sábado, 30 de setembro de 2017

Os Saltimbancos - Sucesso na quinta-feira de FENATRIGO


Um bicho só é só um bicho, mas todos juntos somos fortes


O Castelo Encantado - 780 (tomo 128)

Desejar e os olhos fechar...

A imagem mais antiga que vem em mente de uma peça teatro, é uma cena do espetáculo "Emília Emília", acredito que tivesse uns quatro anos e o que guardei foi a magia, a capacidade de criar. A minha frente havia apenas uma pilha de carteiras (classes), cobertas por um tecido rustico. A boneca Emília surgiu falava coisas que me pareciam estranhas e então desaparecia. Mágica! A ideia que me percorreu durante dias era a de que existiam muitas outras coisas no mundo além das que meus pais me ensinavam, do que eu conseguia compreender. Mais tarde, na adolescência, assisti diversos outros espetáculos, mas sempre mantive viva em mim a lembrança daquele primeiro espetáculo.
O primeiro contato com o teatro é fascinante e em São Luis Gonzaga, muitas crianças devem ter tido seu primeiro contato, e certamente as figuras descritas por Erico Verissimo e que receberam vida pelas mãos dos atores do Máschara cumpriram sua função mágica... 
Uma pena espetáculo tão lindo ser apresentado sob uma lona com tanta interferência sonora. Há todo o tipo de teatro, para todo o tipo de público, para ser apreciado em todo o tipo de espaço. Mas uma coisa é certa, o teatro infantil deveria ter um cuidado para que os primeiros contatos da criança oferecessem uma proximidade lúdica e propiciassem silêncio e concentração.
O Castelo Encantado foi apresentado em um grande palco, onde os atores Renato Casagrande, Cléber Lorenzoni, e Alessandra Souza, puderam se esparramar. Dominaram e solucionaram diversas situações, mesmo a queda de luz ao fim do espetáculo. Não há como amante do teatro como eu não amá-los, respeitá-los enquanto interpretes. Mas hoje não quero falar dos grandes atores do Máschara, quero falar dos jovens, dos iniciantes, dos que tem uma curta caminhada nesse grupo, mas que já marcam presença.
Raquel Arigony por exemplo, sem duvida uma atriz ambiciosa pelo conhecimento, curiosa, disposta  a aprender e a ajudar. Isso aparece em cena. Um Grupo como o Máschara, que para sempre carregará o teatro amador em suas raízes, precisa de humildade e vontade de aprender. A dona do circo por exemplo pode render muito mais, triangular com maior perfeição e para isso é necessário não mais ensaios, mas mais apresentações. Gabriel Giacomini vem se esforçando e aprendendo muitas coisas. Carrega com sigo o hiato da energia extrema. Está presente em cena e é lindo vê-lo compondo, cantando, mas assim como Raquel Arigony podem ter mais noção do palco, mais conhecimento espacial. Por exemplo, na cena em que ele foi ao meio do palco falar do ursinho, poderia ter ido até um dos microfones. Marcas são sempre bases, mas precisam estar vivas, o fluxo deve ser livre.
Quanto a Evaldo Goulart, quase não o vejo mais, pensei que estivesse se afastando e me orgulha vê-lo tão cheio de energia. Aliás essa é a maior qualidade do jovem ator. No entanto é importante pensar que o ator, artista, nasce do trabalho, do ensaio, do treino, da repetição, do estudo. As vezes Evaldo Goulart esquece tudo isso e parece esperar ser bom apenas com o pouco que vem colhendo quando está presente. Isso é engraçado, já que outros ali dedicam-se anos, horas para alcançar a prática, o exímio trabalho.
Na parte técnica, Stalin Ciotti dedicou-se muito, vem aprendendo, fazendo um maravilhoso curso intensivo, de profissionalismo, a meu ver, deve sugar cada instante, aprender o oficio em seu pior e seu melhor. Lembrando sempre que o que destaca os bons, é saber o que fazer antes de lhe ser pedido... Fabio Novello ergueu o cenário, correu de um lado para o outro como uma boa equipe técnica deve ser.
O teatro aconteceu, com pequenos percalços típicos de uma apresentação em local adaptado, mas diverti-me, ri, encantei-me. E ao final é importante lembrar que ser bom, é ser generoso e fazer sua parte!
São Luis Gonzaga assistiu a um lindo espetáculo infantil, e que lindo ver "casa" lotada.

Para Lembrar: A segurança de Alessandra Souza que segurou o final do espetáculo.
Para esquecer: A falta de domínio dos microfones por parte de alguns membros.


