segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Lavínia Antonelly e Douglas Maldaner em Lendas da Mui Leal Cidade


Cléber Lorenzoni em espetáculo sobre Tiradentes


Melhores do ano 2017


Melhores do ano 2017

Troféu Melhores do Ano – Raquel Arigony
Melhor Ator- Cléber Lorenzoni (Paixão de Cristo)
Melhor Atriz – Dulce Jorge ( Paixão de Cristo)
Melhor Ator Coadjuvante – Renato Casagrande ( A roupa Nova do Rei)
Melhor Ator Revelação – Vagner Nardes (Bruxamentos)
Melhor Atriz Revelação- Clara Devi (Bruxamentos)
Melhor Atriz Coadjuvante- Raquel Arigony (Roupa Nova)
Melhor Ator Mirim- Vitoria Ramos (A Bruxinha Diferente)
Ator em Performance – Renato Casagrande


Melhores do ano 2016


Melhores do Ano 2016

Troféu Melhores do Ano – Renato Casagrande

-Melhor Atriz - Dulce Jorge (Balzaquianas) e Alessandra Souza (Complexo)
Melhor Atriz Coadjuvante – Raquel Arigony (Complexo)
Melhor Ator – Cléber Lorenzoni (complexo)
Melhor Ator Coadjuvante- Evaldo Goulart (Complexo)

Melhores do ano 2015

Melhores do Ano 2015
Troféu Melhores do Ano – Fábio Novello
– Melhor Atriz- Alessandra Souza - Olhai Os Lírios      
Melhor Atriz coadjuvante -Dulce Jorge- O Santo e Porca
Melhor Ator – Renato Casagrande – Zah Zuuu
Melhor Ator Coadjuvante – Ricardo Fenner -Olhais os Lírios do Campo

domingo, 28 de outubro de 2018

A talentosa Maria Antonia Silveira Netto, uma das jovens revelações do Máschara


Feliz Halloween


829- A Maldição do Vale Negro Osório - (tomo 27)

            A maior gratificação que o teatro pode dar aos homens de teatro, àqueles que dedicam sua vida ao palco é o reconhecimento, o aplauso, o carinho da platéia e o respeito dos colegas de profissão. Em Osório por ocasião do 13º Art in Vento, o Máschara recebeu de presente tudo isso. No palco um texto cômico de Caio Fernando Abreu, fazendo homenagem ao Melodrama e apresentado de forma bastante escrachada pela direção criativa de Cléber Lorenzoni, com apenas três atores em cena. Um trabalho que no ano da montagem foi concebido há várias mãos. No elenco tinha Cléber Lorenzoni, Gabriel Wink e Ricardo Fenner, na direção Cléber Lorenzoni e Dulce Jorge, na assistência, Angélica Ertel, na sonoplastia: Roberta Queiróz e na contra-regragem Alessandra Souza e Renato Casagrande. Estreou em Maio de 2009, por ocasião do Cena às 7 e durante seus nove anos de historia, foi apresentada tão somente vinte e seis vezes. Além de um belíssimo exercício para três atores, Maldição também diverte e nos faz admirar as potencias e capacidades artísticas de como contar uma historia com trocas de roupas e de personagens em uma velocidade elogiável. 
              No decorrer de sua trajetória o espetáculo foi mudando, com novas piadas, gags, improvisos, mas mantendo seu âmago. Sua direção firme não permite que aconteça o efeito geleia, tão comum em espetáculos em cartaz por tanto tempo. Renato Casagrande também teve a humildade e capacidade de vestir a personagem criada por outro ator, mantendo muito da composição original. Sendo assim, não resta muito a observar, mencionarei então a postura dos três grandes atores, que por escolha própria e muito pensada optaram por piadas que reconheço não me agradam muito, mas que fizeram a plateia rolar de rir. Aplaudidos em cena aberta por várias vezes, Casagrande, Lorenzoni e Fenner conseguiram empenar muito precisamente a curva dramática. O beijo na cena final, o lenço que caiu e serviu para muitas piadas, a peruca voando longe, a tocha tão bem aproveitada, seja pela iluminação de Fabio Novello, seja por Rosalinda se queimando ou por Úrsula acendendo o cigarro. Noite de bom teatro. 
             A partir de hoje em cada crítica vou tentar mencionar um pouco da historia de nossos atores. 
Ricardo Fenner, o interprete de Jezebel e Conde Maurício é o escolhido de hoje. Não sei se todos sabem, mas estreou como ator em 2002, interpretando vez ou outra o vovô de Feriadão. Sua primeira oficina se deu em 2001, há dezessete anos atrás. Ricardo Fenner é um ator que sempre se dedicou ao Máschara, apoiando e se esforçando para que o Grupo crescesse e se tornasse o que é hoje, tanto que criou uma produtora para poder vender os espetáculos. A Script produções. Ator cômico de natureza, tem uma facilidade para o escracho e o pastelão. Foram muito marcantes suas participações em O Incidente como o Coronel Tibério Vacariano, que triangulava como antagonista direto dos sete mortos de Antares e em Bodas de Sangue como o pai da emblemática noiva de García Lorca. Em o Santo e a Porca(2012) Ed Mort (2008) e Deu a Louca no ator (2011), Ricardo Fenner pode mostrar várias faces de seu talento cômico. Mas foi em 2015, como o Angelo Fontes, que Ricardo alcançou outro grande passo em sua carreira nos oferecendo um personagem sofrido, provando que também tem em sua bagagem o talento para o drama. Confesso que em minhas críticas várias vezes peguei em seu pé, mas sempre em prol do aprimoramento de suas capacidades e de sua técnica. Em 2015, Ricardo foi premiado com o troféu de Melhor Ator Coadjuvante no melhores do Ano do Máschara e  em 2016,  ganhou o troféu de Melhor Ator Coadjuvante por Olhai os Lírios do Campo no festival de Santa Rosa. 
Ricardo Fenner ao lado do primeiro elenco de O Incidente

             Não podemos deixar ainda de mencionar suas substituições em TArtufo, Os Saltimbancos e como Pudim e Barcelona em O Incidente. Ricardo Fenner fez muito pelo Máschara e pelo teatro em Cruz Alta. Aqui fica todo o meu respeito e admiração por um ator que consegue provar que dá sim para casar o teatro com uma vida paralela de trabalho e administração familiar. Todos ganhamos com seu esforço  e determinação. 
                                
                                 Arte é Vida


                 O melhor: O trabalho de equipe que se estendeu por camarins, palco e mesa de operação. 
                 O pior: Talvez a trilha sonora em alguns momentos um pouco alta. 

