quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Cena do choro do cemitério - Lendas da mui leal ciddade

Entremezzo 6


Carolina: Jacy, Minha Jacy, Onde está a minha Jacy
Maria : Vejam, é a Carolina, ainda não encontraram a pequena jacy...
Wagner: Deve ter morrido!
Rosaura: Não diga isso...
Tereza: Não morreu não, tenham fé!
Leonora: Vamos rezar para o Divino...
Maria : Rezem para os tropeiros voltarem logo, ou muitas ficarão encalhadas...
Wagner: A Eulália está desconsolada!
Rosaura: Nãos sei por que, ela deu água para o tropeiro...
Tereza: Duvido que de certo.
Eulália: Então esperem para ver, meu homem há de voltar!
Shay: olha quem vem vindo, as beatas...

Alessandra: O estancieiro teve um neto! O estancieiro teve um neto!
Clara: O que ele jogou na água...
Nicholas: Cala boca, cala boca, é mentira!
Sandra: Não é não, não é não!
Renato: Jogou que eu vi!
Raquel: Nasceu morta! Nasceu morta!
Kauane: Bom castigo pro patrão!
Alessandra: O castigo vai chegar:
Clara: Dona Isaurinha sempre tão orgulhosa!
Renato: Falsa que só ela, sempre com cara de boazinha!
Sandra: Era mesmo, era mesmo!
Luana: E a Lívia?
Sandra: Alguém viu!
Renato: Naquela guria não dava pra confiar, sempre sorrindo, muito dada!
Nicholas: Me disseram que virou freira!
Renato e Nicholas: Freira? Deus que me perdoe!
Kauane: Me disseram que vaga pelas ruas Sem casa e sem comida!
Clara: Fez por merecer, eu acho!
(gritos) Todas assustadas
Alessandra, Raquel e Luana: É o bebê
Sandra e Clara: É o filho do capeta!
Nicholas: É o neto do estancieiro!

Maria : Pobre da criança
Leonora: Chora sem batismo!
Tereza: Condenada ao purgatorio!
Todos: Padre, de sua benção ao anjinho!
(Padre abençoa) (cena tangencial)

Alessandra: os gritos pararam!
Clara e R\aquel: Pararam?
Renato: Escuta direito!
Luana: Parece que pararam!
Nicholas: Esse padre é o coisa ruim!
Raquel: Tem contrato com o diabo!
Renato: Sacrilégio!
Sandra e Kauan: Creem Deus pai!
Luana: Ele é Bruxo!
Alesandra: Bruxo, bruxo bruxo!
Clara: Bruxo, Bruxo
Luana: Prendam o bruxo...
Renato: Prendam o Padre





Para lembrar, o programa Arte e Cultura do ator Cléber Lorenzoni


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Solilóquios IV

Julieta

Romeu e Julieta - Shakespeare

O meu rosto usa máscara da noite,
Mas, de outro modo eu enrubesceria
Por tudo que foi dito até aqui.
Queria ser correta e renegar
Tudo o que eu disse. Mas adeus, pudores!
Me amas? Sei que vais dizer que sim,
E aceito tua palavra. Se jurar,
Pode ser falso. E dizem que Zeus ri
Dos perjúrios do amor. Doce Romeu,
Se me amas, mesmo, afirme-o com fé.

Solilóquios - III

Ifigênia
Ifigênia em Aulis- Eurípides

Matem-me para que desapareça Tróia!
Meu sacrifício me trará renome eterno
como se fosse minhas núpcias e meus filhos
e minha glória! Os gregos mandarão
nos bárbaros, e não os bárbaros nos gregos,
já que eles todos são de uma raça de escravos
enquanto nós nos orgulhamos de ser livres!

Raquel Arigony e Alessandra Souza em improviso - A roupa nova do rei


Solilóquios II

Medéia

Medéia - Eurípides

Mas mudo aqui meu modo de falar, pois tremo
só de pensar em algo que farei depois;
devo matar minhas crianças e ninguém
pode livrá-los desse fim. E quando houver
aniquilado aqui os dois filhos de Jáson,
irei embora, fugirei, eu, assassina
de meus muitos queridos filhos, sob o peso
do mais cruel dos feitos.

