segunda-feira, 31 de maio de 2010

Diário de Bordo XII - Lili Inventa o Mundo em Panambí

Pra sempre, pra sempre contraditórios...

Ah se o público imagina-se ou mesmo soubesse o que acontece atrás da cortina. Se suponhasse o que os essas criaturas sentem, as válvulas que acionam dentro de suas mentes para compor aquela pequena encenação de quarenta ou cinquenta minutos. Os verdadeiros atores, aqueles que dedicam sua existência ao fazer teatral, vivem em uma fogueira de vaidades, uma auto flagelação de emoções e principalmente uma total exposição de seus caraters. 
O Teatro não nasce apenas de um ou dois treinos, como alguns podem pensar, não nasce de uma sequência de repetições. E por isso mesmo é algo vivo. Por isso nunca se repete, por isso quem assiste hoje ri, e se assistir amanhã talvez apenas venha a sorrir, e ainda talvez em outro dia, apenas pense. Cada investida é nova, como se novo espetáculo fosse. Não é novela, não é cinema, é TEATRO. Tem haver com o estado de espirito do ator naquele dia. Tem haver com suas proprias emoções, com suas fragilidades, com sua sensualidade, com seu destempero, com sua auto ou baixa extima. 
Aquele olhar lindo que a atriz lhe lançou do proscênio e que tanto o cativou, é um misto de milhares de micro-ações que se passaram dentro dela.
Será que aqueles que cercam os atores tem noção do quão carentes, frágeis são essas pobres criaturas? Será que percebem que eles estão alí dando seu melhor, suas dores todas, como se estivessem frente a um espelho? Será que a platéia sabe que as vezes esse ser magistrál mal pode se por em pé, e que seu apláuso é como uma carícia que vai até o palco e alivía levemente seu coração cansado...
Mas o ator também pode ser um ser vingativo, áspero e insensível, e quando domina o público durante um solilóquio pode sim estar usando de sua perícia em dominar os outros... 
Os atores são como os mortais, o que os difere é que brincam com os sentimentos, com os seus e com os dos outros. São exímios em dominar e dissimular, sabem como ninguém conseguir o que querem. 
Ah! Ah os atores e suas indiossincrazías, suas dores e seus extases...
Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha
Será que ela é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida
Hoje em cena ví tanta coisa, ví tanta dúvida naqueles pequenos olhinhos, ví a dúvida e a incerteza da atriz, ví o iniciante se esforçando para agradar seu mestre em sua cena de transformação, ví a jovem atriz que se confunde tentando acertar seu solilóquio, que quer sim acertar, que luta para acertar e que tanto se mártiriza por não acertar e isso ninguém vê. Hoje eu ví o jogo do arrogante ator que tem talento mas não o percebe como o dom maravilhoso que recebeu. Ví a atriz cansada de sua própria dúvida interior, que faz o seu melhor e é tão incompreendida, tão solitária em sua verdade. Ví o ator cansado que lança em cada intonação o peso de sua vida, seus amores e suas dores. Que encontra o conforto no aplauso do público. Ví também a atriz livre que consegue separar sua vida pessoal de sua existência no palco, e que não sabe mas é abençoada por isso. Ví o olhar lá longe de quem há tempos não está feliz ou satisfeita, para quem realmente neste dia Lili Inventa o Mundo tocou fundo... 
Eles não sabiam, mas estava tudo tão exposto, tão visível...
Tão a serviço dos outros...
E tão pouco valorizado...

