quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Alunos da Escola Arthur Moreira visitam Palacinho do Máschara


 

Dia do cliente Super útil - Gauchão e sua prenda


 

Dulce Jorge e Ana Clara Kraemer


 

1353-Laços Imortais, os filhos de Augusta (tomo II)

                         O espetáculo termina, mas o que ele provoca não deve terminar ali. Um artista que só busca aplausos, está na verdade buscando aprovação, e essa não é a função do teatro. Estamos em ano eleitoral, que bom seria se nossos políticos soubessem ouvir uma boa critica. A critica não se trata de uma resposta final, ou de certezas absolutas, mas de propor reflexão. Artistas que se sentem perfeitos, ou que não questionam sua arte, não merecem o palco. O palco é o lugar da dúvida, da busca, da ousadia, do ímpeto e da loucura. A crítica teatral, as vezes ajuda o público de teatro a pensar, a refletir, a abrir o pensamento sobre o que assistiu. A função da critica é colocar novamente em movimento uma obra que já deixou o palco. 

                               Laços Imortais nos faz refletir muito, eu que já perdi pais e avós, encontrei ali, um tipo de conforto. Aqueles que partiram antes estão em algum lugar. Não sob a terra, mas em um plano, ao nosso redor. Augusta me fez refletir sobre meus medos, sobre o que espero, sobre minha caminhada. Sobre os amigos que magoei, sobre quem perdoei, sobre separações e afastamentos. Em dado momento, recordei os estudos de Jung, em meu tempo de faculdade: ao falar de ego, estamos falando daquilo que reconhecemos como nossa identidade cotidiana. Mas ele vai mais fundo, criando o conceito de individuação. Ou seja, tornar-se aquilo que se é em profundidade. Joana de Angelis em sua obra questiona: Será que aquilo que chamamos de Eu, corresponde a totalidade de nosso ser? Jung fala de "eu", inconsciente e Self, três camadas, três círculos, três portas no fundo do palco, três épocas de Bentinho, que se unem, reconhecendo cada camada da vida, aprendendo com elas. Dores, tendências, sofrimentos e experiências como elementos de transformação. -Quem somos nós para além daquilo que pensamos ser? - E essa é também a grande dúvida que o teatro nos impõe a cada espetáculo, a cada novo personagem.  

                          O espetáculo foi reapresentado de forma comunitária, com participação massiva dos integrantes do Centro Espirita Fraternidade e durante mais de uma hora, explanou através de atos e cenas, a doutrina de Allam Kardec.  A parte técnica do espetáculo foi bastante prejudicada, muito embora, ninguém tenha ficado no escuro e a trilha seja lindíssima. Talvez um tom mais amarelado no palco e fumaça em momentos mais específicos, tivesse auxiliado na ambientação.  

                                 As interpretações muito intensas marcaram a noite, destaque para Kleberson Ben e Renato Casagrande. Clara Devi embora estivesse muito intensa, conduziu a primeira faze de Helena como se fosse uma personagem muito mais velha do que a peça conta. As gags e soluções da atriz, são de atriz madura, mas não devem se interpor no trabalho de interprete. Dulce Jorge pecou ao olhar diretamente para Irmã Joana, na primeira cena, embora estivesse bastante intensa em suas cenas. Alguns artistas falaram um tanto baixo, ainda que, com suporte técnico de amplificação. 

                                           O que mais me chamou a atenção, foi o carinho da plateia, mas engana-se quem pensa que esse carinho brota de um trabalho realizado ontem ou hoje, nessa ou naquela peça. Esse carinho nasce de uma caminhada de décadas, de dedicação inesgotável. O público sai de casa, esperando um trabalho grandioso, intenso, bem costurado. Algo que poucas companhias teatrais mantém por tanto tempo. Os detalhes, o respeito ao público levado aos extremos, com olhar carinhoso que vai do chão ao teto. Lorenzoni já falou várias vezes que não faz teatro pelo dinheiro, mas pela missão, e com grande ética. Pelo visto alguns artistas da cena, herdaram esse olhar. Arrebatadora a cena de encontro entre Beatriz(Ana Clara) e Helena/Augusta (Dulce Jorge). Carol Guma traz alívio com sua Dona Tereza e Pricila Chiesa nos dá uma Joana observadora, muito leve. Laços Imortais fala que existe um tempo certo para cada coisa. Não adianta ter pressa. É somente no fim da caminhada que Bentinho tem permissão para entender tudo o que lhe acontece. Talvez se soubesse antes, não conseguiria perdoar. É preciso maturidade, vivência. É isso aliás, que tantos atores jovens sobre o palco devem procurar. 

                                    Foi uma noite sagrada, de conexão proposta por mais de 15 artistas. Alguns deles tentando agradar o diretor, outros tentando agradar a si mesmo, outros querendo agradar o público, e está tudo bem, desde que todos compreendam o que está por traz. Depois da coxia, depois da rotunda, depois da tábua que afunda no camarim, depois da crítica... Lá no mais íntimo do teatro. Lá existe uma resposta. É ela que devemos buscar...

O MELHOR: o crescimento do ator Kleberson Ben, e a quantidade de atores jovens em cena.

O PIOR: A falta de percepção do todo que muitas atores e atrizes ainda não aprenderam a buscar.


A Rainha



Laços Imortais

Direção e roteiro Kléber Lorenzoni

Elenco: Kléber Lorenzoni, Renato Casagrande, Dulce Jorge, Kleberson Ben(***), Ravi Dantas(**), Clara Devi(**), Pricila Chiesa(**), Ana Clara Kraemer(**), Junior Lemes(**), Antonia Serquevitio(**), Roberta Teixeira(**), Giovana Lopes(**), Valentina Lemes(***) e Felipe Brandão(**).

Contrarregragem: Douglas Maldaner(**), Rosiane Teixeira, Antonia Serquevitio(**), Junior Lemes (**) e alunos da ESMATEen