sábado, 25 de outubro de 2014

Esconderijos do Tempo em Boa Vista do Sul Tomo 81

Esforços desvalorizados.

               Esconderijos do Tempo é sem dúvidas o espetáculo mais redondo do Máschara, seus méritos se estendem de seus atores principais à seu visual, de seu texto à sua trilha sonora. No entanto o que foi construído la no inicio  da montagem, veio se perdendo aos poucos, logicamente por vários motivos que já foram mencionados em outras analises nesse mesmo blog. 
                 Esconderijos do tempo começou como um espetáculo nobre, a ser apresentado em um teatro com todo o aparato necessário para a encenação. Porém foi se adaptando aos palcos mais simples, e também a espaços sem palcos. Tudo isso porque a arte não deve ficar restrita à grandes teatros, ou a elites. 
                     Boa Vista do Sul recebeu de braços abertos o Máschara e pela idade do público formado principalmente  por estudantes, certamente pouco aproveitou-se do espetáculo já que sua linguagem é direcionada a adultos. No entanto as professoras e os alunos apreciadores de poesia aprovaram e plaudiram eloquentemente. Há também de se mencionar que em cidades pequenas as pessoas são muito educadas, o que fez com que mesmo alguns alunos desinteressados, mantivessem-se em profundo silêncio. 
                           Como de praxe o espetáculo iniciou após uma animação de Roger Castro, e algumas palestras de escritores, o que foi prejudicial, a mente voa e para se assistir um espetáculo teatral é preciso concentração. Ora estamos falando de um espetáculo para palco italiano, que foi apresentado em um palco de madeira pequeno com interferência solar por todos os lados.  A sensação de dever cumprido ficou a cargo do elenco que entre erros e acertos conseguiu contar a belíssima historia de Esconderijos do Tempo. Vamos portanto analisar suas interpretações. 
                            Cléber Lorenzoni (**) consegue atrair para si a atenção do público de forma exemplar. Com a força da pronuncia de suas palavras, seu texto elegante e sua postura, o ator vai preenchendo os silêncios, pintando no ar a poesia quintana. Aliás os outros atores deveriam espelhar-se em Cléber para as suas interpretações. Claro que Cléber Lorenzoni é ator como qualquer outro e portanto sofre as dificuldades no palco também como qualquer outro. O que mais me faz admirá-lo é sempre a capacidade de dirigir em cena sem que isso prejudique ou atrapalhe a encenação. 
                                 Nesse dia, dois atores estrearam em novos papéis. Renato Casagrande (**) assumiu o Sr. Gouvarinho. e Evaldo Goulart surgiu em cena como Mario jovem ou anjo. Na primeira situação, uma agradável cena desencadeou-se, com comicidade, jogo e presença. Deixando a desejar um pouco ainda o soneto do menino. Algo perfeitamente natural se levarmos em conta que não houveram ensaios para essa apresentação. Evaldo Goulart (**) fez o que lhe foi pedido. Estava inteiro, no entanto precisa correr atrás de mais bagagem, um elenco precisa ser equilibrado. Os dois Marios foram de uma delicadeza profunda quando cruzaram o palco. Só há de se dedicar mais a partitura do mais jovem para que a conexão não seja dada apenas pelo figurino. 
                                      Fernanda Peres estava bem(**), nem para mais, nem para menos. Estava básica e isso me preocupa, atores não devem entrar no palco para serem básicos. Principalmente protagonistas. Fernanda Peres alcançou há pouco o que entendo por ápice da personagem, mas agora parece distante, quase fria. Alessandra Souza e Dulce Jorge foram prejudicadas, senão pelo local, pela situação. Dulce Jorge (**) é profissional sempre, não lembro de ter visto a atriz entrar para perder. Mas Cléber cortou sua cena levando em conta a dificuldade em os alunos se interessarem por espetáculo tão complexo para mentes infantis. Ainda assim a atriz entrou e saiu digna como é de seu feitio. Alessandra Souza (*) é uma atriz complexa, as vezes emerge com grande talento, depois passa por fazes técnicas, aí sucumbe a indagações internas, debate-se entre o erro e o acerto. Falta a atriz a calma, e a tri dimensionalidade. O ator deve mais do que talento ter compreensão espacial, compreensão do mundo a sua volta e de seu lugar nele. Um pequeno deslize e sua participação foi prejudicada. Ainda que sua interpretação tenha sido ótima, o acaso a falta de jogo de cintura causaram um clima desnecessário após o espetáculo. É só teatro, sua profissão, e o teatro tem dias de acertos e dias de erros, simples assim. 
                                             Foi um dia básico, uma apresentação esquecível. O que me preocupa é que todos, se incluirmos a bela interpretação de La Souza em Lili, receberam terra, ou seja, ficaram no meio termo. Ficaram básicos. O Teatro não pode ser básico. O teatro é o estouro, é o clímax, é a catarse. Se o teatro fica no meio termo, perde-se em meio ao vão...




