sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Diário de bordo XVII- Lili Inventa o Mundo -Veranópolis

                                                Eu acredito em fantasia...                  Ainda em Veranópolis, eu ri, chorei e me diverti com os seis personagens de Lili Inventa o Mundo. Mario Quintana onde estiver deve ficar muito satisfeito com o que o Máschara fez com sua obra. Angélica Ertel não poderia estar melhor e completa o jogo com Cléber Lorenzoni. Daría com certeza troféu de conjunto de atores. Todos afiados, vivazes, pulsantes... O Malaquias é adorável, a rainha das rainhas tão doce, e a fada mascarada divertidissima. Posso dizer que é o melhor espetáculo infantil que já assisti. Em Lili há magia, diversão, boas piadas, bom texto, refinamento, suspense, surpresa e beleza. A cena se adapta, e as crianças entram com facilidade na trama. Para os adultos há a  segunda chance de ser criança. Lili não subestima a inteligência, pelo contrário, nos convida a sermos pra sempre crianças, assistindo ao espetáculo, da vontade de voltar a brincar, de sonhar, de ter esperança.
                    Mas existe um bom motivo para o elenco de Lili Inventa o Mundo serem tão bons, a noção do drama, a seriedade com que se dedica ao teatro infantil.
               


   Como colocar a  figura de nossa senhora em cena? Como transformar um menino em patinho apenas com o hogo cênico? Como não se encantar pelas canções adaptadas por Dulce Jorge?
                    Hoje não tenho que ficar analizando ou criticando, só tenho elogios, e eles devem ir à quem merece...  Parabéns aos atores do Máschara.
                                                                                                                    A Rainha
              
                  

Diário de Bórdo XVI- O Incidente Veranópolis- Tomos 62/63

                  A desunião de sete mortos    

            Por mais que atores sejam profissionais, o que promove um bom espetáculo, é a cumplicidade entre os atores, a permissão de intimidade de uns para com os outros... Nessa quarta, dia 6 de outubro, os sete atores no centro do palco jogavam cada um por sí próprio. Lógo que a cortina foi descerrada eu fiquei assustada. Dulce Jorge não estava presente. Alí já se perdia metade de O Incidente. Alguns atores, aqueles que mais se aprofundam em determinados espetáculos, são todo o espetáculo. Em O Incidente Dulce Jorge é essa atriz.   
            Quando um ator me pergunta por que fazer um espetáculo, por que reapresentar um espetáculo que foi montado há tempos, eu  fico muito irritada. Ora a resposta é óbvia, por que essa é sua função! Os personagens de O Incidente estão sofrendo nas mãos de seus intérpretes. Depois de um tempo, os atores vão esticando suas interpretações, vão arrastando suas cenas, vão dando pauzas longas na tentativa de encontrar seu texto interno. Isso lógicamente acontece por que o ator necessita de novas inspirações, mas ele não pode prejudicar a narrativa toda.
             O professor Menandro Olinda é o personagem mais querido de Erico Verissimo em O Incidente, conta-se que sería um menino, mas que D. Mafalda aconselhou o marido a não fazê-lo pois sería por demais chocante. O que vejo na cena é um Menandro agressivo, revoltado, que nada tem de frágil. Quando o público riu em sua queda, ao final das duas apresentações, fiquei extremamente aborrecida, realmente triste com o rumo da personagem. Talvez essa seja a verdade do ovo intérprete e respeito muito ela, mas o bom ator não pode, não deve mudar toda a cadência de um papel, precisa sim, saber administrá-lo dentro da proposta do diretor.
              Erotildes da Conceição continua cheia de presença, mas é um bom exemplo de choro que já não emociona, a culpa não é da atriz, na verdade é de todo o contexto. O intérprete tem que encontrar mecanismos para não tornar robótica sua interpretação. Tem que estar vivo, aberto para se inspirar com o frescor da arte.
                A atriz que interpréta Rita Paz, fica sempre anciosa por fazer sua cena, na tentativa de acertar, no entanto, o palco não é lugar para tentar acertar, é o lugar para repetir o que criaram no ensaio. João Paz, não é nada generoso. A cena não acontece, ficam ambos os atores se olhando, como se tivesse uma parede entre ambos. Isso me confunde, afnal fora de cena me parecem bastante próximos. E a incível fala "Tenho a impressão que somos passageiros..."Nunca foi dita com a intenção real, aguardo vê-la a anos, tenho esperança! Provavelmente o dia em que seu intépretealcaná-la, festará pronto para fazer um bom Shakspeare.
                 Pudim de Cachaça é outro personagem equivocado. O Jovem ator a quem coube a personagem, faz com vontade, dedicação, mas infelizmente falta-lhe entendimento.
                  Barcelona é um dos personagens mais simples de compor em O Incidente, ao mesmo tempo pode ser totalmente complexo, dependendo da disponibilidade do intérprete. Pena que o ator que o carrega tenha ensaiado tão pouco.
                  Cícero Branco está prejudicado pela falta de texto, parece um simples narrador.
                  Dona Quitéria, ainda que substituída por uma exímia atriz, também não esteve presente.
                  Por outro lado, Incidente continua sendo um libélo profundo que prende a atenção de qualquer público, deve ser, acredito, pela presença dos atores do máschara que estão embaixo daquelas roupas. E os atores do máschara são dignos de admiração, pois tem uma presença, uma energia, um vigor admirável. Pena que tenham deixado um ótimo espetáculo escorrer-lhes pelas mãos!
                  Quanto a casa de cultura de Veranópolis, é sem duvidabastante agradável. Pena que algumas pessoas sejam tão deseducadas. E não tenham sensibilidade para lidar com artistas. Uma casa de cultura não deve ser administrada como um museu, um lugar que respira arte, tem que se adaptar a arte. Precisa procupar-se com o público e com o artista e não com meia díza de engravatados catedráticos que fazem palestrinhas sem graça e pensam que estão fazendo arte.  Mas enfim, para ensinar-lhes realmente o que é arte, teria que começar alfabetizando seus avós!


                                                                                                           A Rainha