Cléber Lorenzoni ao lado de Sandra Dani E Arlete Cunha


sábado, 27 de outubro de 2018

Com o público do 13º Art in vento


Momento de reconhecimento no 13º Art in vento


Rosalinda e MArquês Rafael em A MAldição do Vale Negro


O elenco de Lili Inventa o Mundo


Ao lado de mais uma turminha em Nova Ramada


828- Lili Inventa o Mundo (tomo 109)

                         O que é o teatro infantil? Uma preparação para o público, para que quando crescerem queiram ver, assistir espetáculos adultos? Ou o teatro infantil tem dogmas próprios, um objetivo específico diferente dos objetivos do teatro adulto? Ou é uma forma de ganhar dinheiro, mais fácil do que com o público adulto? O que me irrita um pouco no que diz respeito ao teatro infantil é o fato de os pais jogarem os filhos lá como se isso tirasse sua obrigação de também ir ao teatro.
                          Eu sempre gostei de ir com a família, e sempre mergulhei nas narrativas como se criança fosse. Penso que se for bom os adultos também vão gostar, pois trata-se de arte, de alma. Os espetáculos infantis do Máschara não tratam as crianças como idiotinhas, ao contrário exigem sempre raciocínio e quebram conceitos, saem do dito lógico. Criam mocinhos e vilões e os desestruturam. 
                             Os poemas de Mario Quintana são poderosos e muito bem aproveitados para dar vida às peripécias de Mathias e Lili. Ela uma protagonista observadora, sem muitos quereres, Lili nos representa, somos nós entrando em contato com a  poesia. O desconhecido mundo da poesia nos carrega, nos puxa pela mão e quando nos damos por conta estamos apegados ao delicioso Senhor Poeta e seu ajudante Malaquias. A interpretação de Cléber Lorenzoni é clownesca, viva, divertida. Senhor poeta tira sarro até mesmo da menina Lili. São doze anos de espetáculo. Doze anos que Cléber brinca, soma, aprende e descobre com sua personagem. Isso o torna cada vez melhor na cena. Teatro é técnica, é dom, mas também é pratica. Maturidade. 
                                Enquanto assistia, me recordava muito do Palhaço Bozo e de sua partner Vovó Mafalda, palhaços famosos, saídos do teatro, que fizeram grande sucesso na tv dos anos 80. O que mais gostava neles, era exatamente o mistério, quem seriam aquelas pessoas, de onde vinham, e seu elemento surpresa me dava medo e de mantinha presa a tv. Elemento surpresa o espetáculo Lili tem de sobra. Sr. Poeta e Malaquias surgem de todos os lados. Kauane mais madura agora, mais preparada, vem construindo delicadamente uma bonita caminhada. Sem pressa, sem dar passos maiores que pode alcançar. Quando o teatro vai nos tomando devagarinho, apodera-se mais intensamente de nossa alma, e fica lá grudado para sempre. Kauane jogou bastante, mostrou força e não se desestabilizou quando seu lenço caiu. Honrou seu oficio, como toda a atriz deve fazer. Aliás falando em atriz, Alessandra Souza acertou a mão e muito. Não gosto da confusão de vestidos. Desnecessária e confusa. Mas esteve cheia de equilíbrios e desiquilíbrios, precisa, e engraçada. Souza é uma atriz de construções detalhistas, que vai aos poucos desabrochando. 
                                 Renato Casagrande carrega o espetáculo, levanta a bola para todo o elenco. Pontua com Cléber Lorenzoni mesmo que os personagens não troquem uma única palavra, a não ser um "quá" em determinado momento. Não é a toa que Cléber já fez Lili interpretando ao mesmo tempo os dois personagens. As vezes senti que Clara era meio levada por Mathias e deve ser assim, mas a atriz tem que parecer espontânea fazendo isso. Casagrande tem ritmo e time precisos e dessa vez fez tudo direitinho. Parecia ter onze anos em cena.  Clara Devi recebeu de presente essa personagem. Lili é uma relíquia para atrizes novas, principalmente por que vem carregada de uma historia antológica. No entanto senti Clara tão frágil em cena. É necessário ensaiar mais, as vezes a linha se arrebentava, o fio de ariadne que conduz a cena ficava solto e Renato ou Cléber precisavam agir. A mim pareceu nervosismo, o que muito admiro em atrizes, quem não fica nervoso, quem não sente um frio antes de entrar em cena talvez nem mereça estar ali. Mas Clara já tem bagagem e trajetória. Ensaios! Ensaios! Ensaios!
                                       Maria Antonia é muito novinha, deve ter calma, e ao mesmo tempo aproveitar, a infância é a melhor época para se aprender o oficio. Você ainda está desprovido de muitas manias e vícios. pode aproveitar cada pedacinho. Guardá-los no banco da Memória Emotiva. Maria tem aquele tipo que entra em cena e o público para, quer ouvi-la. Mas precisa lembrar de ser mais próxima do público na hora das fotos. É ali que os atores carimbam o documento, que mostram ao público que seu carinho em cena era verdadeiro.
                                         O cenário de Lili cumpre-se, apaixona pela simplicidade e poder, parece que de traz das cortinas poderá sair qualquer coisa. Teatro, teatro do bom para firmar a tradição das cênicas em Nova Ramada.  O Máschara criando plateias e dando sua contribuição para melhorar o mundo.  Aos que estão começando a fazer teatro, mais ensaio, mais dedicação, mais intuição, mais estudo, mais coragem, mais iniciativa, mais seriedade. Mais humildade para atrizes, observar os mais velhos, fechar a boca, pedir conselhos, fingir que não sabe para ser gentil em certas ocasiões é bom e nos faz crescer como seres-humanos. Há sempre o que aprender. Quem tudo pensa saber, nada sabe. 
                                       O melhor: O jogo de Cléber, Alessandra, Renato e Kauane.
                                       O pior: O despreparo da equipe técnica de Lili Inventa o Mundo.