Solilóquios - I

ÉDIPO
(ÉDIPO REI)
Não tentes demonstrar que eu poderia agir
talvez de outra maneira, com maior acerto.
Não quero teus conselhos. Como encararia
meu pai no outro mundo, ou minha mãe, infeliz,
depois de contra ambos perpetrar tais crimes
que nem se me enforcassem eu os pagaria?

Construção cênica na ESMATE


Dia de Malabares o colégio Carlos Gomes


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

774 - Olhai os Lírios do Campo - tomo 7-

                         
O retorno do Cena às 7



                           Quatro anos, esse foi o tempo ao qual o Máschara foi condenado a ficar sem o palco de sua cidade. Para o ator, o palco é algo sagrado, e de importância ímpar. Tudo o que acontece em nossas vida, eu disse tudo!, nos acrescenta algo. Pois bem, esses quatro anos de ausência fizeram com que o Máschara criasse a ESMATE, lutasse, tentasse implantar o teatro no coração das pessoas. Funcionou!
                           No entanto, o Cena às 7 é um projeto incrível, corajoso e vem incentivando a cultura em nossa cidade. O teatro precisa continuar e cumprir sua função humana, social e até politica. Pessoas reunidas, sorvendo uma historia, ouvindo uma ideia, inspirando-se, alimentando-se no altar dos Deuses.   
                             Eu aprecio qualquer espetáculo do Máschara, são todos produzidos com dedicação, esmero e luta. Já havia assistido a obra de Erico Verissimo transformada em teatro, mas precisava voltar a refletir. Teatro é assim, cada vez que assistimos percebemos um novo detalhe, tiramos novas conclusões.
                               Olhai os Lírios do Campo traz um panorama da sociedade dos anos 30, não muito diferente da sociedade atual. Cheia de hipocrisia, fútil e vazia. O personagem de Eugênio Fontes, interpretado pelo ator Cléber Lorenzoni, é ambicioso, pessimista e complexado pelo seu passado. Cléber o defende muito bem, no entanto, embora seja um ator vigoroso em cena, com um trabalho vocal assombroso, ainda assim sua interpretação pareceu-me comedida. (*) Havia algo de desconfortável que o desconcentrava durante as cenas. A curva dramática imposta pelo intérprete foi prejudicada por algumas interpretações. Aliás, houve um equilibro interessante no conjunto de atores sem destaques específicos. Cléber Lorenzoni e Dulce Jorge ainda conseguiram produzir uma belíssima cena de embate na separação do casal Cintra Fontes, prejudicado pelo presença de muitas crianças no público. 
                           Alessandra Souza é Olívia (**), a mulher "idealizada", característica própria do Modernismo, em voga nos anos 30, a atriz passeia com domínio pela cena, embora obtusa em alguns momentos, consegue convencer o público, falta-lhe porém uma mordida, uma gana capaz de torná-la inesquecível.  Dulce Jorge(**) e Ricardo Fenner(**) fecham o time do elenco principal, ela com presença forte, poderia trazer mais proporção vocal, ele por outro lado, emociona, cumpre, mas as vezes deixou transparecer uma certa insegurança.
                                  No segundo escalão, Renato Casagrande (**) e Raquel Arigony(**) encabeçam o time, ele com grande expansividade, ela  com detalhes sutis mas perceptíveis. 
                                   O que realmente me instiga a perscrutação, são os penteados do elenco, tão distantes da realidade dos anos 30. Eugênio e Ernesto pareciam ter saído de alguma obra hippie dos anos 70. Ele deveria estar com o cabelo bem aprumado, até mesmo com ondas, tipicas da toillete masculina da época. Ernesto é um "bom vivã", interessado em mulheres e na noite da Porto Alegre dos anos 20, tão repleta de barbearias. 
                                  A volta do Cena às 7 teve bom público e uma grande preocupação técnica, deixando de lado um pouco do instinto. Gabriel Giacomini (*) pode se concentrar mais, uma boa sonoplastia merece sutileza, presença imperceptível das falanges do sonoplasta. A luz de Fabio Novello (**) não alcança sua capacidade devido a singela ou escassa presença do material cênico necessário. No entanto, os climas propostos se estabelecem e contam de forma capaz o intento cênico do diretor. 
                                 Faltou na reestreia do Cena às 7, o trabalho em grupo, o estar atentos, a entrega sem rede. A mensagem chegou, com o efeito devastador do sistema capitalista, a historia foi muito bem contada, a adaptação é muito bem feita. Me prende, há o recurso teatral, a noção stanislaviska do fazer teatral. Porém o melodrama interpretado com surrealismo podia ser mais intenso, mais triste, mais dramático. 
                                
