domingo, 31 de maio de 2009

DOROTÉIA - 1998/1999

AUTOR - Nelson Rodrigues
DIREÇÃO- Helquer Paez
ELENCO- Dulce Jorge(dorotéia) Cléber Lorenzoni(dona flávia) Alexandre Dill(maura) Vera Porto (carmelita) Adriane Fiuza(assunta da abadia) Simone De Dordi(das dores)
TRILHA SONORA- Helquer Paez
ILUMINAÇÃO- Daniel Plá
FIGURINO- Helquer Paez
CENARIO - Helquer Paez e Jorge Silva
PRUDUÇÃO- O Grupo
INTERPRETES EM SUBSTITUIÇÃO- Ariane Pedroti, Marcele Franco
Sinopse
Em Dorotéia Nelson Rodrigues atinge um de seus ápices quanto à consisão formal: apenas seis personagens - todas mulheres, duas protagonistas principais - em um único cenário e uma única unidade aristotélica de tempo e espaço ( Aristóteles, 1992 ). A divisão em três atos, neste caso, é mero cacoete de teatro, a peça pode ser perfeitamente encenada em um único ato, o que acentua ainda mais sua proximidade com a Tragédia Grega. O autor inicia por uma descrição das personagens e do cenário extremamente condensada, imagística, plena de metáforas - todas as características que a tornam mais que uma indicação para montagem teatral, um verdadeiro poema:Casa de três viúvas - d. Flávia, Carmelita e Maura. Todas de luto, num vestido longo e castíssimo, que esconde qualquer curva feminina. De rosto erguido, hieráticas, conservam-se em obstinada vigília, através dos anos. Cada uma das três jamais dormiu, para jamais sonhar. Sabem que, no sonho, rompem volúpias secretas e abomináveis. Ao fundo, também de pé, a adolescente Maria das Dores, a quem chamam por costume, de abreviação, Das Dores. d. Flávia, Carmelita e Maura são primas. Batem na porta. Sobressalto das viúvas. D. Flávia vai atender; as três mulheres e Das Dores usam máscaras. D. Flávia assinala tratar-se de uma casa onde não há quartos, mas apenas salas, remete ao recalque e a tudo que possa relacionar-se com intimidade e sexualidade: Por que é no quarto que a carne e alma se perdem! Direto da temática mítica grega: três figuras femininas, de negro e máscaras, aterrorizantes, hieráticas, lembrando as Fúrias da Mitologia Grega, personagens da Oréstia de Ésquilo. Também conhecidas por Erínias - perseguidoras com furor - as três Fúrias possuíam os sugestivos nomes de: Aleto, a que não pára, a incessante, a implacável; Tisífone, a que avalia o homicídio, a vingadora do crime; e Megera, a que tem inveja, a que tem aversão por ( Brandão, 1991 ). Aumenta o caráter sobrenatural e a analogia com as Fúrias, das quais nem os deuses podem se esconder ou escapar de punição, o fato das três primas possuírem o dom de saber, imediatamente, por uma voz, toda vez que alguém da família “dá um mau passo” ou morre.O corpo magro, sem atrativos sexuais, é atributo mostrado pelas viúvas como marca de castidade e de beatitude. Mas as mulheres de Dorotéia, como se percebe ao longo de todo texto, são obcecadas pelo sexo. Já no início da peça há o paradoxo da censura ao sonho, onde dominam as imagens, ser descrita pelo autor por meio da intensa imagem que caracteriza a Poesia. Paradoxo que é realçado por Nelson Rodrigues com a indicação cênica de que sempre que algo considerado vergonhoso é dito, as primas de negro devem esconder o rosto com um leque multicolor.A peça tem início com a chegada de outra prima - Dorotéia - que em contraste com a soturna castidade das mulheres de luto veste-se de vermelho, como as profissionais do amor e não usa máscara. Mas a família possuía duas Dorotéias, a que perdeu-se e outra que se afogou, por não suportar o conhecimento que por dentro de seu vestido estava seu corpo nu... A dúvida diretamente formulada pelas três primas de qual seja a Dorotéia presente no palco, permite a hipótese de que estamos diante de uma metáfora da cisão em dois de um mesmo eu, e que a atual Doroteía-viva precisa reencontrar a Dorotéia-morta. De fato, ao longo de todo o texto Dorotéia define-se como um ser extremo, de contrastes brutais.Ainda neste início da peça a protagonista-título narra o que tanto pode ser um sintoma histérico, quanto a hamartia ( falta cometida ) desencadeadora da trama de uma tragédia grega, originada da hybris ( desmedida, excesso ), ousada pelo antepassado de um genos ( Brandão, 1992 ); paralelo, por exemplo, com os infortúnios que há gerações assolam a dinastia dos Labdácidas, família de Édipo :Eu sabia o que aconteceu com nossa bisavó... Sabia que ela amou um homem e se casou com outro... Na noite do casamento, nossa bisavó teve a náusea...(desesperada) do amor, do homem!...(...)Desde então há uma fatalidade em nossa família: a náusea de uma mulher passa a outra mulher, assim como o som passa de um grito a outro grito... Aspecto pouco conhecido da obra teatral rodrigueana, o romantismo negado aparece em toda sua força: o pecado contra o amor é tão grande para Nelson, que não se volta apenas contra quem o comete, mas se transmite de geração em geração. Pecado que está bem de acordo com o aforisma de que não há solidão mais vil que a do sexo sem amor ( Rodrigues, 1997 ). O enigma-problema de Dorotéia, cuja confissão é arrancada pelas primas, é que até então jamais sentira a náusea familiar, sintomática e histérica antítese do orgasmo.D. Flávia completa a narrativa da maldição acrescentando à náusea outro sintoma que acomete todas mulheres da família, exceto Dorotéia:Isso aconteceu não contigo, mas com as outras mulheres da família... com a Dorotéia que morreu...com Maura e Carmelita... (grave e lenta) e comigo... Te conto a minha primeira noite e única... As mulheres de nossa família têm um defeito visual que as impede de ver homem... (frenética) E aquela que não tiver esse defeito será para sempre maldita... e terá todas as insônias... (novo tom) Nós nos casamos com um marido invisível...