                             Arte é Vida


Maria Antonia Silveira Netto - (**)
Kauane Silva (***)
Clara Devi (*)
Felipe Padilha (**)
Stalin Ciotti (**)


                                       
               

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Com as crianças em Nova Ramada


827- Esconderijos do Tempo (tomo 89)

                      Quando assisto um espetáculo de teatro, tento estar bastante aberta, disposta mesmo a receber toda e qualquer ideia que o espetáculo queira me passar. Quanto a interpretação dos atores, tento ser tocada pelo dom, pela alma dos atores, ou pela técnica. No espetáculo Esconderijos do Tempo, o que sempre me surpreende, é a formalidade, a direção de Cléber Lorenzoni, precisa, sagaz, firme. Cada gesto, cada ação, cada momento possui uma escolha muito firme, embasada em técnica. Talvez por isso esse espetáculo seja um dos melhores dramas que já assisti, carregando aliás consigo algumas características de tragédia. 
                         É interessante analisar a quantidade de técnicas que há em um espetáculo, muitas vezes de forma intuitiva, o que prova que teatro tem dogmas milenares, estabelecidos há muito tempo de uma forma universal, ou seja você pode fazer teatro em qualquer lugar do mundo, a base será sempre a mesma, a ideia, o objetivo do teatro estará la. As formulas, as regras, os gráficos, os estilos, tudo se cruza, se mistura. De forma que é impossível dizer quem aprendeu o que, com quem e  onde. 
                          Esconderijos do Tempo fala das dores humanas do personagem central, desde o dia em que é surpreendido por uma criatura estranha, que lhe prende a atenção e que permanece presente em sua existência até o momento de sua morte. Se observarmos o período em que o espetáculo foi criado, em 2006, com roteiro de Cléber Lorenzoni e Dulce Jorge, vemos ali muito forte o MÉTODO de Stanislavski. Memória Emotiva, Ações Físicas e Analise ativa. Importante pensar como Grotowski e Brecht que em algum momento se deram conta de que tudo na verdade passeia de algum momento pelos métodos de Stanislavski, tão abrangentes e poderosos. 
                              A curva dramática que começa a curvar-se com maior intensidade na segunda entrada do espectro da musa vai afunilando a narrativa, dá uma pausa cômica em Gouvarinho para novamente intensificar-se com anjo, visita de Dona Glorinha e finalmente o clímax máximo na morte do poeta. Cléber Lorenzoni nos da no mínimo quatro Mários. O adolescente, o homem adulto, o senhor de meia idade e finalmente o idoso que vê a iminência da morte. O senso de humor de Quintana é transformado aqui em força contrária e o Máschara nos apresenta a complexidade de uma vida celibatária, na qual um homem solitário tenta viver com toda a sua tristeza recolhida e a devolve em forma de poesia lírica ao mundo. 
                                 O público de Nova Ramada, tão acostumado às comédias do Máschara deve ter estranhado tanta tristeza explícita, tanta dor, e me questiono quanto a isso, o teatro deve ser levado aos públicos todos, mas deve haver uma escolha, uma decisão bem tomada, ou será que todos os espetáculos são para todos os públicos? Talvez, mas talvez quando o assunto tange aos pequenos, as crianças, deve haver uma boa escolha, pensada, baseada na transformação que se quer alcançar. 
                             No elenco a veterana Dulce Jorge dominando sua cena, fazendo cortes precisos no texto para não alongar uma cena tão triste perante as crianças. Cléber Lorenzoni em um dia fraco, sem a grande interpretação pela qual é conhecido. Volume, técnica, mas pouca alma. Cléber Lorenzoni tornou-se um ator que sente demasiado o público e isso o atrapalha. Cléber Lorenzoni atua com toda a platéia em seu bolso. 
                                Alessandra Souza esteve muito bem, mas ao vê-la em Lili senti vontade de dar um conselho a atriz. Não está na hora de dar o papel de Lili para uma atriz mais jovem, que esteja começando. E mergulhar integralmente na personagem da Musa? Renato Casagrande cumpre sua função, mas tem talento para muito mais que aquela pequena participação. Fabio Novello vem melhorando sua interpretação, seja como Gouvarinho, como o contador de historias em O Castelo Encantado ou tio Bertold em COmplexo, é gostoso ver o ator ir se dando mais espaço no palco, só acho que Novello pode e deve trabalhar mais a interpretação dramática, praticar mais as construções dolorosas.. Laura Hoover esteve linda com penteado de Renato Casagrande. Uma verdadeira mocinha ilustrada nos manequins dos anos quarenta. No entanto Laura pareceu um pouco cansada, cumpriu sua função. Uma bela atriz no palco, mas aquele vigor, aquela alma, aquele prazer que causava em quem assistiu das outras vezes não esteve presente. Uma pena. Atrizes que estão começando devem sempre se dar ao máximo em cena. 
                                  Não dava pra fazer muita coisa em um espaço tão desimpossibilitado como aquele de Nova Ramada, mas a cena final no escuro, foi ato muito penoso e incompetente. Em pleno final, quando todos deviam ver o olhar agradecido do interprete. Uma pena. 
                                     As "gentes" do teatro devem sempre fazer o melhor, pois nossa luta é apra criar o hábito, a tradição e o respeito pela categoria. Falhas não são, não devem e não precisam ser permitidas. Stalin Ciotti deixou muito a desejar. Primeiro escureceu o ator, depois quando o espetáculo acabou quando deveria ter tudo escurecido, deixou tudo iluminado de forma que a plateia não sabia se havia acabado ou não. Devemos cumprir aquilo que nos propomos ou declarar que não podemos assumir certas responsabilidades.
                                          

                                           O melhor: A madura e lúcida interpretação de Dulce Jorge.
                                           O pior: A escuridão no rosto do interprete na ultima fala da peça.

Laura Hoover (**)
Clara Devi (**)
Maria Antonia (**)
Kauane SIlva (**)
Stalin Ciotti (*)
Felipe Padilha (**)


                                         Arte é Vida
                                   
                                
                             
                           

Renato Casagrande = A noiva zumbi


Equipe de Lili Inventa o Mundo -2018 - Quinta geração

Camarim de Nova Ramada


Elenco de Esconderijos do Tempo 2018

Alessandra Souza - Dulce Jorge - Laura Hoover - Fabio Novello - Renato Casagrande e Cléber Lorenzoni


terça-feira, 23 de outubro de 2018

826- Complexo de Elecktra (tomo 13)

