quinta-feira, 28 de maio de 2015

Ed Mort com cara de estréia - 690 - tomo 15

             Sempre que um espetáculo adulto é apresentado em uma escola, fico apreensiva, me perguntando que estará sendo dito àquelas crianças ou adolescentes. Ed tem texto inspirado na obra de Luis Fernando Verissimo. Ou seja, não foi Luis Fernando Verissimo quem escreveu a peça. Verissimo escreveu crônicas, alguém adaptou e alguém dirigiu. Então, caso Luis Fernando Verissimo assista o espetáculo, não assinará embaixo. Afinal o produto sobre o palco é fruto de pontos de vistas variados, pontos de vista de atores, e da direção do espetáculo. Isso é o que torna um espetáculo teatral tão exclusivo, inédito, único. 
                        Assistindo Ed Mort, diverti-me razoavelmente e aproveitei em fim, um espetáculo sem apelações, coerente com a linguagem e bastante triangular. Acredito profundamente que os alunos que assistiram, aproveitaram, ou curtiram como eles mesmo dizem,  e possivelmente irão se interessar ainda mais em ler os livros de Luis Fernando Verissimo.
                       No palco, um elenco coeso, cada um cumprindo sua unção com pesos e importâncias a altura de suas capacidades.  Ao lado dos sete atores do Máschara, dois alunos da ESMATE- Espaço Máschara de Teatro. Um bom exemplo da importância da presença de uma escola de teatro em Cruz Alta. Tanto Nicole Ardengui quanto Gabriel Araujo estavam inteiros, concentrados e contracenaram perfeitamente com Cléber Lorenzoni.
                        A trama rápida que mescla investigação, suspense e um pouquinho de romance, foi fácil de compreender, foi bem contada. Apesar da falta de acústica, a voz dos atores potencializou-se por todo o espaço. 
                          O mais importante do dia, a meu ver, foi a estreia dos dois pretensos atores, por que? Por que o teatro baseia-se no futuro. No investimento atual para a maturidade cênica no futuro. Ardengui e Araujo vem já há bom tempo estudando o teatro em todos os seus motes, mas nada é exagerado ou imposto. Ao contrario, respeita-se o tempo de cada um, a idade e a capacidade de compreensão. O teatro precisa ser motivado, instigado, regado na mente das crianças. Atores que caem de paraquedas ou pessoas que resolvem começar a fazer teatro a partir de uma certa idade, encontram mais dificuldade para alcançar seus objetivos sobre o palco. Um bom exemplo disso, são Alessandra Souza e Renato Casagrande, ambos, alunos do extinto núcleo de teatro da "extinta?" Casa de Cultura de Cruz Alta. 
                         Evaldo Goulart também vêm das oficinas de teatro de Boa Vista do Cadeado. Ou seja, o teatro encontrará um terreno melhor em pessoas que puderam pesquisar, discutir, debater, acertar/errar, antes de propriamente se dizerem atores. 
                         O teatro é resposta ao estudo, estudo esse necessário para que o ser sobre o palco possa com sapiência, representar a vida humana. O ser-humano é figura de estudo do artista de teatro, e para estudá-lo, para interpreta-lo, provocá-lo em seu lugar seguro, o ator precisa no mínimo conhecer um pouco a psiquê humana. 
                        No palco, ótimos momentos como a transformação que dá vida à Edna. Momentos confusos como as mãos de Ed desamarradas, que graças ao approach do intérprete foi resolvido. Edna e as crianças vão de "avião" para a disney, mas por problemas de contra-regragem, voltaram sem avião? A pasta do contrabandista parecia vazia? 
                             Ao final o público aplaudiu satisfeito e foi mais um dia de tarefa cumprida. Um bom exemplo de trabalho em equipe. E torçamos para que Nicole e Gabriel estejam mais vezes no palco.



                           Teatro é vida

A Rainha

Dulce Jorge  (**)
Cléber Lorenzoni  (***)
Ricardo Fenner  (**)
Renato Casagrande  (***)
Alessandra Souza  (**)
Fernanda peres  (**)
Evaldo Goulart  (***)
Bruna Malheiros   (**)

Participação especial:
Nicole Ardengui  (**)
Gabriel Araujo   (**)