segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Kauane Silva (st.V) protagonista de A Hora da ESTRELA



Aulas de Teatro coim Angelica Ertel- atriz que começou sua caminhada no Máschara


A Clown de Raquel Arigony, atriz que sempre orgulha a CIa. Máschara


Selfie com o público de Tem Chorume no Quintal


Vem para o palacinho do Máschara


Com crianças da rede municipal no Tem Chorume no Quintal


Teatro infantil na ESMATE - Na foto Cecília Vendrúsculo e o ator Renato Casagrande


Cléber Lorenzoni como a truculenta Madame Rafaela


Jornal Evolução divulgando Tem chorume no quintal


quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Cléber Lorenzoni e Vagner NArdes em Tem CHorume no Quintal

Crédito da foto: Mauricio Mendes

Renato Casagrande, melhor ator coadjuvante no festival Cena Viva


Tem chorume no quintal na capa do Diario Serrano


857/858-Tem chorume no quintal - (tomo 06/07)

         Ouvi dizer que muitos estão interessados em me conhecer pessoalmente. Não queiram conhecer a mim, queiram sim ouvir minhas ideias. As pessoas preocupam-se muito com aparências, com sentimentos, com sensações e muito pouco com ideias, com reflexões. Sou apenas uma senhora que ama teatro, que reverencia a arte. Uma senhora aposentada que quando jovem não teve coragem de fazer teatro, de mergulhar em seus sonhos, que foi deixando para depois movida talvez pelos áureos anos setenta e oitenta. Hoje olho os jovens, os românticos, os desiludidos, os velhos, os desempregados, os ricos e me pergunto onde residem nossos erros, por que tudo parece tão adverso, por que sofre-se tanto, por que reclama-se tanto se temos tanto a nossa disposição. Por que as escolas estão tão defasadas, por que lemos tão pouco, por que estamos cada dia mais violentos. Não será por que preocupa-se mais com o sentir do que com o pensar?
            Algumas pessoas sentiram-se frustradas quando o ator Marcus Caruso, quando ele revelou ao fim do seu monólogo, (o primeiro no qual se arriscou em sua carreira), que Philippe Dussaert não existia. Philippe era apenas um signo, um simbolo da hipocrisia. Um signo para denunciar a ilusão das aparências. Mas o público em sua maioria não quer pensar. Pensar dói, pensar custa, pensar na maioria das vezes revela, e quando revela, talvez não sejamos fortes o suficiente para enfrentar a conclusão do pensar. Caruso foi doce comigo, recebeu-me cedo no camarim, como quem recebe uma amiga em sua casa. Não tiramos fotos, na minha idade considero fotografias e espelhos invenções malignas. Mas deu um caloroso abraço a essa amiga que o assistiu em O vento do mar aberto, interpretando o malicioso "Rafa". Os anos passam depressa, e é muito gostoso ver seus ídolos amadurecendo, crescendo. 
           Hoje em dia quando vejo algum jovem ator, torço por ele, torço para ter forças para lutar, para enfrentar as dificuldades da profissão. Ser ator é gritar: "Sim eu posso ser o que eu quiser." Hoje pela manhã eu assisti "Chorume no quintal" com respeito pelos atores da Cia. Máschara. Que tanto se esforçam, que tanta garra tem. Que levaram ao palco um espetáculo tão lindo e que tão pouco foram respeitados e valorizados. Uma professora me disse que não pagaria o ingresso do espetáculo por que sempre colocava moedas na caixinha do calçadão. Ao que lhe respondi: Logo não mais terá onde colocar sua moedinha, afinal se esse grupo não é respeitado ou valorizado, não durará muito! -Mas sei que durará, foram vinte e sete anos. Um grupo que nasceu para permanecer. O Máschara é muito mais do que um grupo de teatro, é um espaço de luta, de aprendizagem, de reflexão. O Palacinho na esquina da Barão é como o sobrado do Terra Cambará, último reduto dos republicanos de Santa Fé. Ele pulsa, como diria José Lírio (o liroca), há algo de extremamente humano naquele casarão. Um marco. O velho e o novo. A arte que emana dali. 
