terça-feira, 23 de agosto de 2011

Deu a louca no ator...- Análise crítica...

Deu a louca no Cléber...

Quem ama o palco como Cléber Lorenzoni, quem ama loucamente o encenador, o teatro, a arte cênica, quem ama o teatro feito no interior, quem acredita na arte fora das grandes cidades, só poderia ter dado algo tão precioso como "Deu a louca no ator" para o elenco e o público Cruzaltense... O Texto é de Antônio Fagundes, mas quem conhece o diretor cruzaltense sabe que aquilo é muito seu, que aquele texto emana as idéias de Cléber Lorenzoni. 
Fui ao teatro pronta para rir e para chorar, sempre vou assim ver os trabalhos do Máschara, afinal nada é riso puro e bobo no Cena às 7, e só quem conhece o peso do drama como os atores do Máschara consegue fazer a comédia tão bem feita que eles fazem. 
O público de Cruz Alta é amoroso, participativo, e educado. Mas divertiu-se ouvindo as malucas paranoias daquele ator que era sim Cléber Lorenzoni. Propositalmente o ator deixou-se mostrar nu em cena para a platéia, despiu-se de grandes maquiagens e trejeitos partiturados para que o público chegasse mais perto de compreender o que tinha a dizer.  Cléber Lorenzoni foi elouquente e sagaz, verdadeiro, e pontuou todo o trabalho, emocionando-me com seu texto na boca de cena, quando agradecia a presença do público. Renato Casagrande compoz sua primeira personagem e Alessandra Souza mostrou-se totalmente nova. É preciso complementar que Cléber, Alessandra e Renato traziam o realismo do espetáculo enquanto Gabriel Wink, Dulce Jorge e Ricardo Fenner entravam com a farsa. O que é farsa? O absurdo tratado com naturalidade. Renato Casagrande precisa melhorar, amadurecer muito, dedicar-se a dicção e a presença. Mas me cobriu de orgulho nesta estréia. Alessandra Souza estava muito insegura, o que quase a desestruturou. E soube buscar apoio dos atores mais maduros. 
Deu a louca no ator é um espetáculo em dois atos. O primeiro pertence a Lorenzoni que pintou e bordou, com corpo e energia. O segundo pertence aos três atores/comediantes que foram maravilhosos. Ricardo Fenner veio vivo, intenso, sedento pelo aplauso do público e conseguiu com seu tenente engraçadíssimo. Sobretudo em sua primeira cena. No decorrer carece de mais jogo, virtuosismo. Gabriel Wink adentrou o palco trazendo sua vigorosa  criatividade humorística. Espero sim, vê-lo em trabalhos diferentes. Aquilo que faz já está comprovado que faz muito bem! As vezes os focos de cena são subdivididos e precisam ser melhor respeitados. Dulce Jorge, não a via há muito tempo em cena. Provavelmente desde 2010. E foi delicioso vê-la monstruosa, destruída cenicamente em cena. Dulce Jorge é e sempre foi muito perfeccionista no palco, para fazer comédia precisa relaxar mais. Mas sua presença duplica em dia de espetáculo e sua técnica formal é visível e orgulho para um diretor metódico e conservador como Cléber Lorenzoni.
A trilha sonora do espetáculo é pequena, mas muito bem escolhida. Não aprecio o tema usado para falar de Molière. Mas Lacrimosa de Mozart é impecável e indispensável ao prólogo e epílogo. 
O palco do auditório Justino Martins mais uma vez virou um teatro. Nas mãos poderosas da equipe de cenário. Quem sentou-se confortavelmente nas almofadas confeccionadas para o Cena às 7, percebeu que o palco estava todo revestido. Trabalho que começou na sexta-feira. O teatro de Cruz Alta não será mais o mesmo, ao menos para o público do Cena Às 7 que a cada dia aprende mais sobre o teatro. Aprende assistindo e participando.
O Cenário é um mimo, uma pintura, parodiando o próprio diretor, o público é alçado para um camarim em questão de segundos e a escolha de parafernália cênica toda em tons de branco é espetáculo para os olhos e bom gosto. 
A iluminação de Angélica Ertel foi executada sem muitos brilhantismos, mas cumpria sua função. Resta agora saber quando Deu a louca subirá novamente ao palco e o que o Máschara trará a cena no próximo Cena às 7. Comigo, carregarei o texto final, e a certeza de que no público cruzaltense há muito mais que um único ser humano sensível na platéia. Haverá logo uma platéia inteira de pessoas contumazes amantes do teatro.

