domingo, 14 de setembro de 2014

O castelo Encantado 677 -88 apresentações

Bons atores...

                      O que é um bom ator? Quem sou eu para ditar o que qualificaria um bom interprete. Mas ouso questionar, isso sim eu me acho no direito de fazer. Um bom ator seria talvez um ator versátil?  Mas aí um ator que passou uma vida inteira interpretando com perfeição um único papel, não seria um bom ator? Talvez um ator com uma expressividade eloquente? Ou com um capacidades vocais marcantes? Ou com nuances? Ou com técnica? Ou com talento desde a tenra infância? O que seria um bom ator?
                      Um ator dedicado, com 24 horas disponibilizadas ao teatro? Ou um interprete que em poucas visitas ao palco e sem tempo para ensaios chegue e brilhe indizivelmente? O que é um grande ator?
                         Para mim são atores de raciocínio rápido, de capacidade intelectual, de versatilidade, capacidade vocal, técnica e emoção somadas, ou seja, uma colcha de retalhos, com humildade para aprender, personalidade para dizer "não", generosidade para com os colegas de profissão e público. Bons atores são aqueles que mais se importam em dar continuidade aos alicerces do teatro do que em bem atuar propriamente dito. 
                           Hoje vi vários tipos de atores em cena, em um espetáculo que já assisti com sete atores, e que agora vejo com quatro atores. Algumas coisas se perderam juntamente com esse corte de elenco, por outro lado, pareceu-me mais concentrado, coerente e pontual. Cléber Lorenzoni pareceu preocupado em cena, mas arrancou boas risadas, a agilidade com que compõe suas personagens é marcante. O personagem do Ursinho que toca musica é visivelmente um clown e certamente foi o que mais chegou na platéia. Alessandra Souza consegue compor sua protagonista infantil, Passeia pelo palco com agilidade e domínio. Seu jogo foi intenso principalmente com os colegas mais antigos de palco. Evaldo Goullart não se destaca muito. Faz bem feitinha a sua parte, mas com pouca personalidade. Ator tem que se destacar, suas personagens tem que romper a barreira do palco, chegarem ao público. A melhor interpretação de Evaldo em Castelo é Rafael, embora sua interpretação de bonequinho ruivo tenha sido razoável. Porém todas as personagens de O Castelo Encantado são pratos cheios para qualquer ator. 
                                   Renato Casagrande domina a cena e conduz muito do ritmo do espetáculo, sem falar que sua compreensão de cena foi quem o ajudou a bem aconselhar na escolha do cenário. Outra dica importante que Evaldo Goullart deve aprender com Renato Casagrande é cuidar proteger e auxiliar os colegas atrás das coxias. O Teatro, principalmente em palcos adaptados carece de uma disponibilidade e coleguismo. O Castelo Encantado estava no grupo das peças mais fracas do Máschara mas elogiavelmente subiu muito em meu conceito após agradáveis momentos de interação com o público de Guaporé.  O Teatro sempre deve surpreender!
                                        Quanto a trilha sonora do espetáculo, para mim é equivocada e na ocasião, mal operada. Ricardo Fenner não é o sonoplasta do espetáculo, ok, mas então a equipe deveria ter encontrado outra solução. O Público não deve sofrer com por um problema técnico interno da equipe. Os erros de operação foram causados pela falta de uma adequação ao computador do local, o que poderia ter sido solucionado em questão de minutos.


Cláber Lorenzoni (**)
Renato Casagrande (**)
Alessandra Souza (**)
Evaldo Goullart (**)
Ricardo Fenner(*)



                    A Rainha
                           

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A Maldição do Vale Negro - 676 Tomo/23