                                   Para lembrar: A capacidade vocal de Cléber Lorenzoni e a necessária presença perene do Cena às 7.
                                   Para esquecer: os pequenos desencontros mecânicos causados por uma ausência de jogo de quase todo o elenco.

                            


Arte é vida


                                     A Rainha




Ficha Técnica

Espetáculo : Olhai os Lírios do Campo

Direção: Cléber Lorenzoni
Produção: O Grupo
Elenco: Cléber Lorenzoni, Alessandra Souza, Dulce Jorge, Ricardo Fenner, Renato Casagrande, Raquel Arigony(**), Fernanda Peres(**), Douglas Maldaner(**) e Evaldo Goulart (*)
Trilha Sonora: Cléber Lorenzoni e  Renato Casagrande
Operador de Som: Gabriel Giacomini
Iluminação e operação: Cléber Lorenzoni e Fábio Novello
Contra-Regragem: Laura Hoover (**), Stalin Siotti(***), Kauane Silva(**), e Nicholas Miranda(**)


                                  

A Atriz Dulce Jorge em pose especial com o público do Cena às 7


Teatro para todos


Com as garotas do grupo da terceira idade no CRAS de Pejuçara


Edições do cena às 7

72)As Balzaquianas - Maio 2018

71)Deu a Louca No Ator - Abril 2018

70)Ed Mort - Dezembro 2017

69)A Bruxamentos e Encantarias - Novembro 2017

68)A Roupa Nova do Rei -Outubro 2017

67) O Santo e a Porca  -Setembro 2017

66) Olhai os Lírios do Campo -20/08/2017

65) O Santo e a Porca-16/12/2015

64) O Santo e a Porca -27/07/2014

63)Feriadão - 19 de Janeiro de 2014

62) A Maldição do Vale Negro - 08 /11/ 2013

61) A Serpente - 13, 14 de Julho de 2013

60) A Serpente - 23 de Junho de 2013

59) Ed Mort -26 de Maio de 2013

58) Deu a Louca no ator - 16 e 17 de março de 2012

57) Lili  Inventa o Mundo - 16 e 17 de Fevereiro de 2012

56) As Balzaquianas - 12 e 13 de Janeiro de 2013

55) O Santo e a Porca - 15 e 16 de dezembro de 2012

54) Tartufo - 10 e 11 de Novembro de 2012


53) Os Saltimbancos - 13 e 14 de Outubro de 2012


52) O santo e a Porca - 08 e 09 de Setembro de 2012

51) O Santo e a Porca - 18 e 19 de Agosto de 2012

50) Esconderijos do Tempo- 21 e 22 de Julho de 2012

49)-Tartufo - 23 e 24 de Junho de 2012


48)Os Saltimbancos- 26 e 27 de Maio de 2012

47)A Maldição do Vale Negro - 21 e 22 de Abril de 2012

46)Deu a Louca no Ator - 18 de Março de 2012

45)As Balzaquianas - 15 de Dezembro de 2012

44)Esconderijos do Tempo - 04 de Dezembro de 2011

43) O Incidente - 06 de Novembro de 2011

42) Feriadão  - 09 de outubro de 2011

41) Ed Mort  - 18 de Setembro de 2011

40) Deu a louca no ator -21 de Agosto de 2011

39) A Maldição do Vale Negro 17 de julho de 2011

