sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Lili Inventa o Mundo 99 e 100- Horizontina RS

Lili Inventa o Mundo

                          O Máschara foi a Horizontina levar Mario Quintana e a poesia a crianças e professores. Lili encanta sempre, ou pela poesia ou pelo ritmo divertidíssimo do espetáculo. Foram duas apresentações. Cheias de jogo, e de ritmo. Alessandra Souza interpretando duas personagens, devido a ausência de uma das atrizes, continua mostrando que é uma grande atriz, inspirada, cheia de improviso e concentradíssima,  se saiu melhor na segunda inserção, na primeira um falsetezinho agudo demais atrapalhou a audição. Fernanda Peres esteve muito bem, como a preferida personagem de Mario Quintana. Talvez pudesse ser mais prozadora no espetáculo da tarde. Renato Casagrande sempre vem bem em Mathias. Aliás é de longe o melhor dos quatro Mathias que já houveram. Apensas a cena onde Lili e Mathias se encontram após a transformação poderia menos enrolada. 
                          O final do espetáculo foi prejudicado nas duas vezes. Falta possivelmente de ensaios para a interprete de Lili. Cléber Lorenzoni e Evaldo Goullart jogaram muito e arrancaram deliciosas risadas. Goullart poderia ser mais verdadeiro, as vezes sua mascara muda muito rápido revelando a superficialidade. As coisas devem acontecer dentro do ator primeiro. É preciso também tomar muito cuidado para que a criatividade dos atores não prejudique a ação narrativa e a compreensão do atores. 
Como sonoplasta Fábio Novello veio juntar-se a equipe fazendo um trabalho impecável. Que serve de inspiração a outros integrantes da equipe. Mesmo sem conhecer o espetáculo, mesmo sem ensaios, Fábio Novello fez um ótimo trabalho na sonoplastia, cuidando também da iluminação do espetáculo. Prova de que é uma pessoa de teatro. 
                             Uma pena a musica de natal que tocou na cena da transformação. Um erro concertado na apresentação da tarde. Enfim um dia de teatro, de bom teatro...

Alessandra Souza (**)(***)
Renato Grande (***)(**)
Evaldo Goullart (***)(**)
Fernanda Peres (***)(**)
Cléber Lorenzoni (***)(**)
Fabio Novello (***)(**)


                                             Arte é vida


Dia de A Maldição do Vale Negro em Unicruz

Hoje não haverá criticas, haverá ponto de vista.
                   A Maldição do Vale Negro subiu ao palco do Ginásio 2 da UNICRUZ, em cena os já conhecidos Cléber Lorenzoni(Status I), Renato Casagrande(Status II) e Ricardo Fenner(Status A).  Na técnica do espetáculo, Fernanda Peres(Status III), Dulce Jorge(Status A) e Alessandra Souza(Status II). A ideia era receber os alunos novos da universidade com uma noite agradável de distribuição de lanches e teatro.  Acredito que oitenta por cento do público gostou, pois o aplauso foi caloroso. E levando-se em conta que o público era formado em sua maioria por adolescentes, isso é um sucesso. Isso em um espetáculo que apesar de cômico, não é de graça escrachada, é na verdade de texto retórico, e com visual de época. O público logicamente não tem noção do que acontece atrás das cortinas, não sabe logicamente que o trabalho começa às 7 da manhã quando o ator levanta e começa a juntar suas maquiagens, que às nove já está saindo com seu cenário, que às 11 já está trepado em escadas pendurando cordões. Que às duas da tarde já está passando figurinos (não fantasias) figurinos. Que às quatro está passando o texto, às cinco passando o som, às 6 passando a luz e às 7 se maquiando. Um dia dedicado, em troca de muito pouco financeiramente, ou nada. Esta por exemplo foi em troca do maravilhoso espaço que a Unicruz oferece para que o Máschara e lhe seremos muito gratos sempre. Mas o que quero dizer é que acima de tudo, há nisso uma contribuição humana, uma generosidade nessa profissão, ainda que nos tenha o peso de um vício, quero dizer, ninguém verdadeiramente pediu artistas na lista das profissões. As pessoas precisam de médicos, precisam de secretárias, de advogados, mas dificilmente elas dizem precisar de atores. Então parece-me sempre que os artistas forjam-se meio na teimosia. Certa vez em uma loja de artigos para profissões uma atendente me disse, não temos tal objeto para atores, só nas profissões importantes. Nossa, me senti um ser desnecessário para a vida humana. 
                         De toda a forma seguimos ali, tentando não esquecer o texto, tentando triangular, tentando ser engraçados sem se vender, tentando contar a historia da melhor forma, usando as cartas que temos nas mangas. Sacrifícios são muitos, alguns tem filhos, outros tem alguma moléstia ou outras dificuldades. Mas as vencemos. Alguém dirá: não só os artistas, ora mas nas outras áreas há a segurança de um trabalho remunerado, nessa não, nessa há a generosidade do relógio de corda que bate incansavelmente. 
                          Há o carregador que não respeita seu material, há o pessoal da luz que quer colocar de qualquer jeito sua luz, há o pessoal do som que quer mostrar que sabe mais que você, um simples ator. Há a varredora que pisa no cenário, há enfim uma pressão tão grande que na hora de entrar em cena você precisa estar muito calmo, muito inteiro. Mas como fazer isso quando você foi desacreditado um dia inteiro? E não me refiro a este dia, mas a praticamente todos os dias, assim é ser ator. Uma luta, uma luta primeiramente para fazer o teatro obter o respeito que merece. 
                            Mas existe o outro lado, logicamente há o colega ator que não valoriza o que faz, o talento que possui, há o colega que te deixa na mão atraído por novidades. Há o colega que cansou, que não suporta mais tanto sacrifico e decide abandonar o teatro e assumir uma profissão que lhe de mais estabilidade.
                            Acima de tudo, foi uma grande apresentação. Onde o público pareceu se divertir muito. E no fim quando aplaudiu pareceu tirar de nossos ombros todo o cansaço e esgotamento de um dia de exaustão. Isso não é uma reclamação, mas um desabafo cheio de questionamentos, sobre o que é ser ator, para que serve, onde podemos chegar, quem são as pessoas que nos apoiam, e o que conseguimos mudar com a arte.

