terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

O Incidente - elenco 2020


900 - O Incidente (tomo 83)

            Aula de estética e circo de horrores...
                

                 A Casa de Cultura de Cruz Alta recebeu na tarde do dia 17 de fevereiro, mais de quinhentos professores para debater o retorno às salas de aula, o ano letivo de 2020. Eu já sabia que durante o evento, haveria a intervenção artística do Grupo Máschara, a peça escolhida foi O Incidente, não Antares, mas O Incidente!
               Que surpresa agradável, depois de tanto tempo meus olhos encontram outra vez no palco os sete mortos de Antares. Dr. Cícero Branco (Cléber Lorenzoni) Dona Quitéria Campolargo (Dulce Jorge), Professor Menandro Olinda (Renato Casagrande), Erotildes da Conceição (Alessandra Souza), Barcelona (Ricardo Fenner) Pudim de Cachaça (Stalin Ciotti) e João Paz (Vagner Nardes). 
                      De onde estava sentada, percebi coisas boas e outras não tão boas, algo era visível, falta de ensaio. Claro que eu soube da dificuldade em se chegar a um elenco final. Ao que me consta, apenas três dias antes, o diretor decidiu três dos sete mortos. Eu poderia aqui dizer: Lorenzoni, não apresente mais esse espetáculo, não apresente mais nenhum espetáculo que não tem mais o elenco original. Mas como dizer isso a um grupo de repertório? Cléber Lorenzoni possui energia para fazer um espetáculo diferente por dia, e alguns dos atores em cena também. No entanto, o que mais nos orgulha no teatro cruzaltense é o trabalho de primeira que o Máschara sempre oferece. 
                     Do elenco original em posições da época, somente a atriz Dulce Jorge, que entra em cena com uma vitalidade incrível, mas  perde um pouco do trabalho corporal da personagem, também pudera, outra época, outra Dulce Jorge, outras verdades, falta de ensaios...  No questão das energias sobre o palco, os atores aliás estão de parabéns, e o que mais aprecio é o corpo, distorcido, retorcido, volátil, visceral. O Máschara sempre foi perfeito na composição corporal. Mas o teatro é feito também de idéias e de emoções. Idéias são as compreensões de todo o elenco quanto ao que se decide por no palco. 
                        Esta senhora leu a obra de Erico há muitos anos e o terror com que se sente a presença dos mortos é muito eficaz, mas pouco se alcançou nessa apresentação em relação ao intertexto. 
                      Os ritmos se cruzaram, as vezes silêncios demasiados, em outros momentos textos cuspidos. Não entendi por exemplo por que Pudim de Cachaça pediu desculpas ao gritar basta... Até por que no texto original se não me engano era "bosta". A cena de Erotildes no proscênio deveria ser emotiva, mas foi um tanto gritada e incompreensiva, bem como a de Ricardo Fenner. O ator forçou a graça, o público riu, mas quem é Barcelona? O que ele veio dizer? Gostei da discussão final entre ele e Quitéria, mas aí foi a vez de Stalin Ciotti falar por cima de risos, e nada ficou claro. 
                     Falta de ensaios!
                     Renato Casagrande carrega um de meus personagens preferidos, e como se sabe, o preferido de Erico. A cena foi bastante desenhada, mas o ator parecia amarrado, uma partitura lindíssima que não colaborou em nada para que as emoções aflorassem. 
                       Vagner Nardes preencheu bem a lacuna deixada pelo outro João Paz, gostei de algo que ele fez no tempo da voz, um aprisionamento, uma certa "lentidão de morto", porém então por algum motivo repetiu-se a musica da prostituta. Voltei o olhar para a interprete de erotildes e pensei que ali haveria alguma nova interação com a personagem. Mas não, então o que chega é sem dúvida a pobreza da escolha da trilha. Uma mesma musica para dois personagens, com historias tão distintas...
                          Doutor Cícero esteve irônico e assustador como sempre o vi, no entanto era perceptível que o interprete estava incomodado com algo dentro do palco. Certamente a percepção de que sua direção não se cumpria. Preciso elogiar o domínio que o ator tem no uso do microfone.
                              Não adiante ter microfone seja no pedestal, ou na roupa, é preciso que o ator domine-o.
                            Teatro é algo maravilhoso, pois coisas funcionam em um dia e não funcionam em outro. Uma engrenagem que precisa de dedicação. De entrega. 
                       O espetáculo tem sim uma colocação em forma de jogral, poucas ações externas, embora o trabalho físico do elenco pareça extenuante. Os pequenos desenhos são engenhosos, criativos, as soluções delicadas e precisam ser muito bem cumpridas para que percebamos o que propõe. 
                           O Brasil de 64/68 não parece ter mudado muito, e nem vai. Primeiramente no que diz respeito aos arquétipos de uma sociedade que pouquíssimo ou nada evolui se seus princípios são ditados principalmente pelo olhar da igreja católica apostólica romana. A prostituta e a beata são seus maiores exemplos. A igreja sempre ofereceu apenas esses dois lugares ao pé da cruz. Maria e Madalena. A corrupção mencionada por Dr. Cícero, o anarco-sindicalismo de Barcelona, o comunismo, a justiça despótica e absolutista que fere e mata João Paz, tudo isso ainda é capa de jornal. Isso torna a pequena Antares um lugar extremamente conecto com qualquer lugar de nosso país. O Incidente é um clássico do tão conhecido romancista de O Tempo e O Vento. 
                              

