terça-feira, 20 de novembro de 2018

Público na terceira Edição do Complexo no Palacinho


835- Complexo de Elecktra (tomo 15)

Carreiras

                     A historia do Teatro em Cruz Alta é longeva, cheia de grandes nomes, mas muito se perdeu no tempo. Da época em que grandes Cias. teatrais vinham ao município restaram apenas lembranças remotas entre os mais antigos. Geração vai e geração vem, e cada um cumpre sua parte e depois parte. No entanto as artes são a historia da humanidade. Os artistas e espetáculos carregam consigo momentos, símbolos e signos de cada época. Por outro lado, os atores devem perpetuar sua obra, em prol principalmente dos que virão. Tornar suas personagens inesquecíveis bem como os textos e dramaturgos que vestiram. 
                          Hoje sobre o palco do Palacinho, um grande elenco formado pela nata do Máschara. Senti apenas a ausência de Evaldo Goulart e Ricardo Fenner, que juntos ao elenco do espetáculo seriam a geração atual do teatro. Raquel Arigony infelizmente seguiu para outras paragens. Mas claro continua em nossos corações. Dulce Jorge tem feito pequenas participações, uma lástima. Uma atriz com tanto a dizer e com historia de teatro tão longa e bonita deveria estar mais presente na cena teatral. Cléber Lorenzoni é o tirésias do palco, está sempre la e gostamos de ir por que ele está la, não por que ele é bom ou não bom, mas por que sabemos de alguma forma que ele faz de tudo para que tenhamos teatro. Fabio Novello é um ator de outra cidade, mas aos poucos constrói uma historia, uma historia que começa com seus personagens em performances pelas ruas, e finalmente suas participações em espetáculos. Renato Casagrande vai se estabelecendo também como criatura de teatro. Alguém que conhece todo o processo. Como aprendiz de Cléber Lorenzoni Renato desenvolveu um estilo próprio mas que segue o método do diretor. Alessandra Souza também já é velha conhecida, faz parte do nosso imaginário quando pensamos em teatro. Para encerrar Douglas Maldaner e Gabriel Giacomini, ambos crescendo, criando, aprendendo. Maldaner antes tarde do que nunca, aprece que agora começa a amadurecer e compreender muitas coisas no palco. Giacomini desenvolvendo uma percepção latente que une-se a outras áreas. Uma pena porém Evaldo ter se afastado, abandonado o teatro de palco, pois parece que ele tem tanto a dizer. Ricardo Fenner também faz-se pouco presente. O teatro é um estudo humano, filosófico e psicológico, precisa ser praticado em prol do desenvolvimento das capacidades do comunicador e também em prol do contato com a platéia, que vai desenvolver uma relação, e tão logo o hábito de ir ver o que esse ou aquele comunicador tem a dizer. 
                              O que torna um ator bom ou ruim? Grandioso ou raso? Além de sua dedicação? A criatividade, a perspicácia, o conhecimento das mais determinadas áreas, a curiosidade, e finalmente o domínio da platéia. Atores que choram, que falam muito alto, que decoram seu texto "ipsis litteris", não fazem mais do que sua obrigação. Esse é seu trabalho, equivale a uma vendedora de lojas saber colocar as compras dentro de uma sacola. Porém, onde está a alma, onde está Sêneca? 
                              Após o espetáculo tão cheio de simbologia e intensidade, um debate provocou o público. conversa necessária para uma platéia que infelizmente, talvez não tem o hábito de ir ao teatro. 
                                 Observando tal debate, fiquei analisando o mal do mundo atual, a preguiça de pensar, a falta da prática do debate entre algumas pessoas, algumas mesmo do espetáculo. 
                               Para o elenco aconselho mais coragem para continuar. Para alguns atores e atrizes, mais estudo e humildade sempre, para ouvir críticas e aprender cada vez mais. Para a contra-regragem aconselho mais presença, gana, desprendimento e em alguns casos, menos preguiça e mais personalidade. 
                               Finalmente descerro as cortinas pois Complexo de Elecktra ao que me parece entrou em recesso. Agradeço ao diretor e ao elenco por espetáculo tão visceral e que venham logo outros desse estilo.
                               
                                O Melhor: A capacidade de manter o espetáculo tão intenso, e ainda criar novas fontes de força. A direção estupenda. A maturidade da contrarregra Kauane Silva. A sutileza adotada por Alessandra Souza em prol do cênico. O crescimento de Douglas Maldaner como Werner e o lindo debate sobre o "mise em cene".