                Sempre que um espetáculo do porte de A Maldição do Vale Negro é apresentado dentro de uma lona de feira de livros, sinto uma aperto no peito, uma compaixão pelos artistas e um respeito profundo por sua profissão.  Nesse tipo de situação não estou vendo um espetáculo de rua, nem mesmo um espetáculo de palco italiano. O que estou vendo? Estou vendo um esforço mútuo em adaptar um espetáculo de grande porte à um espaço complexo, difícil e meio desajeitado, para que o público saia ganhando. Como não dizer que essa é uma profissão que exige estrema generosidade? Há maior generosidade do que prejudicar seu espetáculo, abrir mão de engrenagens importantíssimas, de camarins e até mesmo de banheiros, para que o público possa assistir o teatro? Em cena três atores corajosos, dispostos há tudo, em um calor de quase 40 graus. Lorenzoni, Fenner e Casagrande vem se acostumando com o uso dos auriculares e conseguem um bom efeito em um espetáculo com tantos altos e baixos em sua sonoridade. O Máschara como sempre levantou rotundas, coxias e cenários com sua agilidade peculiar e conseguiu envolver uma grande plateia de adolescentes, sempre tão interessada em celulares e outras futilidades, em setenta minutos de interpretação. 
                 Cléber Lorenzoni (***) vem tirando a cada dia mais graça da personagem Rosalinda e sabe do que abrir mão e o que é imprescindível. Sua triangulação com o público e tudo o que acontece a sua volta é o que mais me chama a atenção. Renato Casagrande (**) as vezes fala muito alto, quando se está fazendo uso de microfones é preciso compreender que os volumes são função do sonoplasta. Ricardo Fenner (***) esteve muito bem como conde e vem melhorando sua impostação melodramática a cada apresentação do espetáculo.
                 Não foi porém, um bom dia para a contra-regragem. A mão de Ágatha aparecendo antes da mesma cair pela janela. As trocas emboladas e não ágeis e ainda o descuido com a cortina preta transparente revelam um trabalho pouco dedicado de Alessandra Souza (*) no espetáculo da manhã. Evaldo Goullart (**) opera bem a sonoplastia, mas as vezes parece um pouco avoado o que pode por em risco sua função.
                  Uma situação muito interessante e no mínimo mencionável, foi a invasão de um dos sonorizadores  da feira. Sem o mínimo tabu, ele adentrou na sala do palácio dos Belmont na segunda cena do espetáculo, há ponto dos atores Cléber Lorenzoni e Ricardo Fenner precisarem expulsá-lo. Foi um arrojo! Gostei muito, faz a gente perceber o quanto o teatro é vivo, o quanto os atores tem domínio do palco, e o quanto os leigos não compreendem a complexa visão que os atores tem do "palco sagrado".

A Rainha

Superação 2014


Grupo Máschara em três opções-O Castelo Encantado e Performances no Superação 2014

Self Service

                  Nas últimas semanas o Grupo Máschara fez de palco as ruas de Cruz Alta e apresentou-se em três situações. A primeira em frente ao calçadão com o infantil O Castelo Encantado. Animador, divertido e ágil. No entanto carente de técnica de teatro de rua. Claro que a maturidade da Cia., o longo trabalho frente à todo tipo de plateias, e a busca pelo novo, causou uma ótima impressão frente as pessoas que foram pararam para assistir. A técnica vocal também é um mérito que deve ser mencionado. principalmente em Lorenzoni, Casagrande e Souza. A entrada e a saída, as cores, e a escolha das historias, colaboraram para o entretenimento do público. O máschara devia investir mais no teatro de rua, principalmente como forma de envolver ainda mais o público cruzaltense nas ações teatrais da cidade. 
                Com Os Saltimbancos na semana seguinte faltou ensaios, a escolha do espaço foi confusa, Ricardo Fenner precisa saber que os "sacos coloridos" servem para delimitar o espaço cênico da narrativa. Alessandra, Cléber e Renato precisam saber que os "sacos coloridos" servem para delimitar o espaço da narrativa. A trilha foi toda boicotada, com todos os finais das canções sendo extirpados. Se o sonoplasta era Evaldo Goullart, deveria ter detectado o problema o quanto antes e impedido que o problema se repetisse musica à musica. 
                  Na mesma tarde atores do Máschara e alunos da ESMATE promoveram uma performance com musicas do ABBA, a meu olhar um fiasco dos mais perturbadores dos últimos anos no que diz respeito a iniciativas do Máschara. Dancing Queen e Mamma Mia, tão conhecidos pelos atores conseguiram causar equívocos. Fernanda Peres deveria aprender as coreografias, Evaldo Goullart ainda não aprendeu a diferença entre dançar em uma festa e dançar cenicamente. Foi certamente a pior das três iniciativas junto ao público.


A Rainha



Cléber Lorenzoni **
Renato Casagrande ***
Alessandra Souza **
Evaldo Goullart *
Fernanda Peres *
Ricardo Fenner **
Lucas Nunes **
Amanda Oliveira ***