                                      A Rainha
              



                             Sobre funcionamento interno de grandes equipes, o funcionamento da floresta...


                                            Em uma floresta, quando árvores grandes derrubam seus grandes galhos sobre árvores pequenas, elas impedem que o sol ilumine e aqueça a raiz das que estão nascendo. As árvores grandes e poderosas acreditam que tem mais importância que as pequenas, quando o vento sopra elas dão laçaços (isso mesmo, com dois cedilhas), laçaços cobertos de sua sabedoria  nas pequenas árvores. As grandes árvores reclamam quando a chuva de granizo é forte e lhes quebra os galhos, afinal de contas elas se sentem senhoras da floresta. Não são. São parte da floresta! Juntamente com as árvores novas elas formam um todo. 
                                 As árvores novas são fracas, estão construindo um ecossistema a sua volta. Precisam aprender como é o vento, o poder da chuva, a força da intempérie. Precisam saber que podem ser cortadas a qualquer momento pois é mais fácil para o homem, cortar as árvores mais finas e jovens, já que as antigas tem troncos mais grossos. As árvores finas precisam produzir o que a natureza quer delas. Frutos, sombra, flores. Mas cada árvore tem uma função. Uma laranjeira da laranjas e não maçãs. 
                            Quando uma trepadeira, enreda-se sobre outra árvore, a trepadeira faz estragos, suga as energias, prejudica a outra árvore da floresta. Mas a trepadeira pensa que é a única que merece grande status, porém está matando as outras árvores, impedindo que os galhos destas cresçam. 
                               Já o mais deprimente ocorre quando as árvores grandes, plantadas muito próximas, se debatem, entre si, parece que uma não quer deixar espaço para a outra. Uma vai afogando a outra. Com a ventania debatem-se judiam-se, derrubam tantos galhos, tantas folhas, fazem tanta sujeira que as pequenas árvores la embaixo apenas riem sacudindo-se ao vento...    
                              
                      
                                Cléber Lorenzoni
                            
               

Stalin Ciotti (**)                      
Clara Devi (*)
Kauane Silva (*)
Martha Medeiro (***)
Felipe Padilha (**)
Vagner Nardes (***)
Laura Hoover (**)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

JASMINE E ALADIM - CARNAVAL DE SÃO BORJA

Os atores-bailarinos Cléber Lorenzoni e Laura Hoover foram destaques na comissão de frente da escola Unidos da Ponte em São Borja, a escola conquistou o vicê-campeonato. 

sábado, 15 de fevereiro de 2020

O DIRETOR CLEBER LORENZONI E O ATOR RENATO CASAGRANDE EM DIA DE POSSE

Na porta da prefeitura para receber a posse como membros do conselho municipal de cultura

sábado, 8 de fevereiro de 2020

CORPO EM AÇÃO - O TEMPO E O VENTO

Em uma iniciativa de levar o teatro para as ruas, o Máschara apresentou nesse sábado a performance O Tempo e o Vento no calçadão de Cruz Alta. 
Destaque para Kauane Silva como a corajosa Maria Valéria Terra e para Renato o Casagrande como Licurgo Cambará

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

A Lenda do MENINO do Pastoreio


PERFORMANCE O TEMPO E O VENTO

Performance O Tempo e o Vento, Leonir Batista (dona. Bibiana), Kauane Silva (Maria Valéria), Renato Casagrande (Licurgo Cambará), Laura Hoover (Luzia Silva), Stalin Ciotti (Pe. Lara), Cléber Lorenzoni (Capitão Rodrigo), Clara Devi (Bibiana Terra) , Douglas Maldaner (Pedro Missioneiro), Alessandra Souza (Ana Terra).

