quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Auto de Natal - 838/839 (tomo 3/4)

Auto de Natal 
 Boa Vista do Incra e Nova Ramada

               Reunir jovens, mostrar a eles o sentido do trabalho em equipe, contar uma linda historia, universal e atemporal, ensinar princípios de responsabilidade, pontualidade, e ainda desenvolver seu senso criativo... Isso tudo já seria o grande legado do Máschara, não faltasse ainda falar do lindo espetáculo que emociona e comove. 
                    Dança, musica, interpretação...
              Cléber Lorenzoni que dirigiu com o apoio de Renato Casagrande em 2017 o auto de natal, fez apenas duas substituições. De resto tudo continuou praticamente igual, no entanto os atores estão mais vívidos, intensos, coesos. Exemplo disso é a jovem Antonia Serquevittio, ainda que vinda do mundo da dança, a atriz consegue triangular, e quase rouba a cena durante o momento do casal Josafá. O teatro é a arte da maturidade, da repetição. Tudo o que precisamos para ser bons atores está dentro de nós. Queremos mergulhar e buscar? As vezes somos superficiais, as vezes somos preguiçosos, as vezes nos equivocamos. Não compreendemos que a coisa mais importante é o público, esse nos deus um voto de confiança, nos entregou sua mente por uma hora ou pouco mais, em troca quer emoção, quer prazer, quer diversão. Os atores precisam trabalhar suas capacidades sempre para estar altura dessa confiança.         
                 Em Boa Vista do Incra, um espetáculo em palco italiano, fichinha para o Máschara e por isso o melhor da temporada. O espaço apertado prejudicou um pouco o elenco. A equipe técnica (Alessandra, Renato, Fabio, Ellen, Stalin, Gabriel e Cléber) conseguiu adaptar som, luz e tapadeiras da melhor forma, embora eu apostasse no fundo branco. As dublagens continuavam um tanto equivocadas, Stalin Ciotti sobressaiu-se com seu vigor. 
              Em Nova Ramada o despreparo da equipe organizadora acabou prejudicando o espetáculo e embora fossem extremamente prestativos, não tinham apetrechos necessários (luz, som, cadeiras, espaço). Cléber Lorenzoni adaptou o espetáculo para uma arena um tanto confusa, que dentro das possibilidades conseguiu prender a atenção da platéia. Ali as dublagens fluíram com eficácia. 
          Gabriel Giacomini vem se tornando tão inteiro, tão destemido no palco, quase um camaleão, o que só nos enche de orgulho. As potencias criativas aumentaram e até mesmo as maquiagens começam a despontar talentos. Nicholas Miranda, Clara Devi, Vitoria Ramos, um a um vai aprimorando os traços. 
              Renato Casagrande trabalhou muito para por os espetáculos em pé, teve a ajuda de Clara Devi e Kauane Silva sempre, mas o fato de conseguir administrar, coordenar e ainda atuar, prova o merecimento de estar dividindo o status 1 da companhia ao lado de Cléber Lorenzoni. 
                  O INRI do Incra roubou a cena, "nunca se divide o palco com crianças ou animais, você sempre perde", no entanto em Nova Ramada um Jesus humano fez falta. Assim como em finais clichês de novelas, o bebê naquele momento faz falta. Afinal Auto de Natal fala principalmente de esperança. Ellen Faccin pode trabalhar mais a calma. Tem se mostrado uma ótima profissional, dedicada, preocupada e responsável. 
                      Vagner Nardes está em uma fase mais madura e fico orgulhosa vendo sua desenvoltura em todas as performances de fim de ano. Uma pena ter largado a Cia.. 
                     Vitoria Ramos é para mim uma das grandes revelações do palco, a arte precisa modificar as pessoas, não apenas ser bonita, e como teatro Vitoria se comunica muito, o que é lindo de ver. 
             Na apresentação do Incra, Souza e Lorenzoni emocionaram-se bastante, mas foi em Ramada que suas apresentações quase épicas tomaram conta do palco. Talvez pelo espaço ser maior, os gestos de José, a valorização dos mantos, das energias, das linhas. Tudo encaixou-se perfeitamente. Alessandra Souza ainda pode ser mais dissimulada, comandar as emoções da platéia. Falta há alguns dos atores mais velhos da Cia., um pouco mais de estudo, Brecht, Aristóteles, Barba... Cléber Lorenzoni aconselha, aponta, mas alguns ainda estão presos no que acham ser seu profundo conhecimento de Stanislavski.
                             Laura Hoover, Maria Antonia Silveira NEtto, e Ricardo Fenner  completam o time de boas atuações. Maria Eduarda e Felipe são bastante jovens, tem seu tempo. Mas espero que tenham sensibilidade para suar todos os conselhos, dicas, e repreensões que receberam para em 2019 mostrarem amadurecimento e melhoria em vários setores da vida teatral.
                          Poderia ficar horas divagando sobre cada interpretação, mas prefiro apenas parabenizar grandes conquistas. Auto de Natal 2017, pelo que soube, aposentou-se. Em 2019 subirá novamente ao palco o conto natalino do senhor Manoel. Mas é preciso mencionar que ficará por muito tempo na lembrança este auto cheio de danças de criatividade que serviram para abrir a mente de vários atores e do público. Uma historia religiosa cheia de momentos tristes e um pouco de fantasia, mas que foi contada com dignidade, bom humor e grandeza. A cena de Magnificat, foi um encanto aos olhos. Fabio Novello colocando seu conhecimento circense em prol do espetáculo de forma coesa. As coreografias simples mas bonitas. A trilha tão perspicaz, a presença das Baccianas, modificando nossa audição tão acostumada a hits vazios e banais. Douglas Maldaner tão mais competente. Alguns atores demoram menos, outros mais para desabrochar. São momentos, e devemos aproveitar cada momento. Torná-los inesquecíveis, como tenho certeza que foi cada um dos vividos no palco em 2018. 
                       Despeço-me desse ano, na esperança de que essa velha senhora tenha de alguma forma ajudado cada um a talvez abrir sua mente no palco. Se ainda tiver forças, nos reencontraremos em 2019, com muito mais teatro.