                         Quando terminei de assistir Complexo de Elecktra queria sair correndo pelas ruas de Cruz Alta, pegando as pessoas pela mão e as levando, arrastando para o Palacinho do Máschara. Aquele teatro precisa ser visto, é aquele teatro que vai modificar, é aquele teatro que a família Cruzaltense deve assistir. Um trabalho (sim, teatro é trabalho)coeso, intenso, poderoso. Tanto que dois dias antes uma leiga chamou de bobaginha satânica. Eis a prova do quanto a arte deve acontecer. Nossa vila pacata e perdida no meio do rio grande do sul, tão acostumada com seus espetáculos de dança, com bailarinas que nunca se questionam sobre o que é arte ou como mudarão o mundo com sua dança, precisam ver teatro, precisam ser chocadas, precisam ser sacudidas, precisam se alimentar de arte, alguns atores também. Mas é preciso lapidar a mente, abrir o olhar, compreender a entrelinha. Tirar do teatro, o texto, o ator, e o local onde se desenrola a ação. O drama não foi inventado arbitrariamente, é o resultado de uma necessidade inerente ao homem, ligada aos rituais, muitas vezes eminentemente plásticos, mas ligada também a fábula, eminentemente verbal, eminentemente preocupada com os destinos do homem. O assunto do drama é o homem, e comporta o bom e o mau, o belo e o grotesco.
                            O teatro grego, questionando a existência e os valores perante os deuses, a mãe que quase mata os filhos, motivada por um forte objetivo me faz indagar-me. Preciso olhar o homem ao meu lado como cidadão, como criatura e não como robô, como número em uma lista. Não é o meu cpf que me diferencia do outro, são meus princípios. Em tempos que nos dividimos em dois lados, esquecemos que o homem tem muitas facetas, muitos lados, muitos subterfúgios. 
                              Elecktra, ou Ereda, e até agora não sei por que usa-se o titulo Complexo de Elecktra já que ele está intrínseco, recebe de Bender uma outra roupagem e essa roupagem se vê na plástica, muito embora Lorenzoni mantenha no Palacinho a premissa de Aristóteles: Uma tragédia deve acontecer toda em um mesmo lugar. Não há também o alívio cômico, ou seja a unidade do tom, é a tragédia pura. A ação também é mínima, pois a narrativa vai encerrando a personagem trágica em uma caixa, como ratos em laboratórios, estudados e depois dissecados. O coro grego está presente na trilha, nos diálogos e claro na maldição da dinastia de Atreu, (avô de Elecktra).
                                O Grupo não muda a concepção básica da tragédia, talvez por que os estudos de Cléber na época de Antígona (2000) ainda estejam presentes na hora de mergulhar no mito grego. A cena inicial foi um presente pela delicadeza do trabalho de Gabriel Giacomini, que ao lado do veterano Renato Casagrande compôs um relacionamento dúbio e necessário para nossa compreensão do confuso Orestes(Henrique). Sófocles e Bender conseguem nos dar uma trama apartidária, a platéia que tire suas conclusões, a vida é o que é. E embora em um primeiro momento tomemos partido daquela que vinga o pai, não há como não questionar se a necessidade da paixão na vidade Ulrica não nos arrebataria também. 
                                 A construção que Cléber Lorenzoni nos dá poderia ser exageradamente vitimista, mas quando vemos as cenas de Ulrica com bertold compreendemos a necessidade de msotrar uma mulher forte que quando perde a paixão torna-se fraca e facilmente derrotável. Seu último momento é o bife tão bem colocado à um palmo de distancia da platéia. A Universalidade está presente no fato de que Henrique se porta como um príncipe, herdeiro da fazenda do pai. Ereda não pode assumir tudo sozinha, como princesa do sexo feminino, precisa do irmão. Ulrica é plebeia por isso mesmo colocada como a vilã. No entanto o terror e a piedade, aspectos fortes da tragédia,  vão adentrando a cena, não  há solução para Ulrica e logo sentimos piedade pelos personagens que terão que curvar-se ao destino inevitável. 
                         Tudo ficou mais perto, mais vivo, mais intenso dentro das sagradas paredes do palacinho, Fabio Novello compôs um Bertold covarde, fraco, ótima escada. A Ereda de Alessandra não tem o porte de rainha da heroína grega, mas tem um tom de escarnio e loucura que prende a todos. Os dois jovens Átridas planejam vingar a morte do pai, e o fazem em uma cena pungente, Úlrica tira a faca das mãos do filho, covarde demais para matá-la com a arma que ganhou do colega, e a própria mãe precisa ajudar o filho a ser homem, a cumprir seu destino, entregando-se abraço fatal. Sófocles é pura poesia, simplista e muito inspirado nos da uma tragédia muito superior ao tema quase piegas de Eurípides. Bender a torna ainda mais interessante quando a joga em um mundo atemporal mas nos mantém presos em uma única respiração. 
                                Raquel Arigony traz um oráculo muito interessante que a direção do espetáculo moldou sobre vários signos. A mendiga cega que faz alusão ao velho Tirésias termina por assustar ainda mais Ulrica e prepara o final premonitório. Não compreendi muito bem sua maquiagem, no entanto a força, o trabalho corporal e o trabalho visceral certamente ganharam a todos. 
                              O espaço pequeno, aconchegante do palacinho pode  não se prestar a qualquer peça, mas certamente deu o tom de Complexo de Elecktra. 
                                   O jardim de inverno da família em contraste com o vazio da casa, o pé direito, a alta cama coberta de rubro me lembrando o tapete com o qual Clitemnestra recepcionou o marido após a guerra de Tróia, as flores de luto, o altar. Tudo teve um cuidado detalhista tão sutil que mereceria ser visto por mais e mais plateias. Implico apenas com a trilha, confusa, um pouco apelativa. Apesar de tudo, foi certamente o maior acerto do ano além de Lendas da Mui Leal Cidade. 

                                O teatro deve sempre ter o frescor do novo, ou a arte terá peso e forma do antiquado e careta. E os atores não mais serão reflexo de liberdade e prazer. 


                                   O melhor: As interpretações de um elenco coeso que poderia ter apresentado no meio da rua e ainda nos prenderia a todos.
                                   O pior: A trilha que ainda que bem operada destoou de muita coisa. 


                                                Arte é vida

Atores do Máschara animando o Halloween do Curso Futuro


Alessandra Souza como a boneca Anabelle no Halloween do curso futuro


Cléber Lorenzoni em noite de Hallowen interpretando "A freira"


domingo, 21 de outubro de 2018

A trupe do Máschara


Cléber Lorenzoni na fenatrigo


O apoio essencial da família à quem faz teatro


Arleccinada

A cerimônia de ingresso de Clara Devi, ganhou o nome de Arleccinada, uma homenagem aos antigos atores Mambembes, e ao primeiro trabalho da jovem na ESMATE em 2016. 
Clara escolheu para padrinho o ancião Renato Casagrande e com ele interpretou uma cena de sua própria alcunha. Rosaura e Trufaldim.
A cena com cenário, figurinos e mascaras da Commedia Del Art, foi apresentada aos membros e familiares de Clara. logo depois, introduzida na sala anexa, Clara respondeu às perguntas da Anciã fundadora e pronunciou seu juramento à Téspis.
De volta ao grande salão, recebeu sua cátedra e passou a ser membro em Status 5 do Máschara.