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

EQUIPE DE DESTROÇOS DE CANDURA


PERFORMANCE O TEMPO E O VENTO


Performance O Tempo e o vento


"Uma geração vai; outra geração vem, porém a terra para sempre permanece. E nasce o sol e põe-se o Sol e volta para o lugar d'onde nasceu. O vento sopra para o sul e faz seus giros para o norte, continuadamente vai girando o vento, fazendo sempre os seus circuitos"

Ana Terra: Noite de Vento! Noite dos mortos!
Pedro Missioneiro: Eu cresci numa missão, Ana, e o jesuíta que me criou sempre me falou das maravilhas do mundo. Tu, Ana, és minha Rosa Mística!
Bibiana Nova: Como dizia minha avó Ana: "Sempre que alguma cousa de importante acontece está ventando".
Capitão Rodrigo: Buenas que me espalho! Nos pequenos dou de prancha, nos grandes dou de talho!
Luzia: Não me importo nem com os Terra, nem com os Cambará, este sobrado é meu, foi construído pelo meu avô e vocês não são bem-vindos aqui!
Licurgo: Diga à todos que a revolução acabou, o cerco caiu, e diga também que nós Republicanos vencemos e que a partir de hoje toda vez que um homem empunhar a sua espada será em nome da liberdade!
Maria Valéria: Ter filhos é negócio de mulher, cuidar da casa é negócio de mulher, sofrer calada é que é negócio de mulher, pois fique sabendo que nós também estamos defendendo o sobrado! Alguma de nós já se queixou? Alguma de nós já lhe pediu para devolver o sobrado? Não, não pediu, porque nós, mulheres, também estamos na guerra!
Bibiana Velha: Meu capitão… Será que venta na eternidade?
Padre Lara: Nós estamos aqui, Érico! Na tua Cruz Alta, na nossa Santa Fé!
Todos: E através de nós, tuas personagens, tu serás eterno!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Destroços de Candura - Curta Cruzaltense

