domingo, 9 de agosto de 2015

Atores e alunos da ESMATE ensaiando o infantil O Castelo Encantado


Renato Casagrande e Alessandra Souza em momento de composição em clown


Alunos da ESMATE em momento de criação


Grupo Máschara presente na caminhada do orgulho Gay de Cruz Alta


Renato Casagrande em performance nas ruas de Cruz Alta


O Ator Cléber Lorenzoni em performance por ocasião do natal 2014



Reconhecimento

O Grupo Máschara memoriza aqui a passagem do ator Leonardo Oliveira pelo grupo cruzaltense, não foi uma passagem longa, mas foi cheia de significados para equipe, direção e para o ator. Hoje Leonardo Oliveira trava suas lutas artísticas no Rio de Janeiro mas não pode ser esquecido nos anais da historia do Grupo Máschara


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

13ª Matinê do Máschara - 27 apresentação

O teatro que você faz/ o teatro que você vê. O teatro técnico/ o teatro instintivo.


       A frase mais dita para os atores iniciantes, sempre foi: O ensaio é mais importante do que a apresentação. Logicamente, afinal, o teatro é arte artesanal, é ali que se descobre, que se experimenta, que se busca. O espetáculo apresentado para o público, é o resultado de algo. Claro que no momento da apresentação muita coisa é criada, muitos improvisos surgem, mas também, muita coisa se perde. Um ator que leva seu texto para casa, e o estuda, trás para o ensaio novas ações, impressões, e precisa testa-las antes de "ousar" usando-as  em cena. O colega de cena, artesão, também está executando sua função, previamente ensaiada e não tem necessariamente a obrigação de aceitar o que está acontecendo e adaptar-se rapidamente a improvisos muito complexos, ou ainda a sensibilidade em perceber que outro interprete resolveu mudar uma cena. 
         A platéia vê o resultado, que é um terceiro, não é o que o ator pensou/criou no ensaio e nem mesmo o que ele imaginou ser percebido na encenação. O público recebe um terceiro ponto de vista. E desse ainda se dividem leques e leques de percepções. O que eu levo para casa, é por vezes, exatamente a ideia contrária do que a pessoa sentada ao meu lado está levando. O grupo Máschara sempre primou pela não "passividade intelectual" termo criado por Gordon Craig (1872-1966).  Craig criticava os espetáculos naturalistas, pois julgava que perante eles o espectador seria mero observador, não levaria nada para casa, por assim dizer, como acontece em muitos espetáculos baixo-cômicos-vazios, apresentados por aí. Lutando por um teor mais intelectual no espetáculo, o Grupo Máschara sempre destrincha o texto interpretado, procura cada palavra, qual a frase intrínseca está obscura em meio as frases? O que será dito em silêncio à assistência? Exemplo disso é quando por exemplo a "Gata", personagem de Cléber Lorenzoni, questiona sobre os "seres racionais" que vivem na cidade e atropelam animais. Ora, o teatro pelo teatro, seria tempo precioso jogado fora. 
        Em Os Saltimbancos, a quarta parede, criada por André Antoine (1859-1943) e que influenciou o teatro mundial, na prática de ignorar a platéia e dar veracidade a questão filosófica proposta de que o teatro precisa ser contundente e real nos mínimos detalhes, cai por terra. Embora busque-se a interpretação perfeita dos quatro animais, Casagrande, Fenner, Souza e Lorenzoni chegam muito próximos ao público, dando a esses o direito em praticamente entrar para o palco, situação vista em no mínimo três das quatro apresentações de Os Saltimbancos. O perigo é a castração do público, direito dado é direito consolidado! As vezes Casagrande e Fenner perdem o domínio sobre o público, o que não acontece tanto à Souza por que a atriz também geralmente não libera de tamanha forma a presença da platéia. 
