domingo, 14 de outubro de 2012

Os Saltimbancos - 53º Cena às 7 a


     
         Os Saltimbancos não pode acabar





       O mais magnifico da arte, do teatro, é o quanto ele é cooperativista, o quanto no palco tudo é feito em cumplicidade, troca entre pessoas, são pessoas criando junto, atuando junto. Teatro embora como profissão, não é uma profissão como as outras, exige uma dose grande de amor, de humildade, de disponibilidade. Pode não haver nada disso, mas aí não terá alma. Mesmo em um monólogo, onde um único ator está em cena, diversas pessoas envolveram-se para que as coisas acontecessem, os iluminadores, as camareiras, os técnicos, diretores, cenógrafos, etc... Um bom espetáculo por exemplo, acontece quando um elenco e uma equipe navegam pelo mar em uma mesma direção.

          Uma das maiores maravilhas é ver um ator nascer, ir aprendendo o oficio, aprendendo a amá-lo, encantando-se, descobrindo-se. Vê-lo na primeira oficina e depois, anos mais tarde, vê-lo no palco, sob os holofotes, aplaudido. Pleno. 
                                                        O teatro é algo tão complexo, indizível, inexplicável... O teatro é a prova de que pode-se amar algo profundamente sem esperar nada em troca. O espetáculo de ontem, Os Saltimbancos falava sobre muitas cosias, como toda obra cênica, no entanto as frases que não me saiam da cabeça eram: "Juntos somos fortes", " Um bicho só é só um bicho", "As vezes as coisas que mais queremos estão mais perto do que imaginamos". Bravo! Isso sem falar nas inúmeras informações subliminares envoltas na semiótica do espetáculo. 
                                      O teatro é uma disposição que o ser "ator" dedica em prol da plateia e do seu elenco, um senso de fazer seu melhor, uma necessidade de se desafiar, se superar. Há um diretor, mas na hora do "show" quem realmente da as cartas é o ser em cena. E seu termômetro é o seu jogo, sua triangulação e a resposta do público. Mas nem todos podem ser artistas, as vezes os deuses te abençoam para sempre com satisfação e sucesso. As vezes o ator percebe que já cumpriu sua meta, sua "obra", sua verdade, em outras vezes os Deuses tiram o dom que deram ao ator, pois ele não o merece mais, não exerce sua função com a dedicação e o amor pelo outro que ele deveria dedicar. 
  O teatro pode ser o sonho de algumas pessoas, pode ser o pretexto para uma crítica, pode ser o desejo de simplesmente fazer rir, pode ser várias coisas e Os Saltimbancos foi a realização de um sonho.  Um sonho muito lindo diga-se de passagem, com visual e atuação mágicas, afinal os quatro animaizinhos dificilmente sairão da lembrança das crianças que assistiram o espetáculo
     E o espetáculo? Bom... 
     A curva dramática do espetáculo não ocorreu...Dava para ver que os atores estavam ligados em cena, mas não havia o tão famoso jogo do grupo Máschara,   
O Jumento foi perdendo sua força no decorrer da narrativa, A Galinha precisa de mais noção de ritmo de espetáculo, A Maquiagem do interprete do cão precisa ser melhor manipulada, ou ao final do espetáculo assemelha-se a um monstro. No primeiro terço do espetáculo, Gabriel Wink que tem muita presença, conseguiu chegar ao público, mas perdeu-o aos poucos. Alessandra Souza precisa dançar melhor e cantar melhor. É um musical!  Renato Casagrande e Cléber Lorenzoni não estavam plenos como os vi em outros "tomos"  do espetáculo. A trilha foi mal operada. A iluminação merece uma revisitada. E Saltimbancos não merece acabar, uma obra de arte não pode ser negada ao público.

Dulce Jorge **                                      Ricardo Fenner **
Cléber Lorenzoni **                               Gabriela Varone *                
Alessandra Souza *                                Gabriel Wink  *
Renato Casagrande **                             Luis Fernando Lara **
Fernanda Peres **                                    Angela Jaques Freres ?