terça-feira, 28 de abril de 2015

Lili Inventa o Mundo em 8º Matinê do Máschara

Pé de Pilão em Lili Inventa o Mundo




                 Me sentei no teatro com pose de sabichona para assistir à Lili Inventa o Mundo, queria apenas analisar com o olhar critico, no entanto, o  senhor Poeta (Mario Quintana?) entrou no palco desestruturando minha imponência, me fez rir, relaxar e voltar a ser criança, ri de tombos, ri de gritos, ri de tudo.E torci, torci para que tudo desse certo.

                 No palco dois protagonistas de Quintana se encontram, Lili e Mathias. Ela curiosa, delicada e  confusa as vezes. Ele genioso, engraçado e muitíssimo ágil. 
Teatro é comunicação. Cléber Lorenzoni, Alessandra Souza, Dulce Jorge, Renato Casagrande, Fernanda Peres, Ricardo Fenner, Evaldo Goullart, Barbara Santos, Bruna Malheiros, Fabio Novello e Douglas Maldaner saíram de suas casas no domingo para contar uma historia. Para contar essa historia, cada um cumpre uma função, quando essa função não é cumprida, a historia não é contada. Será que é justo o público sair de casa para ver uma historia, e não ter essa historia bem contada? Quando me eximo de minha função, estou declarando que minha função não é importante, e se não sou importante, por que estou ali? Todos nascemos sabendo praticamente nada, então devemos aprender, procurar, buscar. Devemos reconhecer que não somos capaz quando não somos capazes e melhorar, crescer, aprender.  Luzes que não se apagaram, código de molière confuso, platéia tendo que beber refrigerante  direto na lata, musicas baixas. Será que sabemos remar nessa jangada? 
                   Batidas de Molière: herança do sinal dado pela cia de Molière na França de Luis XIV, para avisar que o rei tinha chegado e o espetáculo podia continuar.Quando ocorre o primeiro sinal, a platéia compreende que é hora de começar a se ajeitar pois o espetáculo logo iniciará. Após o segundo sinal os atores se colocam em suas posições e se há algum protocolo, é feito pois todos estão em seus postos. Quando ocorre o terceiro sinal, a luz se apaga. O público sabe que terá que deixar o "pipi" para depois e que a pipoca terá que ficar para o final. Quando soa o segundo sinal e o protocolo não acontece, quando toca o terceiro sinal com duas batidas, ou quando toca um quarto sinal, o público de teatro percebe que algo errado aconteceu, os atores ficam sem saber o que fazer. Será que posso ir ao camarim buscar algo que esqueci? Não sei, pois não compreendo mais os sinais que estão dando. 
                   Operador de som: Não é uma pessoa que foi chamada para apertar botões ou teclas. O operador de som ou sonorizador do espetáculo, é a pessoa que recebe toda a confiança da equipe para guiá-los como o regente de uma orquestra. Diria que também deve ser artista. As canções via aparelho eletrônico, devem entrar lentamente sem assustar a platéia, devem sair também com cuidado e não desaparecer de súbito. Aliás, movimentos bruscos não combinam com a sonorização de um espetáculo, há não ser que façam parte da proposta. O operador de som, assim como o sonorizador, fazem parte da equipe técnica de um espetáculo. Por técnica, subentende-se