                                     O que é Arte...?

Gabriel Giacomini (**)
Douglas Maldaner (***)
Kauane Silva (***)
Laura Hoover (**)
                                          A Rainha

                           
                              

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

834 - Complexo de Elecktra (tomo 14)

Noite de tragédia 


O que é a tragédia grega, e qual sua função?
Talvez o fato de não se falar mais dos princípios da tragédia, talvez por não se falar de catarse ou mesmo por se compreender tão pouco sobre o universo da tragédia tenhamos perdido a mesma pelo caminho. Isso explica o porque de termos quase ninguém nas plateias de espetáculos intensos, dramáticos, trágicos. A tragédia não ficou obsoleta, mas talvez, esteja morrendo, o universo atual não tem tempo para analisar o porque o instinto humano eleva-se à extremos. Queremos apenas expurgar da sociedade os vilões, sem compreendê-los. 
O sacrifico do bode, oferecido à Dionísio, não passa de historia. E as pessoas odeiam historia, não se dão conta de que somos feitos de historia, mais até do que ciência, afinal tudo o que somos, nossos pais, a origem de nossas doenças, tudo é explicado pela historia. 
A tragédia grega tem o poder de assumir as capacidades humanas, aquelas das quais nos envergonhamos. 
Euripides e Sófocles são homens que ficaram no tempo, ancestrais que contaram tramas incríveis. Talvez eu esteja ultrapassada, talvez o quadradinho ou o funck ou sei lá o que seja a realidade atual. Talvez uma era esteja prestes a se acabar, talvez o teatro do Máschara possa se adaptar ao mundo novo. Talvez o Máschara seja o último refugio onde se ouse falar do homem em sua profundidade. 
Sófocles e Eurípides falaram de Elecktra,  o segundo influenciado por ideias sofistas tratou do tema com certa piedade, Eurípides trata Electra sempre como uma mulher histérica e egoísta, quase desequilibrada pela ideia do matricídio. Orestes também é um fraco, inspira piedade, precisa ser forçado pela irmã à vingar a morte do pai. Alessandra Souza e Renato Casagrande constroem bons pseudo-protagonistas. Ele com seu tempo de teatro e com sua capacidade de criar tipos, estrutura um ótimo irmão mais novo. Alessandra Souza está em sua melhor investida no palco. Nem sua Olivia ou qualquer outra personagem que já tenha feito tem a relíquia de trejeitos, ou filigranas de Ereda. 
A sexualidade confusa das duas personagens, dignas de estudos, encontra eco na direção e no texto de Bender. Gabriel Giacomini completa essa relação ambígua com a composição que deu ao personagem do seminarista outrora envolto em névoas. 
Fábio Novello, como deuteragonista faz tudo direitinho, embora Novello tenha muito a arrancar de seu Bertold. Cléber Lorenzoni é um furacão em cena, e o vi tão triste com os acontecimentos do dia , que me questionei do por quê se entregar tanto. Nunca conheci um ator tão passional em cena no Máschara. Um prazer à nós platéia. 
O Camponês, noivo de Ereda, aqui interpretado por Douglas Maldaner, alcançou bons resultados e foi para mim o sucesso da noite. Houve ainda a substituição de Raquel Arigony pela madura interprete Dulce Jorge. Uma mudança. Uma construção nova. Para mim um acerto da direção que concebeu a personagem e um mérito da atriz que encarnou o papel. Uma velha crível, que assusta Ulrica e prediz o seu destino. Distante do divino, a velha de Dulce Jorge usa a hereditariedade como motivo do que se seguirá. 
Cléber Lorenzoni e seu séquito de atores lutam, lutam pelo estilo, pela estética, pela ética teatral. Deveriam levar complexo a um festival de teatro, onde atores deviam assistir ao trabalho. Faz-se coisas tão incríveis nas catacumbas do teatro cruzaltense, pena o teatro ter valor tão pequeno. 


                                             Arte é vida


Douglas MAldaner (***)
Clara Devi (**)
Kauane Slva (**)
Gabriel Giacomini (**)

Alunos da ESMATE


Alunos da ESMATE criando


Camarim de Lili Inventa o Mundo


O Ator Renato Casagrande - Costureiro de um país distante em A roupa Nova do Rei


Aula na ESMATE


Renato Casagrande e Gabriel Giacomini em Complexo de Elecktra


Estudo sobre Medéia na ESMATE


terça-feira, 13 de novembro de 2018

833 - O Incidente (tomo 82)

Uma pequena prova de que coisas boas não morrem...

