quarta-feira, 20 de abril de 2011

Cena às 7

37) As Balzaquianas 15 de maio de 2011
36)Lili Inventa o Mundo- 10 de outubro de 2010
35)Esconderijos do Tempo - 29 de agosto de 2010
34)Ed Mort - 18 de julho de 2010
33)A Maldição do Vale Negro - 13 de junho de 2010

32)Ed Mort - 13 de setembro de 2009
31) Esconderijos do Tempo - 12 de julho de 2009
30)A Maldição do Vale Negro - 14 de junho de 2009
29)A Maldição do Vale Negro - 3 de maio de 2009
28)Ed Mort - 14 de novembro de 2008
27)Bodas de Sangue-outubro 2008
26)Tartufo - 14 de setembro de 2008
25)Ed Mort -10 de agosto de 2008
24)Ed Mort - Estréia - 6 de julho de 2008
23)Esconderijos do Tempo - 8 de junho de 2008
22)O Incidente - 11 de maio de 2008
21)Esconderijos do Tempo - ? de dezembro de 2007
20)Lili e Tartufo - 11 de novembro de 2007
19)Um Inimigo - 14 de outubro de 2007
18)Um Inimigo do povo - 9 de setembro de 2007
17)O Incidente - 16 de agosto de 2007
16) Feriadão -15 de Julho de 2007
15) Tartufo - 10 de junho de 2007
14) Esconderijos do Tempo - 20 de maio de 2007
13) Bodas de Sangue - 21 de abril de 2007
12) Romeu e Julieta - 3 de dezembro de 2006
11) Esconderijos do Tempo
10) Esconderijos do Tempo
9) Amanajé
8) Castelo Encantado
7) Casa de Samba
6) Feriadão - 08 de Janeiro de 2006
5) Macbeth
4) Impressões
3) Bodas de Sangue
2) Amanajé
1)Tartufo - 17 de outubro de 2005

domingo, 10 de abril de 2011

Desabafo de uma atriz...

O que a vida reservou pra mim?

            Inicio com uma pergunta que me intriga desde que me interessei por arte, ou seja, quando nasci. Tenho muitos apontamentos a respeito do que nos reserva o futuro, do que está por vir. Sou Angélica Ertel, atriz e diretora de teatro, além de uma constante questionadora de ideologias teatrais. Certa vez, conversando com pessoas especiais, ou seja, família e amigos, me questionei sobre o futuro. Vivo desde sempre em um embate, de um lado a família, de outro a profissão. Ambos necessários para viver, e dizem que por alguns períodos, ser feliz.
            Passei quatro anos na faculdade de Artes Cênicas da Universidade Federal de Santa Maria e ao mesmo tempo me apresentando e trabalhando no Grupo Máschara, em Cruz Alta. Quantas vezes ouvi a frase: Saia deste grupo? Inúmeras. Quantas vezes disse sim? Inúmeras. Quantas vezes realmente quis que isso acontecesse? Nenhuma. Se Ele, o nosso Ser Superior me reservou isso, eu não sei, mas sinto que sempre pertenci a este lugar. É claro, todas as escolhas tem seus percalços, e as minhas não foram diferentes. Os artistas do Máschara são seres incompreendidos, eternos amantes da arte morta, que revive a cada apresentação, que ressuscita a cada nova montagem. Digo e dou graças a não ser compreendida, porque no momento em que disserem para mim: agora eu te entendo. Será o dia da perda total, porque terei que responder: Como? Se nem eu me entendo?
            O que mais permeia a mente de um artista são as dúvidas. Estas por sua vez, nunca, ou raramente são sanadas. E quando são, nós prontamente mudamos as perguntas, para encher nossa cabeça com novos questionamentos. O artista é um transgressor. Imita a vida porque não consegue viver nela. Recria fatos pra tentar entendê-los. Reinventa histórias porque precisa de um universo seu. Interpreta personagens, porque não tem nem idéia de quem ele é. Usa máscaras sim, mas só quando está na vida real.
            Mas o tema que descrevo tratava do futuro, certo? Pois bem, me encontro hoje na capital gaúcha, lugar onde todos que me conhecem ou apreciaram meu trabalho me disseram para me mudar, juntamente com outros tantos que me mandaram ir para a Globo. Num debate que presenciei, no primeiro dia morando em Porto Alegre, tive o primeiro choque com o futuro, ou posso chamar também de: nova realidade. As pessoas tinham ideologia, erguiam bandeiras de seus grupos de teatro, ou como artista solo, mas tinham o que acho fundamental para o artista: OPINIÃO. Confesso, não concordei com muitas delas, até porque a escola de teatro que me formei foi a vida.
            Ao me apresentar em lugares onde a arte nem sequer passou como visitante, vi a realidade fantasiosa que é a vida. Aprendi a ser humilde no interior, aprendi que chamam o nosso interno de interior porque é o mais fundo do nosso ser. Tenho orgulho do meu interior pessoa e cidade, Angélica pertence à Cruz Alta, assim como Cruz Alta pertence à Angélica. Se me colocaram pra nascer numa terra onde a cultura é tão difícil de ser disseminada, penso que não seria para eu fazer parte dela? Para eu trabalhar em prol do desenvolvimento da arte nos meus interiores? O que o futuro me reserva então? Ir para a capital ouvir pessoas ideológicas formadas, ou humildemente incentivar novos ideológicos? Estou confusa, ando infeliz na capital gaúcha, cidade boêmia, com muitas opções que poderiam preencher meus dias de divertimento e cultura. Mas pergunto a vocês que lerão este desabafo, até que ponto respeitar os meus interiores não é cumprir a missão reservada pelo meu futuro?
           