                  HÁ QUE ENDURECER-SE, MAS SEM JAMAIS PERDER A TERNURA. Che Guevara


                    Assistir cinema, a sétima arte, é algo prazeroso, engrandecedor e inspirador. O cinema, bem como as outras manifestações: teatro, circo, dança, etc... não podem ser mensurados em detrimento de um ou outro ser considerado de maior ou menor importância. Todos juntos são de extrema necessidade, antes como lazer, diversão e em seguida como formadores de opinião. A arte parte do homem para o homem e incita dentro dele sua necessidade em refletir o mundo lá fora. 
                     Os jovens artistas e até alguns velhos artistas, não gostam muito de ouvir críticas, mas de que nos serve a arte sem críticas? Ninguém certamente poderá dizer o que é o certo ou o errado, até por que eles não existem, são subjetivos. Mas quem, ou o que nos lembra o que está funcionando? O que está valendo à pena. A crítica existe para nos levantar pontos de vista, o crítico assiste muita coisa e tenta nos dar um parâmetro do que se vê, do que se viu e do que o caminhar da carruagem parece anunciar para o futuro.
                      Destroços de Candura mal chegou as telas do Cult Cinemas e já levantou um sem número de olhares. Ora, um filme feito em Cruz Alta, um filme que nasce pequeno e vai crescendo, vai aumentando e se tornando uma força motivadora. Cruz Alta possui uma rica historia de cinema. Grandes atores foram aplaudidos em pé no antigo Cine Rio. O Ideal e o Rex tinham seções malditas à meia noite com filmes de terror e certamente muitos pais encontraram seus filhos escondidos nas filas dos cinemas das calçadas da Pinheiro Machado. O cinema faz parte da historia contemporânea da humanidade. Amizades, casais, se formaram  nas fileiras de grandes salas. E me parece que nesse mundo de redes sociais, o cinema une as pessoas, derruba muros, faz sorrir, faz pensar. 
                            Pensar por outro lado tem sido o medo da sociedade atual e aqui poderia falar de questões politicas e econômicas, mas falemos dos destroços, a sociedade destroçada, em seus valores, em suas relações. Nos fechamos em nossas casas e temos medo, mas ficamos com tanto medo que vamos perdendo o humanismo, a "candura".  Há que amadurecer, mas sem perder a leveza. A personagem de Lorenzo endurece na revolução, mas não perde a ternura. Quem perde a ternura, paga um preço alto. essa mensagem é enorme. Essa mensagem foi o que me arrancou lágrimas.
                           Como senhora que já passei metade de minha vida certamente, ao olhar os jovens desse mundo, que vistos de longe parecem ciborgues sem cérebro, de repente me pego vendo um grupo, encabeçado pelo jovem Bruno Barassuol, de crianças e no bom sentido, com a vida pela frente, com amores pela frente, com carreiras pela frente, provando que pensam, que refletem, que são criativos e que devoram o mundo ao seu redor para nos dar seu ponto de vista através da arte. 
                                O olhar futurista, com direito à luzes e adereços inimagináveis, são todos muito comuns para essa geração, adubada por fenômenos  como   MARVEL, Game of Thrones ou Harry Potter, mas o que chega mesmo é o detalhe, as idéias, o olhar sensível, as cores, os sons. A trilha aliás é incrível, e embora não tenha gostado muito do limão limoeiro, sou madura o suficiente para perceber que ele funciona e muito no filme.
                           Uma fotografia lindíssima, um visual coerente, embora um automóvel escuro em um fundo de cena me pareça estar sobrando, um roteiro vívido, acido: "É preciso escolher um lado!"
                                 No Brasil atual é preciso posicionar-me, infelizmente, é preciso ser inimigo de "patrícios", é preciso gritar quem você defende. Isso é a guerra civil, e para mim ela se reflete na tela. O violento soldado, disposto a tudo com uma arma na mão, indo contra quem não tem arma alguma, nos lembra da ditadura, do holocausto, das separações pelas quais tantas nações viram seus povos tombarem. 
                     Um elenco sem histrionismos, uma equipe que pareceu trabalhar para valer, de coração aberto. Não sei o nome de todos os jovens, mas quanta garra. Nós adultos, as vezes nos acomodamos com medo do fracasso, com insegurança. Os jovens nos lembram que da para fazer sim, da para seguir sonhos. 
                            O elenco é cruzaltense:
                        Cléber Lorenzoni não me surpreendeu, nos deu uma composição à altura do que ele sempre nos dá no teatro. Claro fiquei com vontade de ver mais. Mas estava dentro das medidas, sem o exagero caricatural tão presente em filmes de guerra. Lorenzo Pires é muito bonito na tela, a câmera parece gostar, casar com ele.  Cinema tem disso, a câmera meio que decide quem serve à ela. É um ator novo, um garoto com uma longa carreira pela frente. Talvez pudesse nos dar um pouquinho mais de emoção. Isabely Paranhos é uma pequena princesa, a gente particularmente sempre ama crianças no palco ou na tela. Elas sempre acabam vencendo. Mas ela tem um olhar, uma delicadeza que parece carregar muita arte dentro de si. Torçamos para vê-la logo outra vez nas telonas.
                            Ao fim do filme, lágrimas, por vários motivos. Um deles a emoção em ver ideologias politicas deixadas de lado para dar espaço a arte. Oito minutos que são como um pontapé para mais cinema, um golaço para os patrocinadores, um golaço para o Cult Cinemas que ajudou a produzir e sem duvida  um belíssimo inicio de carreira para  Bruno/Yan/Jean. 
                                Espero que toda a comunidade corra ao cinema e ajude a engrandecer essa arrojada iniciativa. Todos ganhamos com ela.


                                   Arte é Vida

                                                     A Rainha
                                   
                           
                   
                          
                            

INSCRIÇÕES ABERTAS


domingo, 2 de fevereiro de 2020

GRANDE ESTRÉIA


GEUPO MÁSCHARA REUNIDO NO LANÇAMENTO DO CURTA DEDTROÇOS DE CANDURA

No dia primeiro de fevereiro, o curta Destroços de Candura ganhou as telas do culto cinzas de cruz alta. A primeira sessão teve caráter de noite de gala com.direito a tapete vermelho e presença de toda os meios de comunicação do município. Na foto, integrantes do Máschara, alunos da ESMATE e amigos das artes.