                  Em questão de minutos, os sete mortos invadiram a praça Erico Verissimo, vieram da direção onde a estátua do escritor jaz. Não sei se alguém viu de onde saíram, estabeleceram-se. Do nada. E em um passe de mágicas o público entregou-se. O Incidente é uma daquelas obras que interessam, principalmente quando apresentadas em cruz alta. O texto escrito na década de setenta, fala da ditadura e faz uma crítica tão intensa à sociedade e à politica que chega a melindrar parte da platéia. Os sete mortos deixados insepultos, aqui são interpretados por Cléber Lorenzoni, Dulce Jorge. Renato Casagrande, Alessandra Souza, Ricardo Fenner, Douglas Maldaner e Stalin Ciotti, encontram-se no coreto de Antares. O espetáculo mudou, mudou elenco, foi reduzido, depois aumentado, agora assistimos como uma performance, ou um fragmento, mas sua força continua a mesma. Perde um pouco se levarmos em conta o olhar divertido da platéia que toma O Incidente como um show de Halloween. Cléber, no papel que lidera os mortos, diz o que quer e o público aplaude e assina embaixo. Isso me surpreende mas não tanto, é interessante perceber o quanto a platéia muitas vezes e dependendo de seu grau de ignorância, não capta o que está na entrelinha. Uma pena já que defendo que o teatro não deve ser mastigado como a tv. Se nossa capacidade interpretativa e nossa rapidez de raciocínio começam a decair, logo os espetáculos terão que ser cada vez mais medíocres. 
                     Lorenzoni alcançou um ponto de compreensão do teatro em que o usa para falar o que quer, Acho no mínimo estimulante quando um ator chega nesse ponto, em que sabe que não está mais a serviço do teatro e sim o teatro está a seu serviço de artista. 
                       Durante o espetáculo falou-se dos ônibus, das ruas, do pouco tempo dado à performance, do sol, e até mesmo da impertinente invasão no palco por parte do técnico de som da feira. 
                       A trilha foi um tanto bagunçada, mal operada, não deu para compreender o que se queria, eu aconselharia a usar apenas a trilha tema do espetáculo. Teatro na rua tem várias formas de alcançar o público, as formas de se contar não respeitam as mesmas regras do palco italiano. O Máschara compreende isso, mas as vezes peca. 
                             Dulce Jorge e Alessandra Souza estavam muito bem na cena. Os outros todos fizeram o que se esperava. Ficamos com fome, com vontade de ver mais... Incidente precisa e deve ser reapresentado muitas vezes. Um espetáculo que nos mostra o verdadeiro Erico, aquele Erico critico, que está em O Tempo e o Vento, mas passa meio escondido por causa da saga dos Terra Cambará, aliás na primeira parte de Antares, ele retorna com a mesma linha falando de Campolargo e Vacariano. Mas é ali, no segundo capitulo, ou segunda parte que Verissimo se entrega e nos faz engolirmos em seco...
                                 Foi enfim uma ótima tarde de espetáculo, pena que não foi o espetáculo inteiro.

                                 Arte é vida.
 
                                  A Rainha


Alessandra Souza (***)
Renato Casagrande (**)
Dulce Jorge (***)
Ricardo Fenner (**)
Cléber Lorenzoni (***)
Stalin Ciotti (**)
Douglas Maldaner (**)
Gabriel Giacomini (*) 
                                 

Em cena o elenco de Lili Inventa o Mundo na 22ª Feira de Livros de Cruz Alta


Grupo Máschara na feira de livros de Cruz Alta


Com o público da 22ª Feira de Livros de Cruz Alta


Cléber Lorenzoni - o advogado Dr. Cícero Branco


Entrevista - Melhores do Ano- à Chritiane Josh

1-Primeiramente gostaria de parabenizá-los pelo sucesso do teu Grupo, dizer que com certeza o trabalho de vocês é um dos mais reverenciados no estado e não é a toda. A peça que vocês fizeram na praça durante a feira de livros, com as personagens do Antares, nossa! E eu queria que você nos explicasse o que é, ou são, melhor dizendo, essas postagens que a gente vem acompanhando nas redes sociais com o nome de "Melhores do Ano"?
 
   -Bom, obrigado pelos elogios, serão certamente repassados aos atores que participaram da performance na praça. O melhores do ano, é um premio, que eu (cléber lorenzoni) fui desenvolvendo aos poucos, ele começa a ser mencionado ainda em 2001. Já fazíamos uma menção aos que se destacavam dentro do grupo. Por que são muitos trabalhos, hoje em dia mais ainda, apresentamos em média quinze espetáculos diferentes por ano, incluindo performances. Então precisava haver uma forma de mencionar, valorizar os artistas e registrar seu talento. 