                                                 A Rainha 

Oficina de Tragédia

sábado, 29 de maio de 2010

Diário de Bordo XI - Lili Inventa o Mundo em Lagoa Vermelha

Coisas da Fada Mascarada...
Quando um grupo de artistas chega à uma cidade pequena, rapidamente é iniciado dentro da realidade que o cerca, e artistas são sensíveis, da para captar pelo cheiro, pelo caminhar das pessoas, pelo seu modo de falar, se aquela é uma cidade preparada para a arte, se estão realmente interessados em ver teatro, se são mais ou menos tôlos, mais ou menos ignorantes, da para sentir... A Feira de Livros de Lagoa Vermelha estava começando na quinta pela manhã quando o Grupo Máschara lá chegou, e o que percebemos foi a correrria transloucada para que tudo ficasse a contento, felizmente uma gentil-mulher, nos acolheu em sua clínica estética para que pudessemos nos preparar a contento para as duas seções do espetáculo.
                           As investidas seríam na Lona, o que já é de praxe nas feiras de livros, e os atores dedicaram-se, mas a organização pecou, não havia um lugar determinado para que os atores pudessem se maquiar, se vestir, fazer sua higiene após suas quase quatro horas de viajem, e ao final o máxim que receberam foi "Que não tomassem café". Será? Será que o artista não merece o mínimo de conforto antes de entreter centenas de pessoas? Será que nem mesmo o cara que equaliza o som, ou até mesmo quem monta as tais tendas, ou quem trouxe as cadeiras para que o evento acontecesse, não merecia um minuto para se preparar para continuar...
                             O Teatro aconteceu em sua plenitude, ví em Alessandra Souza a percepção das forças: corpo x fala. Observei também o jogo, a criatividade aguçada de Gabriel Wink em momentos de improviso como quando a matriz de seu microfone auricular caiu no chão. Angélica Ertel e seu domínio de cena perfeito. Mas nesse dia e mais particularmente na segunda encenação eu ví e deliciei-me com o trabalho de Cléber Lorenzoni. Ah mas que bela atuação! Precisa, mágica, sensível. Completa por assim dizer. Em cada nova aparição havia um estrondo no ar, o público estava em sua mão e em seus olhos eu ví a dor mesclada com a alegria de estar em cena, ah! receita infalível para o mistério da interpretação.
                               Tatiana Quadros foi econômica, mas o jogo que se estabelece com o intéprete do senhor poeta é exuberante, vibrante como notas musicáis. 
                                Renato Casagrande não destacou-se muito e sau partitura perde força. A cena mágica da transformação já não tem o mesmo fulgor, e para um dos personagens mais importantes da narrativa isso é devéras prejudicial.  Uma dica, as novas construções teatrais não podem esquivar do cérebro do ator as personagens antigas que alí habitam, Um ator não é um, mas mil em um. 
                              Mas o que realmente jamais esquecerei, será o momento em que as luzes da feira se desligaram... Os atores estavam no meio do espetáculo e parte do público infantil debandou, ora o Sr. Poeta inventou de dizer que eram coisas da Fada Mascarada... No entanto após três minutos de queda de energia, que mais pareceram uma eternidade, tudo voltou ao normal e o espetáculo voltou exatamente de onde havia parado, não ouve diminuição de rítmo ou perda de lógica... Os atores realmente  "pegaram" o público.  Para mim foi uma inspiração após uma monocórdia contação de historia, assistir um espetáculo que já vi mais de 70 vezes ser revisitado com ar de novidade, com vida, com o vigor de algo inédito...
  