DESTROÇOS DE CANDURA NO DIARIO SERRANO


28 ANOS FAZENDO HISTÓRIA



quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

ANGÉLICA ERTEL E ALUNOS DA ESMATE


LAURA HOOVER EXERCÍCIOS PARA LABAN - POR ANGÉLICA ERTEL


COMMEDIA DELL'ARTE

Oficina 2019 - Martha Medeiro, Stalin Ciotti, Laura Hoover, Ellen Faccin, Caroline Guma, Laura Heger, Ricardo Fenner, Renato Casagrande, Lavínia Antonelly, Clara Devi, Vagner Nardes, Lú Maicá

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

A FALSA ACUSAÇÃO

A máscara do Arlecchino é resultado do incesto do Zanni da região de Bérgamo com personagens diabólicos farsescos da tradição popular francesa. O termo Arlecchino nasce de um personagem medieval: Hellequin ou Helleken, que se torna, posteriormente , Harlek-Arlekin. Um mesmo demônio também citado por Dante: Ellechino.

Dona Pantaleona e o golpe dos burocratas

A grande diferença - com e sem máscara - é determinada por uma particular atitude psicológica imposta ao espectador, de vez em vez, para que ele enquadre diferentemente as imagens produzidas pelo ator (...) Tudo acontece próximo ao rosto...

Momentos de cena

Laura Hoover, Clara Devi, Caroline Guma e Vagner nardes
O Golpe da senhora


(...)Eram mais ou menos vinte e mil pessoas invadindo Veneza. Os empregados, zanni, não tinham mais como sobreviver, as pessoas se prostituíam pelas ruas, roubavam descaradamente. E isso era material ótimo para a sátira(...)

Elenco da oficina sobre Commedia dell'arte

Dia de conclusão de oficina
...Durante o século XVII os cômicos foram expulsos da frança, por causa de seus gracejos, em geral obscenos. Na realidade, o que não se pôde mais suportar foi a crítica satírica contra os maus costumes, as hipocrisias e o jogo sujo da política. O poder não resiste à risada... dos outros... daqueles que não possuem poder.


domingo, 26 de janeiro de 2020

Commedia Dell' Arte

Ricardo Fenner (Galinha), Ellen Faccin (Coala), Laura Heger (Chimpanzé), Martha Medeiro (Colibri)

Commedia Dell' Arte

Laura Hoover, Vagner Nardes, Caroline Guma, e Clara Devi
Rato, Urso, Urso e Cachorro São Bernardo

Commedia Dell" Arte - montagem de cena

Porco, Hipopótamo, Leão Marinho, Hipopótamo, 
Construções e composições para o uso da mascara