(violenta). Invisível ele, invisível o pijama, os pés, os chinelos...Dorotéia procura sentir a náusea, identificar-se com as mulheres da família, razão pela qual dirigiu-se à casa das primas. Estas impõe-lhe sua exigência fundamental: terá de sacrificar todos seus atrativos sexuais, transformar-se em uma criatura repugnante. Em seguida Dorotéia relata um dos principais motivos subjacente desta autoflagelação ardentemente desejada: a culpa. Seu filho, fruto de uma relação a qual não se vendera, adoeceu ainda criança de colo. O médico chamado exigiu como pagamento o corpo de Dorotéia, logo após o que, acusa D. Flávia: Quando espiaste, de novo, teu filho estava morto!Para lembrar Dorotéia sempre de sua culpa, cada vez que vacila em seu propósito de autoflagelação, um jarro misteriosamente aparece e desaparece de cena. Dorotéia queixa-se que seu perseguidor não lhe dá sossego, embora pessoalmente não tenha nada contra ele, até que é bonito. Comenta o psicanalista Martuscello ( 1993 ): Objetos utilizados para a higiene íntima da mulher em alguns prostíbulos, a bacia e o jarro aparecem aqui como evidência da culpa sexual de Dorotéia.Entretanto, não concordamos com este autor quando interpreta o jarro como símbolo fálico, pelo contrário, mostra-se como clara evidência da sexualidade feminina: um símbolo uterino. Ao final da peça, tendo se metamorfoseado em uma criatura repugnante que nem as primas, o jarro finalmente deixará de persegui-la.A destruição da beleza provoca em Dorotéia grande ambivalência, que permanece quase até o final da peça. Mas acaba por predominar um super-eu sádico, reforçado pela identificação com as primas, que permite a expiação parcial de sua culpa. Para que possa ocorrer tal processo deve submeter-se a um sacrifício físico: transformar-se de bonita em feia, adquirindo chagas por todo o corpo através do contágio com um misterioso homem doente, que vive isolado do mundo, chamado Nepomuceno ( nome de um leproso que também aparece em Bonitinha Mas Ordinária ). Deste modo, todas esperam que ela passe a ter a náusea, prova irrefutável que se purificou e igualou às parentas. Resume o psicanalista Martuscello ( 1993 ):Nelson utiliza esta inversão de valores para remarcar a repressão sexual em todos âmbitos ou possibilidades de aparecimento da sexualidade, ressaltando a feiúra, a doença, os sacrifícios e todos sofrimentos em geral como valores sempre perseguidos por elas como meio de exegese e ascese espiritual purificadora dos pecados do sexo.Mais que uma denúncia contra a cultura e a religião que enaltecem a doença e o sofrimento, a peça traz, por meio de seu sarcasmo brutal, uma denúncia contra a culpabilização da sexualidade e contra o culto da apologia da morte. Acometido de uma fúria verdadeiramente báquica - unindo por meio da sátira o trágico e o cômico - Nelson expõe até a medula a violência dos paradigmas do patriarcado em sua vertente católica e mediterrânea transplantada para o Brasil.A quinta personagem do núcleo familiar, Das Dores, filha de D. Flávia, nasceu morta, mas ninguém a avisou e foi crescendo! Justifica sua mãe que Das Dores não podia ser enterrada antes de sentir a náusea. Para tanto, está de casamento marcado e se supõe que, após sentir a náusea, regressará a seu nada, satisfeita, feliz. Só que seu noivo vem, de modo extremamente bizarro como se verá, e Das Dores não sente a náusea. Pior, entra em idílio, recusa ativamente a náusea e se encanta com uma história contada pelo noivo.Para conter tal rebeldia, D. Flávia utiliza-se ao extremo de seu poder: amaldiçoa a filha. Das Dores responde que só não podem tirar-lhe o amor que já é seu. Ao que mãe retruca que pode, e mais que isso, possui o poder de reduzi-la a um nada, incapaz de amar ou odiar. D. Flávia usa a revelação de que Das Dores nascera natimorta para agora tentar aniquilá-la de vez. Das Dores responde que não retornará ao nada, mas para dentro de sua mãe, que viverá dentro de D. Flávia e dela renascerá. Em um gesto de teatro expressionista ou surrealista ( Fraga, 1998 ) - o teatro do absurdo só surgiria com Beckett e Ionesco alguns anos após - Das Dores pega sua máscara, coloca-a no peito de sua mãe e desaparece de cena. Horrorizada, D. Flávia nunca mais conseguirá retirar do peito a máscara que pertencera a sua filha, apesar de ser ela mesma, a própria D. Flávia, quem agora continua apertando firmemente a máscara contra o próprio peito.Repressora-mor, D. Flávia reconhece que falhou mas, executora de implacável pulsão de morte, segue feroz por um novo assassinato; junto com Dorotéia conjetura várias possibilidades até que esta lhe sugere a principal: Você vai dar a luz duas vezes, pode soprar essa luz, cegar essa luz... Ninguém melhor que uma mãe, com mais autoridade, para sufocar aquilo que ela mesmo gerou... A mãe pode pegar uma filha e lhe abrir o rosto ao meio, sendo que um perfil para cada lado...