A rainha
                                       
                               

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Cidades Visitadas pela Caravana Máschara


  1. -Arroio do Meio (Oficina)
  2. -Alegrete ( O Incidente - O Castelo Encantado)
  3. -Alto Alegre (Lili Inventa o Mundo)
  4. -Antonio Prado (Feriadão, Lili Inventa o Mundo)
  5. -Andre da Rocha
  6. -Aratiba
  7. -Bagé (O Castelo Encantado - O Incidente)
  8. -Barão (O Castelo Encantado, O Incidente, Lili Inventa o Mundo, Esconderijos do Tempo).
  9. -Bento Gonçalves(A maldição do Vale Negro, Lili inventa o Mundo, O Incidente)
  10. -Boa Vista do Cadeado (O Incidente, Feriadão, O castelo Encantado)
  11. -Boa Vista do Incra ( Feriadão, A valsa)
  12. -Boa Vista do Sul ( Lili inventa o Mundo, Esconderijos do Tempo)
  13. Boa Vista do Butiá - (Feriadão)
  14. Bossoroca (Lili Inventa o Mundo, Esconderijos do tempo)
  15. -Caçapava do Sul ( Antígona, Tartufo, Macbeth, O Incidente, O Castelo Encantado)
  16. -Campos Borges (O Castelo Encantado)
  17. - Canela ( Macbeth)
  18.  Capão da Canoa ( Feriadão, Esconderijos do Tempo, Lili Inventa o Mundo, O Incidente, O Castelo Encantado)
  19. - Catuípe (Feriadão, tartufo, Lili Inventa o Mundo, O Castelo Encantado, O Incidente, Esconderijos do Tempo)
  20.  Caxias do Sul ( Tartufo, Antígona, O Incidente, Lili Inventa o Mundo, O Castelo Encantado)
  21. Carlos Barbosa - (O Incidente, O Castelo Encantado)
  22.  Dom Pedrito ( Lili Inventa o Mundo, Esconderijos do Tempo, O Incidente, Oficina)
  23. Erechim (Bulunga o Rei Azul, Macbeth, Lili Inventa o Mundo, Esconderijos do Tempo)
  24. -Espumoso (O incidente, Feriadão, Lili Inventa o Mundo)
  25. -Estância Velha (Feriadão)
  26. -Estrela Velha (Lili Inventa o Mundo)
  27. -Fortaleza dos Valos (Feriadão, O Incidente, Lili Inventa o Mundo, O Castelo Encantado, Esconderijos do tempo)
  28. Frederico Westphalen ( Feriadão, Lili Inventa O Mundo)
  29. Garibaldi (Os Saltimbancos, Lili Inventa o Mundo, O Santo e a Porca)
  30. Guaíba (O Conto da Carrocinha, Bulunga o Rei Azul)
  31. Guaporé ( O castelo Encantado - A Maldição do Vale Negro)
  32. Horizontina ( Esconderijos do Tempo, Lili Inventa o Mundo)
  33. Ibirubá (Antígona, Macbeth, Tartufo, Dorotéia, Bulunga o Rei Azul, o Incidente, Lili Inventa o Mundo, O Castelo Encantado, Feriadão, Corelia Brasil, Um dia a casa cai, O Conto da carrocinha, Bodas de Sangue)