           Dali surgiu Tem chorume no quintal. Das loucuras mentais do diretor Cléber Lorenzoni, das complexidades contraditórias de Alessandra Souza, das rabugentices de Renato Casagrande. Alí formou-se um grande diretor, exigente, profissional, genial. Dali surge uma atriz esforçada, surpreendente, intensa. Deli brota um artista sensível, multiforme, incansável. Por ali passam jovens que querem expressar-se, que tem sangue quente correndo nas veias. Clara Devi que mal contem-se dentro de si, tamanha sua fome de palco; Evaldo Goulart, espontâneo, indomável; Vagner Nardes, talentoso, observador, intenso; Stalin Ciotti, detalhista, perspicaz, reflexivo. Na ESMATE forja-se pontos de vista, ideias, ideologias. Os atores no palco hoje pela manhã e a tarde, contrastavam-se de forma equilibrada. Uns com mais garra, outros com mais conhecimento, mas todos unidos pelo objetivo de fazer dar certo. De tocar a platéia. As crianças que chegaram já conhecendo o Máschara, essa potencia de nome poderoso, foram para casa satisfeitas. Levaram mais do que vieram buscar, sejam os ensinamentos do diretor no interlúdio do diretor, seja nos diálogos lúdicos do seu Zeca, nos ensinamentos de Alice e LAércio, nos gracejos de Cremosina e Junior, ou nas colocações maldosas que não devem ser seguidas, de Office e MAdame Rafaela. 
              Parece que os atores do Máschara passaram anos estudando, para hoje nos dar esse agradável espetáculo. Cléber Lorenzoni, Renato Casagrande e Alessandra Souza estão prontos. Nada a declarar. É sem duvida a melhor criação de Alessandra Souza. Renato Casagrande está em sua maturidade, senhor da cena. Cléber Lorenzoni faz uma vilã forte, divertida, maquiavélica, engraçada. O fato de ser praticamente uma drag na cena,  faz um grande serviço a comunidade gay, ainda que sem levantar bandeiras lgbt, ora, as crianças das escolas apaixonam-se por madame Rafaela, e muitos jovens gays descobrem através do teatro que não há problema algum em ser gay, ouser drag, ou ser travesti, o problema é sim o caráter, esse sim é o erro de MAdame Rafela, não se ela é colorida, afeminada ou seja o que for. 
             O espetáculo da manhã foi emocionante, divertido, repleto de ritmo. A encenação da tarde foi mais lenta, parecia desconcertada. Alessandra Souza entrou na cena sem óculos, eu percebi por que já havia visto nas duas seções do dia anterior que a personagem usava óculos vermelho. Porém quando LAércio entrou com o óculos, pareceu que Cremosina desconcentrou-se inteira. O cachorrinho sobre o muro foi divertidíssimo, não me recordo o nome dele, mas seu salto nos últimos instantes pareceu fechar com chave de ouro. Clara Devi brilhou lindamente, ainda pode render muito mais, crescer mais, aprender mais. Mas me orgulha muito vê-la na cena. Foi um dia de altos e baixos como qualquer espetáculo. Público pequeno em comparação ao de Lendas da Mui Leal Cidade em 2018. Uma pena, os jovens saem perdendo. Mas não sei até que ponto os educadores pensam sobre isso. 
              Algumas piadas as vezes precisam ser mais cuidadosas, sem apelação. Os técnicos precisam estar atentos, receber o público com motivação. O fato de haver um compromisso após o espetáculo não deve desconcentrar os atores. Tudo isso esse brilhante elenco já sabe, mas as vezes parece esquecer.


