domingo, 21 de agosto de 2011

As Balzaquianas em Itaqui


As vezes os atores esquecem que a única coisa que importa é o teatro... O resto, que os outros chamam de vida real, é nada... Não tem importância nenhuma! 
As vezes o público esquece que é a peça m,ais importante desse jogo meio maluco, que o ator está ali unicamente pela platéia.
As vezes a equipe técnica esquece que deve fazer de tudo para que naqueles quarenta ou sessenta minutos de espetáculo o ator esteja ótimo.
As vezes os artistas esquecem que o público merece toda a sua cortesia, sua disposição, por exemplo sua disponibilidade em tirar um retrato após o espetáculo.
As vezes os organizadores esquecem que o ator precisa de estrutura e deve ser bem tratado para exercer com dignidade seu trabalho
O Teatro é um quebra cabeças, onde várias pessoas tem partes para acoplar, todas com um mesmo intuito, de que tudo seja maravilhoso e poético!
Em Itaqui houve tudo isso! Dedicação AO TEATRO APENAS! Público receptivo, carinhoso e disposto! Equipe técnica DISPOSTA! Preocupada em auxiliar os atores, sem ficar PESTANEJANDO... Sem DISCUTIR com seu diretor. 
Itaqui recebeu para sua associação do Teatro Prezewodowski, um dos melhores espetáculos do Máschara. A equipe do teatro foi atenciosa não medindo esforços para que tudo fosse a contento. 
E o espetáculo, um arrojo. Intensidade, dicção, caraterização, disposição. 
Uma curva dramática de fazer inveja. Manipulação gostosa do público. Aquela onde a platéia ri e chora sob o domínio total do elenco no palco. Como se a assistência fosse um tabuleiro de xadrez, em que cada peça move-se a contento dos atores. E esse entregar-se é maravilhoso! É aquilo que buscamos no teatro. Sermos enlevados. Tocados. Dominados pela comoção e entretenimento. 
Cléber Lorenzoni e Angélica Ertel disputam a atenção da platéia até somarem suas atuações em um único Show! O As Balzaquianas termina sob palmas, comprovando por que o Máschara é o grupo certo para ser contratado por qualquer teatro.
Cada vez que assisto seus trabalhos me comovo mais e tenho a certeza de que o interior tem teatro!


Duas terras... O resto é silêncio 



A Rainha


Lili Inventa o Mundo

                                      Um espetáculo independe dos atores, ele é uma combinação de elenco, equipe técnica e público. Isso sem contar a interferência do ambiente, do espaço, da sonoridade, do clima... O teatro é uma arte viva. O ator reflete o público, a platéia interage... Talvez por isso o teatro tenha perdurado por tantos anos. Hoje, enquanto assistia Lili Inventa o Mundo, refletia o quanto a arte  nas mãos de pessoas despreparadas, em eventos não tão bem equipados, pode sofrer danos irreparáveis. 
                                      Lili Inventa o Mundo foi apresentada dezenas de vezes, assistida por mais 50 mil pessoas em todo o estado e recebeu diversos prêmios. No entanto... A apresentação na feira de Livros de Cruz Alta parecia a de um espetáculo novo e ruim. Tudo por que não ouvi os atores, mas os percebi, percebi tensos, preocupados em acertar, em dar as réplicas, em alcançar o público. O teatro que vemos do público é muito diferente do que acontece por  trás das cortinas. 
                                           Cléber Lorenzoni, Angélica Ertel e Gabriel Wink tentavam segurar o público, mantê-lo, alcançá-lo, enquanto Renato Casagrande e Alessandra Souza pareciam ser levados pela enchurrada. A técnica segura os atores que percebem o caos, o instinto sem a técnica, derruba os inexperientes. Teatro é uma ciência muito exata, embora a arte não tenha certo e errado, o bom senso sobrevive em linha tênue!
                                                     Cruz Alta devia investir em pessoas capacitas e profissionais para promover eventos, Cruz Alta é rica em artistas, mas artistas sem chão, escorregam para o precipício!



Três terras,
dois infernos...                                                  A Rainha  ♔