pessoas que compreendem toda a maquinaria teatral, toda a engrenagem. Os técnicos assessoram, organizam, preparam, controlam, protegem, e além de tudo isso, devem conhecer todo o espetáculo, atuar junto. Sonoplastas podem precisar colocar uma musica para preencher um buraco (vazio na cena), um sonoplasta pode precisar tirar uma musica, caso ela esteja atrapalhando a compreensão do público. Um sonoplasta precisa ter bom ouvido para entender os sons do ambiente, os silêncios, os ruídos. Deve conhecer os atores e saber quais falam alto, quais falam baixo, quais são afinados e etc... Quando alguém receber essa função, deve sentir-se honrado e desdobrar-se para cumprir função tão honrosa. 
                                Atores nunca devem esquecer que a arte do teatro é a arte da criação. Quando se pensa ter criado tudo, crie mais. Personagens como Fada mascarada, Malaquias, Lili e Rainha das Rainhas, ainda podem produzir muito. Não se acomodem. 
                      O público compareceu para assistir Lili Inventa o Mundo e provavelmente levou para casa muito de Quintana na bagagem, a interprete de Lili tem nas mãos uma mensagem doce e muito positiva para crianças e adultos. Mathias é o personagem central de uma historia que a censura do estado novo de Vargas bloqueou por trinta anos, tudo por que no texto, Quintana refere-se à polícia como "um cavalo montado no outro", la no tempo em que os brigadianos (brigadeiros) faziam a ronda sobre cavalos. 
                         Fernanda Peres- Teatro é arte de mentir com verdade, procura sentir, mas como disse o inesquecível Hitchcck à Ingrid Bergmamm, se não consegue sentir, finja. (**)
                                               Alessandra Souza- O Teatro é um trabalho em equipe, mesmo quando for um monólogo. (**).
                                               Dulce Jorge - Fique dentro do teatro, tu és a fundadora do grupo Máschara, fique próxima ao palco colocando as crianças nos seus lugares, preparada para o protocolo. (**)
                                                Renato Casagrande - Obrigado pelo seu trabalho. (**)
                                Evaldo Goulart - Passe a função tambor a outro colega. Ela está sendo pessimamente executada(*)
                                           Cléber Lorenzoni - Aprenda a separar suas funções e momentos. Em cena atue, e não dirija, tu te prejudicas e prejudicas o todo. (*)
                                         Ricardo Fenner- Não acumule tantas funções. E organizemos melhor o bar antes de domingo(**)
                                           Barbara Santos - Obrigado por seu perfeito trabalho (***)
                                         Douglas Maldaner - Respire fundo e execute com perfeição sua função. Não se permita erros. (*)
                                      Bruna Malheiros -Mais ousadia. Nunca se contente fazer oi que já faz bem feito. (**)
                                            Fabio Novello- Obrigado por sua dedicação. (**)
                                             e
                                           Obrigado ao jovem Gabriel Giacomini por seu interesse em aprender o oficio. 