sexta-feira, 14 de maio de 2010

sábado, 8 de maio de 2010

Cidades Percorridas

72




1-Arroio do Meio (Oficina)
2-Alegrete ( O Incidente - O Castelo Encantado)
3-Alto Alegre (Lili Inventa o Mundo)
69-Antonio Prado (Feriadão, Lili Inventa o Mundo)
4-Bagé (O Castelo Encantado - O Incidente)
5-Barão (O Castelo Encantado, O Incidente, Lili Inventa o Mundo, Esconderijos do Tempo).
6-Boa Vista do Cadeado (O Incidente, Feriadão, O castelo Encantado)
7-Boa Vista do Incra ( Feriadão, A valsa)
8-Bossoroca (Lili Inventa o Mundo, Esconderijos do tempo)
9-Caçapava do Sul ( Antígona, Tartufo, Macbeth, O Incidente, O Castelo Encantado)
10-Campos Borges (O Castelo Encantado)
11- Canela ( Macbeth)
12- Capão da Canoa ( Feriadão, Esconderijos do Tempo, Lili Inventa o Mundo, O Incidente, O Castelo Encantado)
13- Catuípe (Feriadão, tartufo, Lili Inventa o Mundo, O Castelo Encantado, O Incidente, Esconderijos do Tempo)
14- Caxias do Sul ( Tartufo, Antígona, O Incidente, Lili Inventa o Mundo, O Castelo Encantado)
15- Dom Pedrito ( Lili Inventa o Mundo, Esconderijos do Tempo, O Incidente, Oficina)
16- Erechim (Bulunga o Rei Azul, Macbeth, Lili Inventa o Mundo, Esconderijos do Tempo)
17-Espumoso (O incidente, Feriadão, Lili Inventa o Mundo)
18-Estância Velha (Feriadão)
66-Estrela Velha (Lili Inventa o Mundo)
19-Fortaleza dos Valos (Feriadão, O Incidente, Lili Inventa o MUndo, O Castelo Encantado, Esconderijos do tempo)
20-Frederico Westphalen ( Feriãdão, Lili Inventa O Mundo)
70-Garibaldi
21-Guaíba (O Conto da Carrocinha, Bulunga o Rei Azul)
22-Horizontina ( Esconderijos do Tempo, Lili Inventa o Mundo)
23-Ibirubá (Antígona, Macbeth, Tartufo, Dorotéia, Bulunga o Rei Azul, o Incidente, Lili Inventa o Mundo, O Castelo Encantado, Feriadão, Corelia Brasil, Um dia a casa cai, O Conto da carrocinha, Bodas de Sangue)
24-Ijui (A Maldição do Vale Negro, Tartufo, Esconderijos do tempo)
64-Iraí ( Lili Inventa o Mundo)
63- Itaqui ( A Maldição do Vale Negro)
25-Jari ( Feriadão, Lili Inventa o Mundo, O Castelo Encantado, Esconderijos do Tempo, O Incidente)
26- Júlio de Castilhos (Lili Inventa o Mundo, O Incidente)
27- Lagoa Vermelha ( O Incidente, O Castelo Encantado)
28-Marau ( O Feriadão)
29-Maximiliano de Almeida ( O conto da Carrocinha)
30-Montenegro ( Cordelia Brasil)
31-Novo Hamburgo (Bulunga o Rei Azul)
68-Nova Prata (O incidente, O Castelo Encantado )
67-Osório (A Maldição do Vale Negro)
32-Panambí ( Feriadão, O Incidente, O Castelo Encantado)
33-Pejuçara (O Incidente, O Castelo Encantado)
34-Porto Alegre (O Incidente, O Castelo Encantado, Tartufo, Um dia a casa cai, Antígona)
71-Progresso
35-Roca Sales ( Dorotéia, O Conto da Carrocinha)
36-Rolante (Tartufo, Antígona, Macbeth, Bodas de Sangue, Esconderijos do Tempo)
37-Rosario do Sul (Antígona)
38-Salto do Jacuí
39-Salvador do Sul
40-Santa Barbara do Sul
41-Santa Clara do Sul
42-Santa Cruz do Sul (O Castelo Encantado)
43-Santa Maria
44-Santa Rosa
45-Santiago
46-Santo Angelo
47-São Luís Gonzaga
48-São Pedro do Butiá
49-São Pedro do Sul
50-Sarandi
51-Selbach
52-Serafina Corrêa
53-Sinimbú (Lili Inventa o Mundo, Esconderijos do Tempo)
54-Soledade (Esconderijos do Tempo, Ed Mort, 2 -Lili Inventa o Mundo, O Castelo Encantado, Ed Mort)
55-Tapera
56-Taquaruçu do Sul
57-Teutônia (Esconderijos do Tempo, Lili inventa o Mundo)
62-Très de Maio (Lili Inventa o Mundo)
71-Três Coroas (Esconderijos do Tempo)
58-Tupanciretã (Feriadão, Tartufo, Esconderijos do Tempo, Lili Inventa o Mundo, O Incidente, O Castelo Encantado)
59-Uruguaiana (Tartufo, Antígona, O Conto da Carrocinha)
60-Vacaria (O castelo encantado, O Incidente)
65-Veranópolis ( Esconderijos do tempo, Lili Inventa o Mundo)
61-Vicente Dutra (Lili Inventa o mundo)
62-Vista Alegre do Sul
63-Vila Nova do Sul -(Feriadão)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Diário de Bordo X - Oficina em Dom Pedrito 7 de maio de 2010