Arte é Vida

O Castelo Encantado
Texto: Cléber Lorenzoni (**)
Direção de Montagem: Cléber Lorenzoni e Dulce Jorge
Direção:Cléber Lorenzoni
Elenco: Alessandra Souza(***)
Cléber Lorenzoni(**)
Renato Casagrande(**)
Evaldo Goulart (**)
Raquel Arigony (**)
Gabriel Giacomini (**)
Contra-Regragem: Stalin Ciotti  (**)
Figurinos e Adereços: Renato Casagrande
Direção Técnica: Fábio Novello (**)




A Rainha

Público de São Luis Gonzaga entregue à ludicidade de O Castelo Encantado


Em cena, Alessandra Souza, Renato Casagrande e Gabriel Giacomini


sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Bastidores de O Castelo Encantado na Expo São Luis


O Público de São Luis Gonzaga participando de O castelo Encantado


O Incidente 779 (tomo 80)

Um ótimo momento para o Incidente

                          Na década de 70, quando Erico Verissimo escreveu a obra O Incidente em Antares, grande parte das feridas causadas pelo regime militar estavam abertas. Verissimo de forma inteligente colocou sobre o coreto da praça da fictícia  Antares, sete mortos, já que para falar na época, era preciso estar morto. Uma velha beata , um jovem revolucionário, uma prostituta, um advogado corrupto, um alcoólatra, um anarco-sindicalista, e um artista incompreendido. O ultimo livro de Érico causou tumulto, mas o escritor era um membro da ABL, não tinha papas na língua. 
                              A obra dividida em duas partes, ou poderia dizer, em dois atos, prende a atenção por seu caráter regionalista, politico e fantástico. Uma lástima as gerações atuais lerem tão puco. 
                               O texto adaptado por Cléber Lorenzoni em 2005 consegue levar para o palco uma vitrine dos sete mortos. Claro que a primeira versão, com Rita, Coronel Tibério e Rosinha consegue alcançar o público de forma contundente. No entanto como performance teatral para apresentar ao público a obra e semear neles o interesse em conhecê-la melhor, é digna de todo o meu respeito e admiração. Nosso país passa por uma situação tão vergonhosa, tão complexa com seus lava-jatos, e lavar a roupa de Antares vem bem a calhar, que o espetáculo sirva para reflexões. O que acontece logo após o primeiro momento, quando a maquiagem e a interpretação corporal deixam de ser novidades. 
                             No elenco mudanças... Infelizmente os elencos no teatro do interior são passageiros, assim sendo os espetáculos estão sempre sendo transformados, em tipo de mudança que impede o amadurecimento do trabalho. 
                                     A Stalin Ciotti coube o papel de Pudim de Cachaça, o beberrão de Antares que já foi interpretado por Cristiano Albuquerque, Diego Pedroso, Ricardo Fenner, Gabriel Wink, e Renato Casagrande. Cada um, certamente, acrescentou suas próprias "filigranas". O personagem interpretado por um grande ator pode culminar em lágrimas em comoção e singeleza. Stalin consegue compor dentro de seu pouco tempo de teatro, uma interpretação adequada. Pode ainda buscar mais informações sobre a personagem. Tridimensioná-la, torná-la visceral. (**)
                                     Gabriel Giacomini é jovem, vem aos poucos construindo muitas coisas, preparando uma linda caminhada. Esse momento é crucial, momento de escolhas. Já vi muitos jovens nessa idade mergulharem e seguirem se tornando grandes atores. Já vi outros se sentirem muito moços, decidirem frear e então perderem-se com seu talento em buscas confusas e incoerentes com seu talento.  O jovem preenche o palco de forma bonita, tem muito a dizer, é a hora de trabalhar, de sacrificar-se, de proteger seu amor pelo teatro. João Paz pronuncia-se com garra, e em nenhum momento esmorece no palco, ainda que tenha poucas falas. (***)
                                           Raquel Arigony narra de forma coerente, compõe uma figura interessante, mas falta-lhe se Antarense, eu saio do espetáculo confusa. Talvez a propria direção do espetáculo devesse rever essa personagem. Mais mórbida? Mais popular? Mais humana? Dúvidas que podem ser sanadas com mais buscas... Mas preciso elogiar o empenho, a falta de preguiça, e a entrega da interprete. (**) 
                                   No elenco antigo, Cléber Lorenzoni, Dulce Jorge e Alessandra Souza, conseguem se colocar sobre o palco com domínio e força. Acho um desperdício de talento Cléber Lorenzoni (**) em Doutor Cícero. Dulce (**) deveria dialogar melhor com o microfone e Alessandra Souza (**)deve buscar o viço da personagem. 
                                 Fabio Novello carece de mais ensaios. Tem maturidade e capacidade para muito mais, no entanto Barcelona não ultrapassa o palco. Gosto muito dessa personagem. Pode ser mais engraçado, mais esparramado. Um "Capitão Rodrigo" velho. Um bonachão... (**)
                                   Renato Casagrande fecha o ciclo com emoção, com força e emociona a platéia. (**) Porém nos dá um grande interprete, enquanto precisamos de um grande pianista. Aconselho-o a assistir os filmes Bethovem  e Amadeus. Embora a força do ator , sua jovialidade e seu status, merecessem interpretar Doutor Cícero. Menandro Olinda é papel para outra fase. 
                                          O Incidente é um ótimo exercício teatral, Um exercício de composição. Parte do elenco não leu o livro, isso os torna medíocres em sua construção. Mas são as escolhas que cada um faz pelo teatro.  Sem iluminação e com trilha fragilizada, confusa operada por Evaldo Gouart(*). O Incidente só passou no crivo de quem não é um grande crítico. Ou seja, a mesma encenação colocada em uma caixa preta, estaria condenada. A apresentação ao ar livre perdoa certas gafes. 
                                         Gosto muito de ouvir uma apresentação de olhos fechados. Imaginar seu fluxo a partir de seus sons. E quanta desafinação! Mais ensaios seria ótimo. 