O ingresso de Clara Devi às fileiras do Máschara

No dia 20 de outubro de 2018, a atriz Clara Devi passou a fazer parte do elenco do Máschara, parte de um grupo de atores que entregam-se pelo melhor da arte.

A roupa nova do rei


Renato Casagrande e Gabriel Giacomini em Complexo


Fabio Novello como o covarde Bertold


Cléber Lorenzoni e Raquel Arigony em Complexo de Elecktra


Turma da ESMATE em Lendas da Mui Leal Cidade


Ulrica - Complexo de Elecktra


Cena de Rosaura e Trufaldim durante a Arleccinada de Clara Devi


825- Olhai os lírios do campo (tomo 8)

Resgatando uma obra

Dizer que o teatro tem que ser feito, apresentado, mostrado e pronto, pelo simples motivo de que é importante, é uma ideia vazia e simplista. O teatro deve ser feito sim, mas por motivos específicos. A escolha do texto, ou a obra plástica, ou o questionamento estético, ou a crítica social, ou a discussão científica... Enfim, a equipe, a produção, o elenco, ou a direção precisam saber qual o objetivo pelo qual uma obra teatral será levada à cena. 
Nesta quinta-feira, o espetáculo Olhai os Lírios do Campo subiu ao palco do colégio Santíssima Trindade. Tentei elencar os motivos. Erico Verissimo na escola? A adaptação do diretor Cléber Lorenzoni? O trabalho de atores brilhantes? A arte na escola? Olhai os Lírios do Campo como fonte de estudo para aula de literatura? Arrisco até a dizer: Uma mensagem sobre egoísmos e complexos para adolescentes filhos da classe mais abastada de Cruz Alta...
Será que o teatro transforma quem não quer ser transformado? Será que o público não se deixa observar o teatro como quem olha para a parede de um muro? Será que a catarse acontece? Poderia dizer que quando o espetáculo é bom a catarse acontece. No entanto seria esquecer que um terço do espetáculo é de responsabilidade única da forma como a platéia se coloca, anceia, observa, concentra-se, emana. A platéia do colégio Santissima Trindade foi educada, fez tudo direitinho, mas me entristece ver o quão pouco preparados os jovens dessa faixa etária estão para o "acontecimento artístico", para a obra teatral em sua frente. E então chegamos a uma conclusão, o teatro deve ser levado a qualquer custo para o palco, espetáculos infantis, juvenis e adultos, a toda hora, repetidas vezes. Se o Máschara continuar durante bons dez anos, sem parar, fazendo talvez o triplo do que faz, talvez, somente talvez, daqui há dez anos, o teatro finalmente será prato de necessidade extrema na mesa do público. Por isso que surjam mais atores, mais espetáculos, mais diretores, mais cenas. Cléber Lorenzoni é um druida do teatro, há anos ele planeja, cria situações, busca jovens, prepara o futuro para o teatro. E nós? Qual nossa contribuição?
Olhai os Lírios do Campo está muito mais maduro, ao menos o elenco principal. Alessandra Souza embora não estivesse em um bom dia, talvez seja uma atriz que o cansaço atrapalha em cena, esteve mais serena. Dulce Jorge pareceu nervosa e falou um pouco baixo. Cléber Lorenzoni sempre dirigindo enquanto atua. Não quero ficar elogiando o ator, mas me agrada muito um ator que sabe o que está fazendo, que vai cortando, adaptando, resolvendo, solucionando durante a cena. Renato Casagrande também está se tornando um ator-diretor, ser ator-diretor confere aos atores o domínio perfeito da cena. 
No elenco de volta Raquel Arigony, mais madura, mais triangular, faltou-lhe um pouco de volume, na sala tão sem acústica. Kauane Silva nos brindou com boa energia, um arrojo.  Ricardo Fenner, e Douglas Maldaner cumpriram direitinho, embora o ultimo parecesse um tanto gessado. De volta a cena Evaldo Goulart que pensei ter se retirado da Cia. 
Olhai os Lírios do Campo não é uma grande obra artística, na verdade é até um pouco simplória, dividida em dois quadros, a infância sofrida da família Fontes, responsável por tantos complexos no jovem Genoca e a vida amorosa de Eugênio, outro grande fracasso humano, que termina com a decisão de recomeçar. 
Como todo o drama, Eugênio perde tudo o que realmente descobre importar e tem sua catarse de forma simples, tornando-se um homem melhor. 
No salão de eventos da escola, nada de iluminação complexa, cenário levemente amontado, cortina marrom ao fundo do palco. Os atores precisam e devem adaptar-se para que o teatro aconteça, nos toca porém, o fato de algumas vezes as obras serem prostituídas, enfraquecidas. 
Era teatro, mas os sensíveis devem se perguntar: A que preço?!


                 O melhor: Ver os atores Raquel Arigony e Evaldo Goulart de volta ao palco, além do trabalho louvável de Kauane Silva.
                      O Pior : O olhar quase compadecido com que os alunos olharam para o espetáculo.


                                 Arte é Vida

Alessandra Souza (**)
Renato Casagrande (**)
Kauane Silva (***)
Dulce Jorge (**)
Raquel Arigony(**)
Evaldo Goulart (**)
Cléber Lorenzoni (**)
Ricardo Fenner (**)
Douglas Maldaner (**)
Laura Hoover (**)
Stalin Ciotti (*)
Felipe Padilha (***)
Fabio Novello (**)
Colégio STS (*)

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Irmã Isolda ao Lado da Madre Madalena Damem fundadora da congregação das Irmãs Franciscanas de Penitencia e Caridade


