domingo, 29 de abril de 2018

Em maio- A Maldição do Vale Negro de Caio Fernando Abreu


Agenda Maio/2018

05-maio - sábado - Corpo em Ação
12-Maio - Sábado- Corpo em Ação
18-Maio - Sexta - Espetáculo InfÂncia Roubada - Casa de Cultura Justino Martins
20-Maio - Domingo - 72º Cena às 7 - As Balzaquianas
23-Maio - Quarta-feira - A Maldição do Vale Negro - Santa Rosa/RS

Ainda sobre as personagens de O Tempo e o Vento







Corpo de Baile do Máschara interagindo com o público nas ruas de Cruz Alta


Cléber Lorenzoni como Cigana Isabelitta


Família Máschara nas manhãs de sábado! - A volta do Corpo em Ação

Uma Geração vai, outra geração vem...
Evaldo Goulart, Alessandra SOuza, Clara Devi, Vagner NArdes, Renato Casagrande, Stalin Ciotti, Cléber Lorenzoni, Kauane Silva, Douglas Maldaner, Antonia Serquevittio, Laura Hoover e Vitoria Ramos

segunda-feira, 23 de abril de 2018

802- Deu a Louca no Ator - (tomo 3)- 71º Cena às 7

                   De algum tempo, a esta parte, os críticos teatrais, principalmente aqueles que são ligados à chamada nova critica, andam sendo motivo de comentários e assunto de artigos, declarações. Ontem mesmo no palco, um dos atores disse cagar para a crítica teatral, não me surpreende, já que constantemente a crítica sofre ataques virulentos, de pessoas que dizem que espetáculo ruim é espetáculo ruim, espetáculo comercial é espetáculo comercial, público leigo é público, leigo, como se fosse impossível exigir mais qualidade, como se fosse impossível lapidar o bom gosto, como se fosse impossível formar plateias. 
                      Como se forma uma crítica teatral? Tentei fazer teatro há quarenta primaveras atrás, não me saí bem, não fui contundente e loquaz em cena, pelo contrario, emanei uma mediocridade gritante e por tanto afastei-me do palco. Percebi-me então apaixonada pela cena, como público, como platéia. Enfim descobri o prazer de questionar, de analisar, de ler e assistir tudo sobre o palco. Estudei-o a fundo. Fui de Stanislavski à Barba, de Marlowe à Beket e não quis mais parar. Quando saio de casa, encaminho-me à antiga capoeira, onde atualmente está nossa Casa de Cultura, como se fosse para meu local de trabalho. Vou para estudar cada fragmento de texto. Cada inflexão. 
                       Ser crítica teatral, é amar o palco, o ator, o diretor e a arte cênica. 
                   O texto de Deu a Louca no Ator, foi muito bem escrito. Sua carpintaria teatral conquistada pelo dramaturgo Antonio Fagundes, alcança eco nas palavras de Cléber Lorenzoni e adapta-se perfeitamente a realidade de qualquer lugar onde se faça teatro. O Texto presta homenagem a quem é do metier. O texto reverencia o amargor e o prazer da vida dedicada ao palco. E isso sendo pronunciado pelos baluartes do Máschara é incrível. Dulce Jorge, vinte e seis anos de palco, Ricardo Fenner dezesseis anos, Cléber Lorenzoni vinte e três anos, Alessandra Souza, dez anos, e Renato Casagrande nove anos. Como conseguiram fazer teatro por tanto tempo? Quantos desafios enfrentaram? Deu a Louca no ator reverencia essa profissão que tanto amo, e que só não é mais valorizada por que nosso país pouco sabe de valorizar a arte e os artistas. Como diz o próprio ator louco em cena, aqui pouco se lê, aqui pouco se fica sabendo da arte. Em Cruz Alta, muito foi feito, muito se conquistou, mas ainda há tanto trabalho...
                       Cléber Lorenzoni, Renato Casagrande e Alessandra Souza jogam, trocam, brincam em cena de forma magistral. Na verdade o primeiro ato do espetáculo passa por nós em questão de minutos. Alessandra Souza muito mais madura, Renato Casagrande faz graça e nos prende a cada entrar em cena. Cléber Lorenzoni é um paizão  no palco, contracena, e ao mesmo tempo sabe a hora de ficar quieto, deixando o espaço dos outros. É artilheiro e é atacante. 
                        No grupo de cômicos, Ricardo Fenner e Dulce Jorge se espalham de forma gostosa, cada um com sua função em um tripé onde a terceira perna é o iniciante Stalin Ciotti. Um menino que já desponta cheio de talento. A evangélica diz barbaridades, mas em nenhum momento o estereótipo é ofendido. Ao contrário a atriz que carrega a personagem mantem a elegância do tipo e sai de cena pós conquistar o público. A triangulação dos seis atores em cena é digna de aplausos.
                          O texto flui de forma clara, bem pronunciado, Cléber Lorenzoni pronunciou narizão, quando na verdade o correto é narigão. O falsete de Dulce Jorge flui e é muito bem articulado bem como o trabalho vocal de Alessandra Souza, atrizes fazendo caretinha e a gente na platéia compreendendo tudo, maravilhosamente as claras. 
                           Renato Casagrande da vida a um ator iniciante e cheio de vida, se sai muito bem e consegue parecer realmente um principiante cheio de idealismo, energia e vibração. Ricardo Fenner está engraçadíssimo. A Stalin, cabe trabalhar mais o emocional, mas como estréia entre grandes atores, não deixa a desejar. 
                            A concepção do espetáculo nos da um Macbeth em preto e branco, que parece sair da era vitoriana, no entanto rapidamente o ambiente vai se transformando, ficam pequenos detalhes que nos fazem pensar naquele espetáculo interrompido. A mencionada  rainha caída no chão, a capa modelo Jack estripador, que Lorenzoni usa sobre os ombros, as mangas bufantes, a calça sobre canela de Renato Casagrande. Enfim um pequeno detalhe que nos fez sentir vontade de conhecer essa versão  da tragédia de sangue de Shakespeare. 
                           Mas a peça não fala apenas sobre o teatro, fala sobre a vida corrida, a violência, a falta de tempo. A peça fala de comunicação, fala de amor a existência, e ainda menciona Téspis, Brecht, o Inspetor Geral de Gógol, a floresta de Elsinor, a tragédia grega, MArtha Graham, as batidas de Molière, Ciranô de Bergerac, a destruição de Sodoma e Gomôrra. Enfim uma infinidade de clássicos da literatura. 
                            Na contra-regragem, Douglas MAldaner e Gabriel Giacomini, abrindo as portas para o mundo da técnica, Douglas e Gabriel juntos foram extremamente delicados e profissionais, dois operadores cujo público merece ter como responsáveis pela parte técnica do cena às 7. 
                                 A iluminação de bom gosto e a trilha sonora elegantíssima nos enchem os olhos. 
                                 Em suma, quando um espetáculo pega  o público pela verdade, pelo cuidado, é difícil apontar problemas.
                               Orgulhosa, satisfeita e agradecida ao Máschara, assim me senti após Deu a Louca no ator.


