quinta-feira, 26 de julho de 2012

Esconderijos do Tempo - 50º Cena às 7


             Sábado a noite aconteceu a 50ª Edição do Cena às 7, e o público assistiu Esconderijos do Tempo, um espetáculo cheio de técnica e cheio de emoção. Mas antes de falar do espetáculo quero aqui falar de nossa cidade, que em ano eleitoral houve falar-se muito em apostas em todas as áreas, saúde, educação, e até cultura. E pergunto o que o poder público tem feito pelos artistas que promovem o Cena às 7 e o teatro. O teatro tem um poder incrível e transformador tanto para quem assiste quanto para quem vê. Até quando Cruz Alta vai deixar jovens artistas irem embora por que não investe em sua arte¿. Cidades do nosso estado tem planejamentos, organismos que apoiam e intercedem pelo artista. O que tem nosso município¿ Há quantos anos se houve falar na tal reforma de nossa casa de cultura¿ Não me importo mais se os políticos vão roubar ou não, mas será que lá no fundo eles não tem o mínimo interesse em fazer algo realmente para que nossa cidade não pare no tempo. Ok vamos oferecer saúde, para que jovens saudáveis dêem adeus  a nossa cidade e partam em busca de melhores condições de vida. Ok, vamos oferecer educação, para que todos se instruam e trabalhem, trabalhem e trabalhem para dar dinheiro em forma de impostos sem ter em troca o pensamento, o lazer, o questionamento e a filosofia.  Ok,  vamos dar como forma de lazer, o surgimento de bares e boites, para depois proibirmos a bebida, e reclamarmos que nossos jovens não produzem nadam e ainda colocam a vida em risco. O que há afinal de errado¿ Quando nossos filhos querem ser bailarinos ou atores, neguemos-lhes essas opções, e os deixemos expostos a crimes bem piores direcionados a jovens vazios e revoltados que nada tem como opção de vida além do trabalho.  O que estamos fazendo para que nossa cidade que já perdeu seu curso de dança deixe de perder coisas¿
          Ouçamos com atenção as intermináveis colocações explanadas nos púlpitos políticos e nos perguntemos quantas vezes tudo o que é dito já não fora dito. E ainda, lembremos de nossos gregos maravilhosos que  escreveram: Cuidado! Só se conhecer perfeitamente um homem depois de vê-lo no exercício do poder, senhor das leis.  O que queremos para nossa cidade¿ Os atores pensam, tem personalidade, assim como quem questiona um bom filme, como quem ouve a boa musica, como quem discute um livro, como quem vai ao teatro. O teatro não é apenas a arte da apreciação, não se sai do teatro com os olhos marejados de lágrimas se algo não mudou dentro de sí. A tal catarse. Se queres sair do teatro maravilhado pela iluminação e pela movimentação, vá ver circ di soleil, ou aos grandes musicais da broadwai, se quer apenas rir, vá assistir um desses espetáculos que cobram trinta reais, e oferecem ao público um microfone, uma iluminação porca, e um monte de piadas que nossos pais meio bêbados em churrascos de família conseguiriam certamente bolar com ainda mais mérito e melhor pronuncia. Vá ao teatro para pensar, para deixar de ser vazio, para debater ideologias e para que no dia de dar seu voto não seja apenas uma marionete votando em quem pode lhe dar por alguns meses algum tipo de melhoria passageira e supérfula. Nossa cidade tem quase duzentos anos. Há de alguém perceber que não pode simplesmente portar-se como um vilarejo do interior. Há cada dia há mais mercados, igrejas(religiões), lojas, a cidade cresce e nossa insatisfação tem que aparecer para que as coisas mudem.
          Nossos artistas parecem satisfeitos com o quantidade reduzida de espaços. Com a falta de apoio, com a necessidade de trabalhar fora para buscar o sustento. E nossos políticos continuam falando em cultura, esquecendo que bailarinos, músicos, atores, pintores, escultores etc... fazem arte! E a arte depois de um tempo vira a cultura de um povo. Pois bem, que espaço damos para nossa arte¿
         Domingo a noite assisti Esconderijos do Tempo, impecável, maravilhoso. Em uma cadeira gelada, em uma sala sem o mínimo aquecimento, uma vergonha para os grandes grupos que vem de fora. Sem urdimento, sem rotundas, com camarins improvisados. Sem varas, sem cortinas. Um teatro para Cruz Alta por favor, nossos filhos agradecerão.  Sim devemos nos alegrar pela linda Casa de Cultura que temos, mas isso não é motivo para acomodarmo-nos e esperarmos que ela desabe sobre nossas cabeças.
        O Máschara foi brilhante, por sua interpretação, por seu texto. O Máschara foi incrível em mais uma vez oferecer teatro em troca de tão pouco.  Teatro para pensar, discutir, raciocinar. Raciocinar da mesma forma que as vezes esquecemos de fazer por nossa cidade. Então raciocinemos mais, vamos ao teatro.

Alessandra Souza ***/**
Dulce Jorge ***/**
Renato Casagrande **/***
Ricardo Fenner */**
Luis Fernando Lara */**
Cléber Lorenzoni **/**
Tatiana Quadros */**
Gabriel Wink **/***
Angélica Ertel ***/**
Fernanda Peres **/***

                                           A Rainha