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

sobre diálogos e debates necessários

Por Cléber Lorenzoni


                É preciso falar, falar sobre muitas coisas que foram sendo silenciadas em nós. É preciso refletir o mundo, pensá-lo para o amanhã. Durante muito tempo passou-se a diante a imagem/ideia de que o teatro é uma brincadeira, algo bonitinho, para ganhar aplausos e preencher carências. O teatro é uma arma, eis aí o motivo de tantos pais não quererem que seus filhos participem. O teatro liberta, transgride, questiona. Mas no ano em que o Máschara completa vinte oito anos, foi preciso perguntar. O que estamos transgredindo? Muito pouco. Um personagem ali, uma frase mais ousada acolá. Muito pouco. 
                         Quando abrimos nossa boca para dizer que estamos mudando o mundo, o que realmente estamos mudando? Sendo bonzinhos e dizendo obrigado? Dizendo bom dia e ajudando uma idosa a atravessar a rua? Dando um pratinho de sobra do almoço para o morador de rua? É até aí que vai nossa vontade de mudar a sociedade? 
                             Bertoldt Brecht (1898-1956), poeta e dramaturgo alemão do século vinte passeia por ideias ousadas de um teatro que  precisa refletir  o mundo a sua volta, que precisa educar os "culinários", precisa questionar a sociedade. 
                                   Durante sua curta passagem pela terra, Brecht criou um legado de ensaios, prosas, poemas, textos que juntos são uma verdadeira bomba relógio no pensamento atual. Claro que não é todo o artista que se deixa tocar pelas ideias do bardo alemão. No mundo atual onde todos buscam likes e curtidas nas redes sociais, ninguém quer ser o corajoso a dar um passo na direção contrária. Marquise, atriz do século dezessete, dizia que atuar é aceitar morrer; talvez ousar interpretar Brecht seja ter coragem para arriscar-se a perder o público. 
                            Uma semana de Brecht na ESMATE não nos transforma a ponto de sermos outros artistas, ou mesmo de mudarmos totalmente nossa ideologia, mas ao menos nos da a chance de repensarmos o que estamos fazendo com nossa arte. Enquanto diretor/professor, procuro cobrir o ator de ideias novas, emparedá-lo para obrigá-lo a pensar. 
                                      Assim chegamos à Mãe coragem e seus filhos. Nós estamos em guerra, guerras diárias, de um lado as religiões parecem querer nos reger, do outro as leis atuais impostas por homens que não se transformam e não olham para o futuro. Dentro do meu olhar tentei pegar códigos musicais e cênicos que ajudassem o elenco a compreender a fundo minha ideia. Assim surge um teatro provocativo para os próprios atores. Nessa vanguarda que o Máschara propõe, aqueles que participaram dessa oficina, conseguirão compreender muito mais os caminhos que o grupo irá traçar no futuro. 
                            Mas não se confundam, Stanislavski continuará em seu trono, porém o dividirá com Brecht, para que percebamos a diversidade do teatro. 
                                 A evolução dos atores é muito importante. É a busca pela transformação e o ato de se reinventar que fazem evoluir os atores. Alcançarem a capacidade de tocar todo o tipo de público. Durante anos quando perguntava sobre Brecht ouvia meus alunos falarem: Alemão que nasceu em tal ano... Não suportava mais ouvir isso. 
                               A dialética, o épico, o distanciamento/estranhamento, está aí e funciona. Percebi isso enquanto observava as reações da pequena plateia presente. Romeu Waier trouxe muita coisa, Martha Malheiros evoluiu e conseguiu trazer uma neutralidade necessária. Laura Heger a cada dia nos deixa vermos o quanto ela percebe o teatro, e isso é ótimo. Stalin Ciotti apropria-se muito rápido do que vamos aprendendo e isso só traz orgulho a quem ensina ou mostra caminhos. 
                                   Eliani Aléssio sempre surpreende no palco, seja quem for o teórico. Todos cresceram Kauane Silva, Douglas Maldaner e Clara Devi foram alunos muito dedicados nesses seis dias. 
                                          Os anciãos da ESMATE são os que talvez tenham tido mais reviravoltas em suas observações, afinal caminharam por muito tempo pelo teatro um tanto restrito de Stanislavski que por alguns é colocado como chefe supremo, como guardião do teatro. O que não é verdade. 
                                       Mas Ricardo Fenner, Renato Casagrande, Alessandra Souza e Dulce Jorge se permitiram rever o teatro. No fim todos ganhamos e o Máschara subiu mais degraus. 
                                        Ninguém precisa focar sua carreira em um único ponto de vista, mas pode escolher com mais sabedoria quando tem todas as opções na mesa.  Brecht foi certamente uma das oficinas de maior repercussão na ESMATE.
                                 Em fevereiro nos reuniremos para formar o elenco final de Mãe Coragem!

                      Namastê/Esmatê



                                        
                                     

domingo, 19 de janeiro de 2020

Stalin Ciotti e mais uma de suas marcantes composições


Alessandra Souza dando voz a moral cristã


Romeu Waier interpretando Mãe Coragem


Conclusão de oficina -Brrcht


Marli Guma e Caroline Guma, mãe e filha contracenando em oficina


Alunos da oficina de iniciação infantil interagindo com o instrutor Cléber Lorenzoni


Reunião sobre Paixão de Cristo

As coisas acontecem quando grandes forças se unem. SESC, Secretaria de Cultura e Grupo Máschara começam a organizar mais uma edição de A paixão de Cristo

Oficina de iniciação - Caroline mergulhada em sua leitura


Oficina Diálogos sobre o Teatro Épico (Brecht)

Entre quatorze e 20 de janeiro acontece no palacinho do Máschara a oficina sobre a dialética Brechtiana, o teatro didático, o teatro épico, as formas de distanciamento. Uma oficina importantíssima para o crescimento da Cia.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Oficina iniciação infantil 2020


A cigana Izabelitta

Cléber Lorenzoni volta a interpretar a cigana Izabelitta que oferece dicas de astrologia. A personagem criada em 2015 tem muito a dizer. A personagem retornou para falar da festa do zodíaco organizada pela atriz Alessandra Souza, que acontece no Mr. Jack de Cruz Alta às 23 horas do diz 18 de janeiro e faz parte das comemorações de aniversário da atriz.