P.S. Todos de parabéns, seria injusto não elevar aos céus todo o elenco e equipe técnica. 
Na contra-regragem: Sandra lazzari e Clara Devi (***)
Laura, Kauane, Vagner, Antonia, Vitoria, (**)

Deu a Louca no Ator
Texto- Adaptação da obra sete minutos de Antonio Fagundes
Direção- Cléber Lorenzoni
Elenco- Cléber Lorenzoni
              Renato Casagrande
              Alessandra Souza
             Ricardo Fenner
            Stalin Ciotti
                   e
                Dulce Jorge
Participação especial- Laura Hoover
Iluminação - Cléber Lorenzoni
Operação- Gabriel Giacomini
Trilha Sonora- Cléber Lorenzoni
operação - Douglas Maldaner
Figurinos- Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande
Cenário-  Gabriel Wink
Maquaigem- O Grupo
Produção- Script produções
Bilheteria- Sandra Lazzari e Kauane Silva
Contra-regragem- Clara Devi, Antonia Serquevittio, Laura Hoover e Vitoria Ramos
Apoio- Vagner NArdes, Fabio Novello e Evaldo Goualrt



                        
                        

Ao lado da Ellen e Mari Faccin após Deu a Louca no Ator


Equipe do Máschara - após Deu a Louca


Elenco de Deu a Louca em descontração com a amiga e escritora Su Estevam


Cenário de Deu a Louca pronto para o ensaio Geral, criação de Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande


Acensão de integrantes


Parabéns aos integrantes 



SANDRA LAZZARI 




e STALIN CIOTTI 
que acenderam ao 
STATUS 4 
por sua dedicação e talento dentro do 
Grupo Máschara.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Performance-O tempo e o vento -801 (tomo único)

                      No último domingo estava na casa de uma amiga, tomando chimarrão, e então ela mencionou que terminaríamos mais cedo nosso costumeiro encontro de domingo, ela tinha um cerimonioso compromisso. A inauguração do estátua de Erico Verisimo na praça que leva seu nome. Eu embora sempre atenta aos eventos culturais de nossa cidade, não tinha tomado conhecimento. Com tantas vitrines ao nosso redor nesses tempos das tais redes sociais, é necessário apregoar muito uma informação, contá-la e recontá-la. 
                             Embora não estivesse vestida a caráter, lá fui, prestar meus respeitos á um ídolo de mármore que chega atrasado ao largo da antiga Matriz. Muito antes a mestra Margarida Pardelhas, ou Adauto Mastela Basso, já haviam entrado para o panteão dos grandes a serem imortalizados em figuras pelas ruas da Mui Leal Cidade. 
                            Há mais de trinta anos eu estava presente na inauguração de outro memorial à Erico, hoje abandonado e quebrado no parque de máquinas. Não me iludo, as grandes ações duram o tempo de um aplauso e tem motivações mil, nem todas de cunho tão sensível quanto se imagina. De qualquer forma, lá estava Erico, sentado a sombra produzida por uma das poucas árvores poupadas na questionável reforma da praça. 
                            Logo que me aproximei, do entroncamento Venâncio Aires - Duque de Caxias, fui surpreendida por uma figura de roupas escuras, de rosto pálido qual figura da morte que povoa nossa imaginação. Antes de qualquer explicação eu já sabia, todos sabem, era o Máschara. Grupo esse que sempre está presente nos eventos importantes da comunidade. 
                              Conversei com alguns personagens, que carregavam sua fé cênica com louvor, procurei-os por entre as alamedas e orgulhei-me de meus ídolos. Ainda na década de sessenta eu já havia lido O Continente volumes 1 e 2. Então Capitão Rodrigo, Ana Terra e Dona Bibiana já me eram amigos de longa data. Não era especificamente um espetáculo Teatral, era uma performance, mas as bases do teatro se faziam presentes, triangulação, jogo, domínio de cena e de personagens, técnica vocal, enfim, todo o aparato humano necessário para a arte cênica se estabelecer. 
                               Observei o jogo vivo e intenso entre Capitão Rodrigo e uma jovem que me foi apresentada como Helga, a personagem original era loira, e aquele cabelo cor de milho foi o que seduziu o macho cambará. Porém embora a atriz que a interpretava não tivesse cabelos louros, ela estava ali, intensa, viva, triangulando conosco, com o capitão e com a presença de Bibiana. 
                                   Com um jogo mais intimista Ana Terra e Pedro Missioneiro também chamavam a atenção. A sutileza daqueles vultos entre os transeuntes nos levou diretamente para dentro das entrelinhas de Verissimo e bateu-me uma vontade imensa de voltar a ler a historia dos Terra Cambará. 
                           O teatro tem várias funções, vários caminhos, várias linguagens. Cléber Lorenzoni abusa de todas, nos da dança, nos da o drama, nos presentei-a com a religiosidade, a historia. Busca o teatro infantil e o teatro mudo. O Teatro de Cruz Alta em Cruz Alta é um arrojo. 
                                Após um interlúdio comandado pelo historiador Rossano Cavalari e culminado pela fala coerente do intendente, vimos os espectros  aproximarem-se. Ali frente a imagem de seu criador, era impossível não emocionar-se. A Histórica Praça de Cruz Alta com mais de cem anos, o maior artista dessas paragens, sua estátua sendo reverenciada, o Grupo Máschara que luta assim como Erico lutou, há vinte e cinco anos e finalmente as personagens do icônico O Tempo e o Vento. Um momento tão lindo que me fez buscar o apoio no braço da amiga ao meu lado. 
                                O texto de alguns atores ficou um tanto inaudível, mas a voz em coro com a qual homenagearam seu criador, essa foi bem ouvida. As palavras de Erico gravadas em tom emocional e finalmente a pose final foram extremamente sensíveis. 
                                Ir para perto do público dessa forma sem a proteção da quarta parede, não é tarefa fácil então embora todos estejam de parabéns, aconselho que busque mais, mais trabalho, pesquisa, aprumo de técnica. Para não haver timidez, medo ou insegurança.
                                  Só posso encerrar dizendo Obrigado Grupo Máschara por não desistirem de nós, o contrário de sua permanência ou existência seria o vazio de uma gélida praça em uma tarde ventosa de domingo. O contrário de sua insistência em nos dar o belo seria a ausência do onírico,  do belo, seria  impedir nossos olhos, nossos ouvidos, nossa mente, de viajar na arte.