2-Quem escolhe as categorias e por que aquelas categorias? 
      
 -Eu menciono tudo o que é louvado durante o ano, leio nosso blog, consulto colegas, analiso postagens no face, fotos que "bombaram" e vou organizando uma lista. Depois entrego essa lista aos membros do Máschara e eles votam. Os três mais votados se tornam os indicados. Daí nós temos melhor ator... Melhor atriz... Por exemplo troféu de participação especial, para quem fez uma pontinha pequena mas marcou... 

3-E quem fica de fora, fica chateado?
             
            -Com certeza alguém que não foi mencionado mas na verdade somos todos aprendizes, estamos todos ousando quando nos colocamos no palco, nossa arte já é vencedora. mas estamos expondo nosso trabalho para sermos avaliados, e isso sempre, a todo o instante. O premio (troféu) é um carinho. Mas significa muito pouco. Acredito que o grande premio é ser lembrado votado pelos colegas que demonstram que te admiram. E são muitos votos, muitas pessoas muitos personagens. 

4- Aqueles do Incidente estão na premiação né, por que foram incríveis...

         -Na verdade aquele espetáculo é de 2006. Então quase todos os personagens e interpretes daquele espetáculo já ganharam. Quem ganha por um personagem em um ano não é votado novamente. por exemplo eu ganhei melhor ator em 2016 por uma personagem chamada Ulrica em Complexo de Elecktra, agora estamos reapresentando esse espetáculo, eu não vou concorrer novamente, por mais que eu me "quebre" fazendo melhor...

5- Seria então apenas para peças, papéis novos?

          - Mais ou menos isso, eu interpretei Jesus em 2017 e ganhei melhor ator lá, nesse ano não ganho novamente pelo Jesus... Entram na lista Auto de Natal, os novos atores em A Paixão, Lendas da Mui Leal Cidade e algumas substituições.


6-Quando vai acontecer? E o público pode estar presente?
 
            -Sim, sim, familiares, amigos, todos são aguardados. Haverá um convite que as pessoas precisarão adquirir previamente. Acontecerá dia nove de dezembro. Na casa de Cultura às 20 horas. E os indicados, homenageados e membros do Máshcara deverão estar trajados de gala.

7- A noite do oscar. (risos) E o que podemos esperar, sei que vocês adoram fazer grandes entradas...
         
            Acredito que será uma noite linda e inesquecível. De confraternização. O que se pode esperar é a premiação mesmo. Tentaremos que ela seja realmente justa. Todos foram incríveis, trabalharam muito nesse ano. Para mim um ganha mas todos ganham juntos, todos de alguma forma inspiram e auxiliam nas criações das personagens e espetáculos. Se eu sou teu colega de cena e estou bem em cena, vou automaticamente te ajudar a estar bem em cena.  No ano passado foram premiadas grandes interpretações e todos saíram muito felizes. As meninas das Lendas nesse ano foram incríveis, vai ser difícil eleger a melhor. Alessandra Souza por exemplo esteve maravilhosa como a Maria no auto, A Raquel desenvolveu algo muito delicado e bonito no auto de natal, a Laura está indicada em três categorias, por que realmente é muito talentosa. Aí tem os troféus amigos do Máschara. No ano passado damos essa premio ao Alexandre Giacomini e a  Lore do Ponto do Livro. Pois nos ajudaram muito. Esse ano daremos à Oftalmo odonto clínica que patrocina o  cena às 7 e à Secretaria de Cultura. Há os rapazes que nem são atores, mas que participaram da paixão, O Guarací e o Alcídes... então erá uma noite memorável.

8- Eu torço que em 2019 vocês façam ainda mais sucesso e no fim do ano tenham mais premios para entregar. Muito obrigado pelo teu tempo, sei como é corrido. 

