domingo, 18 de dezembro de 2011

Sobre a composição da personagem Mario Quintana

Pois é... Eu fui mario Quintana, e ele foi eu... Nós fomos um ao outro durante quase quatro anos.
Ele viveu há muito, mas cheio de minha existência, eu vivo agora, não sei até quando e repleto de sua passagem por aqui. Eu o encontrei quando pequeno, em Porto Alegre, no hotel Majestic, senhorzinho, baixinho, apoiado por uma bengala. Eu gurizinho, baixinho, apoiado pela mão de minha mãe.
Foi rápido, dei-lhe um beijo no rosto e sai puxado por minha mãe para longe daquele homem tão repleto de vidas...
Anos mais tarde, eu pude senti-lo em mim. Ainda não era sangue quintana quando pisei no palco na noite de estréia de Esconderijos do Tempo. Mas sim, já era a percepção d euma vida diferente e tão parecida em mim. "Isso ficou bonito", ambos escrevemos... "Moro em uma caixinha de sapatos", há tão pouco espaço para minhas complexidades... "Sou um pobre menino, acreditai..." Tão sozinho, tão carente, tão reservado... Que caminha de nariz empinado pela rua, mas que está tão de cabeça baixa... As Glorinhas em minha vida, são as Dulces... Todas elas: amante, companheira, "cigana", dama, e um dia direi verdadeiramente a ela: Ai de mim, tão cheio d etua ausência!!! A cada espetáculo Mario morria, e eu morria um pouquinho com ele. Eram nossas mãos cênicas, era meu vazio habitado pelo seu vazio. A Lili que o beijava, era a pequena criança dentro de mim beijando Mario la pelos idos da década de 80. Entrelaçamo-nos, choramos juntos, rimos juntos, desabafamos, exorcisamo-nos.
Desejamos a morte amiga, brincamos com ela.
"Não existe nada mais triste do que o grito de um trem no meio da noite..." Eramos nós gritando, ele no quarto do Magestic, eu no Palácio da Montanha, éramos nós, eu e Quintana, Cléber e Mario!!!