BULUNGA, O REI AZUL - 1996/1998



AUTOR- Pedro Bloch
DIREÇÃO - Dulce Jorge
ELENCO - Dyulio Penna(bulunga) Dulce Jorge(bruxa magnólia) Cléber Lorenzoni(fada morgana) Zenaide Perez(mimi) João Paulo(tudo azul) Gogo(gatinho verde)
CORO - Altiva Soares, Adriane Fiuza, Janiele Perotti, Carolina Monteiro, Bibiana Monteiro, Najara, Taciara, Simone De Dordi, Simone Sattes, Paulo Vargas, Paulo Oliveira.
TRILHA SONORA- Leonardo Diaz
ILIMINAÇÃO- Janine Perotti
FIGURINO- Dulce Jorge
CENARIO- Jorge Silva
PRODUÇÃO- Jorge e Dione Silva
ELENCO EM SUBSTITUIÇÃO- Alexandre Dill, Ariane Pedroti, Adilson Sattes.
Sinopse
Uma fábula que faz pensar sobre um assunto muito sério: o preconceito."Bulunga era um gato azul que detestava todas as outras cores. Imagine, então, o que acontece quando Bulunga passa a ter o poder de um rei! Nessa história, o bom é mau e o mau é bom, veja só! Mas, no meio de tanto absurdo, este livro mostra o verdadeiro absurdo: o preconceito racial.

CORDÉLIA BRASIL - 1995/1996



AUTOR - Antonio Bivar
DIREÇÃO - Cesar Dors
ELENCO - Dulce Jorge(cordélia) Gederson Dill(leônidas) Dudu Gonçalves(rico) Diva(vizinha)
TRILHA SONORA-Leonardo Diaz
ILUMINAÇÃO- Janaíne Perotti
CENÁRIO- Jorge Silva
FIGURINO- O Grupo
PRODULÇÃO - Jorge e Dione Silva
INTERPRETES EM SUBSTITUIÇÃO-
Dyulio Penna, Cléber Lorenzoni.

Sinopse
Para sustentar seu companheiro Leônidas, que sonha em ser escritor de histórias em quadrinhos, Cordélia, além de trabalhar como auxiliar de escritório, começa a se prostituir. Ela traz para casa um jovem de 16 anos, Rico, que acaba morando com eles. Forma-se então um triângulo, em que se insinua a cumplicidade entre os dois homens, já que Rico se identifica com o comportamento de Leônidas para com Cordélia. A relação torna-se cada vez mais conflituosa, acabando por precipitar um desfecho trágico que, paradoxalmente, é tratado de forma poética e absurda.
O texto, cujo título original é O Começo É Sempre Difícil, Cordélia Brasil, Vamos Tentar Outra Vez, é premiado no 1º Seminário de Dramaturgia do Rio de Janeiro, em 1967. No ano seguinte, a montagem é interditada pela Censura durante o período de ensaios, juntamente com Barrela, de Plínio Marcos, e Santidade, de José Vicente. Uma leitura dramática é organizada na cobertura de Danusa Leão para que os intelectuais cariocas conheçam a obra. O evento é bem-sucedido e os críticos vão aos jornais interceder pela liberação do texto, que consegue subir à cena ainda em 1968, com o título de Cordélia Brasil, no Teatro Mesbla.
Enfatizando aspectos da construção do texto, analisa Yan Michalski: "À medida que o desfecho se aproxima, Bivar introduz no tom de realismo, até então característico da peça, um surpreendente elemento de fantasia, que cresce e se expande com enorme rapidez, a ponto de acabar por sobrepor-se, inexoravelmente, ao realismo. A saída final de Leônidas se desenrola num clima de alucinada lógica sem lógica, que me faz pensar, toda vez que releio a peça, em Pierrot le Fou, de Godard; e o suicídio de Cordélia é, ao mesmo tempo, comovente e engraçado na sua cafonice: as últimas palavras da heroína, que se referem à marca que ela deixará da sua passagem pela Terra - uma fotografia para a qual posou nua, na praia, a pedido de um fotógrafo americano -, constituem uma das mais poéticas contribuições para a antologia de nosso florescente tropicalismo. A facilidade com a qual Bivar conseguiu passar do realismo para a fantasia me pareceu constituir a mais evidente prova do seu talento".

