segunda-feira, 28 de junho de 2010

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O Ator Ricardo Fenner


Rômulo Seitenfus
Conde: Sinto-me dolorosamente mal...

Em Cena Gabriel Wink

Rômulo Seitenfus
Ágata: Que fazeis aí pequena? Tão assustadiça...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

sábado, 19 de junho de 2010

Em uma conversa teatral, o diretor Cléber Lorenzoni busca o olhar artístico de seus atores. Dulce Jorge, Angelica Ertel, Gabriel Wink, Alessandra Souza e Renato Casagrande divergem, opinam, perdem-se e encontram-se em devaneios teatrais gostosos para quem ama o palco.

-Ouvindo vocês da para perceber claramente seu amor pelo que fazem. Mas como foi seu primeiro contato com o teatro? O que mudou? E essa mudança foi substancialmente visível?
RENATO-Não sei ao certo, antes de  conhecer o Grupo Máschara eu não era ligado de nenhuma forma com o teatro, não sabia que em  Cruz Alta havia um grupo de teatro.
ANGÉLICA- Um dia a cinco anos eu cheguei à Casa de Cultura levada pela minha mãe para me iniciar na arte teatral. O que iria me esperar dali em diante eu não sabia. A cada dia, a cada ensaio, novas descobertas, novas dúvidas, novos questionamentos, que ao longo do processo foram substituídos por ideologias e devaneios teatrais. Hoje, atravessados esses anos, relembro o passado analisando a evolução artística e no fim percebo: virei uma atriz.
ALESSANDRA- Ah, foi com o teatro que descobri quem sou de verdade, aprendi a conviver melhor com as pessoas, pude ser quem eu quis, pude despertar minha criança interior, meu lado sensível e outros lados também.
DULCE- No momento em que descobri o teatro e o descobri em minha vida, pela primeira vez, percebi que eu seria útil em algo e, ao contrário do que pensava, tinha uma verdadeira vocação, sabia o que quera. Tinha me "encontrado".
GABRIEL-O prazer do palco é superior a tudo o que conheço...
RENATO-Senti que o teatro sería meu "lar", e que também seria o meu "refúgio".
DULCE-Eu finalmente senti que fazia parte da existência.
GABRIEL-Tenho algo dentro de mim que precisa de teatro, que quer falar, se mostrar, mas não é um simples exibicionismo, é uma "gana".
-Ta mas esse inicio foi difícil...?
RENATO-Quando fui ao núcleo pela primeira vez estava envergonhado, não sabia por que...Agora  vejo que larguei amigos e familia pelo teatro.
ANGÉLICA-Por causa do teatro abandonei as ideologias familiares, abandonei almoços de domingo, jogos da seleção nas copas do mundo, missas nos domingos de manhã, chimarrão as tardes de domingo, jogos de futebol com o pai, fazer as unhas no sábado com a mãe, jogar computador com o irmão, etc. Desisti de ter uma vida comum, mas tudo isso em prol de uma movimentação muito maior, a arte teatral.
-E agora não da para viver sem?
RENATO- Se um dia o teatro sair de mim serei uma pessoa vazia, terei que trabalhar em outro lugar, fazendo algo que não gosto e não quero. Da mesma forma que uma flor que murcha ao ficar sem água, eu murcho quando fico sem meu teatro!
ALESSANDRA-Quando fico muito tempo sem o palco, quase enlouqueço...
ANGÉLICA-Por muitas vezes pensei em desistir, em ir contra o teatro, devido aos diversos problemas enfrentados a cada dia. O quanto morremos mais rápido do que os que não fazem...
GABRIEL-Pois é, embora, o teatro seja por demais complexo. Mexe com nossas emoções, redesperta aquilo que estava guardado, ou então nos faz esquecer aquilo que estava guardado, ou então nos faz esquecer aquilo que não queríamos. Então algumas coisas acabam se tornando mais importantes do que as coisas realmente importantes teatralmente... E aí tudo se complica.
-E como vocês vêem a relação com o público, o teatro ainda é tão pouco vislumbrado aqui no interior, não é? O que vocês diriam ao público?
RENATO-O público só ouve quando quer...
GABRIEL-A cada dia diria algo diferente, afinal a cada dia sentimos algo diferente.
ALESSANDRA-Só vão ao teatro se estiverem afim, e prestem atenção nos dramas e nas histórias mais complexas, pois elas os farão pensar e ampliar um pouco seus conhecimentos.
DULCE-Filhos da Puta! Isso é o que eu diria... E  diria também: Isso que vocês estão vendo e pensando, na sua mediocridade, que não é trabalho, que não dá trabalho, é muito mais do que vocês fariam durante uma vida inteira!
-Mas também não da pra generalizar...

