terça-feira, 29 de abril de 2014

Os Saltimbancos - Para rede super sul- 27/04/2014

Mas e o que é teatro?
             Hoje não houve teatro, o que vimos foi um show de variedades... Havia logicamente atuação, havia dança, havia canto... Mas o que é teatro? Teatro é a arte da interpretação, é o conflito, é a catarse. O teatro difere do circo por não ser apenas a arte da repetição. No teatro há o jogo, há o desafio diário, a troca, a comunicação e principalmente a transformação de algo que se desequilibra no princípio e se reequilibra no final. Um cão adestrado consegue repetir determinados números, uma equilibrista que treinou durante um, dois ou mais anos, dependendo da dificuldade de seu número, consegue atravessar uma corda esticada no ar, ou equilibrar 5 pratos em hastes. Mas e um ator, por mais que "treine" algo, está em busca do diferente, do novo desafio, é como se o ator começasse o número equilibrando cinco pratos esperando terminar o número equilibrando 10. Enquanto que para a equilibrista isso seria o fim de seu número, já que foi "treinada" apenas para os cinco pratos. 
             Via-se na cena o ator Cléber Lorenzoni tentando chegar ao público nas arquibancadas. Esse ator é certamente um grande comunicador. Renato Casagrande possui uma energia ímpar, e domina esse espetáculo como ninguém, mas esperava mais de seu cãozinho nessa apresentação. Alessandra Souza e Ricardo Fenner pareciam confusos as vezes, mas equivaleram-se. Alessandra pode buscar mais leveza e Ricardo Fenner mais percepções...
              "Os Saltimbancos", sem os textos e diálogos de interação, parece confuso, pequeno para  a percepção da platéia. Um desserviço ao teatro.  O público que nunca foi ao teatro, assiste e se pergunta por quê não está compreendendo, passa a não gostar e assim nunca mais deseja ir ao teatro. O ator  tem que compreender também sua função de agente do teatro. 
                  O espetáculo montado pelo Máschara em 2012 é muito bom, no entanto muitas coisas foram se perdendo e precisam ser revistas. Não discordo da apresentação do fragmento apenas, afinal o teatro deve estar presente sempre, seja como for. E entendo que em uma cidade como Cruz Alta, muito pouco se faz pela arte, portanto qualquer tentativa do Máschara é bem vinda. A trilha sonora nas mãos de Evaldo Goullart pode ser melhor executada. O ser humano deve buscar sim a perfeição sempre e não há melhor lugar para isso que no teatro.
                    Que a GAJUCAGA continua e melhore cada vez mais...

"O teatro é a verdade, é o grito, é a fala... Deve ser dito sempre, de forma verdadeira, honesta, livre e de acordo com a capacidade de quem está gritando, ou então será tão falsa quanto o mundo corrupto que o cerca"



                                                    A Rainha

Alessandra Souza (**)
Renato Casagrande (*)
Ricardo Fenner (*)
Cléber Lorenzoni (**)
Evandro Amorim (***)
Evaldo Goullart (**)


segunda-feira, 28 de abril de 2014

Sobre "Cordel com a corda toda"

                        O cordel provoca nas pessoas duas únicas reações, amor ou ódio, admiração ou incomodo. No entanto a poesia do cordel faz uso da arte-cênica para envolver a platéia, para criar pontes comunicativas, desenvolver links artísticos, aí não há como não se envolver. O Teatro sempre honrou as outras artes (dança, música, poesia), incluindo-as em seus dramas. Hoje no palco. O ator-comunicador Roger Castro envolveu teatro e cordel de forma substancial. A trama é simples e a escolha dos versos não chega a ser marcante. No entanto a forma com que o texto vai se costurando e se desenrolando é muito orgânica, um mérito do curto espetáculo. 
                   Roger Castro começou sua carreira como animador, aventurou-se pelo palco como ator, cursou uma faculdade de dança e agora é conhecido como um marcante comunicador nas feiras de livros e outros eventos pelo estado. Algumas pessoas dizem que atuar é como andar de bicicleta. você nunca esquece. Não é bem uma verdade. O organismo do ser humano "enferruja" em suas ações e possibilidades corpóreas, e o teatro não é somente sentimento, bem como não é apenas movimento. Teatro é um misto de ações, sentimentos, impressões e outro sem número de possibilidades. Na dança o movimento é o regente da "ação" - ação nos moldes ditos por Aristóteles- mas a dança é apenas um braço do corpo que forma o teatro e assim sendo o corpo teatral de Roger Castro tem muito à seu lado.                                              
                          No cenário um baú magico, muito bem projetado. De dentro dele vai saindo a historia contado por Zé do Cordel. Embora a narrativa pudesse envolver mais historias e versos. Mesmo por que ficamos ansiosos pela historia da Nega de um peito só e outras tantas que infelizmente são apenas mencionadas na historia. O Figurino é estilizado, criativo; Os adereços bagunçam-se as vezes, parecem atrapalhar em uma desorganização organizada. Mas não dá para dizer que Roger não tenha domínio de tudo o que toca. Tudo na cena está à seu serviço.
                            No que tange as pronuncias, Roger domina muito bem a vocalidade, podendo ainda aumentar seu acervo de entonações, e as gags criadas pelo artista ainda podem render muito, afinal assisti apenas a estréia. 
                                   Cordel coma  corda toda preenche muito as necessidades de uma performance para alunos, amantes da literatura, frequentadores de feiras de livros. Para público de teatro ainda pode desenvolver-se mais. O que não será difícil se levarmos em conta a criatividade e o prazer no que faz Roger Castro. Cléber Lorenzoni pode exigir mais do ator e "Cordel" ainda pode alcançar outros grandes méritos.