Atenção. Nesse próximo domingo tem a ultima edição dessa matinê. Não percam, é a ultima chance de surpreender e vencer desafios. Não percam


                             Arte é vida.                                                                     A Rainha

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Atores e direção


7º Matinê - Lili Inventa o Mundo 105 - 687

O melhor do teatro para o Ator, o melhor do teatro para a platéia


      O que leva cada pessoa ao teatro? Não sabemos, mas ousamos dizer que as pessoas vão ao teatro buscar algo, algo que lhes falta, a platéia vai buscar perguntas novas, para reacender sua mente, para filosofar, viajar, conhecer... O ator vai buscar respostas, respostas para sua existência, respostas para perguntas que talvez ele ainda nem tenha elaborado. 
       Eu ainda vou ao teatro por que amo, amo a arte, amo o interprete e amo a complexidade das pessoas, complexidade do ser humano. Meus filhos já estão crescidos e abandonaram o ninho, como era de se esperar, mas isso não me impede de "curtir" um delicioso espetáculo infantil. Tão bem feito. Lili Inventa o Mundo une dois livros infantis de Mario Quintana e nos dá exatamente o mais acertado para nossas crianças. No teatro um pai pode ter certeza de que o filho está entrando em contato com o que há de mais lúdico, mais sensível a ser levado para uma criança. Mas o que é o lúdico? O lúdico refere-se a uma dimensão humana que evoca os sentimentos de liberdade e espontaneidade de ação. Abrange atividades despretensiosas, descontraídas e desobrigadas de toda e qualquer espécie de intencionalidade ou vontade alheia. É livre de pressões e avaliações. O lúdico tem muito a ver com a poesia, está enraizado na arte e principalmente, combina totalmente com a proposta de Lili Inventa o Mundo. 
       Os atores do espetáculo estão são homogêneos, há destaques como Casagrande (**) e Lorenzoni (**), mas ninguém destoa ou parece estar começando. Um espetáculo parte de um conceito. O Conceito de Lili Inventa o Mundo, é o circo. Tem picadeiro, palhaço, apresentador, bailarina, cortina vermelha, pipoca e refrigerante. Mas alguns atores podem mergulhar ainda com energia nesse conceito. O Conceito é o que une atores e direção de um espetáculo em uma mesma ideia. O ator que não compreende o conceito nada para mares distantes da proposta encenada. 
       Lili começou com problemas, discretos felizmente. Mas logo se espalhou pelo pequeno e equivocado ambiente. Aliás, uma pena que nossa administração não se importe em ver sua comunidade mal acomodada tentando assistir um evento artístico. Em grandes cidades, teatro tem lugar preponderante. Mas alguns cruzaltenses não tem condições de viajar e é perturbador ter que sair de sua cidade para obter certas benesses que toda  cidade deve oferecer a seus cidadãos. Como podemos estimular nosso povo à luta por um melhor nível cultural se, de maneira tão gritante, nossos governantes mostram sua indiferença por aqueles que o têm? 
          Nesse momento, em que o Máschara se esforça tanto para fazer com que o teatro em Cruz Alta tenha significado ponderável no desenvolvimento cultural da nossa sociedade, em que começam a aparecer cursos de teatro, escolas de dança, é preciso que o hábito de ir a uma casa de espetáculos se forme em nosso povo- para isso entretanto é preciso que haja teatros, os daqui foram desaparecendo um a um, testemunhando uma incrível indiferença de nossa mui leal cidade para com o nível cultural de seus filhos. 
        Ri muito, muito mais do que as crianças, realmente, e felizmente, alguns de nós, seremos para sempre crianças. Ser "adulto" é muito chato, as vezes penoso até. As lições que Lili, Quintana ou o Máschara passam para nossas crianças são adoráveis e passam por meio de uma explosão de vida, de energia, de tônus. 
            Peres(**) e Malheiros podem emocionar ainda mais, tocar mesmo as pessoas; Bruna(**) também pode trabalhar mais a coluna e todos podem trabalhar mais as técnicas vocais. Gosto de ver Bruna em cena, uma atriz grande, com presença, com tudo que uma atriz precisa para se tronar inesquecível. Ao mesmo tempo Renato Casagrande precisa atentar para o alongamento de suas cenas. Principalmente nas quais está sozinho com Lili em cena. O efeito geleia é um perigo para atores experientes. Alessandra Souza (**) pode ser mais pontual em sua fada mascarada, embora estivesse divertidíssima e seja uma atriz repleta de emoção. Goullart possui um ritmo ótimo, é engraçadíssimo. Pense! Tu podes ser inesquecível nesse papel como teu antecessor, precisa apenas de um pouquinho mais de percepção. Atente também para o ritmo. Evaldo é um ótimo jovem ator (***) precisa focar. 
                 Cléber domina a platéia sempre em Lili, a quarta parede vira uma rede de vôlei e a bola vai e volta sem parar. Marcando sempre pontos na arquibancada. As crianças e os adultos o adoram, mas ele tem a dose certa da malicia que o público quer. Precisa apenas tomar cuidado para que o seu "eu" diretor não o prejudique em cena. 
                   Fernanda Peres é uma atriz do terceiro escalão, vá logo para o segundo, ame o teatro, ele está em ti!!!
            A equipe técnica de Lili Inventa o Mundo trabalhou muito e houveram percalços, a sonoplastia não esteve viva, e um sonoplasta nunca deve se ausentar na mesa técnica. Douglas Maldaner (*) é muito interessado, deseja muito o teatro. Então esteja sempre ligado. Ricardo Fenner produziu a matinê, buscando coisas que nenhum outro integrante buscaria, (***) um ator que mesmo não estando em alguns espetáculos, dedica-se com méritos pelo grupo Máschara. 
                      Fabio Novelo (**) veio de longe, Barbara (**) chegou cedo, Dulce Jorge (**) correu para lá e pra cá. Todos fizeram sua parte, e a matinê foi sucesso de público pela parcela de cada um. Torçamos para que no próximo domingo seja outro sucesso.