824-A Roupa Nova do Rei - tomo 3


Tempos obscuros



Em tempos em que o maior medo da sociedade passa a ser a incerteza se a democracia respeitará os direitos dos cidadãos, se a empáfia, a prepotência e a  soberba não acabarão por escravizar a liberdade conquistada depois de tanto esforço. No palco, um déspota de estatura paradoxal, Cléber Lorenzoni compôs um reizinho que nos parecia tão pequenino ao lado dos colegas de cena e ao mesmo tempo tão grande devido a seus desmandos e postura ditatorial. Tao pequeno, tao filhote quando o descobrimos um menino e tao grande pelo domínio de cena do interprete. Andersen em sua seu conto original, criara uma metáfora à sociedade da época onde todos vivem em função de modismos e não questionam os modos  comportamentais da circulo social que os rodeia. Esta postura pode até ser explicada  sob o aspecto da psicologia evolucionista, parece mais fácil seguir o grupo do que questiona-lo. Certamente no tempo das cavernas, se um grupo de pessoas estivesse correndo em uma direção, a atitude mais sensata seria a de se unir ao grupo. Os que ficaram para saber o porquê, terminaram sendo comidos por um leão e, consequentemente, não passaram o gene do “questionamento” para as gerações seguintes. Olhando por essa ótica, pode parecer extremamente normal e pouco condenável a postura do reizinho e de seu fiel conselheiro. Mas como não questionar então as qualidades pouco sensatas de um homem que ocupa um cargo de poder e que deveria em suma representar o juízo e a segurança de seu povo.

O público de A Roupa Nova do Rei do Grupo Máschara era formado por famílias e adultos e crianças divertiram-se, o cenário muito simples não atrapalhava ou sublinha coisas desnecessárias, na verdade era um trabalho muito limpo, bem a meu gosto. O texto muito bem pronunciado, me dava prazer em ver as crianças vendo teatro. Em nenhum momento bitolava ou subestimava os pequenos, ao contrario a qualidade da farsa, muito bem colocada principalmente pelos protagonista e antagonista, nos prendia minuto a minuto. Não deu para perceber o espetáculo passar, quando nos damos por conta havia acabado. Uma das maiores satisfações em ver um espetáculo desse porte, é perceber o quanto o elenco é coeso. Todos me pareceram atores muito capazes, dignos de uma grande turnê.

Que prazer depois de quase um ano voltar a ver a atriz Raquel Arigony em cena, tao solta, tao entregue, tao viva ao lado de seu partner. Casagrande e Arigony dialogam no palco sem deslumbres de atores que apenas querem exibir-se. O fazem, mas com domínio de palco. Assim como no outro time Giacomini e Lorenzoni trocam boas gags e pontuam brilhantemente as cenas.

O mais incrível é que tomada por uma epifania momentânea compreendi aquelas duas forças se revelando em minha frente. Aquele que tira dos ricos e dá aos pobres, que vai salvar a todos, e que ironicamente ou por coincidência ou por perspicácia da direção está de vermelho, ao lado de uma companheira do sexo feminino, preenchendo um personagem que pela tradição  do conto seria do sexo masculino. Do outro lado o ditador que manda e desmanda, as vezes com violência e sem domínio nenhum do que comanda. Assim como na vida, nenhum é do bem ou do mal, ambos passeiam pelos tortuosos caminhos da existência tentando sobreviver e fazer o que julgam ser o melhor. Em meio as duas forças está Lady Zuzu, o povo. Que tudo vê, mas acaba por dominado assim mesmo, por aquelas duas forças. Grita, corre, choraminga, mas o poder não é seu. 

Ao final, lições, catarses, mas o prazer de ver as crianças acompanhando uma historia onde no final tudo fica bem. Não é preciso romper amizades no face, ou ainda se julgar mas certo que outrem. O poder matriarcal sobre o trono, está acima de todos e nos acalenta, a rainha, a imperatriz, a dama encerra o espetáculo não punindo, não berrando, não judiando, mas contando uma historia. Nesse ano de exercer o sufrágio, podemos escolher entre duas forças, quem é capaz de dizer qual é a certa?

Lady Zuzu?





                  O melhor - O jogo do elenco.

                  O pior - a necessidade de se trabalhar e aperfeiçoar cada vez mais a equipe técnica.



                                  Arte é a vida!



                  A Rainha

domingo, 14 de outubro de 2018

zah zuuu no colégio Santíssima Trindade


823- Zah Zuuu (tomo 7)

Clown

É definitivo, ou você ama clown ou você odeia. Eu particularmente acredito muito na frase de Henry Miller, Clown é a poesia em ação. Delicado, milimetricamente intenso, totalmente conectado. Mas de onde vem o clown? O termo Clown vem de clod, que se liga etimologicamente ao termo inglês "camponês" e ao seu meio rústico, a terra. Por outro lado palhaço vem do italiano paglia (palha) material usado  no revestimento de colchões, porque a primitiva roupa desse cômico era feita do mesmo pano dos colchões: um tecido grosso e listrado, e fofo nas partes mais salientes do corpo, para proteger nas constantes quedas. Quedas essas que não faltaram em Babah. Mas o que envolve o clown nessa redoma de mistério, como chegar até ele? Há no clown algo que nos desafia, essa ingenuidade provocadora.   Se observarmos a historia veremos que sempre houve nas festividades religiosas e apresentações populares da antiguidade, uma alternância entre o solene e o grotesco. Essa combinação do cômico e do trágico, acentua a percepção das emoções contrapostas e é muito peculiar ao clown. O clown faz tudo seriamente. Ele é a encarnação do trágico na vida cotidiana; é o homem assumindo sua humanidade e sua fraqueza e por isso tornando-se cômico.
Zah Zuuu me parece um exercício onde os interpretes buscam algo que ainda não encontraram. Há é claro, uma proposta, uma triangulação típica em atores de domínio. No entanto o espetáculo é delicado demais para uma plateia tão grande como a da primeira sessão. O âmago da encenação é a relação entre pais e filhos, as vezes em alguns momentos Cléber e Renato até conseguem relativizar algumas normas de comportamento e verdades sociais, o que torna ainda mais contundente a encenação. O quadro final, já muito conhecido na historia do teatro, não é muito aproveitado, talvez pelo ritmo que se instale, nossas crianças tão pouco habituadas ao teatro, querem berrar e opinar sem parar. O espetáculo merecia mais silêncio. Aliás merecia muitos cuidados, sutilezas. Sutileza na trilha sonora que infelizmente foi tudo, menos delicada. Merecia uma contra-regragem também sutil, víamos constantemente a pessoa atrás das coxias alcançado coisas, andando. O que denota falta de ensaios e falta de comprometimento.  Eu particularmente fico muito revoltada quando vejo os atores se esfalfando no palco e a equipe que deveria dar todo o apoio técnico mais atrapalhando do que ajudando. As equipes que circulam por trás das rotundas, tem a seu favor, o anonimato, ninguém está com os olhos cravados em si. 
Zah Zuuu carrega uma linda proposta mas acaba se impondo como uma animação. Renato Casagrande traz como carta na manga sua capacidade de mergulhar no ridículo, palhaço realmente. Ele é sem dúvida o branco, o inteligente, o líder, a pessoa cerebral. Cléber é o Augusto, o ingênuo de boa fé. Nessa dobradinha rimos, rimos da fraqueza, da ingenuidade, da pequenez, e talvez, se tivermos pensado um pouco mais profundamente, talvez tenhamos alcançado a catarse necessária e proposta. 

