sexta-feira, 11 de junho de 2010

Entrevista Feita por uma aluna de Pejuçara ao ator Gabriel Wink - Maio 2010

1- Qual a a importancia do teatro para você?


O Teatro hoje tomou conta da minha vida, busco cada dia ser melhor, me aprofundar mais, é o que melhor sei fazer e o que mais me sinto bem fazendo, quando ouço o barulho da platéia chegando, os holofótes se acendendo algo dentro de mim começa "a entra em erupção" e aí tenho a certeza de que estou fazendo a coisa certa.

2- A quanto tempo voce trabalha nesta profissão?

Trabalho como ator a cinco anos, mas parece que fiz isso a vida toda, acho até que só comecei a viver de verdade quando conheci o teatro, ou pelo menos comecei a viver melhor. Já fiz mais de quinze espetáculos, já fiz, comédias, dramas, tragédias, clássicos, de tudo um pouco.


3- Qual o nome do grupo em que voce trabalha? Conte um pouco da historia do mesmo.


Trabalho no GRUPO MÁSCHARA, grupo que tem dezoito anos de história, com mais de cem premiações em variados Festivais de Teatro, e desde 2008 integra o circuito do "Projeto Emancipar" projeto do Governo do Estado do Rio Grande do Sul e também recebeu em 2005 o Prêmio Cultura Gaúcha.


4- Em que tipo de peça voce gosta de atuar?

Alguns atores, não gostam ou acham que não há mérito em fazer peças infantis, mas eu não, gosto da peças infantis , gosto de retorno imediato da falta de inibição que as crianças tem ao invés dos adultos, elas sim são verdadeiras.


5- Que papel voce prefere representar nas peças?


Gosto de tudo e de todos, o teatro quando bem feito se torna tão maravilhosos, que se pode fazer qualquer coisa, rir, chorar, tanto faz tudo está acontecendo no palco, tudo não palco é melhor e muito maior do que todo o resto.


6- Que tipo de peça o grupo apresenta com mais freqüência?

Olha só, não sei dizer exatamente apresentamos muitos espetáculos em várias cidades, cada cidade quer um espetáculo diferente, então acaba sendo difícil saber.


7- Como você se descobriu um ator?

Isso é difícil de explicar, mas desde criança gostava de brincar de fazer teatro juntava os amigos, primas e primos e iamos todos para área de minha avó encenar histórias, depois na escola foi da mesma forma ia eu juntar os colegas para fazer os casamentos caipiras e outras coisas, aí entrei no Grupo Máschara, onde encontrei a base teórica do teatro e pude lapidar e desenvolver aquilo que desde criança eu sem perceber estava buscando.


8- Para voce, quais as principais caracteristicas de um bom ator?


Poderia falar em presença, em habilidade corpórea, potência de voz , tudo isto é importante sim, e compõem um bom ator, mas tudo isso não passa de obrigação, para mim um bom ator tem que estar vivo naquilo que faz, tornar único e impossível de se reproduzir. Tem que buscar ser o melhor e o mais verdadeiro possível.


9- Na sua opiniao, o tetro envolvendo jovens, ajuda a incentivá-los a seguirem um caminho correto?

Com certeza, além de ator sou também professor de teatro, realizo aulas e oficinas com jovens e crianças de Cruz Alta e já trabalhei com oficinas em outras cidades. O teatro auxilia não apenas na desinibição , mas na compreensão de um todo, desde respeitar e entender diferenças, estimular a leitura e a vontade de aprender mais.


10- Para voce, a sociedade valoriza o teatro?

Viver de arte é muito difícil, ainda mais quando se está no interior, não temos um salário fixo, férias, 13º salário, plano de saúde, dentre outros. As pessoas demoram a desenvolver seu senso cultural, a tomar gosto pela arte, mas continuamos lutando, meu grupo como já disse tem 18 anos, é muito premiado e reconhecido em todo o estado e até fora, mas mesmo assim temos muitas dificuldades.

Cléber Lorenzoni empresta sua mente a Mario, seu personagem em Esconderijos do tempo e fala de sua amizade com a morte...

Você nunca teve medo da morte



Por que ter medo de uma amiga tão querida? De Infância? A minha morte é companheira de criança, brincou, dançou, me acenou logo cedo, e cresceu comigo... É uma musa, uma mulher encantadora, ela é fiel, leal e nunca se adianta em seu propósito. Ela sabe dançar valsa, penso mesmo que ela saiba dançar qualquer coisa, inclusive a sinfonia nº 5 de Gustav Mahler. A minha morte é como que eu quiser, pois ela nasceu comigo... E a sua?


Você brincava com a morte por que sua mãe não deixava vc sair muito, já que vc era um menino frágil, sempre doente... Um menino de aquário...?


Eu tinha irmãos, e brincávamos muito, brincava sim com outras crianças, e até com o anjinho Malaquías que as vezes aparecia lá em casa...



Seu amiguinho imaginário?


Malaquìas nada tem de imaginário, Malaquìas é muito real, ta!


Você sempre gostou muito de crianças, e elas sempre gostaram de vc, vc pode se julgar o poeta das crianças...?


Todo poeta tem uma criança dentro de si, pois é preciso ver o mundo com os olhos de uma criança. Acreditar, sonhar, ter esperança. Um dia vc acorda e passaram-se 60 anos, e incrivelmente aquele menino continua dentro de vc, cheio de vida, sorrindo, esperando... Eu penso que a minha vida passou tão depressa, esse que vc vê está meio enrugadinho, mas não se iluda, embora idade e senso eu aparente, ainda sou o menino que um dia o titio levou ao circo para ver as equilibristas...


Você se enamorou, apaixonou-se algumas vezes?


A sim, pelas ruas, pelas igrejas, pelas pracinhas, pelos poeminhas, pelos casais apaixonados, pelas minhas musas... Vocês não acham a Bruna Lombardi uma gracinha...?


O que vc espera? O que mais ainda falta nessa vida?


Poder estar deitadinho de sapatos... Ah e rever o cometa Harley, tão lindo com sua ondulante crina de cavalo celeste...Fazer mais poeminhas e quem sabeto mar um café num dos barzinhos o mercado... me acompanha?


Onde assistir Mario Quintana interpretado por Cléber Lorenzoni? No Espetáculo Esconderijos do Tempo, confira na agenda.