Arte é Vida
   
                                 A   Rainha
             
Alessandra Souza (***)(*)
Cléber Lorenzoni (***)(*)
Renato Casagrande (**)(**)
Stalin Ciotti (**)(**)
Clara Devi (***)(**)
Evaldo Goulart (***)(**)
Vagner NArdes (***)(**)
Kauane Silva (***)(**)
Laura Hoover (*)

                    

Comercial A hora da ESTRELA


O ator Renato Casagrande como Seu Zeca

Crédito da foto: Maurício Mendes

Cléber Lorenzoni introduzindo o espetáculo




Renato Casagrande e Clara Devi em Tem chorume no quintal


Renato Casagrande e Cléber Lorenzoni na rádio cidade com a repórter Muriel Braatz


terça-feira, 20 de agosto de 2019

Elenco ao lado da.diretora.Dulce Jorge


Com o público de Tem chorume no quintal


Momento de descontração minutos antes de entrar em cena


855/856-Tem chorume no quintal (tomos 04/05)

A importância da figura do diretor


             Quando grandes clássicos do teatro subiram ao palco, durante séculos e séculos, o encenador resumia-se a explicar as rubricas. Dividia o elenco à direita ou à esquerda do palco. O encenador não tinha o intuito de criar algo, mas de organizar algo à contento do dramaturgo. O encenador podia ser as vezes um funcionário do teatro, um assessor do dramaturgo. O Teatro teve durante muitos anos a função de colocar sobre o palco a ideia escrita por um dramaturgo, uma ideia ligada ao momento, á época em que a historia foi escrita. Olhava-se para o palco com a intenção de conseguir interpretar os grandes papeis, reprisar as historias escritas pelos grandes homens de teatro.
             Finalmente o raiar do século XIX concedeu ao mundo ocidental a possibilidade de perceber o texto teatral como algo atemporal, algo que precisa de conexão com o momento. Por exemplo, eu não quero ver um Otello  na Veneza medieva, quero ver um homem negro que se apaixona por uma jovem mulher e que sofre com seu ciúme doentio, quero ver uma ideia inédita, que me faça refletir minha vida atual, ou a vida do mundo ao meu redor. O Hamlet de Shakespeare é um jovem que tem seu pai morto por um tio ambicioso, pouco ou nada me importa a riqueza da Dinamarca de um ou dois séculos atras, mas me importa o drama, o conflito, o que isso pode me provocar. Surge daí, a figura do diretor, um homem que vai contar uma historia. Uma historia nova e atual. A historia sobre o palco está sendo contada sob a batuta do diretor. Ele é o maestro de uma trama, de uma ideia. 
            Tem chorume no quintal é uma obra fechada, escrita por um dramaturgo/diretor. Se ela for dirigida por outro diretor, terá figurinos de outras cores, terá marcas diferentes, outros cenários. As cenas tangencias serão outras, as cenas pulsarão em outro momento, e principalmente a ideia final da obra artística me tocará em outros cearas. 