Arte é Vida


O melhor: A iniciativa dos dois atores em embrenhar-se por um mundo tão pouco desconhecido e cheio de significados.
O pior: A equipe técnica que deve sempre ser profissional. 

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Renato Casagrande ao lado da aspirante a atriz Clara Devi


Convite de Maluc e Mulec


Alunos da Escolinha Arco Íris ao lado das personagens de Lili Inventa o Mundo


Rahrí e Babah em Zah Zuuu


Kauane Silva como a enigmática Anahí


822- Lili Inventa o Mundo (tomo 108)

Por que teatro?

Sempre que vou ao teatro, me questiono qual o motivo pelo qual determinado grupo está me propondo seu trabalho. Pelo dinheiro? Nesse caso o trabalho deve ser exímio, para merecer o que me está cobrando. Pela mensagem? Nesse caso preciso compreender muito bem onde querem chegar? Pela proposta técnica ou criação estética? Nesse caso deverá haver algo novo, desafiador ou questionador. Enfim, existe um sem fim de motivos pelo qual poderiam me chamar ao teatro. 
No espetáculo de hoje, Lili Inventa o Mundo, eu me questionei a todo o instante, o do porquê eu estar ali, por que esses atores me contaram aquela historia, que aliás há muito eu já conhecia. 
Depois de muito me indagar, cheguei a conclusão que talvez o teatro tenha se tornado para o Máschara um hábito, fazer, fazer, sem mesmo saber por que... Fazer e pronto. E isso acreditem, também é um louvável motivo. O problema, se é que há um, seria o fato de que o simplesmente fazer pode tornar o trabalho tão corriqueiro que se peque pela falta de exigência. 
Não foi um dia muito bom para a velha guarda do Máschara. Embora, tenham sido eles os motivadores, e preparadores da jovem guarda do Máschara... Cléber Lorenzoni me pareceu preocupado, sua voz estava abatida, prejudicada por algo que parecia ser uma gripe. Tudo bem, atores são seres humanos, acabam por adoecer em dias de espetáculos, no entanto, a equipe poderia e deveria ter preenchido sua fragilidade no espetáculo cantando, segurando as cenas. A partner do senhor poeta esteve fraquinha também, faltou-lhe energia, tônus. Kauane precisa ir atrás do Élan, da  presença. Mas como assim presença? A ideia de que alguém possa ‘ter presença’ como uma qualidade objetivamente verdadeira, pode levantar questões sobre que tipo de qualidade esta consiste, se esta pode ser treinada ou cultivada, e para qual limite esta pode ser aprimorada pelas percepções e expectativas daqueles que a testemunham. Muito se fala sobre a "presença", ela pode advir de "n" lugares, mas algo interessante de se pensar, é através da empatia que o ator deve criar com o espectador. Esse por sua vez vai abrindo a guarda e fica cada vez mais suscetível ao que o ator propõe no decorrer do espetáculo. É aí que tudo toma uma proporção maior para a percepção do público.
Kauane tem tido uma caminhada muito interessante em Lendas da Mui Leal Cidade e mesmo uma participação louvável em Olhai os Lírios, em Lili Inventa o Mundo precisa de mais "mordida".
Clara Devi é uma jovem atriz muito instintiva, o que é ótimo, deve buscar sempre o regramento, ouvir o diretor, ser uma atriz técnica e se policiar. O instinto é ótimo, mas as vezes ele nos leva para caminhos difíceis. É preciso respirar sobre o palco, sentir tudo a seu redor, triangular e manter viva a esfera de energia. Tudo isso se vê em Devi, basta agora canalizar. Tanto ela quanto Renato Casagrande pecaram ao abrir espaço para um público tão pequeno, que não tem o hábito de ver teatro, e acaba pensando que deve participar, gritar, rir, opinar. Mas essa situação ainda que perigosa é boa de se ver, é ela que vai acrescentar mais bagagem aos atores. 
Ainda no elenco estreante, Maria Antonia Silveira Netto foi inserida na cena com tanta graça e delicadeza que toda a audiência quedou-se. Talvez um pouco mais de força na impostação teria deixado Maria ainda mais intensa na cena. Alessandra Souza esteve intensa, viva, mas me confundiu um pouco a confusão de figurinos que usou. Não sei de quem foi a proposta, mas ela mais atrapalhou do que mostrou algo. Alessandra Souza é como já disse várias vezes uma atriz muito técnica, falta-lhe o instinto.
O espetáculo não foi apresentado com o clima poderoso que vi há três  anos atrás na Matinê do Máschara, mas tem tudo para manter-se vivo emocionando e envolvendo.

Felipe Padilha - Dedicar-se sempre, buscar conhecimento, merecer estar no palco, ser discreto quando em contra-regragem. (**)
Kauane Silva - Buscar mais vigor no palco, lutar e desafiar-se sempre. (**)
Maria Antonia Silveira Netto - Estudar, estudar, estudar. (***)
Clara Devi- Estudar, ouvir, aceitar. (***)
Alessandra Souza - Estar atenta sempre, tridimensionalmente, harmoniosamente, cuidando dos colegas e dos figurinos. Não basta dizer "quero o teatro", é preciso estar aberta e "ser o teatro" (*)
Renato Casagrande - Dividir, ouvir, somar, não perder a HUMILDADE, tudo o que sabemos no teatro, se esvai muito depressa e dependendo do olhar, pode significar nada... Aprender a ouvir e receber nãos (*)
Cléber Lorenzoni - Manter-se firme, sem sua voz, não há voz, como vimos nessa apresentação. (**)


Arte é Vida


quarta-feira, 10 de outubro de 2018

TUrma de teatro nas quintas feiras da ESMATE


Elenco Lili Inventa o Mundo (2018)


Grupo Máschara na quarta edição de teatro na escolinha Arco-Iris


Alessandra Souza e Maria Antonia Silveira Netto em Lili inventa o Mundo


Sexta-feira e Dona Isaura


O fim de semana no interior, ouvindo historias do avô.