DULCE-A sim e enfim, só mesmo o próprio artista, para compreender aquilo que faz!
GABRIEL-Não sei se preciso dizer algo ao público, que bom que ele está ali disposto a me ouvir a me assistir, me dar atenção e pra mim basta.
RENATO-A gente usa frases internas em cena, tipo quando estou no espetáculo infantil estou dizendo um montão de coisas. As crianças receberam a minha mensagem, algumas irão usar, outras nem tentarão.
-Vocês viajam por todo o estado com seus espetáculos,  principalmente com Lili Inventa o Mundo, que é um espetáculo infantil. Como é a relação com as crianças?
GABRIEL-Adoro o teatro infantil, me sinto livre para criar, para brincar com os colegas de cena, (mas tudo na medida, é claro), acho que um ator só é um ator quando trata um espetáculo infantil com a mesma seriedade que encararia uma tragédia grega.
RENATO-Fazer teatro é o prazer completo. E em espetáculos infantis é olhar os olhos curiosos de uma criança; vê-las imitando partituras, ações ocorridas no espetáculo; enfim um montão de coisas, o sorriso no rostinho delas...
ALESSANDRA-O rostinho delas atento a espera de mais uma emoção...
DULCE-O teatro infantil é a semeadura para um futuro mais culturalizado...
-Dulce, você não participa muito de espetáculos infantis, certo?
DULCE-Aprecio VER um espetáculo infantil, ver as crianças encantadas, envolvidas. Mas por algum motivo, que não sei qual é, não consigo me ver participando confortávelmente de um espetáculo infantil.
-E da para levar numa boa a relação com a familia? Fernanda Montenegro diz que artista tem que ficar com artista... Será que é assim mesmo? Como é a relação de seus familiares com sua arte?
DULCE-No meu caso é de apoio com um pouco de ignorância.
ANGÉLICA-A família, pai, mãe e irmão são o meu porto seguro, sem eles não teria condições de fazer teatro da maneira que faço, viajando para fazer minha faculdade. Se eles não me apoiassem e me dessem o suporte financeiro, não poderia fazer isso. Por isso sou completamente agradecida, e toda a vez que nos apresentamos em um Cena às Sete, são para eles que dedico meu trabalho. Mas como disse, o teatro vem acima de tudo, é o meu amor, amante e amigo, é o meu mundo, meu meio, meu anseio. Família e teatro, ambos não se entendem, mas um dia chegarão a um acordo e verão que estou certa ao escolher o teatro.
ALESSANDRA- A minha familia me da problema, ai eu fujo para o teatro...
RENATO-Neurose, neurose, neurose... refúgio, tristeza, felicidade, sucesso, Para a familia seis horas do meu dia, para o teatro 24!
GABRIEL-Acho que o que tem mais forte dentro de uma família e também no teatro é a dependência mútua, um depende do outro.
-Essa ja é a receita para o bom teatro?

