sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Os Saltimbancos Veranópolis III e IV

               Um espetáculo em cena é reflexo do trabalho em bastidor, do ensaio, da equipe técnica. O Grupo Máschara foi perfeito durante anos, sem máculas, e não pode agora relaxar tanto. Respeito por sua direção, exímio trabalho em cena, dedicação ao público... Os Saltimbancos apresentado nessa quinta-feira em dois horários foi contundente. A primeira inserção foi interessante, capaz, elogiável, mas foi sem sombra de dúvidas a despedida de Veranópolis que cumpriu sua função máxima. Gabriel Wink esteve bem em ambas, mas ainda precisa largar o microfone de mão quando for apenas dublar as musicas, para que possa dedicar-se melhor ao trabalho corporal. Precisa seguir as marcas coreográficas para que não atrapalha os colegas na cena. Na segunda apresentação da manhã, Gabriel Wink enfrentou uma platéia de adolescentes e conseguiu guiar o restante do elenco dando tudo de si. Alessandra Souza esteve brilhante com sua galinha, mostrando que se dá muito bem com personagens atrapalhados propositalmente. No entanto seu figurino deve ser mais asseado, obrigação da camareira da equipe e TAMBÉM da atriz. Cléber Lorenzoni esteve totalmente intenso na primeira, no que diz respeito ao corpo, na segunda criou mil cacos interessantes para dar um toque de malicia nas cenas e deixá-la com jeito de espetáculo menos infantil. 
               Renato Casagrande voltou as antigas, e jogou muito bem com o restante do elenco, o que há dias não víamos. Tanto o interprete do Cachorro quanto a da Galinha mostraram ter ótima potência de voz, mesmo sem microfones conseguiam alcançar ótimas impostações com seus falsetes.Os tapames do cenário poderiam ser melhor firmados no carrinho, e a equipe técnica deveria exercer sua função durante o espetáculo. Afinal o propósito da viagem era o trabalho e não o passeio. O espetáculo foi cortado, mas o elenco solucionou muito bem levando ao público apenas o importante. Embora algumas pessoas tenham perdido o profissionalismo, o Máschara continuará por muito tempo sendo o grupo maravilhoso que sempre foi.

Alessandra Souza (**)(***)
Renato Casagrande (**)(***)
Gabriel Wink (**)(***)
Cléber Lorenzoni (*)(***)
Gabriela Oliveira (**)(**)
Luis Fernando Lara (***)(*)
Fernanda Peres (**)(*)


                              Atores, fazedores da arte, justos, compreendem o que acontece a sua volta e consigo.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Os saltimbancos em Veranópolis

                       Um espetáculo teatral pode acontecer em qualquer situação, em qualquer espaço, basta uma arena, algumas pessoas e o interesse em fazê-lo. No entanto os diretores vão criando cenas complexas, jogos de luzes, cenários gigantescos e assim alguns lugares tornam-se improprios para que seu espetáculo aconteça. Em bora claro, os organizadores do acontecimento teatral devam sempre preocupar-se em compreender as necessidades dos artistas, da obra a ser apresentada.
                         A função de uma camareira é vestir o ator, dos pés a cabeça, solucionar problemas no costume a ser usado. A camareira mantém tudo organizado e asseado, a camareira é quem coloca o elenco pronto na cena. A função exata da contra-regragem é montar o cenário, organizar adereços, mantê-los, para que estejam sempre bem cuidados, organizados. Dispô-los pelo palco para que o ator possa entrar em cena seguro de que o material cênico estará ali disposto da melhor forma. A função do operador de som é conhecer o aparelho que usará, checá-lo antes do espetáculo começar. A função de um diretor é conceber um espetáculo e depois, na medida do possível, primar para que os atores não o transformem em outra coisa. A função dos atores por sua vez é a mais complexa de todas e precisa ser a melhor executada.
                         Em um espetáculo formal não se pode esquecer marcas, coreografias. O ator precisa cuidar de sua voz com dias de antecedência para que ela esteja boa em cena, razoavelmente ouvível. O ator precisa compreender o espetáculo no qual está inserido. Precisa canta se for musical, precisa aprender a dominar o som. O ator sobe ao palco para brilhar, contar algo, envolver e emocionar, mas principalmente, precisa saber o que está fazendo.