       

Cléber Lorenzoni como Rosalinda em A MAldição do Vale NEgro


segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Indicadas atriz coadjuvante 2018


Os mortos do Incidente estão de volta - 22ª Feira de Livros de Cruz Alta


Lembrança de participação do Máschara em festival de danças unicruz


Lili Inventa o Mundo na praça de Cruz Alta


Troféu dado a secretaria de cultura que tanto fez pelo teatro em 2018


Pela dedicação em apoiar o teatro durante mais de trinta edições do cena às 7


Indicados ao troféu de melhor ator ou atriz juvenil 2018


domingo, 11 de novembro de 2018

832- Lili Inventa o Mundo (tomo 110) Feira de Livros de Cruz Alta

                         Mais uma feira de Livros de Cruz Alta, estive presente na primeira lá nos anos 80. Cruz Alta teve muitas feiras de sucesso, com presença de escritores de vários lugares, grupos de teatro. Grandes palcos. Lembro de ver a atriz Dulce Jorge em cena em 1993 em um palco na esquina da Pinheiro, atras da praça com integrantes do Máschara trajando preto e fazendo cenas curtas divertidas. Em 1994 vi Cléber Lorenzoni interpretando, com a equipe de palhaços do sesc, um gatinho em uma peça dirigida pela professora Giane Ries. Em 1997 Cléber Lorenzoni fazia sombra de rua, seguindo as pessoas e caricaturizando os transeuntes. Já em 2000 foi a vez das estátuas vivas invadirem a feira. Na feira de Livros de 2006, a sobrinha de MArio Quintana esteve em Cruz Alta, e Esconderijos do Tempo foi apresentado no altar da igreja luterana na praça General Firmino. Feiras de Livros combinam com teatro. O texto literário cria vida no palco.
                              Em uma tarde de sol muito quente, lá estava a trupe de Cléber Lorenzoni e Dulce Jorge. De uma forma resumida e ao olhar do publico mais leigo, lindos palhaços, divertidos. Cléber Lorenzoni impagável descendo do palco e fazendo loucuras sem limite. Renato Casagrande inteiro na cena. Alessandra Souza muito vivas. Microfones péssimos. Crianças participando. E Mario Quintana sendo contado. A excelência do trabalho mostrado dias antes na ESMATE, pelo que me contaram, não se repetiu. Mas logicamente devido aos percalços de uma apresentação na rua. Clara Devi, Maria Antonia Silveira Netto e kauane Silva se esmeraram. Percebi pela energia, pelas intenções e pela ação, que elas estavam intensas, no entanto certas filigranas aparecem com o tempo, com a maturidade. Cléber está ali para salvar, aconselhar, e ele sempre parece saber o que está fazendo, ou por que está testando essa ou aquela situação. Só não tolera erro de colegas de cena maduros. 
                                 Clara precisa de mais concentração e menos nervosismo. Kauane precisa de mais energia e dicção e MAria Antonia ficar mais atenta. Ao mesmo tempo todas precisam ter paciência para saber que a perfeição vem com o tempo. São todos aprendizes, e nunca se está pronto.
                                Clara Devi pode e deve saber melhor a poesia de Mario. Maria com o tempo vai aprender que se a roupa cair, basta juntá-la. Percebí Kauane bastante concentrada, mas algumas palavras não foram compreendidas. Um espetáculo como esse apresentado na rua, é uma aula e serve certamente para que os atores adquiram prática e desenvolvam técnicas.  
                                   Não foi dos melhores, mas certamente não foi das piores, foi mais um dia de trabalho. 
                                  O elenco deve cuidar também a potência de sua voz versus a força de captação do microfone. Não se pode falar aos berros ou cantar muito próximo do microfone. 
                                     A dança final com todo o público foi uma forma divertida de deixar nas crianças um gostinho de quero mais. 
                         Ri bastante, e fiquei triste com a organização longe da perfeição. Mas o importante é ter feira!


                                                O Melhor : O domínio do ator e diretor Cléber Lorenzoni que deve servir de inspiração aos novos atores.
                                                        O pior: Os péssimos microfones oferecidos aos atores.


                                                  A Rainha

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

atores que marcaram em pequenas participações 2018


´Com o público de Lili Inventa o Mundo


Elenco de Lili Inventa o Mundo na 22ª Feira de Livros de Cruz Alta


Minutos antes de adentrar ao palco


Elenco de O Castelo Encantado com equipe de Catuípe


831- O Castelo Encantado (tomo 135)