38) As Balzaquianas 19 de junho de 2011

37) As Balzaquianas -ESTRÉIA- 15 de maio de 2011

36)Lili Inventa o Mundo- 10 de outubro de 2010

35)Esconderijos do Tempo - 29 de agosto de 2010

34)Ed Mort - 18 de julho de 2010

33)A Maldição do Vale Negro - 13 de junho de 2010

32)Ed Mort - 13 de setembro de 2009

31) Esconderijos do Tempo - 12 de julho de 2009

30)A Maldição do Vale Negro - 14 de junho de 2009

29)A Maldição do Vale Negro - 3 de maio de 2009

28)Ed Mort - 14 de novembro de 2008

27)Bodas de Sangue-outubro 2008

26)Tartufo - 14 de setembro de 2008

25)Ed Mort -10 de agosto de 2008

24)Ed Mort - Estréia - 6 de julho de 2008

23)Esconderijos do Tempo - 8 de junho de 2008

22)O Incidente - 11 de maio de 2008

21)Esconderijos do Tempo - ? de dezembro de 2007

20)Lili e Tartufo - 11 de novembro de 2007

19)Um Inimigo - 14 de outubro de 2007

18)Um Inimigo do povo - ESTRÉIA-9 de setembro de 2007

17)O Incidente - 16 de agosto de 2007

16) Feriadão -15 de Julho de 2007

15) Tartufo - 10 de junho de 2007

14) Esconderijos do Tempo - 20 de maio de 2007

13) Bodas de Sangue - 21 de abril de 2007

12) Romeu e Julieta - 3 de dezembro de 2006

11) Esconderijos do Tempo

10) Esconderijos do Tempo - Maio de 2006

9) Amanajé

8) Feriadão - Fevereiro de 2006

7) Casa de Samba

6) O Castelo Encantado - 8 de Janeiro de 2006

5) Macbeth

4) Impressões

3) Bodas de Sangue

2) Amanajé

1)Tartufo - 17 de outubro de 2005

Sobre o retorno do Cena às 7


domingo, 20 de agosto de 2017

A pequena Jacy

                                                                            Cena IV
Carolina - Sandra e Raquel
Coronel - Stanley , Douglas e Renato
Jacy - Vitoria

Carolina- Bom dia Coronel
Coronel: Bom dia Carolina...
Carolina: Quer que sirva o café?
Coronel: Não não, vou sair mais cedo hoje. Jacy está de pé?
Carolina: Está sim, mas ainda não bebeu o desjejum
Coronel:Pois vá chamá-la vamos sair cedo para colher macelas...
Carolina: Não é muito cedo patrão?
Coronel: Não Carolina, ela é minha unica herdeira, precisa desde muito cedo aprender a cuidar da estancia, conhecer os campos...
JAcy: Bom dia senhor meu pai
Coronel: Bom dia minha vida! Quer sair para cavalgar com o pai?
Jacy: quero muito papai
Carolina: Jacy coloca um casaco se vai sair tão cedo
Coronel: Até mais tarde Carolina.
(a cozinheira segue os dois até a coxia, olha com carinho e então sendo uma perto no peito)
Carolina: Jacy!!!

Dois brilhantes atores

Irmã Isolda: ...E o pior doutor, é que ela sabe que vai morrer...
Doutor Seixas: Ligue para o sogro dele em Santa Margarida, diga que é urgente, talvez ele consiga chegar há tempo!