Ricardo Fenner (***)
Renato Casagrande (***)
Cléber Lorenzoni (***)
Fernanda Peres (**)
Dulce Jorge (**)
Alessandra Souza (***)
                           

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Em frente ao quarto de Mario Quintana


Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande em Esconderijos do Tempo

Acervo Julieta Winck Perussato
                         "Tu é que és um anjo e como anjo teu nome não é Mario e sim Malaquias"

Turnê Santa Rosa-Porto Verão Alegre

                       Falar de um espetáculo como Esconderijos do Tempo com mais de 100 apresentações, com oito anos de historia, com milhares de pessoas encantadas com o que viram, é muito difícil. Falaria de que? Da narrativa? Do texto adaptado? Da construção de ótimos personagens como Glorinha, Mario, Gouvarinho e Lili? Da trilha tão bem escolhida? Difícil, difícil criticar algo tão belo como o espetáculo Esconderijos do Tempo. Aterme-ei portanto a falar do elenco e da técnica que o público recebeu nessa temporada. Engraçado como as pessoas questionam a estranha divisão de Status do Grupo Máschara, não é uma técnica, nem uma regra, muito menos a pretensão de um ou outro decidirem o talento, se é que ele existe, se é que é palpável. O Status é uma media que se o Grupo Máschara desenvolveu baseado na exigência de determinados papéis e na dedicação dos atores. O Status de um ator aumenta devido a seu trabalho, e teatro é trabalho, e trabalho repercute em perfeição. O Status de um ator é o que é e não adianta crer que ele será capaz de fazer algo acima de seu status, a menos que ele esteja pronto para evoluir de status. O ator pode sim fazer um papel de status menor, será daí um grande desperdício. Mas determinado papel será grande em excelência. 
                         Os atores de Status 1 são atores prontos, acredito nisso piamente. Os atores de status 2 tem um facilidade e capacidade laureavel. Os atores de status 3 estão lutando, correndo e atrás para que um dia possam dizer e comprovar, somos "atores verdadeiros". Os atores em status 4 estão em grandes caminhadas. Busca de técnicas, se conhecendo... E precisam de bons diretores a sua disposição. Os atores de status 5 são estudantes. Veja bem, atores de Status 3, não podem ser protagonistas, mesmo atores de Status 2 sofrem para fazê-lo. 
                           Nessa longa turnê, mantiveram-se os grandes atores do Máschara exercendo seu trabalho técnico. Ninguém surpreendeu em nada, nenhum setor. Apenas Evaldo Goulart mostrou dedicação, que já era esperada, mas que veio de forma muito eloquente. 
                        Alessandra Souza e Tatiana Quadros mostram que são grandes atrizes, com cenas redondas e perfeitas. Principalmente nas ultimas duas noites. 
                           Esconderijos do Tempo precisa ser visto por todos, pois é de longe o melhor trabalho do Máschara, o melhor trabalho de seu elenco e uma aula para os atores que fazem parte do espetáculo. Sempre que paro para analisar a obra, surpreendo-me pela compreensão de que estou na frente de uma daquelas grandes criações do teatro. 
                             As pessoas podem não concordar com minhas colocações, podem se retirar se sentirem-se injustiçadas, mas não sou eu quem dito a capacidade de cada ator, é o público, são os colegas de palco, são os Deuses do teatro. 



Alessandra Souza (**)(*)(***)(***)
Cléber Lorenzoni (***)(*)(**)(***)
Dulce Jorge (**)(**)(**)(***)
Fernanda Peres(**)(*)(*)(***)
Fábio Novello(**)(*)(*)(**)
Renato Casagrande (**)(**)(***)(**)
Tatiana Quadros (**)(**)(**)(***)
Evaldo Goulart(***)(*)(**)(**)
Ricardo Fenner (**)(**)(*)(*)
Leonardo Drea(**)

Cléber Lorenzoni ao lado de Mario Quintana


Vem aí A Maldição do Vale Negro


Mario e Glorinha

Acervo- Fábio Novello"...Pelas janelas altas o azul convida os meninos..."