              O processo estético do espetáculo fica muito prejudicado na pequena sala onde é apresentado, mas isso por que como fã cativa que sou, já havia assistido Os Saltimbancos em toda a sua grandeza cênica na estréia, no espaçoso palco da Casa de Cultura Justino Martins. para o público que vai a primeira vez, a estética é outra, é ousada, mas é simplória.  O que impera é a força magnética que os atores exercem ou não. Há balburdia? Há conversas paralelas? Em quais cenas? Segundo Constantin Stanislávsky (1863-1938) a presença do público produz em primeiro momento, efeitos negativos sobre o ator, o hipnotiza, inibe sua criatividade, ou faz com ele se exiba, narcisismo este que interfere em sua atividade de interprete e a desvia. Claro que os quatro atores em cena não sofrerão o primeiro efeito, pois são já "atores", mas tanto Casagrande quanto Lorenzoni as vezes esbarram no segundo caso. Por outro lado esse narcisismo bem canalizado é o que produz tanta atração por parte da platéia para com Gata/Cachorro. Ou seja, as personalidades de Lorenzoni e Casagrande chegam ao público e contam para sua fácil empatia. Souza embora esteja muito bem em sua galinha, desliga a atriz usando apenas dos recursos da personagem. Quanto a Fenner, ainda pode ir muito mais fundo na percepção da vida que há na platéia. 
                      Jacques Copeau (1879-1949) Criou uma escola de arte para trabalhar os atores franceses. Criou a "máscara neutra" tentando desenvolver muito mais no atores as outras capacidades além das faciais. Para isso Copeau buscou inspiração na Comédia dell'arte, na dança, na música, na esgrima. Para o ator, doar-se é tudo, mas para doar-se é preciso antes, possuir-se. Essa regra é muito buscada na Cia. cruzaltense. Compreender-se, internamente e externamente. A ousadia, a expressividade provém daí. E quando falamos em partitura, em interpretação quase perfeita dos animais, é impossível não estar falando em Copeau. Mas cabe ao ator, e principalmente a ele, ter a noção, a compreensão de seu corpo, se está pondo em ação aquilo que buscou em exercícios, em ensaios. O equilíbrio, o desiquilíbrio proposital, a leveza, a enraização, etc... É visível essa biomecânica em alguns dos atores em cena e não preciso mencioná-los, pois eles devem saber a quem me refiro. Meyerhold (1874-1940) foi quem empregou esse termo ao teatro. Para o teórico o corpo do ator é uma ferramenta. E para mim uma ferramente estética sempre a serviço do ponto artístico. Mas o trabalho corporal não pode nunca estagnar. 
                           Em cena, em alguns momentos Ricardo perdeu-se no textos, (três momentos), essa esfera de perda não prejudicou o espetáculo, mas confundiu os próprios atores em cena. Perder-se em cena não chega a ser um problema se o ator soluciona a questão, mas jamais pode-se por em risco a criatividade ou o impulso do outro. Mas o teatro é jogo, e o jogo deve estar aberto sempre, sem cair no perigo do efeito geleia. Esse alongamento que tira o espetáculo do prumo e o desequilibra força alguns atores a darem mais e obriga outros a darem menos. Se olharmos pelo foco que o ator é artesão que aprende uma função e deve repeti-la, talvez estejamos assim boicotando o colega de cena. O que imperceptivelmente ocorreu junto ao interprete da Gata. 
                             Ouve no entanto um mérito especial em cada um dos quatro atores, depois dessa pequena temporada: a ousadia, os volumes, a capacidade sonora, o trabalho corporal, o jogo, a consciência, a triangulação. Na equipe cênica também ouve uma retomada laboratorial, em que cada um cresceu em seu trabalho em grupo. Foram vencidas algumas metas e o público de teatro aumentou. A Matiné do Máschara é mais um empreendimento que dá certo graças a cada um dos membros da Cia. 

Cléber Lorenzoni, Dulce Jorge, Ricardo Fenner, Renato Casagrande, Alessandra Souza, Fábio Novello, Evaldo Goullart, Bruna Malheiros, Douglas Maldaner, Gabriel Araújo, Bárbara Santos, Lucas Chalita. Empreendedores que merecem todo o respeito por lutarem em troca de tão pouco para que a arte da interpretação continue pulsante e viva. 


Dedico uma menção honrosa à Fabio Novelo, Dulce Jorge, Lucas Chalita e Cléber Lorenzoni
                      "Sucesso é quando você faz o que sempre fez e alguém percebe. "




A Rainha



Teatro é vida.





Os quatro interpretes de Os Saltimbancos saem de cena, que venha agora a 14ª Matinê do Máschara