Da peça Lendas da mui leal cidade

Entremezzo II

Todos: Cantando merceditas e rindo
Eduarda Loira:Chica, tu ainda estás solteira?
Luana: Sim, claro, mas é por que eu não encontrei ninguém que mereça meu coração...
Todos: risos
Shay: Pois eu estou noiva!
Gabriela Dal Ross: Mas o meu é o mais guapo!
Todos: Risos!
Gabriela Dol Ross: O mais guapo e o mais homem!
Todos: Hummmmm?
Lavínia: E o que tu entendes de homem?
Maria Antonia: Ei, cade a Lívia?
Luísa: Lá está ela! Mas parece triste...
Luana: Ela está assim, por que entende muito bem de homem!
Lavínia: Não as escute prima! (à Lívia) Suas bobas...
Todos: Risos
Clara: Deixem a Lívia em paz!
Lavínia: Como vocês são maldosas...
ShaY: Uma coisa eu digo para todas! Se quiserem arrumar maridos, deem de beber dessa água aos homens...
Maria Antonia: Por que? a água é milagrosa é?
Luísa: É água benta?
Shay: A água é enfeitiçada... Por que brota no solo onde a índia foi queimada... 
Maria Antonia: Conta mais, conta mais...
Clara: Fica quieta, tu ainda és muito guria.
Shay: Ouçam, quando os tropeiros passam por aqui, deem água para eles, eles acabam sempre voltando para cá, para os braços da índia...
Lavínia: Tem certeza que isso da certo Anita?
Shay: Pois entonces não foi assim que me casei?
(uivos fortes ao longe)
Shay: É a fera!
Luana: Vamos embora está escurecendo.
Todos: Murmúrios...








sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Na semana da criança tem Os Saltibancos, aguardem!