Sou Angélica Ertel, artista Brasileira, Rio-Grandense, Cruzaltense, ideológica.

Rosalinda e Àgatha

sexta-feira, 8 de abril de 2011

By Angélica Ertel

Esconderijos do Tempo em Porto Alegre

            Nos dias 18, 19 e 20 de março, o Grupo Teatral Máschara de Cruz Alta, se apresentou em Porto Alegre, na Casa de Cultura Mario Quintana, pelo 1º Cena do Interior em Porto Alegre. Com 22 projetos inscritos de 14 cidades do estado, a comissão avaliadora composta por: Vinícius Cáurio - Presidente do SATED/RS, Fábio Cunha - Secretário Geral SATED/RS, Stella Bento - IEACEN, Guilherme Comelli - Sociedade Civil (Comunidade Artística) e Patrícia Sacchet - Sociedade Civil (Comunidade Artística) selecionou Esconderijos do Tempo para integrar o projeto.
            A atriz Angélica Ertel comenta, “foi realmente muito emocionante pra todo o Grupo Máschara, pois estávamos nos apresentando na Casa do Mario Quintana. Ele morou grande parte da sua vida, em um quarto do Hotel Magestic, localizado na Rua da Praia. Portanto, pra nós, artistas, a energia do Mario estava muito presente nas apresentações, o que deu mais emoção para o espetáculo Esconderijos do Tempo”.
            Com estas apresentações em Porto Alegre, o Grupo Teatral Máschara completou 500 no currículo, ao longo de 19 anos de existência. O elenco participante contou com Angélica Ertel, Cléber Lorenzoni, Dulce Jorge, Gabriel Wink, Renato Casagrande e Tatiana Quadros, que juntamente com a parte técnica composta por Alessandra Souza, Diego Pedroso e Ricardo Fenner, emocionaram a capital gaúcha.

                                                                                                                             Cléber Lorenzoni e Angélica Ertel

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Diálogo entre atores sobre o Santo e a Porca (Montagem)

Nesse período de montagem de espetáculo surgem muitas idéias, e a mente fica recheada de dúvidas e de planos criativos. Sendo assim, dialogar, discutir, debater torna-se importantíssimo para que a equipe una-se em pról de um mesmo objetivo. Abaixo segue a conversa entre Alessandra Souza, Renato Casagrande, Gabriel Wink, Dieguito Pedroso, Dulce Jorge, Angélica Ertel, Cléber Lorenzoni e Ricardo Fenner...

