quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A Maldição do Vale Negro - 676 Tomo/23

                Sempre que um espetáculo do porte de A Maldição do Vale Negro é apresentado dentro de uma lona de feira de livros, sinto uma aperto no peito, uma compaixão pelos artistas e um respeito profundo por sua profissão.  Nesse tipo de situação não estou vendo um espetáculo de rua, nem mesmo um espetáculo de palco italiano. O que estou vendo? Estou vendo um esforço mútuo em adaptar um espetáculo de grande porte à um espaço complexo, difícil e meio desajeitado, para que o público saia ganhando. Como não dizer que essa é uma profissão que exige estrema generosidade? Há maior generosidade do que prejudicar seu espetáculo, abrir mão de engrenagens importantíssimas, de camarins e até mesmo de banheiros, para que o público possa assistir o teatro? Em cena três atores corajosos, dispostos há tudo, em um calor de quase 40 graus. Lorenzoni, Fenner e Casagrande vem se acostumando com o uso dos auriculares e conseguem um bom efeito em um espetáculo com tantos altos e baixos em sua sonoridade. O Máschara como sempre levantou rotundas, coxias e cenários com sua agilidade peculiar e conseguiu envolver uma grande plateia de adolescentes, sempre tão interessada em celulares e outras futilidades, em setenta minutos de interpretação. 
                 Cléber Lorenzoni (***) vem tirando a cada dia mais graça da personagem Rosalinda e sabe do que abrir mão e o que é imprescindível. Sua triangulação com o público e tudo o que acontece a sua volta é o que mais me chama a atenção. Renato Casagrande (**) as vezes fala muito alto, quando se está fazendo uso de microfones é preciso compreender que os volumes são função do sonoplasta. Ricardo Fenner (***) esteve muito bem como conde e vem melhorando sua impostação melodramática a cada apresentação do espetáculo.
                 Não foi porém, um bom dia para a contra-regragem. A mão de Ágatha aparecendo antes da mesma cair pela janela. As trocas emboladas e não ágeis e ainda o descuido com a cortina preta transparente revelam um trabalho pouco dedicado de Alessandra Souza (*) no espetáculo da manhã. Evaldo Goullart (**) opera bem a sonoplastia, mas as vezes parece um pouco avoado o que pode por em risco sua função.
                  Uma situação muito interessante e no mínimo mencionável, foi a invasão de um dos sonorizadores  da feira. Sem o mínimo tabu, ele adentrou na sala do palácio dos Belmont na segunda cena do espetáculo, há ponto dos atores Cléber Lorenzoni e Ricardo Fenner precisarem expulsá-lo. Foi um arrojo! Gostei muito, faz a gente perceber o quanto o teatro é vivo, o quanto os atores tem domínio do palco, e o quanto os leigos não compreendem a complexa visão que os atores tem do "palco sagrado".

A Rainha

Superação 2014


Grupo Máschara em três opções-O Castelo Encantado e Performances no Superação 2014

Self Service

                  Nas últimas semanas o Grupo Máschara fez de palco as ruas de Cruz Alta e apresentou-se em três situações. A primeira em frente ao calçadão com o infantil O Castelo Encantado. Animador, divertido e ágil. No entanto carente de técnica de teatro de rua. Claro que a maturidade da Cia., o longo trabalho frente à todo tipo de plateias, e a busca pelo novo, causou uma ótima impressão frente as pessoas que foram pararam para assistir. A técnica vocal também é um mérito que deve ser mencionado. principalmente em Lorenzoni, Casagrande e Souza. A entrada e a saída, as cores, e a escolha das historias, colaboraram para o entretenimento do público. O máschara devia investir mais no teatro de rua, principalmente como forma de envolver ainda mais o público cruzaltense nas ações teatrais da cidade. 
                Com Os Saltimbancos na semana seguinte faltou ensaios, a escolha do espaço foi confusa, Ricardo Fenner precisa saber que os "sacos coloridos" servem para delimitar o espaço cênico da narrativa. Alessandra, Cléber e Renato precisam saber que os "sacos coloridos" servem para delimitar o espaço da narrativa. A trilha foi toda boicotada, com todos os finais das canções sendo extirpados. Se o sonoplasta era Evaldo Goullart, deveria ter detectado o problema o quanto antes e impedido que o problema se repetisse musica à musica. 
                  Na mesma tarde atores do Máschara e alunos da ESMATE promoveram uma performance com musicas do ABBA, a meu olhar um fiasco dos mais perturbadores dos últimos anos no que diz respeito a iniciativas do Máschara. Dancing Queen e Mamma Mia, tão conhecidos pelos atores conseguiram causar equívocos. Fernanda Peres deveria aprender as coreografias, Evaldo Goullart ainda não aprendeu a diferença entre dançar em uma festa e dançar cenicamente. Foi certamente a pior das três iniciativas junto ao público.


A Rainha



Cléber Lorenzoni **
Renato Casagrande ***
Alessandra Souza **
Evaldo Goullart *
Fernanda Peres *
Ricardo Fenner **
Lucas Nunes **
Amanda Oliveira ***