domingo, 27 de maio de 2012

48º Cena às 7 - Os Saltimbancos


...Mas é o que nós somos!!!

                 Espectador, lembre-se que em espetáculos de bulevar devemos exigir nível técnico excepcional, pois só assim o espetáculo terá justificado sua existência.

                 A obra infantil “Os Músicos de Bremem”, foi escrita pelos Irmãos Grimm, no leste Europeu há mais de duzentos anos e revisitados por Bardotti e Buarque na década de setenta. Na primeira, um cão, um galo, um jumento e um gato ( o mundo era machista demais para uma gata e uma galinha ), uniam-se para sobreviver na floresta e partiam para Bremem, uma cidade que prometia ser para eles,  algum tipo de paraíso. O panorama social quando “Os Saltimbancos” foi escrita não era dos melhores, “Os ômi”(DOPS) sumia com as pessoas, os artistas não podiam “cantar” sua paixão pelo país. As classes mais baixas da sociedade precisavam trabalhar, e o lazer pouco era permitido.  Os revoltados que se opunham a ditadura eram tratados como bichos e chamados de “pau de arara”. Enfim, a ideia dos quatro animaizinhos que unem suas forças é um clássico, senão do teatro infantil, então da literatura universal.
               Bremem, “a cidade prometida”, para nossos atores, pode muito bem ser a ânsia do Máschara em chegar à algum lugar maior nesses vinte anos de luta pelo ideal artístico. E não apenas quatro seres unem-se nessa empreitada, mas dezenas de “esforçados animaizinhos”. Alguns “barões” acham mesmo que para ter sucesso é preciso encontrar um lugar maior, fazer seu teatro em grandes cidades como a utópica Bremem. Algumas gatas até já partiram e almejam tornarem-se grandes “Super-Stars”. E torcemos por isso. No entanto, as vezes as coisas que procuramos podem estar mais perto do que imaginamos! Aqui há uma casa da cultura cheia de público interessado (não tão cheia ontem, é verdade), mas é que “há muito trabalho ”- diz o jumento. E cada um tem uma função, que é preciso ser bem feita. Há os que precisam cuidar de tudo, preparar as coisas para os outros. Há os que precisam propagar, divulgar, vender a ideia. Há os líderes, que devem manter seus ideias e guiar os có-có-cómpanheiros e há é claro as estrelas. As super-stars. Mas o trabalho é complicado e difícil. É preciso estar sempre atento, tomar cuidado com os barões que querem explorar, tirar proveito dos animaizinhos e em troca, nem uma maçãzinha.
                    Enfim, um espetáculo cheio de lições. Para o público e para o Máschara. Só não concordo com a frase que diz “e afinal não éramos tão bons  cantores assim”. Ir embora nem sempre é sinônimo de ser bom. As vezes é sinônimo de ser fraco! As vezes!!!
                 E por isso o teatro é maravilhoso, por que cada pessoa do público, cada criança, fez a sua leitura, a sua interpretação.  E eu percebi alguns aquéns do espetáculo. Provenientes é lógico da falta de união que a peça propõe. Falta de união no elenco e na parte técnica. É preciso afinar as vozes, alongar o corpo, repassar o texto, ser sensível a arte, enfim arregaçar as mangas... pois chega um dia que o bicho chia!!!

Tenho que parabenizar ainda Gabriel Wink pelo maravilhoso contato que criou com o público, e Renato Casagrande por seu belíssimo trabalho de composição.

 Renato Casagrande e Luis Fernando Lara (***)
Cléber Lorenzoni  e Dulce Jorge (**)
Alessandra Souza, Gabriel Wink, Ricardo Fenner, Gabriela varone(*)



                                                                      A Rainha