quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Atores do Máschara em performance

Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande fazendo estátua viva no aniversário de 15 anos de Greici Lovato

O 5º Gouvarinho de Esconderijos do Tempo, o ator Renato Casagrande


Mario Quintana e Mario Quintana


O Castelo Encantado 89/90 - tomo 680/681

Teatro com sacrifícios

                  Apesar de uma noite péssima, atores cansados e uma viagem longa, os atores do Máschara apresentaram dois espetáculos infantis para uma platéia de mais de mil crianças. Ambos os espetáculos foram divertidos, vivos, cheios de interação e lúdicos. Aliás eu diria que é o espetáculo mais lúdico dos criados pelo Máschara. As coisas tomam forma de uma maneira simples, bonita e funcional como por exemplo o corpo do Elefante Basílio, criado a partir de um ator montado sobre os ombros de outro. 
                    A atriz Alessandra Souza entrega uma docilidade muito verdadeira à sua personagem, embora as vezes soe um tanto repetitiva em suas improvisações. Carregar um espetáculo infantil não é das tarefas mais difíceis no teatro, afinal a agilidade da narrativa, os personagens que surgem rapidamente, auxiliam a protagonista. Não há bifes, não há solilóquios. Ainda assim a atriz têm aperfeiçoado em cada apresentação suas técnicas para o teatro infantil. O ator vai somando a cada apresentação, a cada ensaio, novos conhecimentos, novas técnicas. Infeliz do ator que não tem sagacidade para aprender algo novo em cada oportunidade. 
                       O Castelo Encantado carrega uma gama de figuras, heróis e mocinhos. Cada cena faz parte de um livro infantil de Erico Verissimo, ao final não sei se as crianças sentem vontade de ler o livro, o que seria ótimo, mas a peça é tão completa, tão redonda que por um lado não parece uma homenagem a Erico ou uma tentativa de incentivar crianças a leitura, ela incentiva sim a quererem mais teatro.      
                         Evaldo Goulart é um jovem ator, cheio de vida, mas ainda muito no inicio, há muito que aprender e mais ainda que buscar. Trabalhar a potencia vocal, as intenções e as nuances e principalmente, trabalhar o "cênico". Teatro não é para ser gostado, é para ser apreciado, e isso depende do cênico, do artístico. Algo aliás que tanto Casagrande quanto Lorenzoni propõe em seu jogo e em seus improvisos. Renato precisa apenas tomar cuidado com suas improvisações letárgicas, demoradas. Os atores, tanto jovens quanto maduros correm o risco de cair no efeito geleia depois de um tempo, devido a sua intenção de dar profundidade à suas falas. Cléber Lorenzoni esteve muito intenso na primeira inserção do espetáculo, na segunda sua energia parecia mais lenta. Ainda assim o espetáculo rendeu e envolveu crianças e adultos. 
                       No decorrer do espetáculo a atenção era intensa por parte da assistência, uma pena a sonoplastia do espetáculo ter sido novamente prejudicada pela má execução. As musicas não podem entrar após, nem antes do momento para o qual foram elencadas. A sonoplastia tem que ser executada com perícia matemática. 
                           O Castelo Encantado segue levando para o palco um belo trabalho do Máschara sempre com suas releituras e suas adaptações para que o teatro permaneça.



Alessandra Souza(**)(**)
Cléber Lorenzoni (**)(*)
Evaldo Goulart (**)(**)
Renato Casagrande (**)(**)
Ricardo Fenner(*)(**)


                                           A Rainha