Quatro terras...
Quatro céus...

                                                     Ator que come pedra... Sabe o público que tem!
                                                                                 A Rainha...

domingo, 21 de agosto de 2011

As Balzaquianas em Itaqui


As vezes os atores esquecem que a única coisa que importa é o teatro... O resto, que os outros chamam de vida real, é nada... Não tem importância nenhuma! 
As vezes o público esquece que é a peça m,ais importante desse jogo meio maluco, que o ator está ali unicamente pela platéia.
As vezes a equipe técnica esquece que deve fazer de tudo para que naqueles quarenta ou sessenta minutos de espetáculo o ator esteja ótimo.
As vezes os artistas esquecem que o público merece toda a sua cortesia, sua disposição, por exemplo sua disponibilidade em tirar um retrato após o espetáculo.
As vezes os organizadores esquecem que o ator precisa de estrutura e deve ser bem tratado para exercer com dignidade seu trabalho
O Teatro é um quebra cabeças, onde várias pessoas tem partes para acoplar, todas com um mesmo intuito, de que tudo seja maravilhoso e poético!
Em Itaqui houve tudo isso! Dedicação AO TEATRO APENAS! Público receptivo, carinhoso e disposto! Equipe técnica DISPOSTA! Preocupada em auxiliar os atores, sem ficar PESTANEJANDO... Sem DISCUTIR com seu diretor. 
Itaqui recebeu para sua associação do Teatro Prezewodowski, um dos melhores espetáculos do Máschara. A equipe do teatro foi atenciosa não medindo esforços para que tudo fosse a contento. 
E o espetáculo, um arrojo. Intensidade, dicção, caraterização, disposição. 
Uma curva dramática de fazer inveja. Manipulação gostosa do público. Aquela onde a platéia ri e chora sob o domínio total do elenco no palco. Como se a assistência fosse um tabuleiro de xadrez, em que cada peça move-se a contento dos atores. E esse entregar-se é maravilhoso! É aquilo que buscamos no teatro. Sermos enlevados. Tocados. Dominados pela comoção e entretenimento. 
Cléber Lorenzoni e Angélica Ertel disputam a atenção da platéia até somarem suas atuações em um único Show! O As Balzaquianas termina sob palmas, comprovando por que o Máschara é o grupo certo para ser contratado por qualquer teatro.
Cada vez que assisto seus trabalhos me comovo mais e tenho a certeza de que o interior tem teatro!


Duas terras... O resto é silêncio 



A Rainha


Lili Inventa o Mundo

                                      Um espetáculo independe dos atores, ele é uma combinação de elenco, equipe técnica e público. Isso sem contar a interferência do ambiente, do espaço, da sonoridade, do clima... O teatro é uma arte viva. O ator reflete o público, a platéia interage... Talvez por isso o teatro tenha perdurado por tantos anos. Hoje, enquanto assistia Lili Inventa o Mundo, refletia o quanto a arte  nas mãos de pessoas despreparadas, em eventos não tão bem equipados, pode sofrer danos irreparáveis. 
                                      Lili Inventa o Mundo foi apresentada dezenas de vezes, assistida por mais 50 mil pessoas em todo o estado e recebeu diversos prêmios. No entanto... A apresentação na feira de Livros de Cruz Alta parecia a de um espetáculo novo e ruim. Tudo por que não ouvi os atores, mas os percebi, percebi tensos, preocupados em acertar, em dar as réplicas, em alcançar o público. O teatro que vemos do público é muito diferente do que acontece por  trás das cortinas. 
                                           Cléber Lorenzoni, Angélica Ertel e Gabriel Wink tentavam segurar o público, mantê-lo, alcançá-lo, enquanto Renato Casagrande e Alessandra Souza pareciam ser levados pela enchurrada. A técnica segura os atores que percebem o caos, o instinto sem a técnica, derruba os inexperientes. Teatro é uma ciência muito exata, embora a arte não tenha certo e errado, o bom senso sobrevive em linha tênue!
                                                     Cruz Alta devia investir em pessoas capacitas e profissionais para promover eventos, Cruz Alta é rica em artistas, mas artistas sem chão, escorregam para o precipício!



Três terras,
dois infernos...                                                  A Rainha  ♔ 

sábado, 13 de agosto de 2011

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O


 Grupo Máschara 


estará selecionando 


interessados de  


qualquer  idade em 


 participar de projeto 


 teatral


 remunerado,


interessados


 contatar pelo fone


 33221838


com Dulce.