domingo, 6 de outubro de 2013

Ed Mort na UNICRUZ em Agosto de 2013


634- O Incidente 75 -Feira de Livros de vacaria

                         Sempre que assisto a um espetáculo, tento observá-lo como obra estanque, nova, como se fosse uma estréia, ainda que eu a tenha assistido 74 outras vezes. Surpreendentemente, três atores estreavam, o que certamente tomava proporção de circo de horrores na mente dos diretores e produtores do espetáculo. Mas vamos observar lá pelo principio. Os sete mortos adentraram a cena pelo fundo do palco, entre a fumaça do gelo seco. Logo de inicio, problemas técnicos, mais luz!!!! A frente do palco estava mergulhada na penumbra, falha do espaço que não tinha varas fora do palco. Aliás, nem dentro. Cléber Lorenzoni iniciou com toda a força, espasmo, coluna intensa, desequilíbrios equilibrados, energia, enfim, tudo o que a montagem pede dentro de sua concepção. Os cadáveres Antarenses foram sendo apresentados ao público um a um. No todo, o impacto foi grande, e causaram logicamente a reação esperada na platéia. Diego Pedroso compôs uma bela figura, mas parecia inseguro, sua fronte ficou quase sempre obscurecida pelo chapéu de sapateiro. Será que o ator foi avisado?  Alessandra Souza esteve muito mais viva, se é que um trocadilho desses casa com uma peça onde a maioria "está morto". A atriz veio sensual, inteira, melhorou as pausas, apenas sua voz deixou a desejar. Cristiano Albuquerque, compõe um ótimo Pudim criado lá em 2005. Muito gostoso vê-lo verdadeiro em cena e arrancando boas risadas do público. 
                         Dulce Jorge esteve muito bem em cena, não como a Dona Quitéria de 2005, mas afinal os anos passam e os atores amadurecem, encontram novas soluções e se transformam com suas personagens. Firme e com a sutileza com  que constrói sua interpretação, certamente será uma das inesquecíveis figuras do público de Vacaria. Geltom Quadros veio de Santa Maria fazer um trabalho, e o fez, poderia ter falado mais alto. Ainda assim, o público pareceu apreciar muito a cena entre João e Rita Paz. Essa última foi um tanto histérica, por outro lado, sabe-se de conversar de ribalta que a atriz assumiu o papel três dias antes e duas horas antes de adentrar a cena fazia seu primeiro ensaio com o colega de cena. Levando isso em conta, esteve maravilhosa. Ricardo Fenner foi sutil também, criou pequenas novas intenções no velho Coronel Vacariano, e pela primeira vez em tempos, o embate entre advogado e coronel foi a parte mais interessante do espetáculo.  Apenas algumas ações do ator ficam um tanto joviais e a dica sempre é não fazer algo do qual ainda não se tenha domínio. 
                         Para encerrar a cena, a entrada de Renato Casagrande como Menandro Olinda. Um papel complexo, para um grande ator. O público é claro, consegue uma boa compreensão da trama pelo olhar do intérprete, mas muito se perdeu. É preciso ensaio, e muita maturidade. Menandro Olinda é um personagem sutil, introspectivo e jovens atores tendem a confundir exageros e ritmos acelerados com energia e força. 
                          A grande pergunta que me faço após assistir os espetáculos do Máschara é como se consegue fazer tantas substituições, e o que os atores que substituem procuram. Existem sempre dois lados quando entramos em um espetáculo, o primeiro é aquele em que eu crio algo, interpreto, dou vida a algo que eu quero dizer. O segundo é aquele em que a serviço de um trabalho consolidado, reconstruo algo pronto. Pode ser muito laureável essa ultima opção, mas a pergunta é, como se sentem os atores? Sabem qual sua função? 
                                 O teatro de certa forma é simples, por outro lado é extremamente complexo. O ator no palco não está a serviço de alguém, mas faz algo devotado para seu público e precisa saber que está sujeito a criticas e a análises. Existe aquilo que o ator exala para a platéia, sua arte, sua criação, e existe a base, a técnica teatral, que deve sempre estar presente.
                                  As pessoas passam, mas o Máschara e o teatro sempre estarão aí!