            Cléber Lorenzoni coloca no palco três atores do primeiro escalão do Máschara em um processo matemático muito inteligente. 1,1-2, 2,3,3-1,3-1-2. No segundo escalão temos Evaldo Goulart, que não brilha em uma grande criação como na estreia de O Hipocondríaco, mas que cumpre bem seu papel. Logo depois o terceiro escalão onde está protagonista, uma escolha ousada. Ali também encontram-se Stalin Ciotti e Vagner Nardes. Ciotti é desses atores com quem vale a pena trabalhar. Em questão de minutos ele te da uma partitura, uma construção. Vagner tem garra em cena, precisa claro de muita técnica ainda, mas equilibra-se perfeitamente com o restante da equipe. Seu jogo é ótimo, as vezes pode ter mais personalidade, mas isso virá aos poucos. Ciotti é uma ótima escolha para o menino Júnior, na segunda apresentação esteve muito vigoroso, mas ainda pode chegar em algum lugar em comum com Clara Devi, são um casal romântico. 
                   Clara Devi deve buscar a calma, intercalar ou preencher silêncios com presença física. Clara Devi detém o papel mais importante sobre o palco, no entanto Alice ainda não se apropriou do espetáculo. Torçamos que isso aconteça no restante da temporada. 
                        O prologo novo acrescentou graça e frescor ao espetáculo e a expressividade suave de La Devi convence e muito. Pode-se aproveitar mais as pausas, os tempo, as densidades. Sentir os anciãos com suas técnicas. O que cada um tem para acrescentar. Cléber Lorenzoni com seu poder atrativo de Leopardo, Renato Casagrande com sua grandiosidade de urso, Alessandra Souza com seu olhar clínico de coruja. Todos repletos de sons, gestos, forças, historias pelas quais os atores jovens devem ansiar. Correr atrás. Há nessa continuidade cíclica o mesmo processo pelo qual escoteiros ou ainda o menino Mogli passou.
                          A quarta apresentação de "Chorume" é madura e orgulha os atores pela dignidade com que se fala de algo educativo sem parecer enfadonho. Aliás a cena de Dona Cremosina pode ser mais balanceada por informações técnicas que Clara Devi e Evaldo Goulart podem buscar, como fonte de pesquisa e de crescimento. 
                          Alessandra Souza foi muito bem na apresentação da manhã, mas precisa cuidar para não atuar apenas para o público. Falta jogo com os atores jovens da cena. Dominar uma cena é processo difícil e maravilhoso, mas não pode ser prejudicado por atuações orgulhosas ou egoístas. Alessandra Souza arrancou gargalhadas do público, uma grande! 
                          Renato Casagrande adquire à cada papel, maior sabedoria, maturidade cênica. Atua em outro patamar, o patamar dos grandes atores do Máschara. Mas precisa ter muito cuidado com suas improvisações. Para mim que passei anos vendo Cléber Lorenzoni encerrar os espetáculos e falar coma platéia, é muito digno ver outro ator ocupar esse mesmo espaço sem egos inflamados, ou invejas egocêntricas. 
                            A contra-regragem de Kauane Silva e Laura Hoover foi bem executada e deve ser sempre, como qualquer outra contra-regragem, ambiciosa, artística e profissional. Os contra-regras são tão importantes quanto os atores. Saber o que são gelatinas, pontos de luz, espaços do palco, botões, extensões. Montar coxias, erguer escadas, organizar adereços... 
                              Vamos ao teatro, aprender, debater, inspirar...
                               Teatro é arte pura, arte é vida...

