efeitos, entre eles a aproximação das crianças que amaram o lobo, inclusive quase arrancaram seu rabo. 
          Alessandra Souza como grande atriz que é, interagiu muito bem e colaborou muito com o caçador no ato de gravar na memória das crianças lições importantes. Mas nunca deve se esquecer que no Máschara o oficio é trabalho, ser convidado para lanchar ou fazer refeições é muito bonito, mas há um lema que deve ser lembrado. "estamos à trabalho"! por isso e por outras coisas tantas, posturas que durante anos, Cléber Lorenzoni foi implantando, que o Grupo é tão respeitado. 
                 Douglas Maldaner quase pôs tudo em risco quando calçou as luvas, e também quando decidiu não falar com as crianças na primeira cena. Isso fez com que uma vez travestido de vovó ele arriscasse tudo, ao falar com chapeuzinho. Ora,  as crianças haviam compreendido que ele não falava, de repente o próprio ator quebrou essa convenção, colocando em risco todo o trabalho.
                      As crianças participaram muito. Renato Casagrande agiu como um bom diretor, não fosse o fato de errar o nome da aniversariante. O que poderia acontecer com qualquer artista... 


                         Enfim, talento de sobra, pequenos arranjos a serem organizados. 
                      

                        Clara Devi (**)
                        Douglas Maldaner (**)

                                    A Rainha




Divulgando o trabalho do Máschara


Elenco do auto de natal -um milagre de natal -


Homenagem à atriz Alessandra Souza por sua trajetória no Máschara


Espetáculo de gratidão Casa de cultura


Auto de natal- Um milagre de natal (tomo II)

                             A noite de entrega de condecorações para o voluntariado cruzaltense teve nesse ano a presença dos artistas do Máschara que nesse ano foram a única atração artística da noite. Um elogio por parte da organização que também aproveitou o talento oratório do diretor Cléber Lorenzoni no protocolo do evento.
                           A obra escolhida para a noite foi O Auto de natal (não alto), "um milagre de natal" e que belíssima escolha. Tudo a ver com uma noite em que se fala de esperança, fé, ajudar ao próximo, etc... Eu cheguei levemente atrasada, minha família chegou para as festas de fim de ano e a correria com netos é quase invencível. Quando adentrei a casa de cultura já estava lotada e a audiência estava petrificada tal era o efeito do prólogo poderoso do espetáculo. Marta Medeiro muito intensa assim como Fabio Novello, os quatro elementos traziam força e encanto ao palco como em  um espetáculo de Shakespeare, tão repleto de alegorias.
                            O Deus poderoso de Renato Casagrande, cansado de suas criações resolve brincar com seu universo e nos dá o maior e mais complexo presente, o homem. A criatura humana adentra ao palco nos braços de uma mulher, lembrando sempre que a figura do homem, embora dentro de um significado machista ou de uma cultura patriarcal dominante, represente todos os gêneros, precisa curvar-se ao fato de que o feminino veio primeiro. O processo todo da sexogênese afirma que de uma existência feminina generalizada, nos oceanos, lagos e rios gerava vidas. Vida! É disso que fala o espetáculo. E por isso o prólogo nos revela tudo. O Deus do prólogo, que cria, se faz carne no senhor Noel, e passa a criar brinquedos. Vemos isso através da repetição do gesto feito pela querubina (Vitoria Ramos). É o deus criador que está ali, ela o reconhece e segue novamente suas ordens. O homem repete o ciclo incansavelmente como diz Sartre, seja consciente ou inconsciente como diria Jung. Jonas, interpretado de forma mais fraca nessa apresentação do que em 2018 (no que diz respeito a dublagem) é a réplica do primeiro homem. Distante do pai, tentando organizar a própria família e dando as costas para seu Deus ex Machina. Mas ele volta, certamente pelos instintos que nos conectam e que são tão fortes. Dona Ana de Alessandra Souza estava maravilhosa, intensa, bem maquiada. Um brilhantismo de Souza, prejudicado apenas pela falta de percepção espacial da atriz, um déficit que a mesma precisa vencer. 
                            O imbróglio se desenvolve de forma rápida, a mise en cene não  é muito complexa, eis o sucesso do espetáculo junto ao público mais popular. Renato Casagrande interpretou sem óculos na cena do cobrador que eu já havia visto. Gostei muito mais. É necessário ver os olhos de nossos atores. Mas carece dublar melhor. Problema que vi também em Fabio Novello. Se queremos, nos dispomos a fazer um espetáculo dublado, ele deve ser profissionalmente atuado. 
                             O intermezzo lindissimo foi bastante prejudicado. Não sei se por falta de ensaios ou algum outro problema dos bastidores que a gente não vê da platéia. Mas Laura Hoover e Kauane Silva atrasaram suas entradas e acabaram prejudicando muito os  colegas. Stalin Ciotti em um momento quase foi ao chão, a coreografia  estava visivelmente atrasada, por outro lado, o  visual do elenco, as soluções cênicas continuam lindas. 
                              De parabéns o figurinista Renato Casagrande. 
                              A revelação final preenche bem as estruturas de um roteiro que passeia pelos mistérios e milagres presentes em auto natalino medieval. Incluindo é claro o momento profano. 
                             O grupo Máschara parece se sair bem em quaisquer caminhos que escolha e isso é mérito de elenco e equipe diretora. 

                            O Melhor: O roteiro e a capacidade de nos emocionar.
                             
                             O pior: A falta de noção espacial e as dublagens não profissionais.




Clara Devi (**)
Stalin Ciotti (**)
Martha Medeiro (**)
Laura Hoover (*)
Kauane Silva (*)
Eliani Aléssio (**)
Evaldo Goulart (**)
Gabriel Giacomini (***)
Douglas Maldaner (**)
Gabriela Fischer (**)
Vitoria Ramos (***)
                                           Não vou mais a partir de hoje colocar as distinções aos anciãos. São grandes atores que certamente tem seus talentos e suas dificuldades. Mas são nossos lideres, nossos exemplos, têm a obrigação de servir de exemplo. 
                                           Vou apenas elencar o melhor e o pior.
                                        
                               O Melhor: O jogo de Fábio Novello como o fogo e a  interpretação de Alessandra Souza.
                               

                                          Arte é Vida

                                                                          A Rainha
                               



Todos os premiados da noite do melhores do ano 2019

Entre os tantos prêmios da noite, os mais importantes foram:
Troféu Máscharito para Clara Devi  
Melhor Ator - Cléber Lorenzoni  Melhor Atriz Eliani Aléssio 
Melhor Ator Coadjuvante - Stalin Ciotti 
Melhor Atriz Coadjuvante - Laura Hoover
Melhor Ator em ESPT. da ESMATE  - Douglas MAldaner 
Melhor Atriz em ESPT. da ESMATE - Kauane Silva