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Deixarei-a na companhia rrrrrrrrrrrrrelijiosa do senhor Tartufo...


O elenco de Um Inimigo do Povo

Luis Fernando Lara, Gelton Quadros, Dulce Jrge, Gabriel Wink, Cleber Lorenzoni, Marcele Franco

Trabalho Artezanal


Montagem de Cenário


A concentração...


Tatiana Quadros -Momentos antes do espetáculo na estréia de Ed Mort


Cléber Lorenzoni como Tartufo


Bulunga O Rei Azul - 1996/1998

Janiele Peroti, Dulce Jorge, Simone De Dordi, Diulio Penna, ?, Adriane Fiúza, Cléber Lorenzoni, Diva, Ariane Pedroti, Alexandre Dill

Simone De Dordi e Cléber Lorenzoni


Lista de Figurinos Tem Chorume no Quintal

Lista de figurinos – Tem Chorume no Quintal

Os primeiros palhacinhos


Nós em Horizontina


quarta-feira, 27 de maio de 2009

Mario e Dona Glorinha


Cenas de Esconderijos do Tempo




Sinopse de Esconderijos do Tempo


É PRECISO LER SEUS LIVROS POR QUE ELE BRINCA MUITO A SÉRIO, ELE É O “MENINO QUE ENVELHECE UM DIA DE REPENTE”. O LIRISMO PERENE DE QUINTANA É RIQUÍSSIMO POR ESSA E MUITAS OUTRAS CONOTAÇÕES QUE TORNAM O POEMA CLARO E PALPITANTE, COMO DEVE SER TODA AUTÊNTICA OBRA DE ARTE.

Heitor Saldanha

A poesia está nas plantas, nas pessoas, nas praças e cafés, nosso poeta passeia pelas ruas de uma cidade qualquer e vai colhendo historias com as mais incríveis figuras que encontra. Quem era Mario Quintana? Um anjo disfarçado de poeta? Disse um dia Erico Veríssimo que às vezes, quando ele se descuida ao vestir o casaco, suas asas ficam de fora. Mario Quintana era assim, um irônico afetuoso, que fazia humor para disfarçar o sentimentalismo, não está mais entre nós, mas está profundamente vivo em suas poesias, em alguma folha seca caindo numa tarde de outono, ou em uma luzinha de lampião que teima em manter-se acesa.Trata-se de um espetáculo de recordações, trata-se de reavaliar a vida através de sua obra, do jovem rapaz que saiu do Alegrete, que conversa com suas poesias, que fuma para espantar as tristezas, que ouve as histórias dos amigos para transformá-las em sonetos... Nessa praça imaginária que bem pode representar qualquer fonte inspiradora, ele e a jovem Glorinha riem, enamoram-se, choram até. Conversa com Lili de igual para igual, possivelmente com o menino que insiste em viver em seu intimo, confronta-se com a morte como quem conversa com uma irmã mais velha que sempre esteve presente, não se trata do retrato perfeito de Mario Quintana, mas das impressões que o poeta nos legou.

A Maldição do Vale Negro


Dorotéia de Nelson Rodrigues

Ariane Pedroti, Ducle Jorge e Alexandre Dill


Adriane, Vera Porto, Cléber Lorenzoni, Ducle Jorge, Alexandre Dill e Simone De Dordi

terça-feira, 26 de maio de 2009

26º Cena às 7 - Bodas de Sangue

Durante todo o período eleitoral, ouvi uma infinidade de aberrações, de todas, a que mais me afrontou foi por certo, o comentário de que Cruz Alta não tem teatro. Cruz Alta meus queridos tinha tudo, perdeu muito e vai continuar perdendo muito mais se continuarmos agindo como bonecos de engonço, acomodados em nossas casas vendo a vida passar. Nos programas diários ainda francos elogios a eventos culturais como Coxilha e romaria, por favor, senhores candidatos sejamos criativos, inovadores, investir em eventos tradicionais culturais do município nada tem a ver com fomentar a cultura.Realmente o teatro começa a despontar em Cruz Alta, e me pergunto quem foram os lutadores por isso, a resposta é clara, estão lá nos domingos da casa de cultura. Mas é maravilhoso que Cruz Alta receba tantos espetáculos e verdadeiramente digno seria que todos os candidatos que mencionaram as palavras teatro/arte/cultura estivessem em alguma sessão, ao menos para que quando falassem no assunto, soubessem do que estão falando. Perguntaria aos grupos de Cruz Alta, durante esse infindável momento de campanha, algum político ouviu seu pleito?
Mas toda essa azáfama acabou e fui ao teatro na noite do dia 19...A dobradinha Dulce-Cleber apresentou algo novo, diferente de tudo o que já os vi fazer, o palco todo descerrado, camarins expostos, toda a frieza de um palco abatido, desprotegido em contraste com o calor andaluzo. Um Lorca extremamente campesino, carregado de símbolos, de figuras expressivas, um arrojo. As protagonistas estavam a altura, Dulce Jorge começou no topo com toda a versatilidade digna de sua atuação e selou com requinte a oração final de La Madre. Tatiana Quadros argumentou com força fala-a-fala, mas carece de mais para nos convencer, principalmente quando posta em confronto interno, entre querer ou não. Cléber Lorenzoni guardou para o fim toda a sua técnica, explodindo nas cenas finais, provavelmente macetes de quem sabe o que está fazendo. O noivo, agora interpretado por Gabriel Wink acresceu todo um encanto na relação mãe e filho. Os coadjuvantes também brilharam mostrando equilíbrio e por assim dizer louvores à direção. Finalmente vi a senhorita Ertel brilhando, madura e com uma criada bem acabada. Outra surpresa foi Roberta Correa, quem é essa nova atriz? Tímida, discreta mas com tanto a dizer... Parabéns ainda a Ricardo Fenner e Alessandra Souza.
Cenário e Iluminação graciosos, delicados. A Sonoplastia de “Frida” me deixou tensa, irritada, principalmente quando contrastada com “Metállica”, cabe a direção perceber que são duas linguagens muito distintas. Voltei para casa fraca, compenetrada cheia de batalhas em minha mente, dividida entre a boa surpresa no palco, o pouco público nas cadeiras e os comentários políticos. Pensei muito e pensei que realmente os comentários são reflexos da nossa sociedade, a audiência quer comédia, não quer pensar muito, e os políticos acabam falando algumas parvoíces, afinal que os ouvir não se preocupa em pensar muito. “ Palavras loucas, orelhas moucas”.