GABRIEL-Pois é, cada um tem uma determinada função. Para que as coisas corram bem, é preciso harmonia, admiração entre seus envolvidos. "Todo devem sentar a mesa na hora do almoço".
-E quando é um trabalho solitário?
RENATO-Para mim um ator sozinho no palco é egoísmo...
ALESSANDRA- ...é com colegas dispostos a criar que aprendemos a atuar, a ter presença, tendo uma concorrência exigimos mais de nós mesmos, não relaxamos, pois sempre precisamos superar nossos próprios limites.
-Angélica, você fez recentemente um monólogo, Delírios de Amores e Cigarros, no Máschara vocês montam peças com grandes elencos. É muito diferente?
ANGÉLICA-Quando fiz o meu monólogo, já que nele estava sozinha em cena, antes de começar a peça, chamei nas coxias o meu diretor teatral e pedi que ele me abençoasse, para me passar sua energia que há cinco anos, me é concedida. Ao término do mesmo, o público aplaudiu com veemência, valorizando ainda mais a minha “arte exposta”. Agradeci à parte técnica que na noite anterior passou montando a minha luz. Agradeci à orientadora e aos colegas que me acompanharam por um ano. A arte não se faz sozinha, ela pode ser individual, cada um tem seu potencial artístico, seu talento, suas técnicas, mas o coletivo torna-se a base da arte, afinal necessitamos de pessoas nos assistindo, de pessoas trabalhando em pról do nosso trabalho.
GABRIEL-Ta mas teatro com quem sabe o que é teatro, com quem sente o teatro, teatro com quem sabe o que esta fazendo...
DULCE-Acompanhado como sinônimo de cumplicidade, de ideais em comum. Que não seja em meio a um grupo de pessoas que olham em direções bem diferentes.
RENATO-Tem que ter a triângulação perfeita, ator-atriz-público. Jogo cênico! Atores que não são íntimos correm o perigo de não ter jogo. De não "ocupar o mesmo espaço".
-Então o teatro é quase uma vida paralela, com sucessos, perdas ganhos e desilusões. Sem arrependimentos? Onde querem chegar? O objetivo máximo?
ALESSANDRA- Talvez pela lógica, um dia eu acabe casando, tendo que largar o teatro e cuidar da minha familia, pelo menos é o que todas as pessoas fazem. Mas eu vivo fujindo  disso, quero um dia viver do teatro, para o teatro. Um sonho...
RENATO-Quero levar teatro ao maior número de pessoas possíveis. Quero ensinar e aprender com elas... Quero que elas aprendam a "ler", "ouvir" e "ver"...
ANGÉLCA-Eu não sei aonde quero chegar, mas sei como quero chegar. Quero chegar à velhice com o fogo da juventude, quero ter na bagagem grandes personagens, que estes tenham me dado o ensinamento que não poderia ter na vida real, quero ser atriz, diretora e professora de teatro. Quero passar os dias discutindo textos, fazendo leituras dramáticas, comentando aprendizados, descobrindo ideologias teatrais, buscando novas formas de expressões artísticas, me desafiando. Quero viver da arte e para a arte.
DULCE-Tem dias que a gente perde o fio da meada, perde aquela esperança... Tem dias que fazer teatro representa a anulação da auto-extima. A sensação de ser inferior ao mundo que me cerca. Mas ai recordo lá do começo, de quando descobri que era muito mais do que imaginava. E as penas são menores do que a realização de estar no palco.
GABRIEL-Eu amo isso tudo, das alegrias e tristezas que o teatro trás consigo, do olhar do colega de cena, dos desafios de cada apresentação, a melhor coisa do teatro é o espantar da monotonia, o descobrir algo novo a cada dia. Não sei onde quero chegar, o teatro é que sabe.
ALESSANDRA-"A vida não é para ser apenas vivida, ela precisa ser sonhada"...
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Dulce Jorge - fundadora do grupo Máschara, diretora de teatro e atriz há 18 anos.
Renato Casagrande- Ator há dois anos, provindo do núcleo de teatro.
Gabriel Wink- Ator há quatro anos, professor de teatro para crianças.
Angélica Ertel- Acadêmica de Artes-Cênicas. Atriz há quatro anos.
Alessandra Souza-Atriz há três anos provinda do núcleo de teatro.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Atores do Máschara em Performance

Tatiana Quadros, Renato Casagrande, Gabriel Wink, Cléber Lorenzoni, Roberta Corrêa, Alessandra Souza E Angélica Ertel

Ed Mort e a mãe soráia...

Marcele Franco e Cléber Lorenzoni

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Diário de Bordo XIX - A Maldição do Vale Negro - 33º Cena às 7