Cena sobre teatro

O Grito
Atriz 1 – (ao telefone) Você precisa de uma apresentação? Mês que vem... Ótimo. Um Espetáculo adulto. Gostaria de escolher a peça? Fica a meu critério? Tudo bem, voltamos a nos falar. Abraços...
Ator 2 – (se maquiando) Oi, estou quase pronto, deixa só dar o acabamento... O que? (surpreso) Você não faz questão de maquiagem? (sem compreender) Como assim?
Atriz 3 – (se vestindo) Como? Se eu tenho uma fantasia mais colorida? (desacorçoada)
Atriz 1 – (surpresa) A então não precisa ser uma peça?
Atriz 4 -  Qualquer coisinha? Desculpe não entendi...
Atriz 8 – (chocada) Uma dancinha...
Atriz 2 – Uma bobagenzinha? Desculpe, eu realmente não entendi...
Ator 5 – (irônico) Eu não faço coisinhas! Eu não faço bobagenzinhas...
Ator 6 – (irritado) Eu faço teatro!
Atriz 7 – Teatro!
Atriz 8 – Teatro!
Atriz 1 – Tá, então precisa ser de graça porque você não tem verba...?
Atriz 3 – (chocada) Eu não vou receber para fazer meu trabalho?
Ator 2 – (tentando entender) Ah, é uma parceria?
Atriz 9 – Eu não entendi... Parceria? O que significa?
Ator 6 – Não me peça de graça a única coisa que tenho para vender!!!
Atriz 7 – Tá então eu vou lá, me maquio, me caracterizo, carrego meu cenário nos braços, monto tudo, e no final das contas é uma “parceria nossa”?
Atriz 4 – Desculpe eu não tô entendendo, não tô visualizando sabe...
Atriz 8 – Ele quer que você faça seu trabalho de graça!!!
Ator 2 – (mostrando o estojo de maquiagens) Isso aqui não é de graça sabia?...
Atriz 4 – Meu trabalho de graça?!?!
Atriz 3 – (mostrando o figurino) Isso tem um custo, sabia...
Atriz 9 – (irônica) Ué, você não é artista? Você não ama o que faz? Não tem paixão?
Ator 10 – Ah é só fazer essas brincadeiras, essas bobagenzinhas, isso nem casnsa...
Atriz 11 – A minha mãe sempre desse que eu era uma palhaça... Então deve ser fácil...
Atriz 7 – (Olhando para o céu com cara de chocada e braços cruzados)
Ator 12 – Tá, eu não vou ganhar nada, mas é uma forma de divulgar o meu trabalho..
Ator 6 – E como você vai pagar as contas do mês?
Ator 12 – (bem sério) Eu pensei em fazer uma bobagenzinha pra moça do caixa...
Atriz 7 – Eu posso fazer umas dessas coisinhas fáceis chamadas teatro para o cara da imobiliária, daí ele não me cobra o aluguel...
Atriz 3 – Oi, eu queria marcar uma consulta, será que o doutor pode me atender de graça? Porque eu tô sem dinheiro...
Atriz 1 – Teatro é minha profissão!
Atriz 3 – Se eu to brincando?
Ator 6 – Teatro é meu trabalho!
Atriz 3 – Não? Ué, mas o doutor não gosta do que faz?
Ator 7 – Eu estudei durante anos...
Atriz 9 – Eu fiz uma faculdade!!!
Ator 10 – Você já leu algo de Shakespeare? Sabe quem foi Molière? Leu algo de Albee, Arthur Muller, ou Tennessee Williams? Não, então me respeite!
Atriz 1 – Tenho que pensar nas crianças, por que elas precisam de teatro?
Ator 5 – E os adultos não precisam de teatro? De arte? Arte é educação!
Ator 2 – Mas eu não estava pensando nas crianças quando passei três meses escolhendo um texto, escolhendo as melhores canções, as cores para os figurinos, a linguagem do espetáculo?...
Atriz 11 – Calma, eu faço teatro há um mês apenas, de certo as coisas mudam...
Ator 13 – Eu faço teatro há dois anos...
Atriz 7 - Eu faço teatro há quatro anos...
Ator 2 - Eu faço teatro há cinco anos...
Ator 10 - Eu faço teatro há dez anos!
Ator 1 - Eu faço teatro há 20 anos!
Atriz 8 – E porque não foram para a Globo?
Ator 6 – (olhando para a câmera com desacorçoamento)
Atriz 3 – Por que a Globo não é teatro, é TV!!!
Ator 6 – Eu cansei de tentar explicar...
Atriz 5 – Quem faz teatro faz TV!
Ator 10 – Mas nem todo mundo que faz TV consegue fazer teatro!
Ator 2 – Mas eu não disse que queria fazer TV, eu faço teatro, faço bem feito e ponto!
Ator 6 – Se eu for embora fazer TV, quem vai fazer teatro para vocês?
Atriz 11 – (sem resposta olhando para o chão)
Atriz 9 – (com cara de duvida)
Atriz 8 – Algum outro palhacinho???
Ator 6 – Palhaço é palhaço, ator é ator...
Atriz 3 – Não é a mesma coisa?
Atriz 9 – Ator é uma coisa, palhaço é outra, e animador é outra...
Atriz 1 – Não a gente não anima festas, a gente faz teatro...
Ator 12 – Tá, mas não dá para fazer umas palhaçadas???
Ator 6 – A gente faz teatro, teatro não é dança, não é animação, não é circo, tem suas regras, técnicas e convenções...
Atriz 3 – Fazemos para você!
Ator 2 – Fazemos no palco, ou nas ruas...
Atriz 7 - Fazemos porque acreditamos que a arte pode mudar as pessoas...
Ator 11 – Melhorá-las...
Atriz 9 – Emocioná-las.
Ator 8 – Não queremos tratamento especial, queremos dignidade...
Ator 6 – Dignidade!
Atriz 4 – Dignidade...
Ator 2 – Se você nunca foi ao teatro, apareça...
Ator 10 – Nos dê uma chance...
Atriz 12 – Conheça nosso trabalho...

Atriz 5 – Apaixone-se...

Falta muito pouco para a historia da doutora Olivia subir ao palco...


