terça-feira, 3 de novembro de 2015

O Santo e a Porca, um dos grandes sucessos do Máschara


Fiasco em Cruz Alta


Zah Zuuu - mais uma estréia do Máschara

                 Um espetáculo pode surgir de uma poesia, de um livro, de um sonho, de uma coreografia, de uma reportagem de jornal, e logicamente de um texto teatral. Afinal um espetáculo é acima de tudo uma historia sendo contada. As vezes uma historia parece ter sido bem contada, mas o público vai embora e não leva nada. As vezes os atores se equivocam em cena, mas sem querer contam uma historia. O importante é o ator sempre saber que está contando uma historia e acima de tudo, promovendo uma reflexão.
                  O Máschara segue com dois desafios, fazer teatro e despertar no público o interesse pelo palco. Em meio a esse desafio surge Zah Zuuu, oitava montagem infantil do Máschara. Em cena os já conhecidos Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande vivem Rahri e Babah respectivamente. Um espetáculo delicioso e delicado. Zah Zuuu tem tudo para dar errado, mas não dá. Tudo para dar errado por que o local não é próprio para fazer o espetáculo, o cenário da porta está desnivelado, são muitos adereços, os pontos de luz não são o suficiente, etc... Mas você ri, se diverte com as confusões impostas pelos dois personagens.
                     Zah Zuuu narra a historia de Rahri, um clown que não consegue ir a escola por causa da chuva, quando Babah (suponho ser seu pai), chega em casa, ambos brincam com coisas do cotidiano e a relação pai e filho se  mostra extremamente singela.
                       Em cena o pai irritado que não quer brincar, o filho que não quer limpar o quarto, o pai que se deixa virar gato e sapato para agradar o filho pequeno e assim por diante. Como em todos os espetáculos que levam assinatura de Cléber Lorenzoni, há no final uma cena extremamente simbólica e que nos propõe um clima avesso ao do restante o espetáculo e funciona, embora possa ser melhor reproduzida. Funciona por que o clima de união entre Pai/Babah e filho/Rahri se estabelece de forma que a solidão do filho no final nos incomoda.
                         Um espetáculo de clown é algo que me toca muito, pois você não consegue fingir, forjar uma interpretação em clown, ou você é ou você não é. Cléber Lorenzoni traz consigo uma vivencia de 20 anos no palco e Renato Casagrande traz a vivência das animações que fez em lojas e festas. Juntos compõe duas ótimas criaturas. Vestir a máschara do clown com a dignidade merecida, significa ter vivenciado um processo particular, difícil e doloroso. Um Clown não é simplesmente um palhaço. Um clown possui uma identidade única, em qualquer espetáculo de clown que esses dois atores fizerem no futuro, encontraremos traços de Babah e Rahri. O Clown passa a fazer parte de uma familia. Quando olha nos olhos de outro, o clown encontra algo que também lhe pertence, que os une, que constitui uma cultura comum entre eles e que somente outro clown sabe o que é. Segundo Otávio Burnier, é como se fosse uma família. Esses Clowns que nascem em um grupo, em uma mesma iniciação, são primos, sobrinhos, tios de outros que vem de outras companhias, etc... Irmãos nesse olhar diferenciado da vida, repleto de ingenuidade.
                            O cenário de Zah Zuuu também assinado por Renato Casagrande e Cléber Lorenzoni traz um quarto de menino estilizado. E a unidade perpassa todo o espetáculo, aconselho apenas a solucionarem a porta desnivelada que quase mete os atores em apuros. Mas também é importante mencionar que um espetáculo de clown é algo tão vivo que pode começar com uma proposta e virar outra coisa...Aconselharia também a optarem pela sonoplastia viva, a trilha eletronica fica gessada e força os atores a trilharem caminhos que fogem da proposta.
                           Renato Casagrande possui um instinto para clown muito cheio de time, e isso preenche vazios que Cléber Lorenzoni pode buscar mais. No entanto a intimidade dos atores em cena quase nos convence de um vínculo parental na vida real.
                                Zah Zuuu chega depois de três anos desde a ultima montagem do Máschara e revela uma triste realidade. Quando o Máschara montou em 1997, Bulunga o Rei Azul, havia no elenco dez atores e ainda um pequeno coral. Em 1999, quando estreou a peça O Conto da Carrocinha, em cena, elencou sete atores. Feriadão de 2002 contou com dez outra vez; 2005 trouxe Lili Inventa o Mundo com seis, e O Castelo Encantado 2006, com seis outra vez. Os Saltimbancos de 2012 tinha quatro atores no elenco e agora Zah Zuuu conta com dois. Isso significa que o interesse pelo teatro diminuiu, que a escassez de atores aumentou. Mas o Máschara continua lutando e importante é que o teatro não pare.
                           Uma pergunta que continua me intrigando. Zah Zuuu com dois atores é uma escolha ou uma necessidade?
                           


Cléber Lorenzoni (**)
Renato Casagrande (***)
Evaldo Goulart (**)
Douglas Maldaner (*)
Alessandra Souza (**)
Fabio Novello (**)


                                      A Rainha