terça-feira, 5 de julho de 2016

VIIIº Corpo em Ação - São João


744 - Sessão Maldita - Complexo de Elecktra (tomo 12)
841 - Performance - Corpo em Ação (tomo 9)
745 - Sessão Maldita - Complexo de Elecktra  (tomo 13)
842 - Performance - Corpo em Ação (tomo 10)
746 - Olhai Os Lírios do Campo - Catuípe (tomo 3)
747 - Olhai Os Lírios do Campo - Ijuí (tomo 4)

Vem aí em Catuípe, Olhai os Lírios do Campo


Fernanda Peres sendo preparada pelo diretor e colega Cléber Lorenzoni


Casa cheia na 11ª Sessão de Complexo de Elecktra


11ª Noite de Sessão Maldita - Complexo de Elecktra 743

           Questões de Justiça

                         Ser justo é uma talante que todas as pessoas deveriam buscar. No entanto o senso de justiça é algo por vezes muito complexo. O que pode parecer justo para mim, pode por outro olhar, visto por outro angulo, ter outra percepção. A questão de justiça em Complexo perpassa por essas dúvidas...
                         O ferimento atual se dá quando você percebe que todas as personagens serão feridas pelo ato dito de justiça de uma personagem. Ocorreram uma morte no passado e duas no presente, e após isso, Ereda e o irmão estão condenados. Pagarão um preço e nós na platéia ficamos sim esperando por mais essa catarse. Ereda conseguiu limpar a memória do pai, acabando com os dois assassinos. Mas não deve haver um castigo para quem mata a própria mãe? Talvez nas plateias até o século XVIII, o senso de vingança e a justiça feita com as próprias mãos fossem toleradas e admiradas, no entanto eu exijo dentro de mim castigo para quem mata, não aceitaria nem a pena de morte para quem matasse um ente de minha família.                 
                           Cléber constrói uma Ulrica que as vezes é má, as vezes é boa, e essa dúvida quando nos chega é maravilhosa. O Henrique de Evaldo é um homem fraco, se parece aliás muito com o homem criado por Bertold. Será que não seria filho do mesmo? O fato é que precisa de muito esforço por parte de Ereda para matar a mãe. Mas mata! Bertold é fraco, covarde, tanto que esbanja coragem para livrar-se dos filhos de Ulrica, mas na noite do assassinato do rival, fraqueja várias vezes. Sabemos que não é assassino. Werner tem dois lados. Fraco, reto, mas forte ao expor o ódio desencadeado pela rejeição de Ereda. O oráculo de Raquel também parece forte e fraco. Mas e Ereda? Alessandra cria uma personagem forte, cheia de certezas, coesa. No entanto sua fraqueza não me convence. Sim, ela mostra uma Ereda frágil em algumas cenas. Mas de tão forte não convence como frágil. E nem sei se precisa ser. Mas quando diz: -Sozinha não posso, preciso de ti! - pergunto-me, será? E isso se daria com criações que a atriz (se quiser), poderá buscar.
                              O teatro vive sobre uma linha tênue do que queremos/podemos fazer e o que deve ser feito. Mas o que deve ser feito? Se estou em um dia bom e faço meu melhor o público aplaude maravilhosamente. Mas qual será o termômetro que me dirá quanto há menos daquilo que fiz, deixa de ser bom e passa a ser razoável? Ou ruim?
                              Nessa noite da 11ª apresentação de Complexo, o público aplaudiu inebriado, os atores saíram cansados, desfigurados, mas não tenho certeza de seu melhor... Cléber Lorenzoni, embora seja um grande ator, não me pareceu muito bem em cena, não sei se foi a presença de membros familiares, ou suas queixosas dores nas costas. O fato é que se desconcentrou muito. Os textos também sofreram demasiado, Douglas Maldaner gaguejando, Evaldo Goulart e Alessandra Souza com certas sonoridades equivocadas. Gabriel Giacomini tem altos e baixos, tem dias que está ótimo na contra-regragem, tem dias que parece aéreo. Raquel Arygoni esteve muito bem. Renato Casagrande entregou-se mas também se perdeu no jogo algumas vezes. Sua melhor cena foi a pré banheira.
                                  Complexo de Elecktra tem sido uma incrível iniciativa do Máschara, assim como Corpo em Ação, Cena às 7, Matinê do Máschara e etc... Mas acho que esses jovens dedicam-se demais e ganham em troca muito pouco. Há riscos, tapas, agressões, exposições, aquela carne cheia de bactérias que pode causar "n"problemas. Só façam se tiverem muito tesão pela proposta e se tiverem todas as noites dez pessoas na platéia no mínimo.
                                     Caso continuem, corrijam, treinem o português. Caso continuem, não chamem de doação e nem digam que o público pode se quiser dar uma contribuição. Não é contribuição! É o pagamento pelo seu trabalho! Existe uma organização para que as coisas aconteçam que depende de funções, e elas precisam ser bem executadas por cada integrante. Não é preciso esperar que o diretor diga o que cada um deve fazer, se cada um já sabe sua função.

***

   Para guardar na memória: Uma platéia de 15 pessoas que nada perderam do espetáculo e aplaudiram satisfeitas.                            
                              A gentileza da atriz Raquel Arigony em desejar um bom espetáculo aos colegas com chocolates e cartõezinhos.
                                                                              ***
                            Obrigado à Ricardo Fenner, cicerone da noite, que conseguiu guiar rapidamente o púbico pelas salas, sem atrasar o andamento do espetáculo.
                                   

Alessandra Souza (**)
Cléber Lorenzoni (*)
Evaldo Goulart (**)
Renato Casagrande (**)
Douglas Maldaner (*)
Raquel Arygoni (**)
Gabriel Giacomini (*)
                                     

                                  Arte é vida
                                                                                 A Rainha

Grupo Máschara com equipe do EFA na UNIJUI


Coronel Firmino de Paula de volta ao ninho dos Pica Paus. Cléber Lorenzoni