sábado, 5 de outubro de 2013

Feriadão Tomos 100/101

Assisti ainda há pouco o mais sagrado dos atos do Máschara em Vacaria."Teatro", na Casa do Povo, arquitetura de Oscar Niemeyer. Em cena cinco integrantes do Máschara, alguns velhos conhecidos e outros novatos na arte de atuar. O local não se presta muito para grandes espetáculos com cenários espaçosos, pois há a direita do palco um fosso, com escada em caracol de corrimão branco que se avista de toda a platéia. No entanto a contra-regragem tratou de solucionar o problema e conseguiu.
As cinco crianças brincando no sótão, trataram de vários assuntos, principalmente do trânsito, da mobilidade das pessoas e do diferente. Tão em voga em nossos dias. 
Cléber Lorenzoni ergueu ambos os espetáculos com sua interpretação pontual, algumas poucas vezes seu falsete de Frédi confundiu-se com o do papai Prudente. Há de se tomar cuidado, ensaiar mais. Já Fernanda Peres esteve muito bem apesar de não se sentir bem nas coxias. Em alguns instantes trancou, patinou e quase não evoluiu com o texto. Mas seu jogo em cena é impecável, a rápida compreensão que tem dos colegas sempre lhe salva. Renato Casagrande é há meu ver um talentosíssimo jovem ator. Mas tende a acelerar os espetáculos, assim como a colega Alessandra Souza. Pausas por favor!!! O teatro chega muito mais no público, na hora dos silêncios. Algumas cenas ficaram enroladas, principalmente a coreografia pós carrinhos e a cena final. Alessandra Souza joga muito bem com Cléber Lorenzoni, mas brinca as vezes com o nonsense, por exemplo, na hora em que sussurra ao ouvido de Frédi o plano para dar uma lição nos Prudente, percebe-se que nada foi dito, e Cléber ainda segura seu cotovelo para ver se ela percebe que deve ser mais verdadeira. A melhor cena é sem dúvida a do meio, aquela em que Luisinho se afoga. 
São crianças e o mais prazeroso é ver os atores ficando mais maduros e cada vez mais crianças no espetáculo. Eis o grande trunfo cênico. 
Evaldo Goulart precisa rever dicção e volume. Na segunda apresentação Cléber Lorenzoni lhe indagou duas vezes a palavra documentos, e a pronuncia ainda saiu confusa. A personagem está confusa, não mais redonda, provavelmente se deve ao fato de o ator ser substituto. Filipinhi é um menino muito pequeno, afinal usa fraldas o que é dito na 43ª fala do texto.  E como ele é? Criativo e muito inteligente, afinal embora os primos e amigos sejam mais velhos, ele é quem se veste de Vovô e Guarda de Trânsito.  Nas duas vezes que o espetáculo foi apresentado, a cena final do carrinho dos metralha não foi bem encerrada, alguns pularam, outros ficaram. Evaldo deu falas de costas para o público em um momento importantíssimo, em que deveria falar ao público. Uma necessidade que vejo no ator de estar de frente para quem vai dar seu texto. Está correto, mas as vezes o público é mais importante... 
A trilha foi bem operada por Diego Pedroso, e a luz apenas geral permanente cuidada por Cristiano Albuquerque. Foram enfim dois bons espetáculos, com alguns bons atores. Mas falta coesão, provavelmente por que faltem apresentações. Faltem ensaios. 
Para encerrar ressalvo, nunca esquecer o profissionalismo, e que é seu trabalho, o público paga para ver algo bem feito e não para filosofar se há ou não prazer em fazer, esses são os paradoxos pessoais dos artistas. 

Cléber Lorenzoni (***)(**)
Fernanda Peres (*)(**)
Alessandra Souza (***)(**)
Renato Casagrande (***)(**)
Evaldo Goullart (**)(*)
Diego Pedroso (***)(**)
Cristiano Albuquerque (**)(**)



Arte é vida!!!   A Rainha