Teatro é vida!
                                  A Rainha
                    

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Tentou falar, tentou berrar, tentou gritar (...) o som do seu Quá quá!


Elenco em 2015

Atores        Tempo     Status  

                         1- Dulce Jorge (Fundadora)  ---->
2- Giane Ries
3- Claudia
4- Diogo
5- Cezar Dors
6- Thire
7- Marli
8- Wilson
9- Nadia Régia (1992/1994) I
10- Eduardo Gonçalves (1992/1995) II
11- Janaína Peroti (1992/1996)
12- Dão Dill (1992/1995) III
13- Vera Porto (1992/1998) IV
14- Fernandra Strainbrenerr (1996)
15- Altiva Soares (1993/1997) IV  + 2009
16- Katiússia (1996)
17- Claudia Cavalheiro (
18- Odacir Pena (1996/1997) II
19- Carolina Monteiro (1996/1997) III
20- Evandro Silva (1992/1994) IV

                             21- Cléber Lorenzoni (membro remido) I A

22- Fábio Branco (1996)
23- Bibiana Monteiro (1996/1997) IV
24- Zenaide Perez (1996/1997) IV
25- João Paulo Perez (1996/1997) IV
26- Maiara
27- Paulo César Perez (1996/1997) IV
28- Alexandre Dill (1996/2006) I
29- Janiele Peroti (1996/1997) IV
30- Adriane Fiúza (1997/1998) IV
31- Adilson Sattes (1997) IV
32- Naiara (1996/1997) IV
33- Simone De Dordi (1997/2002) I --->
34- Luciano
35- Maria Amélia
36- Ariane Pedroti (1998/2003) III    
37- Fernanda Garrido (1998/2001) V
38- Cristiane (1999)
39- Leonardo Mattos (1999/2002) IV
40- Matheus da Rosa (1999) IV
41- Úrsula Macke (1999/2000) V
42- Guilherme Macke
43- Eduardo
44- Rosimere
45- Marcele Franco (1998/2010) III
          46- Fábio Novelo (2001) IV (2014_____)Honorário

47- Diego Barcellos (2001) IV

         48- Ricardo Fenner (2001/____) III A

49- Yanna Monge
50- Suzzete Siqueira

51- Cássius
52- Lauanda Varone (2002/2006) II
53- Pothira
54- Rafael Aranha (2003/2006) III
55- Daiane Albuquerque (2002/2006) III
56- Ana Paula (2002) V
57- Jorge Pittan (2002) IV
58- Guto Baugrathz (2002) V
59- Monique Vogel (2002/2003) IV
60-Luiz Fernando Lara (2002/2013)IV
61-Lilian Kempfer (2005) V

62- Cristiano Albuquerque (2002/2014) IV Honorário

63- Gelton Quadros (2005/2010 ) III
64- Kellen Padilha (2005/2007) II
65- Mirian Almeida (2005/2006) II
66- Ezequiel Mattos (2005)IV

    67- Tatiana Almeida (2005/2014) II Honorário

68- Fabiúla
69- Claudia
70- Gabriel Wink (2006/2012) III 
71- Marciele Benittes

72- Angélica Ertel (2006/___)II Honorário

73- Luiz Henrique Da Costa (2006/2008) IV
74- Jéssica Martins (2006/2007) V
75- Kauane Leite Linassi (2006/2007) IV


   76- Alessandra Souza (2008/____) II

77- Roberta Corrêa (2008/2010-2012/2013) III (2014)
  