Alessandra Souza (***)(**)
Renato Casagrande (**)(**)
Gabriel Wink (*)(**)
Cléber Lorenzoni (***)(**)
Gabriela Varone (*)(**)
Luis Fernando Lara(**)(**)
Fernanda Peres (**)(**)

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Os Saltimbancos no 53º Cena às 7

                A primeira vez que assisti um espetáculo do grupo Máschara foi em 1996, a peça era Cordélia Brasil de Antonio Bivar, com a impagável Dulce Jorge no papel título. A primeira versão havia sido dirigida por César  Dórs e a produção era de Dione e Jorge Silva. Mas quando vi, a própria Dulce Jorge havia embrenhado-se pelos caminhos enigmáticos da direção. O espetáculo além de bem feito, possuía um encantamento, uma entrega por parte do grupo todo. Uma fé cênica intensa, adorável. Não havia cache e havia muito mais público que atualmente. A divulgação era menor, mas os atores saíam em busca de seu público. O teatro era mais artesanal, mais humilde, e buscava o acerto, buscava o sucesso interior. Não se sabia ao certo o que se buscava, mas buscava-se algo.
                     Hoje assisti Os Saltimbancos, o mesmo grupo, a mesma catequese, os mesmos objetivos (acho), mas ainda assim algo muito diferente. Já se disse dezenas de vezes que a arte não tem certo ou errado, mas ela possui inegavelmente seus pilares, suas convenções para que algo técnico, organizado, elogiável, aconteça. 
                          Hoje por exemplo vi muita técnica, muito domínio do fazer teatral, mas onde foi parar a alma? A alma de alguns saltava aos olhos, mas ela não passou nem perto da equipe técnica, a iluminação muito mais eficiente do que na noite de sábado, ainda precisa ser mais afinada, mais artística na mão de quem  a executa. A iluminação não é apenas uma função a mais que não tendo para quem da, delega-se a quem está a disposição. Ela precisa de compreensão. De esforço. De profissionalismo. A mesma dedicação que se usa para criar uma personagem há de estar presente no momento de iluminar atores sobre um palco. O sonoplasta precisa ter a alma na ponta dos dedos. Não é cabível, não é tolerável, não pode ser aceito precipitações de faixas erradas, soluços de sons equivocados. A platéia não foi convidada a sair de suas casas para ver suas incapacidade em exercer sua função. 
                             Alessandra Souza (**) está em seu melhor papel, não há dúvidas, a atriz vence muitas dificuldades, sobressai-se em vários momentos, mas precisa atentar sua musicalidade. Já assisti mais de quatro vezes o espetáculo e agora a cada vez que assisto novamente quero ver mais de Alessandra, o ator não pode acomodar-se, pode até errar, mas sempre buscando coisas novas. Um espetáculo teatral, não combina com a monotonia. Um artista é um comunicador, e tem obviamente coisas novas a comunicar a cada nova inserção.  Gabriel Wink (**) tem um ouvido muito afinado, mas o escuto cantando cada vez menos. Sua simpatia cênica desce do palco, é uma agradável escolha para o papel em que está, no entanto sua composição já alcanço mais méritos em Os Saltim... Para haver unidade com os outros animais carece de mais pesquisa. Movimentação "equina". 
                                Renato Casagrande (**) conseguiu pela primeira vez nesse espetáculo, chegar ao final com a maquiagem praticamente intacta. Casagrande dança e canta com proporções admiráveis, mas as vezes pinta muito dentro dos contornos, uma dica interessante, já está na fase de nos apresentar  mais de sua personalidade. Em alguns momentos da para vê-lo tentando coordenar os colegas em cena o que denota noção do todo. Tem tudo para ser um grande ator. Cléber Lorenzoni (***) adentrou a cena com sua "mordida", encantou crianças e adultos, poderia ter falado um pouco mais alto, mas sua presença e ânimo contagiaram. É um exemplo para outros atores que venham a interpretar personagens femininos. Apenas um conselho de quem deseja o melhor para seu trabalho: Deveria ser mais humilde na hora de agradecer a presença do público, submetendo-se a tirar fotos com as crianças ao término do espetáculo. 
                                    Os Saltimbancos é um dor mais incríveis trabalhos do Máschara, precisa de estrada, precisa de públicos, precisa da noção por parte de sua equipe de que um espetáculo nunca para, nunca morre. 