                                          Para lembrar: O quanto o ator precisa ser gentil, disposto e próximo de seu público.
                                           Para esquecer.: A péssima maquiagem nos cabelos das atrizes Dulce Jorge e Alessandra Souza.


                                                Arte é vida.

                                                                             A Rainha
                                           

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Os mortos de Antares na Expo São Luiz


Os atores Renato Casagrande e Alessandra Souza em cena em O Castelo Encantado


Elenco de O Incidente em 2017

Renato Casagrande, Fábio Novello, Cléber Lorenzoni, 
Raquel Arigony, Dulce Jorge, Alessandra Souza, Stalin Ciotti, Gabriel Giacomini

Amigos do Máschara em dia de Cena às 7


O Santo e a Porca 778 (tomo 12)


Quiprocós, Gargalhadas e Armações  


Já assisti quatro montagens diferentes de O Santo e a Porca, bem como outras encenações desse espetáculo. A trama é simples, uma criada, Caroba, organiza um mirabolante prêmio para salvar da opressão os enamorados Dodó e Margarida. Do outro lado, entre os opressores, está o avarento Eurico Árabe, que durante uma vida inteira enfiou tudo o que juntou dentro e uma porca/cobre, percebendo ainda que tarde, a inutilidade de seu gesto. 
Dulce Jorge cria uma Caroba irrepreensível, astuta, divertida. Cléber Lorenzoni adentra o palco sempre com muita energia, preenchendo as cenas com uma força que sai do palco e prende nossa atenção.Ambos são os altos cômicos. Trazem consigo a herança do teatro medieval e ainda das comedias gregas de Menandro. A farsa, (absurdo tratado com naturalidade) perpassa a narrativa, culminando em cenas como a troca de roupa ou o sonambulismo do patriarca. 
Eurico, velho, ranzinza, briguento, orgulhoso. Carrega dentro de si o arquétipo de Pantaleão. Caroba é a Colombina, ou outra criada da Commedia del Arte. Saltos, gestos grandiosos, sussurros e tombos recheiam a montagem de Cléber Lorenzoni como o bom espetáculo que é, e ao final a catarse se estabelece sobre o palco e na platéia. 
Para Cléber Lorenzoni guiar o elenco parece fácil, já que é o diretor do espetáculo, mas me incomodou o número de pauladas e bofetadas que o ator distribuiu, gosto de sentir gosto do verdadeiro, mas  não me aprecia ver o elenco sendo machucado.  Dulce Jorge esteve brilhante, intensa, viva, ágil, apenas em alguns poucos momentos baixou o volume, mas sua presença e ritmo mantiveram suas cenas. 
Nos baixo cômicos, quem se destaca é Ricardo Fenner como Eudoro Vicente, embora o ator não tenha mais se dedicado tanto a vida no palco,  sua noção espacial vem aumentando e seu tom conquista a audiência. Na "commedia dell art" seria o Doutor, homem rico, sem sorte com as mulheres que tenta parecer o que não é. Ricardo Fenner possui uma dificuldade fonética que o atrapalha em cena quando o espaço cênico é muito grande. Claro, o ator já evoluiu muito nesse quesito e encontra alguns macetes. Quando acontece a dobradinha Fenner x Lorenzoni em cena, todos saímos ganhando, isso por que Ricardo consegue se pôr em uma divertida posição de escada, o que é uma ótima qualidade de atores coadjuvantes.