Premiação em Erechim 2008




Melhor Trilha SonoraGrupo Máschara por ' Lili inventa o Mundo '.


Melhor CenárioDulce Jorge por ' Lili inventa o Mundo '.


Melhor FigurinoMarlon Brito por ' Azul Maior '.


Melhor MaquiagemVera Lúcia Rodrigues por 'Os Saltimbancos '.


Melhor Atriz CoadjuvanteTatiana Quadros por 'Lili inventa o Mundo'.


Melhor Ator CoadjuvanteRoni Pereira por 'Azul Maior'.


Melhor AtrizAngélica Ertel (Cruz Alta) por ' Lili inventa o Mundo '.


Melhor AtorCléber Lorenzoni por 'Lili inventa o Mundo'.


Melhor IluminaçãoCléber Lorenzoni (Cruz Alta) por 'Lili inventa o Mundo'.


Melhor DireçãoCléber Lorenzoni por 'Lili inventa o Mundo'.


Melhor Espetáculo:'Lili inventa o Mundo' - Cruz Alta.


Confira agora os vencedores na categoria adulto:


Melhor Trilha SonoraJonatham Muller por “Inspetor Geral”


Melhor CenárioCleber Lorenzoni (Cruz Alta) por “Esconderijos do tempo”.


Melhor FigurinoJoelma do Carmo (Santa Maria) por “Todas as Vidas”.


Melhor MaquiagemAlberto Rodrigues (Ijuí) por “O inspetor Geral”


Melhor Atriz CoadjuvanteDulce Jorge (Cruz Alta) por “Esconderijos do tempo”


Melhor Ator CoadjuvanteGabriel Winck (Cruz Alta) por “Esconderijos do tempo”


Melhor AtrizAngélica Ertel ( Cruz Alta ) “Esconderijos do tempo”


Melhor AtorCleber Lorenzoni (Cruz Alta) por “Esconderijos do tempo”


Melhor Iluminação Roberta Correa e Cleber Lorenzoni (Cruz Alta) por “Esconderijos do Tempo”


Melhor direçãoCléber Lorenzoni por 'Esconderijos do Tempo”


Melhor Espetáculo:'Esconderijos do Tempo do Grupo Másckara de Cruz Alta

Historia do Máschara


Companhia Teatral Máschara

Direção
Dulce Jorge

Diretor de Espetáculos
Cléber Lorenzoni

Ano de Fundação
1992


CNPJ
04.030.067/0001-20

teatromaschara@bol.com.br

Principais Premiações

Troféu Cultura Gaúcha 2005
O Incidente

16º Festival Nacional de Canela 2002

X FESTIVALE 2002 (Rolante)
Melhor Espetáculo - Macbeth

XI Festival Estadual de Teatro do RGS 2000 ( Caxias do Sul )
Melhor Espetáculo - Antígona

XII Festival Estadual de Teatro do RGS 2001 ( Caxias do Sul )
Melhor Espetáculo - Tartufo

XIII Festival Estadual de Teatro do RGS 2002 ( Erechim )
Melhor Espetáculo - Macbeth

IV Santiago Encena 2000
Melhor Espetáculo - Antígona

V Santiago Encena 2001
Melhor Espetáculo – Tartufo

3º FERTAI 1996 ( Ibirubá )
Melhor Espetáculo – Cordélia Brasil

8º FERTAI 2001 ( Ibirubá )
Melhor Espetáculo – Tartufo

9º FERTAI 2002 ( Ibirubá)
Melhor Espetáculo - Macbeth

2º Festival de Teatro Amador e Dança Criativa 2000 ( Uruguaiana )
Melhor Espetáculo - Antígona

II FESTSALTO 2002 ( Salto do Jacuí )
Melhor Espetáculo - Tartufo


XIIIº FERTAI 2006
Melhor Espetáulo - Esconderijos do Tempo


Xº Festival Pedritense de Teatro 2008 (Dom Pedrito)
Melhor Espetáculo Esconderijos do Tempo


