sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Texto do ator Luis Fernando Lara sobre a Turnê do Máschara

Um outubro inesquecível.

Lembro-me bem da noite em que conversamos a Dulce Jorge (@dulcedudinha) e eu pelo Messenger, em que ela então comentou que haveria uma seqüência de apresentações doGrupo Teatral Máchara (@grupomaschara) na serra gaúcha, e na ocasião também me foi feito o convite para participar, bem devido ao meu trabalho isso até parecia impossível, mas nada que não se possa dar o velho jeitinho brasileiro, sabendo eu que na empresa em que trabalho estaria preparando a escala de férias, foi então que me responsabilizei por essa parte, primeiro quis saber quais os dias que eu teria que viajar com o Grupo e então arranjei tudo para que nada pudesse atrapalhar claro não foi nada fácil afinal de contas sempre há pequenos percalços no caminho. Após as datas de férias arranjadas agora só faltava confirmar tudo com o Máschara, mas o que eu não poderia imaginar, e que realmente já mais passou pela minha cabeça é que essas férias poderia se transformar num sonho, a realização de poder estar de volta aos palcos e atuar foi o máximo, lamento apenas pela minha falta de preparo e de técnica para tanto, assim como foi na cidade de Verianopolis-RS onde podemos também dizer que foi o grande regresso meu para os palcos, após sair do trabalho, isso às dez horas da manhã do dia cinco de outubro, comecei a correria para a partida que estava marcada para as dezenove horas desse mesmo dia, bastante ansiosos e apreensivo devido os poucos ensaios que tivemos antes dessa data parti em rumo a minha nova jornada. Confesso, minha primeira apresentação pareceu um fracasso, mas como ser uma estrela se desaprendemos a viver no céu, pra falar a verdade às duas apresentações que estive no palco nessa cidade não foi muito do meu agrado. 
Na segunda cidade dois dias depois da partida agora na cidade de Garibalde-RS a expectativa de melhorar em cena aumentará, mas acho que Dionísio estava a fim de testar minha paciência, lembro que estávamos todos prontos, com o figurino e maquiagem pronta, a minutos de entrar em cena quando uma das organizadoras do evento em que fomos convidados veio até nós com o seguinte problema, a platéia presente não era adequada à peça, já que íamos apresenta o Incidente, espetáculo baseado no livro do imortal conterrâneo Erico Veríssimo, O Incidente Em Antares, lógico que não ficaria muito bem crianças com idade pré-escolar e alunos de escolas especiais assistissem a um espetáculo como esse, como sempre falou o diretor do Grupo, Cleber Lorenzoni (@LorenzoniCleber) muitas vezes é necessário que o artista se adapte ao publico, decidiu-se naquela hora que seria apresentada a peça Lili Inventa o Mundo espetáculo infantil também convidado para a feira e que seria apresentado no dia seguinte, mas o que ninguém esperava é que as quatro apresentações marcadas para aquela cidade seria todas a Lili Inventa o Mundo, bom realmente foi que o publico adorou, claro não poderia de deixar de comentar o excelente trabalho do elenco dessa montagem já que foi tudo meio de pressa e nunca vi um espetáculo de palco transformar-se em de rua com tamanho profissionalismo, pena que eu não estava nesse elenco e lamentável que talvez já mais poderemos ver esse excelente trabalho outra vez.
Retornamos a Cruz Alta após cinco dias, mas ainda haveria novas viagens pela frente, minha ansiedade por estar nos palcos aumentava, e no final de semana seguinte fomos a Antonio Prado-RS, para mais duas apresentações uma Lili Inventa o Mundo e também o Feriadão espetáculo de dois mil e dois peça, essa que eu ajudei a conceber, hoje muito mudada da sua forma original, o espetáculo fala quanto aos cuidados que devemos ter no trânsito, não posso negar que houve um momento de nostalgia.
Agora abandonamos a serra gaúcha se seguimos rumo ao litoral, na verdade na cidade de Osório-RS onde havia o Art In Vento (festival de teatro amador de Osório), na verdade essa é a parte mais triste de toda a viagem, onde eu pude simplesmente acabar com o espetáculo A Maldição do Vale Negro, montagem que tem no seu elenco Ricardo Fenner (@RicardoFenner), Gabriel Wink (@gabrielwink) e Cleber Lorenzoni, eu era pra ter feito a sonoplastia do espetáculo, mas foi na verdade um fiasco a parte, quero que fique aqui os meus parabéns ao elenco que souberam conduzir com uma experiência, capacidade e domino do seu trabalho como já mais visto, eu na verdade tinha visto apenas uma vez esses espetáculo onde já bastou para que deu me surpreendesse com esses três grandes atores