78- Renato Casagrande (2008/____)II


79-Pamêla Canciani
80-Rodrigo Fabrício
81-Michele da Rosa
82-Diego Pedroso (2011)IV -
83-Lucas Padilha 
84-Newton Moraes (2011)IV
85-Gabriela Varone (2011/2013)IV
   
                

          86-Fernanda Peres (2011/____)III
  
               87-Evaldo Goulartt (2012/____)IV

88-Evandro Amorim (2014)V
89-Manoeli Machado (2015)

           90-Douglas Maldaner (2015/___)IV

           91-Bárbara Santos (2015/____

92-Larissa Marques (2015)V

            93-Bruna Malheiros (2015/____)IV

6ª Matinê do Máschara -Lili Inventa o Mundo (686) tomo 104

Disciplina = Sucesso

                  Sempre que há teatro em Cruz Alta, parece que haverá um evento, talvez por que as opções de entretenimento sejam poucas. Mas o teatro não pode ser encarado como um evento, ele é apenas uma opção de entretenimento, como assistir um filme, ou ir a um recital. Quero dizer, deveria ser um hábito normal, (pegar um cineminha, ir ao teatro). No entanto moramos em uma cidade pequena, onde as opções são poucas e os lutadores pelo teatro são poucos. 
                    Ontem a tarde parti com uma amiga para o Clube Internacional, Veríamos um espetáculo infantil, inspirado na obra infantil do poeta Mario Quintana. Ora, parte do público nem ao menos sabia que Quintana escrevera uma obra infantil. 
                     Uma sala nos fundos do Clube havia sido transformada em teatro. Caixa preta, espaço caloroso, lanches a disposição. (Não gosto de lanches no teatro).  Para começar o Máschara prova que com boa vontade, qualquer espaço pode se tornar em um bom lugar para se ver teatro. 
                       Lili Inventa o Mundo passou por algumas mudanças , elenco e cenário. Uma cortina vermelha com barrado franjado, dava um clima nobre e ao mesmo tempo paradoxalmente  lembrava um circo, o que se cumpria com as palhaçadas do senhor poeta e do pequeno Malaquias. 
                         O espaço ficou praticamente lotado, o que é surpreendente para uma cidade como Cruz Alta, espero que para o bem da trupe, isso se repita nos outros três domingos. As crianças foram rapidamente envolvidas e logo nas primeiras cenas. A dobradinha Goulart e Lorenzoni é certeira, embora o primeiro estivesse um tanto avoado na apresentação. O público não deve ter percebido, logicamente, mas o que me chegou foram alguns silêncios, alguns vazios maiores do que o necessário. Um ator não pode se dar ao luxo de abrir mão de piadas que na sua ausência deixarão colegas perdidos em cena. Evaldo Goulart ainda pode rever o finalzinho do verso do M, feito no inicio do espetáculo, o trecho (gato das gatinhas) soa muito falso. E precisa rever a questão do ritmo, o tambor não pontuou as canções, e todo ator deve cumprir com  brilhantismo suas funções, principalmente quando já o faz há mais de ano.
                             O espetáculo esteve muito vivo, e nesses tempos de redes sociais, foi extremamente conectador, aliás a sala de espetáculo é o maior grupo de Whatsap possível, todo mundo visualiza ao mesmo tempo as imagens e comenta com áudio ligado. Foi delicioso ver as crianças tão conectadas, falando a seu bel prazer com o elenco e esse triangulando, respondendo sem perder o clima da narrativa. Tenho certeza que muitos levaram para casa o espirito da poesia. 