  34. Ijui (A Maldição do Vale Negro, Tartufo, Esconderijos do tempo)
  35. Iraí ( Lili Inventa o Mundo)
  36. Itaqui ( A Maldição do Vale Negro)
  37. Jari ( Feriadão, Lili Inventa o Mundo, O Castelo Encantado, Esconderijos do Tempo, O Incidente)
  38.  Júlio de Castilhos (Lili Inventa o Mundo, O Incidente)
  39.  Lagoa Vermelha ( O Incidente, O Castelo Encantado)
  40. Marau ( O Feriadão, A Maldição do vale negro, Lili Inventa o Mundo, Esconderijos do Tempo)
  41. Maximiliano de Almeida ( O conto da Carrocinha)
  42. Montenegro ( Cordelia Brasil)
  43. Novo Hamburgo (Bulunga o Rei Azul)
  44. Nova Prata (O incidente, O Castelo Encantado )
  45. Nova Bassano (Esconderijos do Tempo, Ed Mort, Lili Inventa o Mundo)
  46. Osório (A Maldição do Vale Negro)
  47. Panambí ( Feriadão, O Incidente, O Castelo Encantado)
  48. Pejuçara (O Incidente, O Castelo Encantado)
  49. Porto Alegre (O Incidente, O Castelo Encantado, Tartufo, Um dia a casa cai, Antígona)
  50. Progresso
  51. Roca Sales ( Dorotéia, O Conto da Carrocinha)
  52. Rolante (Tartufo, Antígona, Macbeth, Bodas de Sangue, Esconderijos do Tempo)
  53. Rosario do Sul (Antígona)
  54. Salto do Jacuí
  55. Salvador do Sul
  56. Santa Barbara do Sul
  57. Santa Clara do Sul
  58. Santa Cruz do Sul (O Castelo Encantado)
  59. Santa Maria
  60. Santa Rosa (Esconderijos do Tempo, Ed Mort)
  61. Santiago
  62. Santo Angelo
  63. São Luís Gonzaga
  64. São Pedro do Butiá
  65. São Pedro do Sul
  66. Sarandi
  67. Selbach
  68. Serafina Corrêa
  69. Sinimbú (Lili Inventa o Mundo, Esconderijos do Tempo)
  70. Soledade (Esconderijos do Tempo, Ed Mort, 2 -Lili Inventa o Mundo, O Castelo Encantado, Ed Mort)
  71. Tapera
  72. Taquaruçu do Sul
  73. Teutônia (Esconderijos do Tempo, Lili inventa o Mundo)
  74. Três de Maio (Lili Inventa o Mundo)
  75. Três Coroas (Esconderijos do Tempo)
  76. Tupanciretã (Feriadão, Tartufo, Esconderijos do Tempo, Lili Inventa o Mundo, O Incidente, O Castelo Encantado)
  77. Uruguaiana (Tartufo, Antígona, O Conto da Carrocinha)
  78. Vacaria (O castelo encantado, O Incidente)
  79. Veranópolis ( Esconderijos do tempo, Lili Inventa o Mundo)
  80. Vicente Dutra (Lili Inventa o mundo)
  81. Vista Alegre do Sul
  82. Vila Nova do Sul -(Feriadão)