Luis Fernando Lara **
Fernanda Peres **
Dulce Jorge **
Ricardo Fenner **
Gabriela Oliveira ***

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

domingo, 14 de outubro de 2012

Os Saltimbancos - 53º Cena às 7 a


     
         Os Saltimbancos não pode acabar





       O mais magnifico da arte, do teatro, é o quanto ele é cooperativista, o quanto no palco tudo é feito em cumplicidade, troca entre pessoas, são pessoas criando junto, atuando junto. Teatro embora como profissão, não é uma profissão como as outras, exige uma dose grande de amor, de humildade, de disponibilidade. Pode não haver nada disso, mas aí não terá alma. Mesmo em um monólogo, onde um único ator está em cena, diversas pessoas envolveram-se para que as coisas acontecessem, os iluminadores, as camareiras, os técnicos, diretores, cenógrafos, etc... Um bom espetáculo por exemplo, acontece quando um elenco e uma equipe navegam pelo mar em uma mesma direção.

          Uma das maiores maravilhas é ver um ator nascer, ir aprendendo o oficio, aprendendo a amá-lo, encantando-se, descobrindo-se. Vê-lo na primeira oficina e depois, anos mais tarde, vê-lo no palco, sob os holofotes, aplaudido. Pleno. 
                                                        O teatro é algo tão complexo, indizível, inexplicável... O teatro é a prova de que pode-se amar algo profundamente sem esperar nada em troca. O espetáculo de ontem, Os Saltimbancos falava sobre muitas cosias, como toda obra cênica, no entanto as frases que não me saiam da cabeça eram: "Juntos somos fortes", " Um bicho só é só um bicho", "As vezes as coisas que mais queremos estão mais perto do que imaginamos". Bravo! Isso sem falar nas inúmeras informações subliminares envoltas na semiótica do espetáculo. 
                                      O teatro é uma disposição que o ser "ator" dedica em prol da plateia e do seu elenco, um senso de fazer seu melhor, uma necessidade de se desafiar, se superar. Há um diretor, mas na hora do "show" quem realmente da as cartas é o ser em cena. E seu termômetro é o seu jogo, sua triangulação e a resposta do público. Mas nem todos podem ser artistas, as vezes os deuses te abençoam para sempre com satisfação e sucesso. As vezes o ator percebe que já cumpriu sua meta, sua "obra", sua verdade, em outras vezes os Deuses tiram o dom que deram ao ator, pois ele não o merece mais, não exerce sua função com a dedicação e o amor pelo outro que ele deveria dedicar. 
  O teatro pode ser o sonho de algumas pessoas, pode ser o pretexto para uma crítica, pode ser o desejo de simplesmente fazer rir, pode ser várias coisas e Os Saltimbancos foi a realização de um sonho.  Um sonho muito lindo diga-se de passagem, com visual e atuação mágicas, afinal os quatro animaizinhos dificilmente sairão da lembrança das crianças que assistiram o espetáculo
     E o espetáculo? Bom... 
     A curva dramática do espetáculo não ocorreu...Dava para ver que os atores estavam ligados em cena, mas não havia o tão famoso jogo do grupo Máschara,   
O Jumento foi perdendo sua força no decorrer da narrativa, A Galinha precisa de mais noção de ritmo de espetáculo, A Maquiagem do interprete do cão precisa ser melhor manipulada, ou ao final do espetáculo assemelha-se a um monstro. No primeiro terço do espetáculo, Gabriel Wink que tem muita presença, conseguiu chegar ao público, mas perdeu-o aos poucos. Alessandra Souza precisa dançar melhor e cantar melhor. É um musical!  Renato Casagrande e Cléber Lorenzoni não estavam plenos como os vi em outros "tomos"  do espetáculo. A trilha foi mal operada. A iluminação merece uma revisitada. E Saltimbancos não merece acabar, uma obra de arte não pode ser negada ao público.

Dulce Jorge **                                      Ricardo Fenner **
Cléber Lorenzoni **                               Gabriela Varone *                
Alessandra Souza *                                Gabriel Wink  *
Renato Casagrande **                             Luis Fernando Lara **
Fernanda Peres **                                    Angela Jaques Freres ?