Ainda nos baixo cômicos, como a pobre irmã repreendida, o Ator Evaldo Goulart alcança boa repercussão junto a platéia. Em alguns momentos é apelativo, e isso, a julgar pelo texto de Suassuna acaba sendo um ponto negativo. No entanto sobre o palco sua interpretação é coerente e arranca frouxos de risos. Benona é a "Madame" da Comédia Dell Arte, como tal. se acha superior e é extremamente ambiciosa. Em algumas cenas seu interprete perde o time, mas o mais importante, consegue fazermos esquecer o fato de um ator estar interpretando um papel feminino e nos convence de sua submissa existência.
Os inamorati são Alessandra Souza e Renato Casagrande, ambos não estão ali com a função de serem cômicos, mas conseguem arrancar boas gargalhadas a partir da adaptação que o grupo fez no texto. Ambos passeiam pelo palco com o domínio de grandes atores. Aliás as contemporaneidade que o diretor consegue com a figura de seu dodó, traz ao texto uma frescor maravilhoso.
Por que estou falando da Commedia Dell Arte? Por que é incrível perceber que uma forma de fazer teatro, desenvolvida por volta de quinhentos anos, ainda está presente nas comédias. O que prova que certamente os comediantes dell art da época não criaram algo, mas revelaram algo que sempre transitou pela humanidade. O teatro tem como sua maior função tirar os mantos de sobre as peculiaridades da existência.  Os "animais" que somos, merecem uma deliciosa observação. Somos cheios de duvidas, suposições, rompantes. O teatro nos reflete ora da melhor, ora da pior forma.
A iluminação de O Santo e a Porca, deixou a desejar. Perpassa pelo espetáculo momentos do dia e da noite. Há jantares, passeios obscuros e conversas ao pé do ouvido. A luz pode e deve nos auxiliar nessa compreensão visual e embora se diga que comédia se faça na luz, a boa comédia se faz com a luz coerente!
A curva dramática mais uma vez conseguiu se estabelecer. Não é necessário que o público de risadas o tempo inteiro, é importante contar uma historia e para isso em alguns momentos haverá um fluxo menor de piadas. Foi uma das apresentações em que as confusões de Caroba e as tentativas de alcançar os objetivos de cada personagem, mais claras ficaram. Mérito da equipe da direção.

Para Lembrar - O árduo trabalho do Máschara em levar os jovens para o teatro, desenvolvendo e descobrindo talentos.
Para Esquecer - As dificuldades em se fazer teatro, lutando para se conseguir o minimo de estrutura para ter luz adequada no Cena às 7.

Ficha Técnica
Texto-Adaptação da obra homônima de Ariano Suassuna
Direção: Cléber Lorenzoni (**)
Elenco: Cléber Lorenzoni
Dulce Jorge (***)
Renato Casagrande (**)
Ricardo Fenner (**)
Alessandra Souza (**)
Evaldo Goulart (**)
Sonoplastia: Cléber Lorenzoni
Execução: Gabriel Giacomini (**)
Iluminação: Fabio Novello (*)
Auxilio Técnico: Stalin Ciotti (**)
Equipe de Palco: Stalin Ciotti, Douglas Maldaner. Vagner Nardes e Antonia Serquevittio
Camareiros: Renato Casagrande e Laura Hoover (**)
Portaria: Raquel Prates (**)
Produção: Grupo Máschara




quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O Ataque dos Portugueses à Anay - Lendas da ESMATE