com uma pequena ressalva ao Ricardo Fenner que me surpreendeu a tal forma imaginável. Mas como ia dizendo, se não fosse por esses três rapazes de Cruz Alta tudo poderia estar perdido, e quem conhece o espetáculo é o ator e o diretor, o publico de nada sabe quando pára para contemplar essa arte, o Grupo Máschara firmou-se como vencedor do festival como o melhor espetáculo, claro esse não foi o único troféu trazido bem como o de melhor ator para o Cleber Lorenzoni, e figurino para Dulce Jorge, ela que apenas nessa viagem nos deu a honra de sua companhia, e era possível ver em seus olhos claros o desgosto pelo que foi feito na parte técnica, queria também agradecer a Angélica Ertel (@AngelicaErtel) pelo grande apoio que me deu e sua tentativa desesperada para salvar o que eu tinha feito, com a confiança em baixa e a alto-estima acabada pensei que agora era mais do que nunca à hora de abandonar os palcos e se possível esquecer que um dia fiz parte desse mundo, realmente pensei que tudo tinha acabado pra mim e o que eu mais queria era fugir e me esconder esquecer-se do mundo e esquecer o que eu acabara de fazer, mas isso me incomodava profundamente e eu sabia que isso não poderia acabar assim. Já de volta a cidade natal tomei de um pouco de coragem e pedi ao diretor a oportunidade de entrar em outra peça que não estava com o elenco totalmente formado, mas com a data de apresentação marcada, não sei porque mas ele decidiu me dar essa oportunidade, acredito que durante os poucos ensaios que tivemos pude mostrar um bom trabalho, e na minha estréia na peça O Castelo Encantado agora na cidade de Nova Prata-RS novamente na serra gaúcha tive alguns pequenos problemas já que os ensaios foram prejudicados de certa forma.
Mas O Castelo Encantado foi à peça do segundo dia porque no primeiro o Incidente foi o grande rei na feira onde o prefeito esteve presente e segundo informações o mesmo agradou-se muito do que ele pode ver no palco, a não ser por um pequeno comentário que poderia surgir devido ao texto da personagem Erotildes agora representada por Alessandra Souza (@aleecamila) que na sua ultima apresentação naquela cidade das quatro em que encenamos o Incidente, ela soube conduzir-se muito bem pelo seu texto já que na ocasião por decisão da maioria do grupo faríamos algumas alterações de ultima hora, bem coisa do Máschara, mas esse não foi o único motivo eu diria que o principal tratava-se do fato de que mais uma vez um espetáculo de palco italiano feito para um teatro adequado deve que ir a busca do publico e estar onde o povo estava agora não havia um teatro e sim uma lona no na frente da prefeitura sem acústica e com a mínima condição para o publico nos ouvir tivemos que improvisar com microfones que teimavam em não funcionar durante as apresentações, o que também servil de aprendizado para alguns do grupo, por falar em aprendizado penso que nessa viagem ninguém teve maior lição do que Diego Pedroso (@dieguitopedroso) ao interpretar o Pudim no Incidente e na sua estréia esteve ótimo e sem cometer erros, parabéns a você também Diego. Diego, aliás, que já lá em Antonio Prado deixou seu registro junto com Taty Quedros (@tatymeiapraia) em:http://www.youtube.com/watch?v=-WMltkXMAaY.
Pra mim ficou a sensação de missão comprida após as apresentações em Nova Prata pois acho que dei jus ao que merecia, acho que soube fechar com chave de ouro, sim  ainda tem muito mais pra contar e claro que já mais me esquecerei dessa pequena busca to passado, e como esquecer os aprazíveis momentos com os colegas de palcos, com os amigos e também apaixonados por essa arte que é capaz de nos transportar numa viagem lúdica, como se esquecer das horas que ficamos juntos, das horas de viagens desconfortáveis e cansativas, dos lugares, das brincadeiras e das piadas feitas, das alegres noites nos hotéis, os passeios juntos, o banho nas piscinas térmicas e os cafés, sem falar que pude comemorar meu aniversário em meio a pessoas que me causam tão bem e fazendo o que é uma paixão pra mim O TEATRO, até pequenos momentos de discutição ou desentendimento será guardado como grandes lembranças. E para quem quer saber alguma critica ou comentário mais aprofundado sobre as apresentações leia o blog do Grupo-http://grupoteatralmaschara.blogspot.com/

Obrigado a todos, e também a quem não foi comentado fica na certeza que também não serão esquecidos. Um super obrigado em especial ao Grupo Máschara que por todos esses anos me mostrou que a arte, e somente a arte pode nos dar algo que o mundo ainda não esperimentou.

Muito Obrigado!

As Glorinhas de Mario Quintana