                 O melhor - A maturidade e crescimento dos atores Gabriel Giacomini, Antonia Serquevittio, Vagner NArdes, e Douglas Maldaner.
                          O pior - A preguiça de alguns atores e a falta de consideração com o talento que receberam e com o espaço de pleito e discussão que tem a disposição graças a luta da família Máschara.

                           A Rainha



                     

Os grandes premiados da noite


Os premiados

Melhores do Ano 2018

O tapete vermelho da Casa de Cultura ficou forrado de estrelas das Artes Cênicas Cruzaltenses. Atores, Atrizes, diretores, técnicos, familiares, e amigos. Todos ocorreram à Justino Martins para torcer, brindar e aplaudir os grandes premiados do teatro na terra de Erico Verissimo. 
Coreografias, homenagens, e muitos troféus, incluindo o mais novo titulo de premiações: Troféu Máscharito.
Abaixo a lista de premiados.

Cléber Lorenzoni
Troféu Máscharito

Kauane Silva
Melhor Atriz

Renato Casagrande 
Melhor Ator

Gabriel Giacomini
Melhor Ator Coadjuvante

Alessandra Souza
Melhor Atriz Coadjuvante

Maria Antonia Silveira Netto
Melhor Atriz Juvenil

Vitoria Ramos e Maria Eduarda Jobim
Melhor Atriz Infantil

Jorge Guarací
Melhor Ator Revelação

Martha Medeiro
Melhor Atriz Revelação

Laura Hoover
Melhor Interprete em Substituição

Dulce Jorge
Melhor PArticipação

Clara Devi
Melhor Contrarregra

Cléber Lorenzoni
Artista Performance

Ricardo Fenner
Conjunto da Obra

Oftalmo Odonto Clínica
Troféu Amigo do Máschara

Secretaria de Cultura
Troféu Amigo do Máschara

Troféu Mecenas
Humberto e Norma Bezerra

O principal troféu da noite - Troféu Mascharito

Por seu trabalho em prol do Palacinho do Máschara, pelos espetáculos, ESMATE, enfim, por ser um dos atores mais dispostos a viver pelo teatro Cruzaltense, Cléber Lorenzoni recebeu das mãos dos colegas Fábio Novello e Renato Casagrande e do embaixador da noite Luis Felipe Padilha, o troféu Mascharito

Os atores Stalin Ciotti e Ricardo Fenner fazendo a entrega do troféu Amigo do Máschara ao casal Alfredo Roeber e Gisele Suculotti