                          A iluminação precisou ser muito restrita, afinal não tínhamos barras, urdimento ou qualquer outro item do maquinário cênico. No entanto pontou a transformação, pontuou a entrada da Rainha das Rainhas e ainda ofereceu uma tridimensionalidade visual com uma luz de fundo. As duas palhacinhas de pompons cumpriram sua parte. Alessandra Souza esteve bastante entregue a personagem, embora tenha feito seus "draminhas" antes do espetáculo começar. Atores devem se desafiar e resolver e não ficar sempre encontrando problemas. Bruna Malheiros é a nova adquirição da Cia. E por sinal iniciou em Status 5 muito bem. Essa profissão é árdua. Atores não usam gravata e paletó. (ou o equivalente feminino), para trabalhar não bate ponto às oito ou as nove da manhã, não tem aquela coisa reconhecidamente respeitável que se chama consultório, e por que trabalha a noite, acorda mais tarde que gente que trabalha de dia. Tudo isso causa inveja a muita gente, mas causa também um sentimento um pouco diferente: todos aqueles, como dizia o saudoso Bernard Shaw, confundem retidão moral com desconforto físico, consideram que em vista das condições acima mencionadas, gente de teatro tem que ser encarada com muita desconfiança, como uma espécie marginal apenas ligeiramente enfeitada. Bruna tem vencido vários desafios para estar ali. E entra em cena com energia de atriz madura. A Rainha das Rainhas é mais um tipo, do que uma personagem, embora isso possa ser questionável, já que "Divindade vestida de palhacinha, falando poesia, não pareça ser um tipo conhecido". À Bruna falta técnica, o que rapidamente pode ser alcançado com disciplina.  Não gosto da malha da interprete, ela destoa dos padrões do restante do elenco, mas gosto do vestido e das cores. Bruna também precisa se ater ao volume de sua voz, ainda que estejam apresentando em um espaço pequeno.
                      Mathias e Lili conquistaram o público, embora Fernanda Peres precise recuperar sua força de interprete. Ser" atriz" é uma escolha difícil, aceitar ser atriz, aceitar esse grandioso poder que recebemos. Abrir mão da vida "segura" que as outras pessoas tem, para entregar-se de bandeja para o público. Fernanda Peres começou sua trajetória em 2010, foi, voltou, foi voltou... Ama o palco, não há dúvida, mas para ser protagonista é preciso convicção do que se quer. Lili precisa respirar mais, se acalmar mais, por exemplo: quando Mathias volta a ser menino o tempo pode ser mais longo, todos estavam concentrados no clima e então Lili falou: Mathias, você voltou a ser um menino. Funcionaria mais se esperassem mais uns 30 segundos. Se ela olhasse para ele e lentamente percebessem a transformação antes de falar. O Teatro precisa de silêncios, pausas, mesmo que seja o infantil.
                       Renato Casagrande ´um exemplo de ator preocupado com os colegas, preocupado com o todo. Talvez por isso todos se sintam tão bem em contracenar com ele, só não pode esquecer que há um diretor. Alessandra Souza perde algumas piadas e precisa estar atenta. 
                       Minha maior preocupação foi com o canto. Quando Cléber Lorenzoni baixa o volume, a musica simplesmente some. Onde estavam os outros atores nessa hora? 
                        A equipe técnica esteve de parabéns. Bárbara Santos, Dulce Jorge e Douglas Maldaner se esforçaram para preencher todas as necessidades dessa produção que teve o maior empenho de Ricardo Fenner para acontecer. Douglas e Barbara estão aprendendo o oficio, e há muito a se aprender. Por exemplo como preencher as cenas com som, sem incomodar os ouvidos do público. O que é contra-luz. Batidas de Molière. Palco Italiano e muito mais. Mas o principal, estar sempre com a mente aberta, esforçar-se em fazer o melhor e nunca achar que já se sabe tudo. 
                         Torço que nos próximos domingos haja ainda uma platéia maior no teatro, e que todos encontrem dentro de si a criança que Lili Inventa o Mundo insiste em manter. Teatro é vida.


                 A rainha
                        

Cléber Lorenzoni (status I) **
Fernanda Peres (Status III) *
Renato Casagrande (Status II) ***
Alessandra Souza (Status II) **
Evaldo Goulart (Status IV) *
Bruna Malheiros (Status V) **
Douglas Maldaner (Status V) **
Bárbara Santos (Status  V) **
Dulce Jorge (Status A) **
Ricardo Fenner (Status A) **

O elenco coadjuvante interagindo com a platéia