Iº FETTEN 2008 (Teutônia)
MElhor Espetáculo Esconderijos do Tempo


XIXº Festival Gaúcho de Teatro 2008 (Erechim)
Melhor Espetáculo Infantil - Lili Inventa o Mundo
Melhor Espetáculo Adulto - Esconderijos do Tempo

Exposição Fotográfica em Porto Alegre


Bodas de Sangue no Cena às 7

Ricardo Fenner, Marcele Franco, Angelica Ertel, Gabriel Wink, Dulce Jorge, Gelton Quadros, Tatiana Almeida, Cléber Lorenzoni e Kelem Padilha

Definição Estudo Melodrama


O Melodrama tem sua origem associada à ópera. Também à opereta e à ópera popular italiana – remontando ao século XVII – que une música e texto, o que ajuda a compor mais tarde o estilo que tratará da melodia do drama. O movimento estético aparece com força na Alemanha e França, nas últimas décadas do século XVIII. Mas se impõe como estilo artístico no XIX, através da forma final francesa - caracterizada pelas encenações populares dos Boulevards (du Crime) - e ao lado do drama romântico.No Melodrama os problemas do povo são argumento dramatúrgico principal, e não apenas suporte das histórias da classe dominante. O atual operariado vem de um passado de desilusões, onde a Revolução Francesa - e seus ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade - prometera apoio à plebe em detrimento das regalias da nobreza, mas o que fez foi uma mera troca de papéis, com a burguesia agora ocupando o lugar da corte. Assim, acompanhando o movimento Romântico emergente, nasce um estilo que trata dos grandes sentimentos humanos, após um século de cientificismo, racionalismo e frustrações para o povo.As Companhias de Melodrama faziam parte da mesma classe social que as personagens do seu drama. Os atores melodramáticos atuavam para a massa miserável e honesta que amavam, e não para a burguesia e corte, e tratavam em suas peças destas personagens, expondo na trama os seus conflitos cotidianos. No Melodrama aparece temática do povo numa forma que lhe é estranha – a aristocrática: a escola melodramática é ingênua no seu propósito ideológico de representar o pensamento do povo, pois imita a estética do patrão como a ideal, alienada de que esta é uma maneira de perpetuar o conteúdo do poderoso. Assim, o operário está em cena numa troca de papéis com aristocracia, expondo de forma sentimental e óbvia seus problemas diários, sem uma leitura crítica e consciente deles. Orientado por um passado de submissão e servilismo, identifica-se cegamente com as formas aristocráticas, e parece desejar mais desbancar seus representantes e tomar o seu lugar, do que necessariamente destruir este universo para construir um novo.As personagens recebem um tratamento moralista e maniqueísta - existe o grupo dos bons e dos maus, dos heróis e dos vilões – e o senso de justiça é exacerbado – o vício será punido e a virtude recompensada. A antiga aristocracia e os poderosos em geral são colocados no grupo negativo, e a plebe no positivo. Não existe leitura humana destas figuras: ou são malvadas, ou são bondosas. Se porventura algum poderoso é apresentado de forma favorável, é porque irá se apaixonar pela pobre donzela e carregá-la – junto com sua família – para o conforto do seu palácio. As matrizes temáticas preponderantes são a pobre mulher que é obrigada a prostituir-se e abandonar seu filho; a velha senhora doente que é despejada por não poder pagar a sua renda; os dois gêmeos deixados na porta da Igreja numa noite fria de Natal e separados, reencontrando-se depois de vinte anos... Os conflitos são encenados até as últimas conseqüências, tudo sobre o fato ali em cena é dito, não sobrando um centímetro de suposição para a imaginação do espectador. Apesar da tão comentada fragilidade do argumento e texto melodramático, sua permanência explica-se provavelmente por ter nascido de um desejo genuíno de valorização de uma classe. O ator e sua performance, o domínio técnico do seu corpo e da sua voz, honrava indiretamente a audiência que o assistia, ao se ver representada com glamour e profissionalismo no palco. O contato efetivo e a identificação com a platéia eram inquestionáveis.Se a dramaturgia é pobre, os espetáculos são vivos, com roteiros onde o ritmo é estabelecido pelo contraste entre momentos de desespero ou tristeza seguidos por ápices de euforia ou contentamento. As Companhias de Melodrama eram geralmente pobres, e quando são transferidas do boulevard para o prédio teatral, não têm recursos para investir nos aspectos materiais da encenação. Em função do valor dos ingressos, seus colegas de classe sentam-se nas últimas e altas galerias do teatro e – segundo Gaulier – “geralmente estão cansados depois da labuta, às vezes sonolentos, às vezes bêbados”. Em virtude da distância e da escuridão dos teatros, cria-se um estilo ampliado em gestos e voz e projetado, isto é, endereçado ao alto daquela arquitetura. No melodrama tudo é muito, muito exagerado.Os atores destacam-se pelas suas virtuosas atuações, não constroem personagem e sim atitudes padrão para os tipos elaborados através de uma ótica dual: o conde explorador, a enfermeira bondosa, etc. Começam a desenvolver habilidades para identificação da personalidade, preocupando-se em mostrar