                                     Arte é vida                       Vida é Teatro

Performance - O tempo e o Vento

Alessandra Souza  .... Ana Terra   (**)
Cléber Lorenzoni ....... Capitão Rodrigo Cambará (***)
Douglas Maldaner .......Pedro Missioneiro (**)
Stalin Ciotti ...............Padre Lara (***)
Kauane Silva ............Luzía Silva (***)
Laura Hoover ............. Helga kunz (***)
Sandra Lazzari ..............Bibiana Terra (***)
Clara Devi .................Jovem Bibiana Terra(**)
Vagner Nardes ......... Contraregragem  (**)
Gabriel Giacomini ....... Conbtraregragem (**)
Renato Casagrande .......................Direção musical e Figurinos (**)
Cléber Lorenzoni .........................Direção Geral e Roteiro 







                             

Personagens de O Tempo e o Vento em inauguração de estátua


Mais uma capa do Jornal Diário Serrano em prol dos trabalhos do Máschara


Deu a Louca no ator - 71ºcena às 7


segunda-feira, 16 de abril de 2018

Cléber Lorenzoni ao lado de dois jovens da nova geração do Máschara

Cléber Lorenzoni Stalin Ciotti e Laura Hoover

Momentos de A Paixão de Cristo


 








Cléber Lorenzoni e Sandra Lazzari encarnam Capitão Rodrigo Cambará e Bibiana Terra Cambará


Cléber Lorenzoni interpretando jesus Cristo em A Paixão


800-Paixão de Cristo (tomo 2) - A luta pelo teatro

              Palcos para todo o lado, som potente com direito a trio elétrico, figurinos impecáveis e um dia lindo de sol, nem isso foi o suficiente para levar um público maior que em 2017 para as ruas nesse feriado. O roteiro assinado por Cléber Lorenzoni deu mais espaço a figura feminina, tão abafada pelos viris heróis da bíblia. Cléber Lorenzoni abriu a cena no marco zero, com a passagem da Mulher Adultera, que realmente não é a Madalena, sim muita gente confunde as duas. Ainda entre as mulheres empoderadas, eis que surge Heródia, composição de Clara Devi (**), há quem diga que a atriz era muito nova para o papel, no entanto quem diz isso esquece o quanto o palco é democrático e muito mais tolerante com a idade dos atores do que por exemplo a televisão. 
               Eis aí também a perspicácia da direção, primeiro que Lorenzoni coloca um Herodes também jovem sobre o palco, segundo que em nenhum momento é dito ao público o que a personagem de vestido azul é do rei, sendo assim o público não chega a ter um ponto de vista. Ela poderia ser Heródia, Salomé ou outra dama da corte. 
                 Embora Cléber Lorenzoni tenha dado espaço as mulheres, parece ter resumido muito o espaço de Maria, (mãe de Jesus) que aliás é minha figura preferida no auto. Dulce Jorge (**) não esteve maravilhosa como em 2017, assim como o interprete de Jesus Cléber Lorenzoni, ( **) certamente como diretores da Cia. e preocupados com tantas augurais, acabaram não se entregando o suficiente em suas construções. Maria poderia ter aparecido antes na cena, já que se tratava de um roteiro que ousava dedicar-se mais ao feminino. 
                     Ainda no núcleo feminino grandes destaques, Alessandra Souza (***) abriu o espetáculo com muita energia, agregando a platéia e prometendo uma grande encenação. Izadora de Azevedo voltou nesse ano como Madalena (**) Gostei mais de sua Salomé, mas orgulhei-me de ver a ousadia de uma não atriz, contracenando sobre o primeiro palco ao lado de Cléber Lorenzoni. Virei fã dessa jovem. 