De vento em Popa, os ensaios de O Santo e a Porca


Atores do Máschara em Dancing Queen


A Maldição do Vale Negro - tomo 25 (777) - Colégio Santíssima Trindade

                       O Colégio das freiras em Cruz Alta, depois de mais de cem anos aqui residindo, e ainda que em um mundo evoluído, cheio de tecnologias, continua com seu aspecto sagrado e mítico. A imponência do franciscano na esquina da pinheiro, exala grandeza e parece guardar segredos e historias incríveis do passado de milhares que dentro daquelas paredes buscaram o conhecimento.
                             Toda a sua pompa, as imagens sacras, os genuflexórios, as colunas e vitros, sempre me pareceram teatrais, cênicos. Como a pintura do velho de barbas cinzas na parede dos fundos da capela, Deus. O teatro é a interpretação da vida, o teatro está nas "máscharas" do dia a dia, o teatro são as nossas posturas, são os nossos silêncios, são os nossos amores, são as nossas alegrias, o que nos fascina e o que nos entristece. O Teatro são as invenções, as cerimonias; as nossas dissimulações, nossas pequenas mentiras, nossas gentilezas exacerbadas. O teatro está por todos os lugares.
                             Adentrei ao colégio com aquele respeito teatral com o qual se pisa em solo sagrado, silêncios, cuidados, calmaria; Afinal ali há uma congregação, uma peça sendo representada, uma peça da comédia humana.
                            Quase trezentos alunos, casa lotada, assistiram A Maldição do Vale Negro, uma peça que passa longe do politicamente correto e talvez por isso mesmo não seja a escolha mais acertada a ser apresentada em um colégio. Porém seria equivocado de minha parte ignorar a bonita relação entre Grupo Máschara e colégio das irmãs, de onde advém um jornada de tramas apresentada que de certa forma abre um leque de percepções por parte dos alunos. Esconderijos do Tempo (2007) Lili Inventa o Mundo (2008) O Incidente (2008) Ed Mort (2015) O Incidente (2015) Os Saltimbancos (20015) O Santo e a Porca (2016). Sendo assim, o olhar dessa platéia especifica, pareceu enxergar além do simples texto de Caio Fernando Abreu. Ora, há uma gama de impressões, de mensagens, de signos e símbolos que um espetáculo emana , e quem dita a sua compreensão, é a sensibilidade do individuo.
                              A historia de Rosalinda, Úrsula e O Conde Mauricio do Belmont é contada com todos os maniqueísmos, escapismos, simplismos, e a intervenção decisiva da providência divina. O que surpreende é o culto pagão brilhando naquele teatro de convenções franciscanas. Claro eu respeito, e vou mais longe, sou devota de São Francisco. No entanto o exacerbamento da interpretação, o visual um tanto caricato e até mesmo o retorico parecem nos chocar. Aliás, alguns alunos pareciam debater-se entre rir, chocar-se ou prestar atenção.
                                 Não vou tecer elogios já esperados a Cléber Lorenzoni, que redirigiu mais uma vez algumas cenas, produzindo uma curva dramática muito correta e nos presenteou com uma impecável Úrsula de Beltmont. Alguns atores pensam que quando se interpreta um texto cômico, deva fazer rir o tempo todo, não, ao contrário, deve-se levar muito a serio, sem apelações, sem exageros, para que a graça nassa organicamente, naturalmente. Claro que nessa montagem de A Maldição, onde impera o pastelão, o escracho, técnicas tão próximas, não há como não soar exagerado e apelativo.
                                 Mas la estava uma obra ímpar, com sua versatilidade, energia e interpretação. Casagrande, Fenner e Lorenzoni seguraram a platéia, conseguiram vencer a barreira da falta de acústica, e tocaram mais algumas dezenas de adolescentes com o poder do teatro. Arte não foi feita simplesmente para gostar ou não, ela deve despertar, revolver dentro de nós, buscar nas profundezas. Apear claro de eu ter torcido para ver no palco do STS a peça Olhai os Lírios do Campo.
                                     Cada ator trouxe novas gags, novas piadas, "hoje é como se fosse outrora, e nunca mais outra vez".  Um espetáculo amadurece, torna-se outra coisa, outra obra, conta novas historias, ou as conta de outras formas. A sexualidade quase mundana do espetáculo faz parte de nossa realidade, portanto não há porque sermos hipócritas e pensarmos que as grossas paredes do convento irão proteger nossos filhos, mas esperei que houvesse um debate, um diálogo maior entre equipe e alunos, ou por que não dizer entre professores e atores antes do espetáculo. O público costuma ser leigo, constantemente precisa ser estimulado a raciocinar pois está acostumado com a linguagem televisiva onde tudo é mastigado.
                                      Quando olhamos para o palco vemos um cenário impecável, atores brilhantes, mas as vezes esquecemos que uma enorme equipe pôs tudo aquilo em pé. Alessandra Souza, Evaldo Goulart, Stalin Ciotti, Laura Hoover (esses dois últimos, talvez a nova geração do Máschara), e ainda Raquel Arigony, Dulce Jorge e Gabriel Giacomini, que mesmo não sendo contra-regras do espetáculo acorreram em auxiliar. A trilha sonora bastante óbvia cumpre-se embora em alguns instantes estivesse um tanto acima do volume necessário. A iluminação não pode se mostrar muito eficaz, já que no espaço não há urdimento, varas de luz etc... Contudo, percebe-se a crescente dedicação de Stalin Ciotti.            
                                   E principalmente em meio a fogueira das vaidades que as pessoas que fazem teatro promovem dentro de si, é importante lembrar que é uma arte de equipe, que o que é justo para mim pode não ser justo para meu colega. Façamos nossa parte bem feita, essa é nossa função e que os Deuses imperem sobre nós.
                                   Cléber Lorenzoni guardou-se para o final, apoiou-se em sua bota imobilizadora para fazer gracejos, depenou o Marquês na cena final e foi aplaudido em cena aberta. Não há como não admirar esse momento, no entanto todos sabemos que o teatro tem como qualidade o efêmero, o hoje significa o hoje, o amanhã é totalmente desconhecido. Torçamos para que tudo seja ainda melhor no próximo Tomo.