Sobre Terra A Vista da Companhia Armazém

                             Na véspera do aniversário de Cruz Alta, saí de casa para assistir o espetáculo "Terra à Vista" da Companhia armazém. Ora a Casa de Cultura, mais especificamente o auditório Prudencio Rocha estiveram fechados por quatro anos. Quando aproximou-se a data de reabertura, fiquei excitada, eufórica, ansiosa para ver como um auditório de palestras seria transformado em sala de espetáculos. Ledo engano, a surpresa foi perceber que muito pouco mudou, e as necessidades especificas para se colocar um bom espetáculo sobre o palco não foram sanadas. 
                         Claro que para os leigos, cadeiras estofadas, um tapetinho vermelho e ar condicionado faz parecer que uma grande reforma foi feita. No entanto mesmo a acústica continua defasada.  
                     O espetáculo iniciou de cortina descerrada e rapidamente os atores conseguiram dominar a platéia. Cenário grandioso e funcional. Texto interessante que não subestima as crianças. Ficava eu me perguntando: "Onde estão indo? Qual a direção dessa barca de piratas...?" 
                            Pois bem, depois de muitos circunlóquios, quando o espetáculo começava a cumprir sua função e a personagem da irmã, Manuela, começava a ter sua catarse, eis que surge um pequeno compendio sobre aterro sanitário e outras questões quanto a coleta e separação do lixo. 
                            Havia então um problema de roteiro, como se em um texto concluído, repleto de carpintaria teatral, tivesse recebido uma barriga em sua finalização. 
                               Por outro lado, o domínio cênico mesmo no trecho que parece uma barriga, era muito bem feito. A atriz, aliás, mesmo tendo uma personagem realista, conseguia ter uma presença sólida e muito expressiva. 
                                Não há uma iluminação, possivelmente por que a turnê do espetáculo deve visitar cidades onde pouca ou nenhuma estrutura são oferecidas. Uma pena, já que no primeiro "ato" do espetáculo, muito poderia ser feito com uma luz bem pensada. 
                                 A brincadeira das crianças no sótão prega uma ideia muito interessante e consegue cativar o público, no entanto a barriga do espetáculo sobre o lixo parece tirar o brilho de sua mensagem e quase saímos do teatro esquecendo que o mais importante é manter viva a criança dentro de nós.
                               Foi uma tarde agradável, dou ao espetáculo ** estrelas.


                       Arte é vida

Dentro de algumas semanas tem "O Santo e a Porca" no Cena às 7. Não vai perder


Prólogo - Peça "Lendas da mui leal Cidade"

Adentra a cena um senhor com aparência de muito velho, tem na mão uma cuia, senta-se a frente de um cavalete com uma chaleira. A volta da fogueira estão sentadas algumas crianças.

Velho: Bom dia gurizada buena... (Silêncio)
Velho: Essa mininada de hoje, até parece que fica surda quando tá com esses negócio engraçado nas mão...
Velho: Pelo visto ninguém me acompanha no café num é mesmo?
Lucas: O senhor falou vovô?
Velho: Eu perguntei se ninguém vai me acompanhar no café...
Giulia: Já vamos vovô é que agora a gente entrou numa sala...
Velho: Ara, mas a vó de vocês acabou de encerar o chão da sala e não quer ninguém la dentro...
Vitoria: Não vô, é aqui na rede...
Velho: Vocês tiraram a rede pra fora, tão cedo?
Giulia; (levantando e abraçando o avô) Nós estamos falando da internet vovô!
Velho: Ih, disso aí eu não entendo nada, mas olha só bagualada, vocês vem aqui pra passar as férias no avô e num largam essa troçaria...
Maria Eduarda Jobim: Mas vô, não fica chateado, é que aqui a gente fala com todo mundo, fica ligado com nossos amigos...
Velho: Ah bão, entonces é uma coisa bagual...
Maria Eduarda Jobim : É, vô e a gente pode falar com pessoas de todos os lugares...
Velho: Oi... como é que vão...
Giulia: Não vô, primeiro o senhor adiciona os amigos, depois fala com ele, que são seus amigos?
Velho: Pois olha meus fío, os amigo do vô são oceis...
Lucas: Então é só adicionar vô...
Velho: Mas óia, num era meió a gente se conversa por aqui mesmo, que da pra se abraçar, dar um beijiho no rosto dessas minhas neta linda, conta uma historia...
Vitoria: Ai vô, o senhor não entende...
Velho: É verdade, o vô doceis num entende, vocês me desculpem...
(entra felipe)
Felipe: Vô vamo brinca? Pega bergamota e desce no açude?
Velho: Mas é pra já, é só o vô termina esse mate...
Vitoria: Quem é esse guri, vô?
Velho: Esse é o naná, ele cresceu aqui na estancia, é fio de uma tia doceis... Meu amigão, corre, brinca, pula, inventa historia...
(Vô levanta, ergue o menino na garupa, meio desajeitado, as crianças ficam com ciúme e vão soltando os celulares e Iphones)
Maria Eduarda Jobim: Nós também queremos brincar vô!,
Lucas:Conta para nós uma historia...
Velho: Pois entonces eu vou contar pra oces uns casos aqui da cidade... Historia de muito tempo... historias de amor e de assustação...