O Prazer de Todos

Quando assisto à um espetáculo, costumo prestar atenção em tudo o que acontece no espaço a minha volta. O Teatro não acontece somente no palco, ele começa la na porta do teatro, no Foyer. Gosto de observar o pessoal da gabine técnica, ver se estão nervosos, anciosos, calmos... Gosto de observar as barras de luz, antes mesmo da cortina abrir. Gosto de observar a movimentação dos técnicos, se vão aos camarins, se há algum problema ou se tudo está perfeito.  No Cena às 7 por exemplo, observo quem está na portaria, se há cartazes, se houve divulgação, como organizaram mesa de som e luz, e assim depois que percebo todo o ambiente é que estou preparada para assistir ao espetáculo.  O Teatro é uma energia que se estabelece quando tudo e todos conspiram a seu favor...
Ontem à noite fui recebida pela atriz Dulce Jorge,  saudade de vê-la em cena. Já no auditório escolhi um ligar agradável, nem muito a frente, nem muito atrás. A frente deixo para os mais medíocres e as ultimas cadeiras para os que foram por outros motivos...
A Maldição do Vale Negro nunca esteve tão inteira, viva como nessa edição do Cena às 7. Havia gana (não que esse seja o único ingrediente necessário), os atores estavam inteiros, a triangulação foi perfeita.
Algumas palavras se perderam em alguns momentos pela exacerbada rapidez dos textos. Cléber Lorenzoni podia dedicar mais talento à personagem da condessa e Gabriel Wink ao seu Marquês.  Ricardo Fenner surpreendeu-me com uma ´presença" brilhante,  Ah! Como é maravilhoso ver atores em cena, prontos, preparados para o que estão fazendo.  Em um momento em que um dos atores ergueu o que seria a cortina de uma janela á esquerda do palco, eu vi la atrás, um dos contra-régras e aí pensei: Tal espetáculo tão repleto de trocas de figurinos, cheio de adereços, entradas e saídas, deve ter ótimos contra-regras.  Fiquei imaginando, que grau de humildade e disponibilidade tais criaturas devem ter, para aceitarem ficar escondidinhos, apenas alcançando coisas e trabalhando para o espetáculo ficar maravilhoso lá na frente. Aí questionei-me o quanto os atores dependem dessas figuras, para exercerem bem o seu trabalho. E raciocinei mais ainda, quantos contra-regras são realmente felizes no que fazem e o quanto são valorizados ao final de cada espetáculo. E o quanto alguns deles devem ser desvalorizados por atores estrelas. Mas com certeza isso não acontece no Máschara... 
Será que os atores são capazes de perceber o quanto um contra-regra também tem de artista?
Fiquei irritada no entanto com dois pequenos aquéns, que para mim prejudicaram a noite. Primeiro a falta de uma sinopse, ou mesmo ficha técnica no inicio. Como era de praxe em noites de Cena às 7. Em segundo, a presença de um fotógrafo que caminhou pelo teatro incansavelmente tirando minha atenção, fazendo barulho, movimentando a platéia, e ainda usando o flash da câmera, o que ocaionou em dois momentos a quebra do efeito blecaute do espetáculo. Uma pena... Mas, o teatro como eu disse é feito por muitas pessoas, e não há como ensinar todas elas.
    

    A Rainha

domingo, 13 de junho de 2010

Diário de Bordo XIII - lili Inventa O Mundo em Julho de Castilhos - 2010

 O Ator Criador

Que um espetáculo está sempre em constante mutação, que o teatro é uma arte em movmento, que uma apresentação nunca é igual a outra nós já sabemos, contudo, as vezes o ator cai em pequenas armadilhas que podem por em risco seu trabalho. Depois de algum tempo com um espetáculo, acontece um fenômeno causado pela maior compreensão da narrativa, o ator começa a esticar suas pauzas, suas intenções de forma que o espetáculo vai se tornando longo, espichado até transformar-se em outra coisa. Outra situação é a robotização, o ator começa a repetr sempre da mesma forma sua cena. Isso não chega a prejudicar a leitura do espetáculo por parte do público, mas a longo prazo pode deixar a cena fria e sem interesse. Há ainda o ator que vai modificando suas intenções em pról de novas reações do público, por exemplo, na comédia vai mudando as piadas em busca de novas fontes de riso. O Teatro é uma profissão complexa, você tem um diretor, que mais ou menos te diz o que deve ser feito em cena. Mas na hora "h", é o proprio ator que sabe de sí, que acaba fazendo o que quer em cena. No entanto é necessário perfeito jogo entre diretor e ator, em pról do melhor à cena.
No espetáculo de hoje, percebí algumas desconexões. Atores trabalhando sozinhos. Falta de jogo.
A Atriz Alessandra Souza compõe uma figura muito harmônica em cena, mas precisa aprender a canalizar sua energia. A figura de A rainha das rainhas, È uma das figuras mais fortes que já vi em um espetáculo infantil, é grande em simbologia. E sua intérprete precisa saber carregá-la. Veja bem, é necessário que o que a personagem e a atriz tenham a dizer seja mais forte que o que o público já traz consigo sobre essa figura.
Depois de tanto tempo vi em cena Roberta Corrêa... Mas ela estava realmente em cena? Sim a atriz parecia concentrada, "presente", mas devia se perguntar, qual realmente é minha função aqui...Veja bem, como posso somar, somar para que a narrativa se torne mais compreensiva.
E quanto a minha atriz infantil prediléta... Não estava inteira na cena, estava sim corporalizada, mas sua alma não estava tão presente...
Quanto ao elenco masculino, alguns excessos, algumas anemias, mas no todo, cumpriu mais uma vez sua função.
Não me canso desse espetáculo por que continua vivo, pulsante... Mas é preciso estar atentos...