Cléber Lorenzoni como o Elefante que vira uma Borboleta


Lili Inventa o Mundo em Boa Vista do Sul - tomo 681 -102/

Quintana para crianças

                      Quem são as crianças? Que seres são esses? Nós fomos crianças, mas duvido que saibamos responder a essa pergunta. A infância vem sendo espremida pela adolescência e cada vez fica mais difícil encontrar formas de poder manter por um tempo satisfatório o espirito infantil. A adultês que vai nos transformando rapidamente, nos enrijecendo, e afastando do espirito infantil, nos torna as vezes insensíveis, práticos em demasia. Mas o universo que nos separa é muito grande, por exemplo, as crianças são desprovidas de capacidade de julgar. A criança descobre, não julga. Ela experimenta, sente, vive. Lili Inventa o Mundo é um espetáculo formidável no ato da descoberta, as crianças recebem várias informações diferentes e agradáveis. As personagens do mundo da poesia são fantásticas, coloridas, e por que não dizer complexas. 
                             Para alguns adultos, em cena está um grupo de palhacinhos, mas para as crianças há no palco heróis, vilões, bonecos, criaturas mil que não precisam ter necessariamente logica para li estar. Lili Inventa o Mundo fala de amizade, fala de sonhos, de acreditar, de enxergar as coisas com "outros olhos". 
                              No palco os atores Cléber Lorenzoni, Renato Casagrande e Alessandra Souza, são veteranos em Mario Quintana. Os três já fazem parte do projeto centenário de Mario Quintana há mais de três anos. Cléber por exemplo, leva Quintana ao público desde 2006. Os três já aprenderam muito a dizer. A poesia está não só em seu texto, mas em todo o seu corpo. Renato Casagrande começou um tanto tenso, tensão essa que trouxe do camarim, tensão que possui o poder de desconcentrar a equipe. O teatro é um espaço para união, trabalho de equipe, principalmente esse "terceiro teatro" que o Grupo Máschara faz. Ora, o estres tem efeito dominó, e rapidamente contagia todo mundo, assim como a negatividade e a preguiça.  Apesar disso Renato Casagrande esteve bem em cena, embora houvesse no ator um distanciamento, sem falar no efeito geleia que o mesmo vem colocando em suas cenas.
                                 La Souza anda atucanada, acelerada em excesso, o conselho é: respire e faça as coisas no tempo delas, não no tempo em que você supões que os outros atores esperam de ti. Existe uma única certeza, um bom senso que perpassa por toda a platéia e os colegas de palco. Aconteceu ou não? A cena de Rainha das Rainhas definitivamente não aconteceu. Por que? Não foi por que o texto não foi pronunciado corretamente, mas por que a atriz não fez o que se propôs a fazer. Convencer de que era uma "fada divina" trazendo bons conselhos. O público nem ao menos percebeu que havia nos braços da atriz um suposto bebê. 
                                 Já elogiei o máschara por sua versatilidade, no entanto, há de se compreender que não são semideuses, que é necessário ensaiar sim, o que não vem ocorrendo. Por isso da confusão em algumas cenas. Da correria dos atores, da preocupação. Preocupação essa que a sequencia de apresentações ou ensaios bem seguidos aniquila. 
                                        Fernanda Peres e Evaldo Goulart são propensos atores. Fernanda fez substituições em sua breve carreira. Evaldo entrou no Máschara em 2012. Atores são atores quando dedicam-se a vida teatral, quando descobrem, buscam, treinam, pesquisam. Atores precisam estar em constante busca. São operários artesãos de seu talento e de sua técnica. Sendo assim, as vezes algumas cenas correm riscos em suas mãos. Fernanda Peres anda enferrujada. A equipe deve chegar a um consenso para o melhor do todo. Evaldo vem se esforçando. E é difícil para um jovem ator,  tenho certeza, encontrar motivação diariamente. 
                                        Alguma coisa aconteceu na cena da Fada Mascarada adormecida, Cléber Lroenzoni e Renato Casagrande se entreolharam tensos,  a canção parou. Enfim, um disritmia surgiu. Falta de ensaios. 
                                      A trilha foi bem operada, ainda que por um não sonoplasta. E vou aconselhar ao Máschara que reveja o velhinho cenário de Lili Inventa o Mundo, penso que é hora de uma renovação.
                                         Lili inventa o Mundo era um dos melhores espetáculos infantis do Máschara e entendo das dificuldades que a Cia. vem passando, já que tão poucos atores profissionais temos no interior, mas é hora de guardar um pouco esse belíssimo espetáculo.


Alessandra Souza (*)
Cléber Lorenzoni (**)
Renato Casagrande (**)
Fernanda Peres (*)
Evaldo Goulart (**)
Leonardo Suscheller (**)

                                                          A Rainha

                          
                                

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Atores do Máschara em performance

Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande fazendo estátua viva no aniversário de 15 anos de Greici Lovato