                                           O melhor: A maturidade com que se compreende a não necessidade de todo o elenco do Máschara em dia de espetáculo.
                                                O pior: A ausência de gente de teatro em dia de teatro!

                                                       A Rainha


Cléber Lorenzoni (***)(**)
Renato Casagrande (***)(**)
Alessandra Souza (***)(**)
Stalin Ciotti (**)(***)
VAgner NArdes(**)(**)
Clara Devi (*)(**)
Evaldo Goulart (**)(**)
Kauane Silva (***)(**)
Laura Hoover (**)(**)
                         
                        
             
              

Pode especial com o público de Tem chorume no quintal


terça-feira, 13 de agosto de 2019

Debate sobre teatro


Nosso diretor Cléber Lorenzoni ministrando workshop de iniciação


Analise critica do espetáculo O Hipocondríaco por alunos da ESMATE

Esperando o espetáculo começar, vi no centro do palco um cubo cheio de símbolos, entradas e saídas... Logo comecei a pensar: o que será proposto? E indaguei-me pela luz, música e cenário, contudo, a coxia que se mexia como que estivesse sendo balançada me voltava sempre para a realidade crua do ambiente. A minha realidade... Quando se iniciou a farsa, estavam em minha frente: Laura Heger, Renato Casagrande e M. Antônia Silveira Neto, ambos os atores com quem já contracenei e admirei em trabalhos anteriores. Renato tem a presença de ator ancião, a qualidade da voz, corpo, e entrega são características inquestionáveis e já esperadas. Laura Heger pareceu-me mais madura e entregue, comparando-a com ela mesma quando fizera: “lendas da mui leal cidade” é perceptível sua maior dedicação ao tetro. Sua voz aguda ainda precisa ser mais bem ouvida, falta-lhe volume e clareza em alguns momentos. Não é um problema apenas dela. E eu que sentei-me na primeira fileira fiquei pensando nos mais afastados do palco... M. Antônia é uma atriz que admiro, mas achei-a fraca nesta peça, faltou corpo, voz, objetivo e certa transformação, acredito que deve ter tido dificuldades em encontrar a personagem, o que é totalmente normal, e penso que deve continuar trabalhando e dedicando-se ao teatro. Ellen Faccin, atriz preocupada. A doutora do SUS fala com nitidez e encena de forma bem natural, vi alguns vícios corpóreos que me remeteu a uma versão farsesca de Anita (lendas), mas, a atriz arrancou-me boas risadas junto de Evaldo G. que estava magnifico, sem duvidas um dos melhores em cena. Alessandra Souza e Clara Devi me fizeram dar gargalhadas com o seu jogo em cena. Ambas com o trabalho corporal muito bem construído. Mas nada se compara a Nicolas Miranda, o ator construiu um personagem que roubava a atenção e nunca perdia a graça, não perdeu o ritmo em nenhum momento. Deixou-me de boca aberta! Conseguira triangular, jogar e me arrisco a igualar sua qualidade à atores como Cleber e Renato, nesta peça. Em Stalin Ciotti e Laura Hoover é visível a dedicação de ambos, a voz falada com nitidez e clareza, a entrega, a fé cênica e o trabalho corporal... Tudo de boa qualidade. A composição de Laura fez-me acha-la estranhamente fofa e junto de Ciotti e Cleber L. a cena deu um gás maravilhoso a peça. Stalin apesar do nome de forte e histórico mostrou-se muito delicado e romântico. É inegável, ótimos atores. Tudo que está no palco está ali com algum proposito. As roupas, a escolha do cenário, as músicas, luz, maquiagem... Tudo está ali com a intenção de nos fazer pensar sobre alguma coisa. O teatro tem essa função transformadora, fazer pensar! A peça “o Hipocondríaco” tem tudo para ser uma grande peça, e com certeza, para primeira apresentação, arrancou boas risadas e divertiu o público. Penso que muitos personagens devem ser melhores aprofundados. Confesso que as primeiras cenas me cansaram, faltou ritmo e volume. Os batimentos cardíacos de um ser humano variam entre o acelerar e o alentecer, dependendo da situação em que esse ser se encontra. Dando assim transformações rítmicas à vida, ao corpo e, para quem acredita, à alma. Quando se encerram as batidas, esse ritmo constante, encerra-se a vida, o corpo e alma vai-se embora. Dessa mesma maneira as artes cênicas dependem do ritmo para sua sobrevivência, sem ele não há nada que aprisione os olhares do público para dentro do universo teatral ali proposto. Essa reflexão, talvez um pouco “viajada”, proponho aos atores do hipocondríaco. Concluo-me aqui, ansiosa para a próxima peça e agradecida aos Deuses do teatro por esse espetáculo incrível. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Com a turminha de teatro da escola Soares de Barros


A morte

Domingo foi dia de aplaudir a nova musa inspiradora do espetáculo Esconderijos do Tempo. Depois de outras grandes intérpretes terem vivido a morte de Quintana, essa é a vez de Kauane Silva. A atriz que entrou no grupo em 2019, já vai construindo uma linda caminhada. Para lembrar antes dela viveram essa personagem a talentosíssima Kelem Padilha, além de  Tatiana quadros, Roberta Corrêa e Alessandra Souza

Noite de poesia


853- Esconderijos do Tempo (tomo 90)