                                                                                                   A Rainha



Diário de Bordo XII - Oficina de Teatro em Veranópolis - junho 2010

                                      
O Teatro também para os adultos...

Muitas vezes, escuto os adultos se pronunciando a respeito de oferecer teatro as crianças, dizendo que precisam levar seus filhos ao teatro, que gostariam de colocá-los em escolinhas de teatro etc... Quando na verdade me pergunto se o adulto não precisa ainda mais da educação artística...
É como se oferecendo teatro a criança, o adulto se eximisse da obrigação de ter que participar da arte...
Nessa segunda-feira, viajei quase sete horas para levar oficina de teatro à professoras de uma escola de Veranópolis.
Lógo na chegada uma professora interceptou-me para falar sobre uma esposição de quadros que estava acontecendo alí onde haveira a oficina. Ela parecia muito interessada no que via, e me questionou: -Que será que quer dizer essa pintura?
Aquilo me inspirou, instigou-me. Mais tarde na oficina eu questionava às professoras: -O que o artista quer nos falar? O que ele está fazendo sobre o palco? O que é o teatro afinal?
Voltei um tanto frustrado... As vezes queremos muito tornar agradável nossa aula, as vezes queremos fazer com que os alunos passem a admirar ainda mais a arte. Mas infelizmente as vezes é uma experiência que faz bem apenas ao oficineiro.
O Teatro tem muitas funções, pode ser manipulado em pról da arte em sí, mas também da terapía, do auto conhecimento, e de mil outras possibilidades. Mas ainda é doloroso perceber que ele não é tão bem vindo, que as pessoas não sentem necessidade de compreendê-lo. Algumas inclusíve tem medo dele. Medo do poder de desmascarar que o teatro possui. Os não iniciados rapidamente acabam por ser vencidos. A máscara da desinibição exagerada, os piadistas da turma, são na verdade os mais inseguros. Os mais timidos ao contrário, revelam-se fortes, corajosos.
Algumas professoras me emocionaram muito em suas improvisações. Foram sensíveis em sua percepção do que eu estava fazendo alí.
Mas nesse dia saí frustrado, pergutando-me por que a arte é algo tão distante da nossa realidade....

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Entrevista Feita por uma aluna de Pejuçara ao ator Gabriel Wink - Maio 2010

1- Qual a a importancia do teatro para você?


O Teatro hoje tomou conta da minha vida, busco cada dia ser melhor, me aprofundar mais, é o que melhor sei fazer e o que mais me sinto bem fazendo, quando ouço o barulho da platéia chegando, os holofótes se acendendo algo dentro de mim começa "a entra em erupção" e aí tenho a certeza de que estou fazendo a coisa certa.

2- A quanto tempo voce trabalha nesta profissão?

Trabalho como ator a cinco anos, mas parece que fiz isso a vida toda, acho até que só comecei a viver de verdade quando conheci o teatro, ou pelo menos comecei a viver melhor. Já fiz mais de quinze espetáculos, já fiz, comédias, dramas, tragédias, clássicos, de tudo um pouco.


3- Qual o nome do grupo em que voce trabalha? Conte um pouco da historia do mesmo.


Trabalho no GRUPO MÁSCHARA, grupo que tem dezoito anos de história, com mais de cem premiações em variados Festivais de Teatro, e desde 2008 integra o circuito do "Projeto Emancipar" projeto do Governo do Estado do Rio Grande do Sul e também recebeu em 2005 o Prêmio Cultura Gaúcha.


4- Em que tipo de peça voce gosta de atuar?

Alguns atores, não gostam ou acham que não há mérito em fazer peças infantis, mas eu não, gosto da peças infantis , gosto de retorno imediato da falta de inibição que as crianças tem ao invés dos adultos, elas sim são verdadeiras.


5- Que papel voce prefere representar nas peças?


Gosto de tudo e de todos, o teatro quando bem feito se torna tão maravilhosos, que se pode fazer qualquer coisa, rir, chorar, tanto faz tudo está acontecendo no palco, tudo não palco é melhor e muito maior do que todo o resto.