Personalidade


                     Depois de tantas apresentações do espetáculo O Castelo Encantado, fica difícil analisar o espetáculo por algum angulo novo, por isso vou me ater a questões mais específicas quanto as atuações. Um espetáculo pode me segurar, me interessar por sua historia, ou pela capacidade dos atores. Quando alguém é convidado a ingressar no Máschara, é por que de alguma forma a direção do grupo viu nessa pessoa, criatividade, algo a dizer. Todos temos possivelmente muito a dizer, porém, algumas pessoas preferem passar a vida inteira omissas. Ou por medo de se pronunciarem e serem mal interpretadas, ou por medo de destacar-se dentre o grande grupo. Algumas pessoas nunca dizem o que pensam e acabam seguindo os pontos de vistas de outrem por ignorância. 
                        O teatro é um espaço democrático para todo tipo de gente, onde as pessoas podem desenvolver todo o tipo de talentos, buscar e praticar as mais variadas técnicas. Encontrar em si mesmas outras vertentes. As  vezes alguns jovens aparecem para atuar, mas acabam descobrindo seus talentos na área da pintura, da musica, da dança. Mas respeitarão e amarão o teatro sempre. 
                 Logo após ingressar no Máschara, o que fazer para evoluir? Desenvolver sua personalidade. Seu estilo. Aprimorá-lo. Conquistar o respeito dos colegas. Buscar o conhecimento. Estar atento e disposto. O teatro é uma busca. Aprender a dominar as plateias. Tornar-se um conhecedor da alma humana. Construir em si mesmo um contador de tantas historias. 
                      Para tanto é necessário observação, observação, observação. É preciso raciocínio, leitura. Do contrário o grau de exigência, a capacidade de persuasão, a análise dos mais distintos assuntos decairá, tornando o que seria um grande grupo de artistas, em um raso grupo de animadores fuleiros. 
                      O que sempre me fez admirar essa trupe. Foi sua capacidade de se reinventar, sua versatilidade. O estudo da arte. O que é o teatro? Atores ignorantes me entristecem, ajudam a perpetrar a ideia de que artistas são vagabundos. 
                        O teatrinho de Cléber Lorenzoni e Dulce Jorge auxiliou no desenvolvimento e na descoberta de talentos poderosos, como Angelica Ertel, Alexandre Dill, Simone De Dordi e outros tantos.  Não há espaço e tempo para incompetências, ou para preguiça. Há de se criar grandes artistas.  
                          O Castelo Encantado por exemplo já teve em seu elenco Lauanda Varone e Angelica Ertel como Rosa Maria. Teve também Alexandre Dill e Gelton Quadros em grandes papéis. Todos eles ajudaram a compor o que o espetáculo é hoje. Um Espetáculo lúdico, com uma singeleza louvável. As mascaras tão bem utilizadas, a musica ao vivo, as interpretações de Lorenzoni, Casagrande e Souza, maduras e redondas. A direção do Grupo deve, precisa continuar com esse espetáculo por muito tempo, as crianças merecem. 
                           Fabio Novello, Douglas Maldaner e Evaldo Goulart que alternam-se no espetáculo em suas personagens. Fábio no papel de Dono do Circo pode e deve ousar mais, nessas duas ultimas apresentações vi muito pouco de seu jogo coo o anão. Talvez pelo cansaço, mas a cena foi rápida e perdeu muito do que era. Já falei em outras análises, que a cena do elefante é minha preferida. Evaldo Goualrt traz uma energia muito boa ao espetáculo. E infelizmente Douglas Maldaner não se fez presente. 
                             Gabriel Giacomini é uma luz no espetáculo e ajuda a dar um tom leve. Acredito que deva rever sua ação na cena em que Rosa Maria exclama: -Mas uma festa sem musica? - Ali a piada refere-se ao Ursinho e quando Gabriel aponta para o teclado, nós somos mandados para longe do universo proposto por aquela almofada amarrada na barriga do "com musica na barriga". Outro ponto importante é Gabriel cantar na entrada e na saída, as vezes parece apenas assustado tentando acertar.
                          Na equipe técnica falta dedicação, o que vejo é Cléber Lorenzoni, Renato Casagrande e Alessandra Souza, terem que além de carregar os espetáculos, montarem praticamente tudo. A situação ainda piora quando Fabio está em cena como em Escondrijos e Castelo.  Stalin Ciotti precisa desenvolver-se rapidamente. Buscar. Kauane Silva e Clara Devi estão aprendendo e isso agrada a todos. Gabriel Giacomini é esforçado, mas pode render mais. Laura Hoover também deve aperfeiçoar-se. Aprender a fazer sonoplastias, aprender a iluminar. Há muito mercado no ramo, mas mercado para os bons. Se Alessandra Souza e Renato Casagrande são bons, é por que com eles há todo o teatro. Ser bom no teatro é compreender um pouco de tudo o que acontece no palco.
                                    Alessandra Souza carrega o espetáculo, não chega a mostrar grandes talentos, até por que a personagem não lhe da muita abertura. Talvez se ela se afastasse da herança das antigas Rosas Maria, ela conseguisse alcançar novos horizontes. Ela cumpre sua função, de observadora, condutora do público. Renato Casagrande precisa relaxar as vezes, querer ser sempre o melhor em cena, as vezes o prejudica. Quando cair, não deve ficar tão irritado, deve levantar e continuar... Alessandra Souza e Renato Casagrande estão se tornando grandes, e isso nos enche de orgulho. Mas é preciso estar atentos, compreender as plateias. Não se julgar capazes de tudo...
                                    O Castelo Encantado em Catuípe foi mais um dia de sucesso como outros bons sucessos das ultimas incursões. 