                                 Laura Hoover(**) teve muita "pegada", discernimento e a tal fé cênica na personagem Marta. A jovem  recebeu um papel sem muito status mas foi dando vida e profundidade a tal ponto de algumas pessoas quase debruçarem-se sobre o evangelho para procurá-la. Ainda no grupo feminino, Raquel Arigony e Sandra Lazzari cumpriram momentos muito relevantes. Arigony (**) me parece, nem reside mais em Cruz Alta, lá estava no entanto, presente, inteira e repleta de braços que se estendiam em várias funções. À Verônica de Sandra Lazzari (**) caberia um vigor maior, uns detalhes mais apurados. Mas ainda assim a atriz não deixa a desejar.
                                      
                 A figuração foi 100% feminina,  e muitas foram as jovens discípulas que merecem aplausos. Cada uma a seu momento fez muito pela cena. Não sei o nome de todas, mas dedico minha admiração pela coragem e determinação de todas. Duas delas aliás já haviam passando em anos anteriores pelas fileiras do Máschara. Su Estevam e Carolina Monteiro. 
             Cléber Lorenzoni com assessoria de    Renato Casagrande optou por um figurino mais limpo, quase uniforme. Saiu um pouco da veracidade hebreia  mas encantou a plateia com detalhes belos e pontuais. Palmas para a Senturia Romana. 
                  No elenco masculino, também foram vários atores dando aulas de interpretação. Renato Casagrande(***), Gabriel Giacomini(***) e Stalin Ciotti(***) foram as pérolas do Máschara.  Os três com dedicação, criatividade, diria até brilhantismo, o primeiro totalmente irreconhecível, levou o ódio do líder politico/religioso a estremos; o segundo ainda que jovem, entendeu perfeitamente o espirito de sua personagem e jogou, jogou muito em cena. Stalin, apesar de ser o mais novo da equipe em bagagem teatral, brincou pelo palco mostrando o quanto é importante o ator em cena divertir-se com sua personagem, água na platéia, chutes no Cristo, chapéu no chão. Tudo o que o ator fez segurava ainda mais nosso fôlego. Ricardo Fenner (**) não fica aquém não. Conseguiu compor algo bem diferente de seu estilo de interpretação em um ótimo desafio, destacando a critica que o espetáculo faz da manipulação das massas pelos detentores do poder. Paulo Guaraci (***) que em 2017 fora um apóstolo, agora irrompe o palco como José de Arimatéia, um dos sacerdotes do templo. Guarací  não tem muitas falas, mas esteve vivo e coerente em todos os momentos da ação.É maravilhoso como o teatro revela talentos e abre espaço para todos que se deixam tocar por ele. Outro destaque foi para Alcídes Cossetim que ainda como apóstolo conseguiu destacar-se também no papel de homem que tentava fazer a justiça de Moisés sobre a mulher adultera. Alcídes foi se destacando nos ensaios mas no dia entrou no palco com força e mordida.
                                                     No núcleo de soldados a direção dividiu os atores em soldados romanos e soldados judeus. Palmas à Douglas Maldaner (**) que foi extremante verdadeiro e violento como o soldado romano que mais flagelava o Cristo. Como Judas Douglas foi bem, mas poderia ter dado mais ação interna e detalhismo à personagem. Entre as fileiras apostolares, trabalho forte entre os figurantes mais maduros. O elenco mais jovem
poderia destacar-me com mais impeto. Vagner Nardes (*)como O discípulo amado precisa de mais pesquisa, o que vai alcançar rápido, já que é interessado e dedicado. Evaldo Goulart se sai bem como apóstolo e na operação da trilha, porém na cruz tanto ele quanto Ciotti deixam a desejar. Ora, tipos pontuais como os crucificados que tem os ohlares de todos em sua direção, precisam acertar plenamente a dublagem. Destaque para Felipe Padilha como Porta Estandarte e as crianças que encontram Jesus ainda no começo. Não ha como não elogiar a pequena notável Vitoria Ramos (***) que nasceu para o palco.
                         O texto adaptado por Cléber Lorenzoni guarda elegância sonora e em vários momentos carrega poeticidade, um trunfo da montagem desda milenar historia que veio para ficar.
                        Muitos foram os dramas, os percalços que o Máschara enfrentou para por A Paixão de Cristo nas ruas. Quem esteve no ensaio geral deve ter percebido mutia cosia que acaba sendo mantida em segredo e que poucos tomam conhecimento, mas não dá para não admirar um grupo que precisa se expor ao que o Máschara se expõe para fazer teatro.

Teatro é vida!
A Rainha