O 5º Gouvarinho de Esconderijos do Tempo, o ator Renato Casagrande


Mario Quintana e Mario Quintana


O Castelo Encantado 89/90 - tomo 680/681

Teatro com sacrifícios

                  Apesar de uma noite péssima, atores cansados e uma viagem longa, os atores do Máschara apresentaram dois espetáculos infantis para uma platéia de mais de mil crianças. Ambos os espetáculos foram divertidos, vivos, cheios de interação e lúdicos. Aliás eu diria que é o espetáculo mais lúdico dos criados pelo Máschara. As coisas tomam forma de uma maneira simples, bonita e funcional como por exemplo o corpo do Elefante Basílio, criado a partir de um ator montado sobre os ombros de outro. 
                    A atriz Alessandra Souza entrega uma docilidade muito verdadeira à sua personagem, embora as vezes soe um tanto repetitiva em suas improvisações. Carregar um espetáculo infantil não é das tarefas mais difíceis no teatro, afinal a agilidade da narrativa, os personagens que surgem rapidamente, auxiliam a protagonista. Não há bifes, não há solilóquios. Ainda assim a atriz têm aperfeiçoado em cada apresentação suas técnicas para o teatro infantil. O ator vai somando a cada apresentação, a cada ensaio, novos conhecimentos, novas técnicas. Infeliz do ator que não tem sagacidade para aprender algo novo em cada oportunidade. 
                       O Castelo Encantado carrega uma gama de figuras, heróis e mocinhos. Cada cena faz parte de um livro infantil de Erico Verissimo, ao final não sei se as crianças sentem vontade de ler o livro, o que seria ótimo, mas a peça é tão completa, tão redonda que por um lado não parece uma homenagem a Erico ou uma tentativa de incentivar crianças a leitura, ela incentiva sim a quererem mais teatro.      
                         Evaldo Goulart é um jovem ator, cheio de vida, mas ainda muito no inicio, há muito que aprender e mais ainda que buscar. Trabalhar a potencia vocal, as intenções e as nuances e principalmente, trabalhar o "cênico". Teatro não é para ser gostado, é para ser apreciado, e isso depende do cênico, do artístico. Algo aliás que tanto Casagrande quanto Lorenzoni propõe em seu jogo e em seus improvisos. Renato precisa apenas tomar cuidado com suas improvisações letárgicas, demoradas. Os atores, tanto jovens quanto maduros correm o risco de cair no efeito geleia depois de um tempo, devido a sua intenção de dar profundidade à suas falas. Cléber Lorenzoni esteve muito intenso na primeira inserção do espetáculo, na segunda sua energia parecia mais lenta. Ainda assim o espetáculo rendeu e envolveu crianças e adultos. 
                       No decorrer do espetáculo a atenção era intensa por parte da assistência, uma pena a sonoplastia do espetáculo ter sido novamente prejudicada pela má execução. As musicas não podem entrar após, nem antes do momento para o qual foram elencadas. A sonoplastia tem que ser executada com perícia matemática. 
                           O Castelo Encantado segue levando para o palco um belo trabalho do Máschara sempre com suas releituras e suas adaptações para que o teatro permaneça.



Alessandra Souza(**)(**)
Cléber Lorenzoni (**)(*)
Evaldo Goulart (**)(**)
Renato Casagrande (**)(**)
Ricardo Fenner(*)(**)


                                           A Rainha 

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A Maldição do Vale Negro - 678/679

                  O teatro do interior é feito muito mais como evento comunitário do que como acontecimento profissional. Não que não aja dedicação e profissionalismo, pelo contrário, as vezes há ainda mais que nos grandes centros. No entanto o que move o teatro no interior é quase sempre um clima de amizade, uma disposição para o trabalho de equipe. Esse trabalho de equipe no entanto está ficando a desejar no Máschara, uns poucos carregam nas costas o peso de outros tantos. A Maldição do Vale Negro entrou em cena no palco de Veranópolis às 9 e 10 da manhã, e trouxe para o público um elenco afiado, cenas cortadas e energia deliciosa de se ver. Havia no palco uma energia de sobrevivência, de garra em querer continuar. Os cortes perigosos feitos no texto ajudaram e muito a dar um ritmo novo, ainda mais melodramático; as trocas de roupa foram mais marcantes, surpreendentes por sua velocidade. 
                               No entanto, onde estão todos os integrantes do Máschara? Aquela equipe inteira que chegava nas cidades, trazendo na bagagem uma variedade de pontos de vista, de talentos, e de impressões. 
                              ALGUNS ATORES NASCERAM PARA O TEATRO, outros apenas foram tocados pelo teatro. O teatro é a vida sendo representada no palco, é o grito contra a injustiça, é diversão, é pensar, é arte unindo dança, canto e interpretação. 
                                O teatro muda as pessoas, as melhora, prepara para a vida. O teatro faz pensar, o teatro tira o ser humano de sua posição acomodada e o catapulta para um plano de compreensão de sua existência, onde não haverá espaço para a dominação e a segregação. Mas o teatro também é sacrifício, generosidade, dedicação em prol do outro. E poucos nessa sociedade atual estão tão dispostos a dedicar-se pelo outro. 
                             O público formado por mais de 500 jovens entre as duas apresentações curtiu e aplaudiu em pé o espetáculo, interagindo nas piadas e tramas da narrativa. Conseguir manter tantos jovens concentrados, interessados em uma peça de teatro dentro de uma lona, desconfortável em meio a rua deve ser considerado um grande mérito, se não apenas do grupo teatral, principalmente do fazer teatral. 
                                  A Maldição do Vale Negro é atualmente um dos melhores espetáculos do Máschara, provavelmente por que tem o elenco mais dedicado e coeso atualmente na companhia. Teatro e técnica, além de esforço, sacrifício e dedicação em prol do todo.

Cléber Lorenzoni (***)(**)
Renato Casagrande (***)(**)
Ricardo Fenner (***)(**)
Alessandra Souza (***) (**)
Evaldo Goulart (**)(**)