                                Arte é Vida

      


Kauane Silva (***) (**)
Stalin Ciotti (**)(*)
Gabriel Giacomini (**)(**)
Cléber Lorenzoni (***)(**)
Renato Casagrande (**)(**)
Alessandra Souza (**)(**)
Fabio Novello (**) (**)
Evaldo GOulart (***)(**)

                               

             
                       

Melhor Artista em performance -2018


Elenco de O santo e a Porca - 2018

Renato Casagrande (Dodó) Alessandra Souza ( Bennona )  Ricardo Fenner (Eudoro Vicente)  Dulce Jorge  (Caróba)  Cléber Lorenzoni (Eurico) Laura Hoover ( Margarida)

A atriz Laura Hoover, em sua estréia como Mariana em O Santo e a Porca


Renato Casagrande, Gabriel Giacomini e Alessandra Souza em cena no palco de Catuípe


quinta-feira, 8 de novembro de 2018

830 - O Santo e a Porca -(tomo 13)

Noite de estreias e amadurecimentos...

                      Quando contrato os serviços de algum trabalhador autônimo, costureira, doceira, marceneiro, etc... Sempre pago exatamente o que o trabalhador cobra, clara mediante prévio acordo. Vejo outras pessoas comentarem: -Nossa! Como essa costureira cobra caro. - Ou: - Que absurdo cem reais um cento de salgado...A questão é que quem contrata os serviços desses profissionais raramente para para analisar, que está contratando além do material, a mão de obra, ou como se dizia em meu tempo de escola, a "mais valia". Está contratando um reconhecido trabalho que levou anos para ser aprimorado. Está esquecendo que no valor vem incluído o nome, que equivale a uma marca, que precisou ser estabelecido. Esquece que aquele profissional autônomo é um diferencial, que ele luta quase sempre com muito sacrifício para se manter como profissional liberal, e que se eu não fizer minha parte, pagando talvez um pouquinho mais, nossa sociedade poderá perdê-lo. Quando uma cidade, uma secretaria contrata um grupo de teatro, esquece de tudo isso, esquece que não está pagando uma peça que foi ensaiada um dia antes, com atores que surgiram um dia antes. Contrata na verdade, no caso do Máschara, vinte e tantos anos de luta, de batalha, de trincheiramento. Contrata estudo, anos de estudo. Contrata busca de tecidos, criatividade. Enfim, um caminhão de questões estão embutidas. O que você vê no palco é reflexo de muita historia, de uma longa trajetória para chegar até o palco.
                              Na noite da última terça-feira, o Máschara levou ao palco de Catuípe, cidade onde já estivera com O Incidente (2005) Esconderijos do Tempo (2006) Tartufo (2007) e Olhai os Lírios do CAmpo (2017). No espaço não muito adequado para espetáculos teatrais o Máschara esparramou sua caravana. Cenários erguidos sob o olhar severo de Cléber Lorenzoni e figurinos distribuídos sob a fiscalização de Renato Casagrande. Aliás Cléber tem feito distribuições alternadas de seus contra-regras para descobrir capacidades, para desenvolver personalidades cênicas. Percebe-se aí muitas coisas. Devi por exemplo se esmera, se divide em mil braços para cumprir funções. Ela faz algo que admiro muito, ela pensa o que precisarão dela antes de as pessoas pedirem. Silva por exemplo é mais discreta, sutil nas ações, mas silenciosamente observa e resolve situações. Ciotti precisa atuar mais, solucionar mais, destacar-se. A trilha de Gabriel Giacomini é  eficaz, mas em alguns momentos poderia ser mais pontual, perde-se ali algumas piadas, ou seja ela está apenas sublinhando. A não ser nas cenas de Eudoro, ali percebe-se uma tentativa de criar gags sonoras. Fábio Novello não pode mostrar suas capacidades brilhantes de iluminador, mas como sempre é um grande braço direito do Máschara. 