                                    Para lembrar: Sacrifícios, houveram muitos para A Maldição.
                          Para esquecer: Posturas negativas e climas desagradáveis que põe em risco a harmonia e até mesmo o profissionalismo.


A Maldição Do Vale NEgro
                   Texto : Caio Fernando Abreu
Direção e Assistência: Cléber Lorenzoni e Dulce Jorge
Elenco:
             AI -Cléber Lorenzoni (***)
             II - Renato Casagrande (***)
             AIII - Ricardo Fenner (***)
Auxiliar de cena
             III - Alessandra Souza (**)
Operador de Som:
             III - Evaldo Goulart (**)
Contra-regragem:
             S - Laura Hoover (**)
             S - Stalin Ciotti (**)
Apoio:
             III-Raquel Arigony
             IV-Gabriel Giacomini




                       Arte é Vida
                                                            A Rainha





 
   

terça-feira, 12 de setembro de 2017

domingo, 10 de setembro de 2017

Sinopse de A Roupa Nova do Rei

                    Sinopse 
A Roupa Nova do Rei

                     Um reizinho muito mandão e vaidoso não suporta vestir sempre as mesmas roupas, precisa de uma capa ou manto novos a cada hora do dia. Tão grande é seu egoísmo que esgota os cofres do reino, deixando o povo triste e sem comida. Ansioso por novidades ele é enganado por dois golpistas que dizem fazer tecidos e roupas tão mágicas, que somente os inteligentes conseguem ver. Quem será o primeiro a dizer a verdade ao rei? Um espetáculo que nos faz pensar e que será diversão para toda família.

domingo, 3 de setembro de 2017

Cena da Festa

Merceditas:    Que doce encanto traz à minha lembrança Mercedita
Minha flor e a mais bonita, que uma vez tanto amei
Há conheci no campo, há muito tempo, numa tarde
Onde crescem os trigais, província de Santa Fé

REFRÃO:
(e assim nasceu)
Nosso querer
(com ilusão)
Com muita fé
(mas eu não sei)
Porque a flor foi murchando até morrer
(e abandonei)
Um louco amor
(assim cheguei)
A compreender 
(o que é querer)
O que é sofrer por ter lhe dado o coração

                        Cena festa          (Douglas e Wesley, decorar tropeiro)

O tropeiro da uma flor para a rapariga por nos cabelos
Lavína: Quando partes meu tropeiro?
Tropeiro: Sabes que parto hoje!
Lavínia: E quando voltas?
Tropeiro: Ainda não sei, na verdade tu sabes, nem sei se consigo voltar!
Lavínia: Voltas sim! Bebe!
(ele titubeia)
Jovina: Pel'amor de Deus!!  (falando baixo)
Antonia: Parem a festa
Luisa: Uma desgraça
Jovina: O Estancieiro morreu de ataque fulminante e a filha desapareceu na mata, precisamos da ajuda de todos para procurar!
(Saem todos, menos Lívia que fica sentindo as dores do parto  é amparada por Maria, Jovina e Leonora. Entra o Coronel olha para a filha e pega o bebê de seus braços).
Coronel: Essa criança não tem que viver!
Lívia: Não meu pai!!!! (gritos)
(Entram as lavadeiras abrem grandes panos azuis
 representando a lagoa e o coronel atira o bebe entre eles, todos saem).

Dia 19 de setembro, tem A Maldição do Vale Negro no Colégio STS, fique atento!