                                    Arte é Vida

                                                                    A Rainha

Grupo Máschara na Festa do Livro

Alessandra Souza, Renato Casagrande, Everlei Martins, Cléber Lorenzoni e Ricardo Fenner

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Cléber Lorenzoni e Fernanda Peres em Esconderijos do Tempo


Elenco de Esconderijos com a platéia em UNIVATES


Elenco do Máschara -Abril de 2014

Atores        Tempo     Status  

                         1- Dulce Jorge (Fundadora)  ---->
2- Giane Ries
3- Claudia
4- Diogo
5- Cezar Dors
6- Thire
7- Marli
8- Wilson
9- Nadia Régia (1992/1994) I
10- Eduardo Gonçalves (1992/1995) II
11- Janaína Peroti (1992/1996)
12- Dão Dill (1992/1995) III
13- Vera Porto (1992/1998) IV
14- Fernandra Strainbrenerr (1996)
15- Altiva Soares (1993/1997) IV  + 2009
16- Katiússia (1996)
17- Claudia Cavalheiro (
18- Odacir Pena (1996/1997) II
19- Carolina Monteiro (1996/1997) III
20- Evandro Silva (1992/1994) IV

                             21- Cléber Lorenzoni (membro remido) I A

22- Fábio Branco (1996)
23- Bibiana Monteiro (1996/1997) IV
24- Zenaide Perez (1996/1997) IV
25- João Paulo Perez (1996/1997) IV
26- Maiara
27- Paulo César Perez (1996/1997) IV
28- Alexandre Dill (1996/2006) I
29- Janiele Peroti (1996/1997) IV
30- Adriane Fiúza (1997/1998) IV
31- Adilson Sattes (1997) IV
32- Naiara (1996/1997) IV
33- Simone De Dordi (1997/2002) I --->
34- Luciano
35- Maria Amélia
36- Ariane Pedroti (1998/2003) III    
37- Fernanda Garrido (1998/2001) V
38- Cristiane (1999)
39- Leonardo Mattos (1999/2002) IV
40- Matheus da Rosa (1999) IV
41- Úrsula Macke (1999/2000) V
42- Guilherme Macke
43- Eduardo
44- Rosimere
45- Marcele Franco (1998/2010) III
          46- Fábio Novelo (2001) IV (2014_____)Honorário

47- Diego Barcellos (2001) IV

         48- Ricardo Fenner (2001/____) A

49- Yanna Monge
50- Suzzete Siqueira

51- Cássius
52- Lauanda Varone (2002/2006) II
53- Pothira
54- Rafael Aranha (2003/2006) III
55- Daiane Albuquerque (2002/2006) III
56- Ana Paula (2002) V
57- Jorge Pittan (2002) IV
58- Guto Baugrathz (2002) V
59- Monique Vogel (2002/2003) IV
60-Luiz Fernando Lara (2002/2013)IV
61-Lilian Kempfer (2005) V
62- Cristiano Albuquerque (2002/2011) IV
63- Gelton Quadros (2005/2010 ) III
64- Kellen Padilha (2005/2007) II
65- Mirian Almeida (2005/2006) II
66- Ezequiel Mattos (2005)IV
    67- Tatiana Almeida (2005/____ ) II Honorário
68- Fabiúla
69- Claudia
70- Gabriel Wink (2006/2012) III 
71- Marciele Benittes
72- Angélica Ertel (2006/2013) II
73- Luiz Henrique Da Costa (2006/2008) IV
74- Jéssica Martins (2006/2007) V
75- Kauane Leite Linassi (2006/2007) IV


