segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Com a turminha de teatro da escola Soares de Barros


A morte

Domingo foi dia de aplaudir a nova musa inspiradora do espetáculo Esconderijos do Tempo. Depois de outras grandes intérpretes terem vivido a morte de Quintana, essa é a vez de Kauane Silva. A atriz que entrou no grupo em 2019, já vai construindo uma linda caminhada. Para lembrar antes dela viveram essa personagem a talentosíssima Kelem Padilha, além de  Tatiana quadros, Roberta Corrêa e Alessandra Souza

Noite de poesia


853- Esconderijos do Tempo (tomo 90)

Sobre Deuses e Heróis


                     Sempre me atenho ao talento, a alma dos atores, do seu potencial divino quando escrevo uma crítica. Todavia, hoje, voltarei minha análise para o lado técnico, o profissionalismo dos heróis do Máschara. Heróis, pois é intento heroico suportar as auguras de se fazer arte no interior. Profissionalismo é principal característica de um bom funcionário em qualquer emprego, em qualquer instituição. Profissionalismo em ser pontual, ser um bom colega, agradável e disposto a ajudar. Profissional em cumprir o que se lhe é esperado, casando técnica e genialidade, estudo e sensibilidade. Winston Churchil, premier Britanico, costumava falar do Edificante e do Eficiente, o edificante é exemplo, digno e respeitável, o eficiente é o que trabalha, que conquista, soluciona. Entre os atores do Máschara percebemos membros que representam os dois fatores, membros que representam um dos fatores, e finalmente membros que infelizmente precisam rapidamente assumir quaisquer um desses fatores. 
                     Eu conheço esse grupo há muito tempo, e compreendo a luta para se manter irradiando luz. Mas é preciso pensar, as pessoas passam, as instituições ficam e nas paredes das instituições ficam marcadas, imortalizadas as pessoas que fizeram a diferença. 
                       Clara Devi por exemplo tem se mostrado um grande exemplo, trabalhando sem questionar, correndo de um lado para o outro silenciosamente, ajudando as coisas a acontecer. Claro que a jovem ainda é muito menina, falta amadurecimento, instinto, compreensão. Coisas que virão com o tempo se ela continuar se dedicando. Alessandra Souza, Kauane Silva, Dulce Jorge, Laura Hoover, todas se arrumaram praticamente sozinhas, dão exemplo do que se espera de uma atriz. Alessandra foi um pouco monocórdia do meio para o fim de sua cena, talvez tenha se desconcentrado com ruídos da platéia, de qualquer forma, Lili esteve lindíssima, composição excelente, afinação e triangulação dignas de uma grande atriz. Laura parecia um pouco tensa, embora sua Glorinha seja formidável. Dulce Jorge deu todo o tom da cena final, com ritmo e delicadeza. Finalmente Kauane Silva mostra-se madura e grandiosa como o espectro de musa que o espetáculo pede, Kauane Silva tems e mostrado também dedicada, disposta e não há problema nenhum em ter humildade e colaborar pelo bem do grupo, um dia quem hoje é status cinco, será status quatro e outros iniciantes estarão trabalhando e você, status 4, será o mestre, o que terá que ensinar.  Kauane Silva começou sua carreira com muita calma, não entrou no Máschara de cara no primeiro ano, recebeu pequenas pontas, substituições. E aos poucos vai galgando seu espacinho. Desconfio de quem sobe muito depressa. Os sutis detalhes em suas construções e as responsabilidades que assume com entrega e responsabilidade tem levantando bons comentários entre a turma mais antiga da Cia.
                             A noite foi das mulheres, cabelos e maquiagens lindíssimos, Laura Hoover talvez precise de ajuda na sobrancelha da próxima vez, anular a sobrancelha para uma platéia que senta-se tão próxima, não é tarefa fácil. A plateia também foi bastante feminina, parece que muito pouco há de atraente aos homens no teatro.
                                Os homens do Máschara são também fatores eficientes. Cléber Lorenzoni é um faz tudo. Não sei como consegue atuar bem, e ainda ter os olhos atentos à tudo. nunca saberei. Mario Quintana cumpriu sua função envelhecendo lentamente. Escolha honrosa e demasiado triste para um espaço tão pequeno. As dores multiplicam-se em espaço claustrofóbico. Espaço caloroso, charmoso e de bom gosto para com a arte cênica.
                                  A partitura de Renato Casagrande, ator muito grande e digno na pequena ponta que executa. Talvez seu maior mérito seja o trabalho por traz da cena. Outra medida correta do Máschara, saber mostrar aos jovens atores que a dignidade não está no tamanho do papel que recebem, mas no valor que lhe empregam.
                                  Fábio Novello esteve fraquinho na cena, seu Gouvarinho já está presente no grupo há tempos. Quero ver mais, quero me emocionar mais... Palmas à quem vem de longe atuar, sempre disposto e gentil. Um artista. Um herói.
                                   Ainda na contra-regragem, Evaldo Goulart, que precisa de mais ouvido para executar a sonoplastia. Fazer a sonoplastia não é apertar botões, fazer a sonoplastia é dar voz aos silêncios. Fazer a sonoplastia também é pintar quadros de cena. Um espetáculo tão magnífico precisa de uma grande execução em sua parte técnica.
                                       Enfim, uma noite de bons acertos e alguns erros. Uma noite de bom teatro. Fazer teatro no palacinho requer prática e conhecimento do espaço em suas mãos.


                                       Arte é Vida

                                             O melhor: O trabalho técnico dos atores, principalmente dos status um e dois. A linda estréia de KAuane Silva no espetáculo.
                                                O pior: A execução tão desajustada da parte técnica do espetáculo.



                                                                                     A Rainha
                     

Teatro no palacinho