Sobre Deuses e Heróis


                     Sempre me atenho ao talento, a alma dos atores, do seu potencial divino quando escrevo uma crítica. Todavia, hoje, voltarei minha análise para o lado técnico, o profissionalismo dos heróis do Máschara. Heróis, pois é intento heroico suportar as auguras de se fazer arte no interior. Profissionalismo é principal característica de um bom funcionário em qualquer emprego, em qualquer instituição. Profissionalismo em ser pontual, ser um bom colega, agradável e disposto a ajudar. Profissional em cumprir o que se lhe é esperado, casando técnica e genialidade, estudo e sensibilidade. Winston Churchil, premier Britanico, costumava falar do Edificante e do Eficiente, o edificante é exemplo, digno e respeitável, o eficiente é o que trabalha, que conquista, soluciona. Entre os atores do Máschara percebemos membros que representam os dois fatores, membros que representam um dos fatores, e finalmente membros que infelizmente precisam rapidamente assumir quaisquer um desses fatores. 
                     Eu conheço esse grupo há muito tempo, e compreendo a luta para se manter irradiando luz. Mas é preciso pensar, as pessoas passam, as instituições ficam e nas paredes das instituições ficam marcadas, imortalizadas as pessoas que fizeram a diferença. 
                       Clara Devi por exemplo tem se mostrado um grande exemplo, trabalhando sem questionar, correndo de um lado para o outro silenciosamente, ajudando as coisas a acontecer. Claro que a jovem ainda é muito menina, falta amadurecimento, instinto, compreensão. Coisas que virão com o tempo se ela continuar se dedicando. Alessandra Souza, Kauane Silva, Dulce Jorge, Laura Hoover, todas se arrumaram praticamente sozinhas, dão exemplo do que se espera de uma atriz. Alessandra foi um pouco monocórdia do meio para o fim de sua cena, talvez tenha se desconcentrado com ruídos da platéia, de qualquer forma, Lili esteve lindíssima, composição excelente, afinação e triangulação dignas de uma grande atriz. Laura parecia um pouco tensa, embora sua Glorinha seja formidável. Dulce Jorge deu todo o tom da cena final, com ritmo e delicadeza. Finalmente Kauane Silva mostra-se madura e grandiosa como o espectro de musa que o espetáculo pede, Kauane Silva tems e mostrado também dedicada, disposta e não há problema nenhum em ter humildade e colaborar pelo bem do grupo, um dia quem hoje é status cinco, será status quatro e outros iniciantes estarão trabalhando e você, status 4, será o mestre, o que terá que ensinar.  Kauane Silva começou sua carreira com muita calma, não entrou no Máschara de cara no primeiro ano, recebeu pequenas pontas, substituições. E aos poucos vai galgando seu espacinho. Desconfio de quem sobe muito depressa. Os sutis detalhes em suas construções e as responsabilidades que assume com entrega e responsabilidade tem levantando bons comentários entre a turma mais antiga da Cia.
                             A noite foi das mulheres, cabelos e maquiagens lindíssimos, Laura Hoover talvez precise de ajuda na sobrancelha da próxima vez, anular a sobrancelha para uma platéia que senta-se tão próxima, não é tarefa fácil. A plateia também foi bastante feminina, parece que muito pouco há de atraente aos homens no teatro.
                                Os homens do Máschara são também fatores eficientes. Cléber Lorenzoni é um faz tudo. Não sei como consegue atuar bem, e ainda ter os olhos atentos à tudo. nunca saberei. Mario Quintana cumpriu sua função envelhecendo lentamente. Escolha honrosa e demasiado triste para um espaço tão pequeno. As dores multiplicam-se em espaço claustrofóbico. Espaço caloroso, charmoso e de bom gosto para com a arte cênica.
                                  A partitura de Renato Casagrande, ator muito grande e digno na pequena ponta que executa. Talvez seu maior mérito seja o trabalho por traz da cena. Outra medida correta do Máschara, saber mostrar aos jovens atores que a dignidade não está no tamanho do papel que recebem, mas no valor que lhe empregam.
                                  Fábio Novello esteve fraquinho na cena, seu Gouvarinho já está presente no grupo há tempos. Quero ver mais, quero me emocionar mais... Palmas à quem vem de longe atuar, sempre disposto e gentil. Um artista. Um herói.
                                   Ainda na contra-regragem, Evaldo Goulart, que precisa de mais ouvido para executar a sonoplastia. Fazer a sonoplastia não é apertar botões, fazer a sonoplastia é dar voz aos silêncios. Fazer a sonoplastia também é pintar quadros de cena. Um espetáculo tão magnífico precisa de uma grande execução em sua parte técnica.
                                       Enfim, uma noite de bons acertos e alguns erros. Uma noite de bom teatro. Fazer teatro no palacinho requer prática e conhecimento do espaço em suas mãos.


                                       Arte é Vida

                                             O melhor: O trabalho técnico dos atores, principalmente dos status um e dois. A linda estréia de KAuane Silva no espetáculo.
                                                O pior: A execução tão desajustada da parte técnica do espetáculo.