como a florista rega suas flores, de que forma o malvado estrala seu chicote, etc. Assim, embora com uma dimensão gigantesca, o gesto mais próximo do cotidiano vai sendo introduzido na cena, ora gerado pela necessidade de comunicação efetiva desta população teatral com sua platéia querida, ora pela dimensão mais íntima dos assuntos ali tratados, preparando o terreno para a ação naturalista.Até então o tratamento dado ao oprimido, ao menor na escala social, era como contraponto ou coadjuvante da cena oficial (os demônios bufos dos autos sacramentais da Idade Média, o bobo em Shakespeare), como tipo representativo do teatro popular (os zanni na Commedia dell’Arte), como figura da cena paralela, apartada das peças oficiais (expressões autônomas do mimodrama da Antigüidade, da bufonaria das praças medievais, dos saltimbancos e palhaços de feira). Em função da popularidade e habilidade interpretativa, o Melodrama começa gradativamente a sair dos boulevards e a ser apresentado nos grandes teatros, incorporando-se ao ambiente da encenação principal. Ao colocar o oprimido como protagonista da peça oficial, afasta por os grandes heróis, deuses e reis do palco - com suas questões abstratas e existenciais - e aproxima o homem comum e mundano, com seus motivos sentimentais e concretos, embora ainda obedecendo na forma exterior a estética dominante. As convenções abstratas, os códigos e as estilizações da antiga cena vão sendo gradativamente substituídos por ações muito próximas das reais, definindo uma forma grandiloqüente mas não transformada ou alterada em códigos significativos, apesar da imponência do estilo. O Realismo se ocupará de reduzir esta ação.A atuação melodramática pode ser abordada a partir de um caminho sensível, fazendo o ator acreditar na sua técnica e trabalhar seu virtuosismo de forma sincera, evitando o deboche e a paródia ao estilo, a “canastrice” - que não deixa de ser uma avaliação crítica a ele. Deve procurar um ponto de identificação com a narrativa. Enfatizo a ação bem construída e a pausa sugerida por pontos fixos - que é o momento onde o ator dialoga corporalmente com a audiência e pela sua resposta pode medir o nível de comunicação com ela. É um teatro de muita ação e pouco texto; atenção ao silêncio e respeito ao tempo das palavras. Não há construção naturalista de personagem e sim elaboração de atitudes para figuras específicas - há o ator no palco, mostrando sua magnificência e sua habilidade interpretativa, com seu corpo dançando a melodia do drama.. Divertindo-se em ser grande e exagerado. Melodrama é uma lição maravilhosa de atuação.Na construção do corpo melodramático, observa-se: suspensão e sustentação corporal; habilidade em manusear diversos pontos fixos para estabelecer o contínuo comentário mudo com a platéia (olhar o vilão-olhar a platéia e mostrar que não gostou dele-olhar o vilão-olhar a porta por onde posso escapar-olhar a platéia e através da expressão comentar esta decisão); projeção e recolhimento do peito a fim de expressar emoções; uso potente da voz e gestual amplo para atingir as últimas galerias do teatro; inclinações da cabeça para definir atitudes-piloto das personagens; oposições corporais a fim de expressar conflitos internos e externos.Para tanto, a instrumentalização técnica conta com: ondulação da coluna vertebral e seccionamento dos membros a partir dos movimentos articulares e musculares na região da cabeça (região cervical), tronco (região dorsal e lombar), braço e antebraço, mão e dedos, pernas e pés; oposições corporais, a resistência física mostrando os conflitos internos (não devo ir àquele ponto, porém desejo), o drama corpóreo; transferência de peso para mudar o eixo: equilíbrio e desequilíbrio desenhando atitudes padrão. O espaço melodramático é coberto por trajetórias indiretas que compõem desenhos semicirculares e diagonais no solo; testa-se o domínio do movimento no espaço a partir de diferentes evoluções rítmicas; uso de distintos graus de força (energia) na locomoção para narrar a história a partir do som dos passos; contrapontos revelando corporalmente as indecisões da personagem. Mais tarde brinca-se com composições coreográficas que são narrativas corporais e mudas da cena.São conduzidos jogos que estimulem o ator no prazer de exibir-se: voz amplificada e projetada por competições de canções melódicas; audições para selecionar vilões, donzelas, cavalheiros, enfatizando a busca de posturas adequadas e de discurso coerente com o tipo; proposição de brincadeiras através de estímulos da música, da dança, de jogos com a bola, etc, com o intuito de lidar de forma sincera e emocionada com situações românticas, climas de guerra, reparo de injustiças, reencontros fraternos ou amorosos...
Autor: Daniela Carmona, atriz e diretora de teatro. Autora do livro: Teatro - Atuando - Ensinando - Dirigindo

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O casal Macbeth

O Casal Macbeth - Dulce Jorge e Cléber Lorenzoni





A Cena indiana das Feiticeiras de macbeth

Lauanda Varone - Simone De Dori - Ariane pedrotti  -  Kellem Padilha  - Daiane Albuquerque  -  Monique Vogel  -  Taitane Quadros -