6- Que tipo de peça o grupo apresenta com mais freqüência?

Olha só, não sei dizer exatamente apresentamos muitos espetáculos em várias cidades, cada cidade quer um espetáculo diferente, então acaba sendo difícil saber.


7- Como você se descobriu um ator?

Isso é difícil de explicar, mas desde criança gostava de brincar de fazer teatro juntava os amigos, primas e primos e iamos todos para área de minha avó encenar histórias, depois na escola foi da mesma forma ia eu juntar os colegas para fazer os casamentos caipiras e outras coisas, aí entrei no Grupo Máschara, onde encontrei a base teórica do teatro e pude lapidar e desenvolver aquilo que desde criança eu sem perceber estava buscando.


8- Para voce, quais as principais caracteristicas de um bom ator?


Poderia falar em presença, em habilidade corpórea, potência de voz , tudo isto é importante sim, e compõem um bom ator, mas tudo isso não passa de obrigação, para mim um bom ator tem que estar vivo naquilo que faz, tornar único e impossível de se reproduzir. Tem que buscar ser o melhor e o mais verdadeiro possível.


9- Na sua opiniao, o tetro envolvendo jovens, ajuda a incentivá-los a seguirem um caminho correto?

Com certeza, além de ator sou também professor de teatro, realizo aulas e oficinas com jovens e crianças de Cruz Alta e já trabalhei com oficinas em outras cidades. O teatro auxilia não apenas na desinibição , mas na compreensão de um todo, desde respeitar e entender diferenças, estimular a leitura e a vontade de aprender mais.


10- Para voce, a sociedade valoriza o teatro?

Viver de arte é muito difícil, ainda mais quando se está no interior, não temos um salário fixo, férias, 13º salário, plano de saúde, dentre outros. As pessoas demoram a desenvolver seu senso cultural, a tomar gosto pela arte, mas continuamos lutando, meu grupo como já disse tem 18 anos, é muito premiado e reconhecido em todo o estado e até fora, mas mesmo assim temos muitas dificuldades.

Cléber Lorenzoni empresta sua mente a Mario, seu personagem em Esconderijos do tempo e fala de sua amizade com a morte...

Você nunca teve medo da morte



Por que ter medo de uma amiga tão querida? De Infância? A minha morte é companheira de criança, brincou, dançou, me acenou logo cedo, e cresceu comigo... É uma musa, uma mulher encantadora, ela é fiel, leal e nunca se adianta em seu propósito. Ela sabe dançar valsa, penso mesmo que ela saiba dançar qualquer coisa, inclusive a sinfonia nº 5 de Gustav Mahler. A minha morte é como que eu quiser, pois ela nasceu comigo... E a sua?


Você brincava com a morte por que sua mãe não deixava vc sair muito, já que vc era um menino frágil, sempre doente... Um menino de aquário...?


Eu tinha irmãos, e brincávamos muito, brincava sim com outras crianças, e até com o anjinho Malaquías que as vezes aparecia lá em casa...



Seu amiguinho imaginário?


Malaquìas nada tem de imaginário, Malaquìas é muito real, ta!


Você sempre gostou muito de crianças, e elas sempre gostaram de vc, vc pode se julgar o poeta das crianças...?


Todo poeta tem uma criança dentro de si, pois é preciso ver o mundo com os olhos de uma criança. Acreditar, sonhar, ter esperança. Um dia vc acorda e passaram-se 60 anos, e incrivelmente aquele menino continua dentro de vc, cheio de vida, sorrindo, esperando... Eu penso que a minha vida passou tão depressa, esse que vc vê está meio enrugadinho, mas não se iluda, embora idade e senso eu aparente, ainda sou o menino que um dia o titio levou ao circo para ver as equilibristas...


Você se enamorou, apaixonou-se algumas vezes?


A sim, pelas ruas, pelas igrejas, pelas pracinhas, pelos poeminhas, pelos casais apaixonados, pelas minhas musas... Vocês não acham a Bruna Lombardi uma gracinha...?


O que vc espera? O que mais ainda falta nessa vida?


Poder estar deitadinho de sapatos... Ah e rever o cometa Harley, tão lindo com sua ondulante crina de cavalo celeste...Fazer mais poeminhas e quem sabeto mar um café num dos barzinhos o mercado... me acompanha?


Onde assistir Mario Quintana interpretado por Cléber Lorenzoni? No Espetáculo Esconderijos do Tempo, confira na agenda.