Para recordar, a esquete "Quero ser Criança"


Cena III - A família do Estancieiro

               Isaura- Raquel, Alessandra e Luana
              Estancieiro: Douglas, Wesley, 
              Cura: Renato, Douglas, Alessandro
              Jovina: Alessandra, Lavínia, Kauane
              Lívia: Maria Eduarda , Clara, Lavínia, Laura


Na sala de uma casa antiga, mobiliada em estilo rococó, uma senhora altiva esta sentada bordando, parece preocupada.

Estancieiro: Onde está aquela menina Isaurinha, eu já estou perdendo a paciência!
Isaura: Marido, tenha calma, ela já  chega...  Tu sabes como ela fica quando está com as gurias...
Estancieiro: Filha minha não fica até essas horas fora de casa.
Isaura: Bebe um amargo e te senta um pouco, daqui há pouco vais furar as tábuas do chão.
Estancieiro: Isso é tudo culpa sua, que fica passando a mão na cabeça dela.
Jovina: Sinhá, tem gente lá na porteira, os cães não param de latir.
Isaura: Deve ser o senhor cura. Ele sempre chega cedo.
Jovina: Mas o ensopado já está pronto.
Isaura: Então abre para ele e depois põe o jantar.
Jovina: Sim senhora.
Estancieiro: Jovina, manda celar o trovoada, vou atrás daquela guria!
Isaura: Vai nada! Ela já está chegando.
Cura: Buenas noites... Vosmeces estão gritando, aconteceu alguma cosa?
Isaura: Benção padre...
Estancieiro: Padre Máximo, aqui nada está bem, mas já já eu arresolvo...
Isaura: Não sei mais como acalmá-lo. (entra Lívia) Filha, pelo amor do bom Deus, onde tu estava. Cumprimenta o cura. 
Estancieiro: Por donde que tu andavas guria?
Lívia: Estava na praça, com as primas.
Estancieiro: Mentira, onde tu estavas?
Isaura: Não arresponde filha...
Estancieiro: Estava no campo...
Isaura: E isso são horas de uma menina estar no campo?
Lívia: Eu já sou uma mulher! 
Isaura:(gritando ao ver o marido erguer a mão) Não! 
Lívia:O que vai bater em mim?
Estancieiro: A partir de hoje, não sou mais teu pai! E tu Isaura, é a culpada de tudo isso que não soube educar essa guria.


domingo, 13 de agosto de 2017

Inicio das montagens do espetáculo de fim de ano

Entremezzo 1
Todos= rezas
Edu. loira: O que aconteceu com a Lívia?
Gab Dal : Com quem?
Alessandra: Quietas!
Edu loira: A filha do Estancieiro!
Luana: Olha o padre, olha o padre...
Todas: Rezas...
Maria Antonia: Ela anda por aí com aquele  peão da estancia...
Joice: Um doidivanas!
Gabí: Pobre da dona Isaurinha...
Joice: Ela sempre acobertou aquela menina!
Lavínia: Mas o que aconteceu com ela?
Alessandra: O pai deserdou...
Luana: Olha o padre, olha o padre...
Kauane: Ela devia ir para um convento!
Alessandra: Ela está grávida!
Lavínia: Ela o que?
Alessandra: Ela está grávida!

Todas: Oh!