terça-feira, 20 de setembro de 2011

Ed Mort no 41º Cena Às 7

                                         Domingo fui ao Cena às 7, já fui em dezenas de edições do programa teatral criado pelo grupo Máschara. Não estive presente às 41 edições, não sou mais tão jovem, não posso sair em noites muito frias. Logo na chegada dois jovens atores (Renato Casagrande e Alessandra Souza) recebiam o público. Isso muito me agrada, afinal o Máschara sempre tem algo novo, um detalhe, uma inspiração que nos faz sempre perguntarmos, opa  mas nem sempre foi assim, são pequeninas mudanças que talvez o público nem perceba, mas que fazem toda a diferença. Nos acentos algumas almofadinhas, para tornar mais agradável nossa presença naquelas desconfortáveis cadeiras impróprias para o teatro. No palco, coxias, que certamente não foram facilmente posicionadas ali.
                                             O espetáculo teve inicio às 7 horas e 19 minutos. Cléber Lorenzoni adentrou a cena com energia, foco e técnica vocal, logo auxiliado por Dulce Jorge que sempre me surpreende quando faz comédia. No entanto alguma coisa não correu como devia, o começo estava tenso, e só desenrolou-se a partir da terceira cena. Angélica Ertel e Ricaro Fenner deveriam jogar mais quando estão juntos em cena, mas triangulam bem com as outras personagens. Algumas piadas pareceram se perder com o tempo, mas a graça era bem feita, mérito também de Luis Fernando Verissimo que criou magnificamente o personagem tema. As atrizes convidadas Marcele Franco e Tatiana Quadros executaram bem suas cenas. Tatiana Quadros com muito pique por sinal. Sua cena cresceu e alcançou muito bem o público. Marcele Franco forçou um pouco na tentativa de arrancar risos, mas foi pontual. Gabriel Wink entrou em cenas curtas, fez dois personagens, primeiro um tipo interessante e logo depois um delegado carregado de sua já conhecida veia humorística de personagens velhos.
                     

A cena das crianças foi uma das melhores coreografadas e embora o espetáculo não estivesse em um dos melhores dias, a curva foi muito bem arquitetada. A sonoplastia parecia insegura, não emanava perfeitamente do palco e iluminação básica demais para a capacidade do Máschara. 
                        Ed mort é um espetáculo pronto e não pode cair nas armadilhas que  atores preguiçosos e acomodados se auto impõe. A direção é muito orgânica no espetáculo, uma cena desemboca na próxima com coerência e simplicidade. A cena da troca de roupa é rápida e surpreende com astúcia e a solução para o corpinho mais cheinho da intérprete de Penélope é muito perspicaz. Nem só as magrinhas são gostosas...
                        O espetáculo passou rápido, com ritmo mas me parece terminar muito de repente, o que não chega a incomodar.
                             Ed Mort não tem o glamour de As Balzaquianas, ou a versatilidade criativa de A Maldição do Vale Negro, nem a rica mensagem de Deu A louca no ator. Mas é um bom espetáculo que sempre aprecio assistir. Aguardo no entanto ansiosa para ver o que meus artistas preferidos guardam para as próximas edições do cena às 7.



                                                Teatro é Vida

                                                  A Rainha
dois céus
oito terras
um inferno