Cléber Lorenzoni: Depois de dezenove anos de existência o Máschara vai finalmente trabalhar com texto de Ariano Suassuna, como vocês compreendem seu universo? A.E: É um universo árido, tanto pelo calor do sertão, como pelas inter-relações dos personagens. Acho que todos os personagens estão sedentos em busca de sexo/amor/dinheiro e isso faz com que a peça tenha nuances que se dão pela procura de algo. R.C: É um universo pobre, onde as mulheres trabalham na terra para ajudar os maridos a sustentar os filhos, mulheres fortes, sol quente, calor insuportável, há fome, há miséria, solidão, falta de dinheiro, seca, casas de barro. D.J :Essa pobreza está intimamente ligada ao comportamento de Euricão. A leitura que faço vai d eencontro ao receio de se tornar pobre, até mesmo existe uma tentativa e suprir um vazio interior, canalizando carência ao acúmulo de bens, transformando dinheiro em objetivo. A.S: Também fala muito forte da fé que é o que leva as pessoas a acreditar e ainda terem motivação e esperança para viver. G.W: A avareza de um homem é capaz de deixá-lo cego e o fazer esquecer das importantes coisas da vida. 
Cléber Lorenzoni: E como vocês enchergam essa montagem, como deve ser a interpretação? A.E: O cômico do espetáculo deve ser o farsesco e as personagens devem psicofisicamente seguir seus objetivos e persegui-los sem esquecer do sertanejo, do sotaque nordestino, da farsa, do calor nas partes baixas que faz com que o público perceba a busca. D.J: Temos no espetáculo outros objetivos ligados ao amor, estabilidade familiar. E ainda, a questão "o mundo é dos espertos" ou, para conquistar o que se almeja é preciso muito "jogo de cintura", principalmente quando se é pobre. É um universo bastante rico que não deve ser menosprezado a mera comédia.
Cléber Lorenzoni: É o paradoxo do riso/tristeza? R.F: No fundo o que acontece com o principal personagem da peça, também acontece com cada um de nós. Talvez por isso, gostamos as vezes de ficar sozinhos, para irmos nos acostumando com a solidão do fim da vida.
Cléber Lorenzoni: São personagens incríveis, pelo que percebí suas personagens já começam a surgir, isso se dá na mente ou no corpo ou nos dois juntos? R.C: As duas coisas estão interligadas, ou seja, é claro que o personagem nasce na mente, em forma de imagem, de pensamento, ações internas, daí eu tento transmitir tudo isso para o corpo físico. R.F: Na verdade juntamente com a mente nasce o personagem no corpo, pois é necessário ter os dois em harmonia para tornar orgânico o personagem que criamos. A.S: Comecei me preocupando com o corpo mas faltou energia, dominio da personagem, mas agora junto todas as minhas irritações de atriz e assim estou encontrando minha personagem. D.P: Eu primeiro tenho que superar as dificuldades do corpo. Então buscar o emocional do personagem. A.E: Em muitos casos acho que o trabalho do corpo no ensaio estimula a mente e que de pensar no personagem o corpo reage de diferentes formas e isso faz a construção do personagem. D.J: Agora fiquei confusa! O que sei é que inicio de montagem exige muita calma, pois é uma fase de experimentação e de crise, de neuroses, dúvidas, estress.
Cléber Lorenzoni: A maneira como o diretor guia a equipe nessa fase é importantíssima para o sucesso ou fracasso... G.W: Por isso não confio em outra pessoa que não você para dirigir. R.C:O Cléber tem uma ideologia teatral fantástica e brilhante e para falar a verdade a Angélica tem idéias e formas bem parecidas com as do Cléber.  Cléber Lorenzoni: O que vc quer dizer é que também confia nela...? R.C: Quando entrei no grupo ela me ajudou em cena e até hoje ela me ajuda. D.J: Gosto da paciência e da calma da Ange para dirigir. É um bom contraponto com relação ao Cléber que é mais agitado e menos paciêncioso. Falta só se apreciar mesmo da direção. R.F: O espetáculo só acontece quando todo trabalham em pról do mesmo objetivo. A.E: Ser dirigida por mim mesma é um trabalho complexo, pois não tenho o olhar de fora, e muitas coisas que faço parecem ser equivocadas e o distanciamento em relação ao personagem acaba ficando muito mais necessário. D.P: Acho que a Angélica é uma diretora com muita gana, e quer o melhor para que a peça funcione, e que os atores mostrem o seu melhor, principalmente para mim que não sou um ator preparado e não possuo a técnica necessária para entrar em cena. Cléber Lorenzoni: A técnica é algo necessário a todos e todos precisam treiná-la, estarmos sempre prontos, com o corpo e a mente que são nosso aparato de trabalho funcionar perfeitamente. D.J: Eu mesma estava muito acomodada, e esse inicio de montagem fez com que eu me cobrasse mais. Cléber Lorenzoni: E o interessante é que cada um tem um objetivo ainda que todos se reúnam ao mesmo que é o teatro! A.S: Embarcar em uma montagem é sempre uma aventura sem saber o destino, como entrar em uma floresta desconhecida, num labirinto, quando você tenta chegar ao final sem saber as surpresas que o caminho reserva. G.W: Eu quero me sentir bem, me divertir, assim como em A Maldição. A.E: A Cada montagem me sinto escalando uma montanha, e com a leitura, as cenas, a construção da personagem vou cravando bandeiras e subindo até chegar ao topo. A.S: Para se tornar um bom ator ou atriz, vai além do ensaio. Lendo livros, passando e repassando cenas, ficando horas na frente do espelho até sair algo diferente. Cléber Lorenzoni: Eu percebo que cada um tem um jeito de ver as coisas, e portanto um estilo uma ideologia. E esse é o caminho para o verdadeiro oficio, como pessoas que se colocam com idéias e podem ser portanto chamados de Atores-Pensante-Atores...