domingo, 9 de junho de 2013

Ed Mort em Santa Rosa - 12ª Apresentação

           Uma vez questionei um grande mestre do teatro quanto ao que seriam seus principais alicerces em sua forma de fazer teatro. O primeiro item foi, a busca da perfeição. Mas aí me pergunto, perfeição em relação a que e como alcançar a perfeição? O Teatro tem tanta subjetividade, o bom e o ruim, o certo e o errado, o profissional e o amador, as convenções, etc... 
             Hoje pela manhã o Máschara apresentou-se em um antigo cinema de Santa Rosa, transformado em teatro. O local era muito grande, o palco enorme, o que como todo ator sabe, acaba por deixar o espetáculo mais lento, não havia uma iluminação apropriada, tudo foi feito de forma muito artesanal, dentro das possibilidades de tempo e do espaço. Ali observando fiquei me questionando o tipo de profissionalismo do Grupo Máschara. O Espetáculo atrasou alguns minutos, o cenário não era o do espetáculo, era algo adaptado, as coxias abertas em exagero revelavam os bastidores, e alguns atores não estavam inteiros em cena. Tudo isso poderia ser considerado falta de profissionalismo. No entanto observei todo um outro lado que me impede de não respeitar essa Cia. 
               No local não havia equipamento de luz e muito menos estrutura para posicionar a iluminação, sendo assim os próprios atores ficaram por longo tempo subindo em uma escada com 20 degraus e mais de seis metros de altura.  As coxias eram fixadas no grade inferior do urdimento, o que impedia seu deslocamento e melhor distribuição pela rotunda. As equipes de som e luz dos teatros do interior é muito disposta mas precisa se aprofundar no conhecimento de iluminação e sonorização de espetáculos teatrais, pois as vezes os artistas parecem os chatos só por que buscam o melhor. A Direção e o elenco de Ed Mort, Cléber Lorenzoni, Ricardo Fenner, Luis Fernando Lara ficaram por longo tempo pensando em uma iluminação que favorecesse o palco e agradasse a platéia. 
                 O Máschara quando chega em um local não se contenta em apenas apresentar seu espetáculo, mas em promover o espaço há algo o mais parecido possível com um ambiente teatral. Eis aí seu profissionalismo.  
                   Outra coisa que sempre me preocupa é a escolha dos espetáculos pelos produtores dos eventos, em relação ao público que assistirá, ao mesmo tempo esse constante despreocupação quanto a linguagem a que crianças são expostas. Não interessa se a televisão oferece determinados tipos equivocados de programações para o público infantil. O teatro tem a obrigação de respeitar a criança e oferecer espetáculos que façam jus a sua idade e compreensão.
                       Penso que com tantas apresentações sem o fundo com jornais, já deu para perceber que o mesmo é uma barriga desnecessária do espetáculo.
                   Cléber Lorenzoni com seu perfeito domínio de cena, adaptou rapidamente algumas réplicas. Seu Ed Mort estava muito mais corporal do que na apresentação anterior, mas acho que a curva do espetáculo não aconteceu como devia. Alessandra Souza está alongando cada vez mais os tempos de sua personagem, o ator tem que sempre lembrar que não é ficando mais tempo em foco que o faz ser mais ou menos importante. Fernanda Perez é o terceiro papel do espetáculo mas nessa apresentação esteve arrastada, sua voz baixa, seus tempos confusos. Sua primeira cena e penúltima cena foram boas, no entanto no restante do espetáculo passou desapercebida. O ator precisa sempre rever sua arte, sua performance. Cuidar do seu corpo, mente, voz e saúde, pois seu material de trabalho é seu corpo. Ricardo Fenner destacou-se mais nessa apresentação, está apurando seu ouvido o observando melhor as falas dos colegas e nisso consiste o teatro, ouvir o outro, percebendo sua respiração. Se dança é equilíbrio, teatro é respiração.
Renato Casagrande esteve inteiro em cena, mas precisa tomar cuidado com a superficialidade na qual a versatilidade pode incorrer. A sonoplastia esteve agradável, sem erros e com acertos esperados. Quanto a iluminação, teve acendimentos e apagões confusos, que felizmente não interferiram suficientemente na narrativa, compreender a iluminação tem mais haver com noções de pôr luz no breu ou sombras na luz, e encontrar a adequação dessas forças em relação ao espetáculo.
                           Tatiana Quadros esteve bem em cena, mas não se destacou como no 59º Cena às 7. Evaldo Goulart precisa somar a sua preocupação com voz e corpo, a localizar-se no espaço e procurar a luz. Para encerrar Dulce Jorge jogou com precisão e ousou com outro penteado em Baby, gosto de todos, mas está mais que na hora da atriz decidir qual é o cabelo de Penélope.
                                 Ed Mort é uma comédia divertida, porém simplória demais. Uma boa escolha para começar a tournê em Santa Rosa. Esperamos que nos próximos espetáculos da mesma haja maior virtuosismo por parte dos atores.

Teatro já é um oficio tão desrespeitado, é preciso que o profissional de teatro se faça respeitar. 

Fernanda Peres, Gabriela Oliveira *
Cléber Lorenzoni, Renato Casagrande, Dulce Jorge, Tatiana Quadros, Evaldo Goulart,  Alessandra Souza, Luis Fernando **
Ricardo Fenner ***


A Rainha