O Rei Duncan  -  Jorge Pittan


Dona Quitéria Campolargo


Sinopse de A Maldição do Vale Negro


Mocinha sofredora, galã inescrupuloso, empregada má e segredos de família. Parece novela mexicana. Exagero e tramas inverossímeis e moralistas são os recursos mais facilmente identificáveis na arte do melodrama, que recebe uma homenagem à altura na paródia A maldição do Vale Negro, sob direção de Cléber Rodrigo Lorenzoni.
A história se passa no ano da graça de 1834, no Vale Negro, província de Castelfranc, um lugar cercado de mistérios, segredos e maldições. Numa ambientação sombria, envolvido por densa floresta está o Castelo dos Belmont onde a perversa Ágatha envenena lentamente seu patrão, o velho Conde Maurício. O conde, à beira da ruína, tem seus bens hipotecados ao Marquês D´Allençon que deseja a mão da donzela Rosalinda, sobrinha do Conde. Expulsa do castelo pelo tio, Rosalinda encontra uma trupe de ciganos, entre eles Vassili e Jezebel, que a ajudam desvendar os mistérios da família.

Sinopse de Lili Inventa o Mundo





Lili Inventa o Mundo é uma menina que lê os livros de Mario Quintana e vai desvendando lentamente as maravilhas do Poetinha. Mario Quintana falava em versos para as crianças, contava historias de anões, de fadas e de meninos que viravam aves...
Esse era o Mario dos adultos e crianças, as vezes meio sem sentido, mas cheio de sonhos, e de poesia.

Sinopse do espetáulo Um Inimigo do Povo


Um Inimigo do Povo


A história passa-se numa cidade do interior da Noruega cuja maior fonte de renda advém de sua Estação Balneária. O Dr. Stockmann inquieta-se com as doenças que turistas e concidadãos apresentam e resolve investigar a água da cidade. Para sua surpresa percebe que todo o encanamento de água está poluída. Homem da ciência, sente-se no dever de levar a verdade ao povo, mas sua denúncia representará o fechamento do balneário por dois anos e uma suspeição geral levantada sobre suas qualidades mesmo depois das obras necessárias para resolver a questão. Isso causaria um transtorno para a cidade, que deixaria de lucrar com o turismo. Não denunciar o fato, contudo, vai contra os ideais de Stockmann. A poluição das águas é usada como metáfora no drama de Ibsen para denunciar a sujeira na estrutura social daquela cidade - no governo, na imprensa, no comércio e na sociedade em geral. A insistência do Dr.Stockmann em fazer prevalecer a verdade torna-o persona non grata para a população, sobretudo ao defender a idéia de que os valores daquela cidade estão sustentados sobre a mentira e de que o povo não tem a razão, ou seja, a maioria não tem o monopólio da verdade.

Esconderijos do Tempo


Um Inimigo Do Povo


O Incidente


Tartufo


Cartaz Bodas de Sangue


domingo, 24 de maio de 2009

Analise de A Madição do vale negro

Somente uma sociedade evoluída e culturalmente organizada se felicita e prepara o surgimento de um novo artista. O aflorar de um novo amante da arte é como uma golfada de ar puro em meio a poluição, é luz na escuridão, é vida em meio a selva de pedra e concreto que o mundo se tornou. Augusto Boal, diretor e crítico teatral, falecido há uma semana, costumava dizer que depois de criar o universo e habitá-lo como suas maravilhas, Deus decidiu criar o “artista”, para que esse continua-se através do teatro, da musica, do desenho, das letras, a criar maravilhas para a humanidade. Pois bem, no domingo à noite eu presenciei o nascimento de um artista: Ricardo Fenner em A Maldição do Vale Negro.O texto, um melodrama açucarado do santiaguense Caio Fernando Abreu, foi satirizado e contemporâneizado pela mão geniosa de Cléber Lorenzoni, amparada por Dulce Jorge, companheira de caminhada, e pela vivacidade da iniciante Angélica Ertel. Estes souberam fragmentar, costurar e polir um espetáculo de sete personagens em interpretações de três atores. O público fartou-se. Sentada ao lado de outros já conhecidos fãs do Cena às 7, vi com meus próprios olhos o quanto Cruz Alta aprendeu a aproveitar o teatro.

Não acho que o teatro tenha que fazer alusão a televisão, mas o bom senso me faz compreender que em A Maldição do Vale Negro, há muito da televisão e do rádio. Foi sem dúvida um acerto, um arrojo como diria o jornalista Paulo pinto. A agilidade dos atores em compor suas personagens, em vesti-los de trajá-los de verdade cênica em poucos segundos, como a transformação do “Conde” para a “Cigana” atrás de uma banqueta do cenário. Um português rebuscado dos tempos do Império, muito bem pronunciado até mesmo pela narração muito conhecida para quem assistiu “Esconderijos do Tempo”. Gabriel Wink surpreendendo na vilã, e na versatilidade de suas três personagens. Enfim uma deliciosa estréia.É difícil, tudo conspira contra, eu sei, o espaço não é apropriado, os atores tem meia dúzia de apoiadores, o público ainda é pequeno. Contudo a arte é um sacerdócio, um vício que poucos compreendem, mas que muitos já respeitam como a cerimônia sagrada que é...