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Ereda


EREDA, A JUSTICEIRA: 1941


Personagens


HENRIQUE
UM AMIGO
ULRICA, mãe de HENRIQUE e EREDA
WERNER, namorado de EREDA

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Saltimbancos em Julio de Castilhos/ 2012


              A esplendorosa atriz Bibi Ferreria que nesse ano completou 90 de idade, continua firme nos palcos, e pode ser chamada de a grande atriz do teatro Brasileiro, mas de onde vem essa força, essa energia, esse vigor? Da herança dos pais, também atores? Ou de algum lugar em seu próprio íntimo? A atriz faz questão de frisar que não bebe, não fuma, não fala em celular, não bebegelados, fala pouco, tudo para proteger a voz. Alguém diria, mas assim ela não vive... Não sei se concordo, mas sei que o corpo, a voz de um ator é seu maior suporte de trabalho. É preciso cuidar desse suporte, protege-lo, abastecê-lo sempre para que quando em cena possa extrair dele o melhor. O público merece o melhor, e os grandes atores, e até mesmo os pequenos devem isso ao público, aos colegas de cena, aos seus diretores...

           O espetáculo os Saltimbancos foi apresentado emJulio de Castilhos, em comemoração ao aniversário do clube José do Patrocinio, em uma ótima iniciativa que visava trabalhar o racismo, o preconceito, as diferenças etc... Nada melhor que falar disso com as crianças através de um texto musical que fala da tolerância e do aprender a viver com as diferenças. O espetáculo não é longo, embora as vezes pareça se arrastar, coisas do dia... O elenco canta razoavelmente, não se espera que sejam exímios cantores, embora todo ator devesse saber cantar e dançar. E aí as vozes de Renato Casagrande e de Cléber Lorenzoni preencheram o espaço. Mas o que mais encanta são as caracterizações, a beleza das formas, dos quadros cênicos, as coreografias e os quatro animaizinhos, atores dom excelente trabalho corporal. No quesito interpretação, o espetáculo rendeu boas risadas, e Gabriel Wink, protagonista do espetáculo, pegou as crianças logo de chegada, convidando-as a participarem da encenação. O que me surpreendeu foram suas saídas de cena a todo instante, sem mais nem menos, sem uma explicação razoável, deixando obviamente furos no sentido das cenas. Furos esses preenchidos rapidamente por outro interprete, mas que deixavam confusa a compreensão da narrativa. A própria semiótica do espetáculo é barbarizada quando o desenho de uma encenação que desenrola-se com quatro figuras em cena, simplesmente perde uma dessas figuras. O ator que desapareceu de cena é muitíssimo criativo e poderia ao menos ter encontrado alguma explicação teatral para abandonar o palco e os colegas.
             O teatro é como um navio que vai passando, que tem seus comandantes, sua tripulação e seus passageiros. O comando do navio, é a figura mais importante, ele toma as decisões e jamais pode abandonar a navegação. Ele afunda junto certamente. A tripulação, os marinheiros não podem solucionar as coisas sozinhos. Por tanto se o comandante se retira, o navio afunda...
              A interpretação de Alessandra Souza é agradável, mas não vejo a atriz se divertir, brincar, soltar-se, evoluir, subir aos céus qual atriz que ama o que está fazendo. Há pouca nuance, e sua impostação fica monocórdia. Isso sem falar nos momentos que a atriz fica como se cuidando em cena, ora no momento em que um ator entra em cena, liga-se e só “desliga-se”, quando o espetáculo acaba. O bom ator tem a personagem consigo enraizada, fincada até o fundo de sua derme. A dança precisa fluir, e não se tornar um aparte na interpretação.
              Renato Casagrande passa firmeza, sabe sua parte e a parte dos colegas o que é louvável, seu trabalho corporal é exímio e destaca-se a cada apresentação, no entanto na fala: -Tu ficas na granja... -Está adiantando e perdendo o “play back”. Em algumas cenas seu falsete escorregou, provavelmente por culpa do nervosismo causado pela confusão estabelecida pela ausência do senhor Jumento. Cléber Lorenzoni e Gabriel Wink são grandes atores, mas não são invencíveis. O teatro é uma técnica, que precisa ser dominada. Ninguém é sempre exímio, ninguém é só fracasso. A curva foi prejudicada. E a curva nunca pode ser prejudicada. Preciso ainda elogiar a equipe técnica, Fernanda Peres, Luis Fernando Lara e Gabriela Varone. O teatro só acontece quando há uma equipe organizada que estrutura tudo. Uma equipe sempre pronta antes que alguém precise pedir as coisas. O trabalho deve fluir, o ator deve encontrar seu cenário, sua iluminação, seu figurino pronto, organizado. Há também se parabenizar a produção a cargo de Ricardo Fenner que vai levando o Máscharaà todos os teatros e comunidades.  O teatro não pode parar...