821 - Lendas da Mui Leal Cidade (tomo 5)

              O Teatro é nosso!

                     O traço mais característico do teatro cruzaltense, é que ele é um teatro jovem. Não é raro por exemplo ver atores jovens interpretando personagens de idade madura. Cléber Lorenzoni, Dulce Jorge e Renato Casagrande, dentre outros, como na geração anterior, Angelica Ertel e Gabriel Wink, interpretaram grandes personagens sem muito esforço, munindo-se apenas de técnica e talento. O teatro Cruzaltense possui uma historia muito bonita, graças ao esforço do Grupo Máschara, por isso dentro de alguns anos, muitos serão os atores provenientes daqui em grandes centros seguindo a carreira, caminho esse já trilhado por Lauanda Varone, Gelton Quadros, Angelica Ertel, Sinome De Dordi e Alexandre Dill. O teatro cruzaltense tem platéia cativa, tem fãs, apoiadores, e suscita em muitos o prazer em assistir um bom espetáculo teatral. 
                      O que falta então?
               Insistir incansavelmente, até os pais perceberam a importância do teatro na vida das pessoas, até os filhos, os pais e seus avós preencherem as fileiras do prédio teatral e valorizarem seu artista. 
                     O método iniciado por Dulce Jorge, aprimorado por Cléber Lorenzoni e agora praticado por Alessandra Souza e Renato Casagrande, tem propiciado bons trabalhos ditos "escolares" ou ainda "estudantis". Mas Lorenzoni não trata seus alunos como alunos e sim como jovens atores/artistas e isso é que mais me orgulha na ESMATE. 
                      Hoje estive no teatro para rever Lendas da Mui Leal Cidade, que tem um roteiro invejável. Quatro historias se intercalam, tendo como pano de fundo uma vila do século XVIII, que viria a tornar-se à Cruz Alta de nossos dias. Índios, escravos, amores, fé, e até mesmo o místico é questionado no palco, o que me lembrou aliás um autor que li há poucos dias: Christopher Fry, um dos poucos autores ingleses em vários séculos, a conseguir alcançar sucesso nos palcos com teatro e poesia. Teatro e poesia, talvez assim eu possa denominar a obra de Cléber Lorenzoni. A poesia desse diretor/autor está no ato, nos silêncios, no parto de Lívia, na água da bacia onde o padre é torturado, no cômico versus drama com o qual o Máschara brinca tão bem. E essa capacidade nasce da ESMATE, nasce da pesquisa, dos encontros, das discussões que são tão incentivadas por seu diretor. 
                           As cenas propostas nas aulas tem como principal objetivo despertar nos alunos a criatividade, o olhar sobre a vida. Essa é a função primordial da escola de teatro e gera grandes frutos para o circulo artístico de Cruz Alta.
                         Os espetáculos de Cléber Lorenzoni tem uma estrutura estética bastante simples. Prólogo (sempre), muitas cenas tangenciais, curva dramática acentuada a partir da segunda ou terceira cena, nesse caso ela começa a se emoldurar na cena do Estancieiro. A curva dramática vai promovendo réplicas intensas, que vão preparando a próxima cena até alcançar o clímax. Cléber Lorenzoni nunca encerra um espetáculo sem promover o pós clímax, ou relaxamento ao gosto de Aristóteles e que percorre todo o teatro clássico no decorrer das épocas. No método do Máschara há sempre cartas na manga, muita música incidental e não raro, somos levados às lágrimas em algum momento. 
                                 No elenco Cléber escolhe levando em conta tipos, dedicação e força. A direção acerta, talvez Lavínia Antonelly pudesse trabalhar um pouco mais sua força, versus a leveza que adquiriu com a dança. Laura Hoover é uma atriz ótima e tem presença intrigante sobre o palco, precisa no entanto trabalhar sua técnica, para ter mais cartas na manga. Maria Eduarda triangula à altura de seus colegas de cena, mas falta a ela bem como as outras protagonistas, ainda mais técnica vocal. Kauane foi definitivamente a dama da cena, ainda que apareça muito pouco na cena, sua presença é forte, seu olhar fuzila. 
                                O antagonista principal é o pai de Lívia e Renato Casagrande, embora seja um grande ator, pareceu um tanto jovem nessa ultima sessão. A cena de Lívia e dona Isaurinha é a cena mais dolorosa do espetáculo, talvez por isso Cléber a tenha montado praticamente toda com atores profissionais. A cena subiu, causou, mas estava rápida, gritada e sem os detalhes com os quais o diretor a criara. 
                                  Nas personagens cômicas, (lavadeiras e costureiras) encontra-se a crítica social de Lorenzoni às velhas picuinhas e beatices que tanto afloram nas cidades pequenas. É fácil compreender que por trás de historias tão delicadas e há a percepção de que aquelas jovens lavadeiras se tornarão nas velhas bruxas futuramente.  Poucos tem coragem de se revoltar aos conceitos instaurados há tanto tempo. Lívia se nega à tornar-se uma nova Isaurinha e por isso a heroína do drama paga tão alto preço. A natureza até tenta ajudá-la, como na obra de "Fry", mas o livre arbítrio fala mais alto e o bebê bastardo lhe é tirado dos braços. 
                                     As jovens são como o coro grego, que vai contando a trama, desenrolando-a, são também a própria lagoa e poderiam ainda ser as moiras que decidem o final da trama. Ali interpretadas, por Douglas, Renato, Nicholas, Cléber e Stalin. O destino se satisfaz apenas quando o cura é solto da prisão, o bebê que grita na lagoa precisa ajudar a única pessoa que lhe apoia, que lhe estende a mão batizando-o. 
                                     As dicções são boas no elenco masculino, mas parece ser a lacuna do núcleo feminino. 
                                   No elenco infantil uma novidade, a pequena Gabriely Fischer, ao lado de Yasmim e de atores mirins já conhecidos. 
                              O espetáculo sofreu muito com a pouca luz, uma opção da direção. Principalmente nas cenas cômicas. Lendas da mui leal cidade é um belíssimo trabalho, onde vejo atores maduros e iniciantes, deve ser muito apresentada, pois nos orgulha em ver jovens tão bem encaminhados para adentrar a vida dos palcos. Parto para casa orgulhosa de ver os filhos de Cruz Alta falando dos ancestrais de Cruz Alta. 

                    O melhor: A cena intensa entre Gabriel Giacomini e Stalin Ciotti no momento da tortura.
                    O pior: A postura de professores no foyer, antes e após o espetáculo.


Arte é vida


A Rainha