                                                                                     A Rainha
                     

Teatro no palacinho


quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Análise do espetáculo O Hipocondríaco sob a ótica de um aluno da ESMATE




                               Sendo um espetáculo que oferece em sua premissa o Gênero Farsa poderíamos dizer que se cumpriu com sucesso, muitos absurdos tratados com naturalidade foram capazes de tirar gargalhadas da plateia. O Ritmo em cena como um todo mostra também como alguns atores estavam dentro da ideia do Gênero. Não irei fazer uma critica fazendo comparativos entre as obras de Moliere ‘’o doente imaginario’’ e o Hipocondriaco a adaptação de Cleber Lorenzoni. Até porque seria totalmente medíocre a minha opnião, já que eu mesmo não estava la quando apresentaram a obra de Moliere. Mas posso dizer com convicção que estava presente nessa adaptação do Doente Imaginário de Cleber Lorenzoni. Cleber Lorenzoni diretor e ator responsável pela direção da peça que tem como inspiração a obra de Moliére de 1673, em conjunto com seus alunos e atores do grupo trazem uma obra que trata de um problema muito atual. Entrando mais intrinsecamente na obra podemos ver seu protagonista, Argan, como um homem ingênuo e narcisista. 
                               Criando a cada segundo motivos para tomar seus remédios não consegue ficar sem estar no centro das atenções, nem que para isso precise fazer cinco lavagens intestinais e casar sua filha com um médico. Dando um zoom ainda maior nessa história podemos ver que Argan não é o único responsável pela suas doenças imaginárias, mas sim todo o conjunto de pessoas que o cercam, alguns tem motivos para isso, como sua esposa que não o suporta e quer sua herança ( Belinha). Sua filha alimenta ainda mais sua ideia de estar doente (Angelica) através da dramática preocupação com uma doença que não existe. 
                                   Poderia dizer que as únicas personagens que tem um pouco de sobriedade nessa história é a criada ( Nieta) que constantemente tenta trazer razão para a cabeça do Chefe e das pessoas que o cercam, e também a Enfermeira ( Flipota ). Acredito que podemos ver essa ingenuidade em Argan tanto no seu exame que não é capaz de perceber a burrice de seu médico, quanto na hora que sua filha mais nova finge a própria morte. Muitos códigos foram passados para o público. O Hipocondríaco traz em sua essência o medo da solidão, o narcisismo alimentado pela sua família e a sua tentativa de salvar a atenção que tinha de sua filha, fazendo ela não se casar com Cleanto. É o reflexo de uma sociedade vitima de suas próprias carencias. As referencias da Commedia Dell’Arte tambem ficaram nítidas apesar de não muito obvias para o público Leigo. As roupas deveriam fazer o papel de mostrar sobre qual cada grupo os personagens pertencem, sendo Rosa do Argan, Azul de Cleanto e verde dos médicos e cores sozinhas para as personagens que estão’’ sozinhas’’ Porem acredito que algumas coisas não ficaram tão claras para a maioria, como por exemplo esse detalhe das roupas ou da Commedia Dell’arte. 
                                           Também através da minha interpretação que não é a verdade absoluta acabei percebendo algumas coisas que talvez poderiam ter sido melhoradas. Por começar que todos esses aspectos que a peça me comunicou não foi de forma tão profunda e não se fixou tanto na minha mente. Por tanto logo na saida do espetáculo ja não lembrava muito do que se tratava o assunto da peça e a mensagem ‘’ Filosófica’’ em si. Não sei dizer com convicção o'que no meu gosto e na mente foram os motivos dessa causa, mas poderia chutar que seja pelas diversas informações de tentativas de fazer a comédia acontecer. De fato sendo um espetáculo destinado a comédia deveria haver a técnica destinada a esse fim. Esses inúmeros códigos de comicidade foram o suficiente para afogar quase que completamente a mensagem da peça e tambem deixar levemente cansativo o olhar do público. Além de que juntando esse fator com o tempo da peça, deu a impressão que dobrou de tamanho fazendo ter uma sensação de monotonia algumas vezes, justamente porque o publico ja tinha se acostumado com o ritmo e o fator principal da comedia que é a surpresa, juntamente o contraste estava se perdendo. O fator da rapidez da Farsa existe, e deve ser respeitado, mas acredito que as cenas de contraste com esse ritmo poderiam ter sido mais intercaladas.