terça-feira, 28 de junho de 2016

A entrevistadora do programa Sala de Estar da Unicruz TV - Luciane Dall Soto - uma das grandes apoiadoras de nosso trabalho


Esconderijos do Tempo no Salão de Atos da UNIJUI


Grupo Máschara em performance 833 no ctg Toríbio Verisssimo


IXª edição do Complexo de Elecktra - 739

                    
Não da para exigir reações...ou da para exigir as reações...?



               Quando falamos em adaptação, muitas vezes pensamos o seguinte: determinada pessoa pegou um texto, foi extirpando trechos e o que sobrou, ou o que conseguiu manter, jogou sobre o palco. Não, definitivamente esta é uma visão equivocada do trabalho de adaptação de um dramaturgo. Sim, chamo-o assim, pois o adaptador precisa ter um extensa noção de carpintaria teatral, boas noções de direção, compreensão de curva dramática, e etc...
                  Na adaptação feita por Ivo Bender a partir  de Eurípides, o autor pretendia falar de algo, algo que não é o que o Máschara pretende falar. Em Bender faz-se alusão a grande enchente de 1941, à colônia alemã. Cléber mantém parte disso, no entanto, traz ao pico o tema do complexo e para isso, faz uso de cenas bastante fortes.  Lorenzoni, influenciado pelo contemporâneo a sua volta, faz a  obra caminhar meio como Eugene O’Neill em sua Mourning Becomes Electra. Vê-se nessa histérica Electra um olhar froidiano que felizmente não há nas tragédias gregas, logicamente. O tema universal continua presente, a justiça, no entanto o olhar sobre a vingança mudou. Os gregos de uma Atenas repleta de atos tão bárbaros, aceitavam a vingança, o que acrescia à Electra uma certa razão. O’Neill segue os passos de Eurípides, distanciando-se da religiosidade e da força do divino, enquanto Lorenzoni e Bender seguem pelo olhar de Sófocles. A grandeza é enfraquecida por O’Neill em sua Lavínia, já que ali a heroína não é mais filha de um rei. Em Sófocles todas as personagens pertencem a uma grande dinastia famosa. Agamêmnon é o rei, sua esposa Clitemnestra é a rainha, e os príncipes de direito Electra e Orestes. Isso lhes concede grandeza, nobreza de sentimentos inata e princípios morais altíssimos.  Em O’Neill, o general Mannon é prefeito, em Bender e Lorenzoni, um fazendeiro. A grandeza aqui está na plástica, no porte de cada composição cênica. Os medos impostos pela religião, tem agora, em meio ao mundo moderno, a força do biológico. “Um dia verás que somos iguais Ereda”. Mãe e filha, genética e sangue.
                   Em meio há tantos olhares, sinto falta de compreender perfeitamente qual é o olhar do Máschara. Há uma rixa interna que me faz ver muito forte o texto de Bender. Se essa for a opção não há problemas, mas é preciso assumi-la. O que de certa forma, já não é mais o caso, principalmente por que agora temos três cenas totalmente diferentes da proposta do escritor porto alegrense.  Ora, Bender escreveu um texto realista/regionalista. O Máschara conceituou-o de forma expressionista.
                E esse expressionismo é um logradouro pouco visitado pela população de uma cidade onde o costume de ir ao teatro é algo novo. Nessa tragédia não há o descanso cômico entre as cenas como em tantas outras. Pelo contrário, a tenção e de certa forma o terror, é buscado continuamente. Sendo assim a plateia não pode relaxar suas tenções. Há portanto duas saídas, manter-se tenso até o final, ou reagir a sua maneira no decorrer da ação. Claro que não se dará esse tipo de reação por exemplo em uma apresentação de musica erudita. E por que? Ora, por que no teatro o homem entra em contato com a multifacetada variante de emoções. O teatro possui uma força poderosa, perigosa. O mágico da noite de domingo é que esse poder e esse perigo mostrou-se de forma assustadora também  para os atores.  
               Por que mesmo estabeleceu-se a noção de “quarta parede”? Não serviria ela de proteção? Atores inflamados pelo ódio, colocam em risco o seu trabalho e o trabalho dos colegas. Por exemplo quando ouvi a frase: “Quem mata o amante, não sede nem mesmo ante os próprios filhos”.  Que amante? Quem matou o amante? Isso sem falar nos “vocês” e “tus” tão misturados. 
                      O ator é um profissional paradoxal. Ele inicia a manhã dizendo que faz teatro por amor, por volta das dez da manhã precisa que lhe chamem a atenção ou não produzirá o esperado. No começo da tarde diz que está ali por si mesmo e que não depende do público, já por volta das cinco reclama que os ingressos não foram vendidos e teme a ausência da plateia. Às sete da noite desentende-se com o colega que lhe da um conselho para melhorar a cena e por volta das nove curva-se humildemente sob o aplauso da plateia. Agradece feliz e parece amar há todos.  Ousa dizer ao diretor na saída que a cena é sua e que prefere fazer a seu modo e indo para casa mais tarde percebe que não tem um único tostão no bolso.
                     Humildade senhores, humildade, pois por artistas, serão a vida inteira dependentes dos outros. Leitura e conhecimento para que não sejam nunca dominados, para que sua arte seja alicerçada em uma chancela de sabedoria.

Arte é Vida



                    A Rainha


Alessandra Souza (**)
Raquel Prates (***)
Renato Casagrande (***)
Evaldo Goulart (**)
Gabriel Giacomini (***)
Douglas Maldaner (**)
Cléber Lorenzoni (***)