Gabriel Wink *
Alessandra Souza *
Renato Casagrande  **
Cléber Lorenzoni  ***
Gabriela Varone  **
Fernanda Peres  **
Luis fernando Lara  ***

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Feriadão em Julio de Castilhos 2012

Os Metralha e os Prudente estão de volta...


           Quando um espetáculo fica tantos anos em cartaz como Feriadão do Grupo Máschara, muitas coisas boas acontecem e também muitas coisas ruins. Atores bons saem dando lugar a outros não tão bons, atores fracos saem dando lugares a melhores atores. Cenas acabam por ir se transformando na verdade de cada artista e viram outras coisas. O diretor quase sempre, quando acompanha o espetáculo, vai mudando seus pontos de vista, suas impressões e isso vai se refletindo no espetáculo. Conclusão, quem vê um espetáculo e o revisita dez anos depois, encontra outro espetáculo.
             A arte e principalmente um espetáculo teatral mudam, e isso é ótimo, afinal arte parada, estagnada, não acompanha a evolução a sua volta. O cerne de Feriadão escrito por Hercules Grecco e adaptado por Cléber Lorenzoni, é a mobilidade das pessoas. Assunto apropriado para ser tratado ainda na infancia. os direitos e deveres do cidadão. O respeito ao espaço do outro. Feriadão não é um espetáculo educativo, pelo contrario, as personagens chegam a extrapolar em seus marotismos e desentendimentos, no entanto passeiam divertidíssimos no universo da inconstância infantil. 
                 O Grupo Máschara tem como qualidade primeira, a excelência de sua performance. Seja em teatro, seja em lona, seja no meio da rua. Seus atores sempre tentam fazer o melhor. Buscam visivelmente a perfeição. Corpo, voz, interpretação a serviço do público e do melhor aproveitamento do espetáculo. E foi isso que vi em duas seções da peça. Cléber Lorenzoni, Alessandra Souza, Gabriel Wink, Renato Casagrande e a estreante Fernanda Peres envolveram crianças, pais, e todos que cruzaram pela feira de livros em busca de literatura e entretenimento. Para mim um espetáculo teatral deveria sempre ser apresentado em locais fechados, onde a fantasia do teatro não sofre a interferencia de pessoas sem interesse, de ruídos da rua e nessa época, que Deus nos ajude! de propagandas politicas. No entanto o teatro precisa ir onde os públicos o querem. 
                     O elenco do Máschara é muito versátil, Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande dançam com total pericia de movimentos. Gabriel Wink consegue ter o precioso tempo da comédia sempre na ponta dos dedos. Alessandra Souza e Fernanda Peres jogaram muito bem, cada uma em seu núcleo cênico. Os atores ainda cantam e contam divertidamente a historia de quatro crianças que de um sótão viajam por diversas situações.
                       O profissional do palco, mais precisamente o artista de teatro, recebe sempre muito pouco valor por seu trabalho. Embora precise de muita técnica e teoria  para exercer sua profissão, ainda assim, tudo parece impalpável. Fernanda Peres aprendeu muito e pouco tempo e esteve plena em cena. Ainda pode crescer muito, mas preciso elogiar seu esforço em abraçar um papel em poucos dias, ainda que com pouco tempo de palco. Gabriel Wink, apesar de ser um ator com pouco tempo disponível para ensaios, está quase sempre perfeito em cena. Apenas na segunda apresentação poderia estar mais atento e assim não atrasar ou atrapalhar a terceira cena do espetáculo. Alessandra Souza estragou uma deliciosa marca, formal e lúdica, que longe de um teatro com iluminação e outras perfumarias, precisava ainda mais de dedicação e perfeição. Renato Casagrande não estava perfeito como sempre é, e precisa ter cuidado  já que é um dos atores mais talentosos da cia. Cléber Lorenzoni esteve bem como sempre, mas preciso realçar que as partituras e tempos inspiradas em desenhos animados, foram se perdendo nos outros atores e ele foi o único que a manteve do incio ao fim das apresentações. 
                         A trilha e a contra-regragem de Gabriela Oliveira foi atrapalhada, e precisa visivelmente de mais alma. 

Alessandra Souza  */**
Fernanda Peres  ***/**
Cléber Lorenzoni **/**
Renato Casagrande */**
Gabriel Wink  ***/**
Gabriela Oliveira */**
                   


            Arte deveria ser vida...
                   


Os Saltimbancos- Cartazes outubro de 2012