A Rainha

Cléber Lorenzoni , Renato Casagrande, Evaldo Goulart, Geltom Quadros, Cristiano Albuquerque
(**)
Dulce Jorge, Fernanda Peres, Ricardo Fenner, Alessandra Souza (***)
Diego Pedroso (*)


Ensaio de palco em Vacaria/RS


sábado, 5 de outubro de 2013

Feriadão Tomos 100/101

Assisti ainda há pouco o mais sagrado dos atos do Máschara em Vacaria."Teatro", na Casa do Povo, arquitetura de Oscar Niemeyer. Em cena cinco integrantes do Máschara, alguns velhos conhecidos e outros novatos na arte de atuar. O local não se presta muito para grandes espetáculos com cenários espaçosos, pois há a direita do palco um fosso, com escada em caracol de corrimão branco que se avista de toda a platéia. No entanto a contra-regragem tratou de solucionar o problema e conseguiu.
As cinco crianças brincando no sótão, trataram de vários assuntos, principalmente do trânsito, da mobilidade das pessoas e do diferente. Tão em voga em nossos dias. 
Cléber Lorenzoni ergueu ambos os espetáculos com sua interpretação pontual, algumas poucas vezes seu falsete de Frédi confundiu-se com o do papai Prudente. Há de se tomar cuidado, ensaiar mais. Já Fernanda Peres esteve muito bem apesar de não se sentir bem nas coxias. Em alguns instantes trancou, patinou e quase não evoluiu com o texto. Mas seu jogo em cena é impecável, a rápida compreensão que tem dos colegas sempre lhe salva. Renato Casagrande é há meu ver um talentosíssimo jovem ator. Mas tende a acelerar os espetáculos, assim como a colega Alessandra Souza. Pausas por favor!!! O teatro chega muito mais no público, na hora dos silêncios. Algumas cenas ficaram enroladas, principalmente a coreografia pós carrinhos e a cena final. Alessandra Souza joga muito bem com Cléber Lorenzoni, mas brinca as vezes com o nonsense, por exemplo, na hora em que sussurra ao ouvido de Frédi o plano para dar uma lição nos Prudente, percebe-se que nada foi dito, e Cléber ainda segura seu cotovelo para ver se ela percebe que deve ser mais verdadeira. A melhor cena é sem dúvida a do meio, aquela em que Luisinho se afoga. 
São crianças e o mais prazeroso é ver os atores ficando mais maduros e cada vez mais crianças no espetáculo. Eis o grande trunfo cênico. 
Evaldo Goulart precisa rever dicção e volume. Na segunda apresentação Cléber Lorenzoni lhe indagou duas vezes a palavra documentos, e a pronuncia ainda saiu confusa. A personagem está confusa, não mais redonda, provavelmente se deve ao fato de o ator ser substituto. Filipinhi é um menino muito pequeno, afinal usa fraldas o que é dito na 43ª fala do texto.  E como ele é? Criativo e muito inteligente, afinal embora os primos e amigos sejam mais velhos, ele é quem se veste de Vovô e Guarda de Trânsito.  Nas duas vezes que o espetáculo foi apresentado, a cena final do carrinho dos metralha não foi bem encerrada, alguns pularam, outros ficaram. Evaldo deu falas de costas para o público em um momento importantíssimo, em que deveria falar ao público. Uma necessidade que vejo no ator de estar de frente para quem vai dar seu texto. Está correto, mas as vezes o público é mais importante... 
A trilha foi bem operada por Diego Pedroso, e a luz apenas geral permanente cuidada por Cristiano Albuquerque. Foram enfim dois bons espetáculos, com alguns bons atores. Mas falta coesão, provavelmente por que faltem apresentações. Faltem ensaios. 
Para encerrar ressalvo, nunca esquecer o profissionalismo, e que é seu trabalho, o público paga para ver algo bem feito e não para filosofar se há ou não prazer em fazer, esses são os paradoxos pessoais dos artistas. 

Cléber Lorenzoni (***)(**)
Fernanda Peres (*)(**)
Alessandra Souza (***)(**)
Renato Casagrande (***)(**)
Evaldo Goullart (**)(*)
Diego Pedroso (***)(**)
Cristiano Albuquerque (**)(**)



Arte é vida!!!   A Rainha

quinta-feira, 3 de outubro de 2013