   76- Alessandra Souza (2008/____) II

77- Roberta Corrêa (2008/2010-2012/2013) III (2014/____)
  
78- Renato Casagrande (2008/____)II


79-Pamêla Canciani
80-Rodrigo Fabrício
81-Michele da Rosa
82-Diego Pedroso (2011)IV -
83-Lucas Padilha 
84-Newton Moraes (2011)IV
85-Gabriela Varone (2011/2013)IV
   
                

          86-Fernanda Peres (2011/____)III
  
               87-Evaldo Goulartt (2012/____)IV

88-Evandro Amorim (2014)V


                             




Esconderijos do Tempo na UNIVATES -tomos 78/79

EXORCISMO

                O teatro assim como suas regras e convenções, possui seus próprios termos, deles o que mais aprecio, é "CATARSE" ou a purificação da alma através das emoções que o drama nos causa. Esconderijos do Tempo é poderoso nesse ato, pois nos empurra para o mais profundo de nós e lá nos coloca de encontro com nossos medos, o envelhecer, o envelhecer dos que nos cercam, a morte. Acrescente aí as nossas culpas, fracassos, e bum, uma catarse desmedida. O Teatro é poderoso quando nos identificamos com as personagens sobre o tablado. Quando percebemos em nós a ambição de Macbeth, a inveja de Iago, o desejo de Fausto, a fragilidade de Otelo e assim por diante. O Mario Quintana criado pelo Grupo Máschara, é humano e ao mesmo tempo muito filosófico, é causa e efeito de seu drama, afinal como o próprio poeta dizia, sua obra era sua vida. 
                    No entanto no palco, os atores também estão se catarseando; em prol de uma interpretação mais eloquente, colocam a serviço suas próprias verdades. Há quem pense que o ator distancia-se de suas próprias dores e que sua dor cênica passe apenas pela superfície da pele. Não em Esconderijos. Não há como escapar das dores que a narrativa evoca. E para a dor dos atores aumentar acrescente ao "cozido" a burocracia das entidades que chamam teatro de evento, a total incompreensão de quem parece investir na arte mas nada compreende sobre seus dogmas. Acrescente o público não habituado a arte e que te humilha ainda que sem maldade. Acrescente também o espaço improprio para a arte, e claro a perigosa fogueira das vaidades que os atores veladamente ou não,  disputam. 
                      Esta quarta feira teatral foi farta de emoções e acontecimentos, mas no final o teatro saiu vencedor, o público foi para casa satisfeito e ainda elogiado pelo diretor que encerrou com as palavras: "Atuamos juntos, obrigado!" Ao contrário do encerramento da tarde que foi: "até outra vez quando espero, estejamos mais preparados para o teatro". 
                            Não importa se é Quintana, Escoderijos é um espetáculo ADULTO, e essa triste mania de colocar os jovens a fazerem coisas de adulto com a desculpa de que hoje em dia as coisas evoluem rápido, me enoja. Sobre o palco não estava Mario Quintana e sua obra passeando pela praça da Alfândega, estava uma obra artística para adultos, concebida por Cléber Lorenzoni¹³ e Dulce Jorge¹².
                            Fazer teatro com Cléber Lorenzoni é ser testado diariamente, testado como pessoa e como artista, pois para esse diretor o teatro é uma religião, sincretista é claro, mas ainda assim uma religião, alguém pode perguntar: -Quem é ele para testar assim os outros? Ninguém! Apenas um devotado servo do teatro. E que acredita sim que a única forma de mudar algo nessa confunda existência é através da arte. E os testes foram muitos, e as percepções visíveis, "O estar disponível" de Alessandra Souza. "A vontade de trabalhar" de Evandro Amorim²². "A humildade em querer melhorar" de Fernanda Peres. "A dedicação pelo todo" de Fabio Novello. "O perceptível  amadurecimento" de Ricardo Fenner²² na iluminação. "O disponibilizar-se pelo grupo" de Dulce Jorge. "O dedicar-se atento" de Evaldo Goullart³² e a disposição em ajudar a todos" de Renato Casagrande.
                                  Nossa, o teatro prepara o ser humano e o aprimora, quando o ser humano é aberto logicamente. Alessandra Souza³² soube em últimos momentos que entraria em cena com duas personagens e o fez, devotadamente, sagradamente. E foi amada pelo público como merece. Quem não vê alí sua desmedida dedicação pelo Máschara, pelo espetáculo, pelo teatro, certamente precisa lavar as vistas e ser mais humilde. A humildade está em simplesmente aceitar o outro em sua mais límpida forma de ser.  Aliás Esconderijos é embora a vida de Mario Quintana vivida por Cléber Lorenzoni naquele diapasão da existência, um espetáculo para grandes atrizes. Dulce Jorge sempre brilhante e tão linda em cena, a prima-dona da companhia. Fernanda Peres²³ iluminada no corredor, sorrindo cheia de delicadeza e com as faces lavadas em lágrimas, nossa! Uma figura tão linda, que o interprete de Mario desatou a chorar quando a encarou na hora da despedida das Glorinhas. 
                                    Renato Casagrande²² passou um tanto desapercebido hoje, parecia distante, embora sua interpretação tenha sido muito boa, parecia não envolvido como sempre o vemos e nos orgulhamos. Fábio Novello²² me encanta sempre com a capacidade de abraçar o Máschara como se fosse seu grupo. É pelo que vejo, um ator cômico. e isso se comprova através da forma como ajudou a prender o público jovem na apresentação da tarde. Na apresentação da noite seu soneto foi melhor executado, mas ainda pode alcançar a perfeição. 
                                           Por fim, A entrada de Evandro Amorim no Máschara é esperança que se renova, é novo ciclo para o teatro, sempre que alguém deseja, busca o teatro, me toca muito. O teatro não pode morrer. Espero que esse jovem propenso ator, respeite e lute pelo teatro e que o teatro lhe devolva em sucesso e prazeres, que a vida sacrificada de artista não o afugente.