                                O cenário foi muito bem distribuído e ainda que apertados sobre o palco, o espetáculo não perde nesse sentido. Outro grande mérito do Máschara, coxias, cenários, acabamentos, quase uma caixa preta erguida. A platéia, depois de uma premiação demorada de uma hora e meia, estava exausta na hora de assistir O Santo e a Porca. O texto de Suassuna é incrível, divertido, e de longe percebemos aqui as mesmas características de penetração crítica às fraquezas humanas que o autor já demonstrara anteriormente em textos como o Auto da Compadecida. Claro que naquele, há uma disciplina maior de idéias, no sentido por exemplo da condenação de vícios e etc... Não há é claro em nenhuma de suas peças moralizações desnecessárias, no entanto aconteceu por exemplo que lá na compadecida aconteceu um equilíbrio exato entre forma e conteúdo. Sendo assim alguns chatos de carteirinha, que só assistiram, nem sequer leram, O autor, parecem querer julgar toda a obra de Suassuna por aquele trabalho.  Em O santo, o autor parece ter sido traído por sua genialidade inventiva, assim me parece que os verdadeiros objetivos ficam diluídos ou perdidos na exuberância de incidentes e na prodigalidade de formas variantes de uma mesma ideia nas falas. 
                                          A habilidade do autor mantém-se através de gênero nada fácil que é a farsa. Ela de forma bem colocada prende o espectador, e quando esse se percebe enrolado pela trama, não quer desprender-se até a exata solução. Eis aí o mérito do autor, do diretor e da atriz principal, Dulce Jorge que com assistência de seu Dodó-Pinhão consegue nos enredar. Cléber Lorenzoni é um diretor maduro e ao mesmo tempo jovem, quando o comparamos com os diretores de sua época. Uma época em que há menos apelo aos clássicos, menos estudo, menos apuro. Cléber Lorenzoni criou um estilo de direção que sobressai-se, cativa e surpreende. O Santo e a Porca é romântico, rítmico e apaixona a todos. 
                                         Dulce Jorge é uma grande atriz, e a reverencio novamente, corre de um lado para o outro, mantém volumes, mantém a cena intensa e vivaz. 
                                          Foi noite também de muito orgulho ao ver Alessandra Souza e LAura Hoover em novos papéis. A primeira divertida, transformada, forte. Uma grande atriz. Aliás nos dois últimos anos Souza alcançou um novo patamar como interprete. Sua percepção de Benona e sua presença cênica, fizeram o público apreciar muito seu trabalho e por conseguinte a dupla com Ricardo Fenner. Até mesmo o coronel Eudoro ficou mais agradável com a mudança de par. 
                                        O elenco maduro e coeso de O santo e a Porca, praticamente todo composto pela velha guarda do Máschara preenche o palco com maturidade e responsabilidade, ainda assim percebi em seu Eurico uma preocupação, como conheço muito bem o diretor, analiso como tensão ao ver suas crias. Cléber Lorenzoni dirige muito durante o espetáculo e isso o prejudica e as vezes prejudica também o elenco. Precisa lembrar que no dia faz-se o que dá! A hora de estudos já acabou. Sobre o palco o reflexo de um trabalho. Lorenzoni parecia querer sair logo de cena, não estava inteiro.
                                        Laura Hoover foi um doce achado. claro que para quem acompanha o trabalho há tempos, ou tem o costume de ir ao teatro, percebia-se que Laura era estreante. Mas ela está calcando um bom caminho. Espero que haja novas apresentações logo do espetáculo, para que a atriz possa praticar, melhorar, crescer. O contraponto com sua Glorinha é percebível. Mais uma vez um trabalho de equipe. A direção de Cléber, a partitura bem pontuada de Alessandra Souza e a disponibilidade da própria Laura Hoover.
                                           Para o público foi uma noite de diversão. Para mim uma noite de reflexão e para o Máschara uma noite de estudo. 
                                          Noite de bom teatro. Alguns pequenos erros aqui e ali, poucos equívocos. Muita luta, disputa pela atenção do público. Cortes, jogo, estratégias. Noite de bom teatro.

                                            Arte é vida!




                                         O melhor: O talento e a maturidade dos anciãos do Máschara
                                     O pior: O local perigoso, despreparado e sujo onde os atores se apresentaram.
                                          

Rainha

Stalin Ciotti- (**)
Clara Devi (**)
Kauane Silva (**)
Gabriel Giacomini (**)
Laura Hoover (**)