                                           Arte é Vida.



                                                                                     A Rainha

terça-feira, 15 de abril de 2014

Esconderijos 78 e 79 em Lajeado


O palco de Veranópolis


Cordel com a corda toda

CORDEL COM A CORDA TODA

 (cantando com a dor do sertão, mas sem sofrimento interno)
3x-Ai meu deus, meu deus do céu, ai meu deus, me ajuuda!
(rindo muito vem chegando até o palco)
 La por traz daquele morro tem um pé de aipim      
todo mundo anda dizendo que ocês gostam de mim
(sentado massageando os pés, dando a ideia de que vem de muito longe)
 (tom) Ocês gostam de mim?   E ocê aí? gosta de mim ou não? Ôxe que cansasso, to vino de muito longe...      Você aí, florzinha de guabijuba, venha cá beija minha juba...
Ôxe, mas chega de fala de mim, vamo é fala de meus versu...
(tom) (avançando para o proscênio) La em cima daquele morro tem um pé de bananeira
 e com o cheiro desse povo, deve tudo ta uma... suadeira
(risos animalescos, sons estranhos e movimento corporais que surpreendam, para criar uma  figura que pareça fantasiosa)
                                      Pensaro que eu ia dizer palavrão num é mesmo?
                                       Mas não, oceis tem que pensar maió... Tem que pensa grande

Construção Cênica - Cordel com a corda toda

                  Zé do Cordel é um contador de historias que leva de cidade em cidade historias do povo sertanejo, com gracejos, prosa e verso. A literatura de cordel, tão marcante na cultura de nosso país, ainda não se espalhou pelo rio grande do sul, mas fica muito mais clara nas mãos dessa figura típica do nosso nordeste. Zé vai envolvendo a platéia e nos encantando em um jogo lúdico e de fácil compreensão. O cordel vai abrindo espaço e nos convidando com a corda toda a mergulharmos nas historias cotidianas e tão humanas da literatura de cordel.

Direção e Roteiro= Cléber Lorenzoni
Atuação= Roger Castro
Texto inspirado na literatura de cordel com versos de Patativa do Assaré, José Walter Pires e Leandro Gomes de Barros

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Vem aí- Os Saltimbancos


Esconderijos no sesc de Ijuí- tomo 77

                                  Engraçado como o teatro para quem olha de fora é apenas uma arte de repetição, como ele parece simples e fácil, como ele se esbarra em olhares ignorantes e cai em meio ao vão da analise medíocre. O teatro não é necessário, não é mesmo indispensável para quem não foi treinado, acostumado com ele. Teatros são como museus, necessidades de terceira ou quarta instancia, em uma realidade tão pobre onde se clama por saúde e educação. Não há como não julgá-lo prazer de elite. Claro, respeitando aí os 30% dedicados aos prazeres etílicos da noite, ao futebol, e as baladas... Para esses sempre haverá dinheiro.
                                       Tudo parece contra o teatro, poucos lutam por ele e muitas vezes nem mesmo os atores tem garra para defendê-lo. Em Santa Rosa a secretaria de cultura e de esportes fundir-se-á em uma única pasta. Em Cruz Alta há mais de um ano não há auditório para o teatro. As coisas vão de mau a pior.
                                        Na ultima noite de sexta a Cia. Máschara subiu ao palco do SESC em Ijuí, para dar mais uma vez vida aos personagens de Mario Quintana. E quase que precisamos pedir o "Guarda-chuva do Sr. Gouvarinho emprestado", pois a torrencial chuva que caiu não parecia querer deixar o público chegar. Os Deuses do teatro são complexos e geniosos, ciumentos, exigentes e por algum motivo não cessaram a chuva naquela noite. Mas a casa teve bom público mesmo assim, na certa daqueles que não podiam ficar sem teatro.
                                          O elenco estava muito afinado, em perfeito equilíbrio, a dicotomia ocorrida nas ultimas apresentações não se estabeleceu, dando ao espetáculo um clima elegante, apurado, e técnico sem perder a emoção. Isso logicamente enche de orgulho a direção do espetáculo que prima sempre pela excelência do trabalho. Alessandra Souza confirma o porque é uma atriz de Status II, com belíssima interpretação e preenchimento vivaz nas marcas. Dulce Jorge e Tatiana Quadros triangulam com uma leveza, a primeira nos faz esquecermos que estamos ouvindo um texto escrito por alguém, ela simplesmente vive tão organicamente a personagem que na penúltima cena de Esconderijos do Tempo, quem ainda não chorou, acaba sendo consumido pela melancolia proposta pelo encontro entre o casal protagonista. Já a segunda, ainda que em silêncio, preenche o palco com uma sonoridade interna que assombra. 
                                             Fábio Novello vem amadurecendo em um papel que não criou mas que ganhou por vários méritos, sua maior dificuldade é agora dar vida a partituras e inspirações que outro ator anteriormente propôs e isto não é tarefa fácil. Contudo percebo grande evolução. Não sei se foi o fato de estar "jogando em casa" em frente a seus alunos, que proporcionou uma ótima atuação. Fernanda Peres tem o segundo papel do espetáculo e portanto uma tarefa difícil,  vem se esmerando cada vez mais, acredito no entanto, que precisa prestar mais cuidado na sua respiração, a ofegância que as vezes se notou atrapalha seu brilhantismo. Renato Casagrande preenche com presença e força, e na cena final pronuncia um texto honroso e célebre que talvez resuma aí toda a proposta de Esconderijos do Tempo. 
                                        Quanto ao interprete de Mario Quintana continuam elogios e talvez, apenas para incomodar, devo dizer que a concentração caia as vezes, saía do prumo, e percebi sua preocupação com a chuva e com a técnica do espetáculo. Mas nada que colocasse em risco a magnifica interpretação.
                                              A contra-regragem desse trabalho tem importancia ímpar. Toda a plástica do espetáculo perpassa pela iluminação, montagem de cenário e trilha sonora clássica. Tudo nas mãos de uma afinada equipe, Ricardo Fenner, Evaldo Goullart e o principiante auxilio de Evandro Amorim.
                                          Ijuí foi agraciado com um grande trabalho. E Mario Quintana onde estiver deve estar mais feliz por sua poesia ter sido levada a mais plateias.



                                                         A Rainha

Elenco:
Cléber Lorenzoni (**)
Fernanda Peres (**)
Dulce Jorge (**)
Fabio Novello (***)
Alessandra Souza (***)
Renato Casagrande (**)
Tatiana Quadros (**)

Operador de Som; 
Evaldo Goulart (***)

Operador de Luz 
Ricardo Fenner (***)

Contra-Regragem
Evandro Amorim

Roger Castro como Zé do Cordel


Direção de Cléber Lorenzoni

Direção de Cléber Lorenzoni da composição Cênica "Cordel com a corda toda" para Roger Castro