                                                                              Qual a verdadeira função de uma oficina teatral? Para o público leigo? Para o público que pouco ou nada tem de acesso ao teatro? Fala-se muito em descobrir talentos, em perder a timidez, em descobrir novas brincadeiras e jogos para trabalhar em sala de aula; Enfim, uma infinidade de justificativas que convenceria qualquer um. No entanto prefiro pensar no simples fato de que o conhecimento da arte deve ser levado a todos, pois assim haverá um melhor aproveitamento da mesma.
                                                                               A cada dia fico mais aturdido com as pessoas do mundo, o conhecimento, a leitura, deixaram de ser importantes e buscados pelas pessoas. Estas agora apenas se dedicam ao conhecimento quando obrigadas por professores, ou quando seus empregos e ganhos financeiros estão em jogo.
                                                                             Antigamente as pessoas liam poesia, entendiam de música clássica, íam a ópera, ao teatro, as pessoas compravam enciclopédias, queriam saber sobre todos os assuntos. Mas o mundo mudou, de alguma forma os valores mudaram, agora as próprias professoras acham certas leituras chatas, as próprias professoras não dão muita importância para as coisas. E pasmem, os alunos de hoje que não gostam de ler, serão os profesores de amanhã que não gostarão de ler, e tudo estará perdido. As pessoas deviam sim fazer uma oficina de arte antes de ir à um museu, deviam fazer uma oficina de ópera antes de sentar para uma apreciação. E assim, deviam fazer uma oficina para aprender a respeitar e valorizar o teatro. Tudo na vida vem somar como conhecimento, e ninguém pode tirá-lo de nós. Mas será que o queremos tanto assim?
                                                                              Hoje vi crianças e professores se esforçando, tentando compreender aquela confusão de termos e simbolos do teatro. E espero que em agosto, durante o festival de teatro de Dom Pedrito, eles estejam em frente ao palco, interessados, críticos, e acima de tudo dispostos a sorver tudo o que atores que se esmeraram em pesquisa e esforço criaram para seu entretenimento.

                                                                             A Rainha

Palhacinhos pela rua...

FOTO: RÔMULO SEITENFUS


Gabriel Wink e Angelica Ertel

terça-feira, 4 de maio de 2010

Grupo Máschara e amigos no Festsalto (2006) após apresentação do espetáculo.














Em pé sobre o palco: Dulce Jorge, Luis Henrique, Angelica Ertel, Fabio Novelo, Gilberto Santos, (?).
Ajoelhados no palco: Gabriel Wink, Gelton Quadros, Tatiana Quadros, Luis Lara, Rafael Aranha, Kelen Padilha, (?).
Na frente do palco: Gustavo, (?) Stela Bento, Paulo Mello, Cléber Lorenzoni, Gislaine Goco, (?), Mauro Soares, Samantha Perez, Luís Paulo Vasconcellos, (?).

O Castelo Encantado

















Alexandre Dill, Gelton Quadros,  Lauanda Varone e Cléber Lorenzoni em cena

O Marquês Rafael D'Alançon

















Gabriel Wink em A Maldição doVale Negro

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Viagem do Circuito Erico em Cena 2005/ Setembro, Outubro, Novembro



Espetáculo apresentado em prol da Casa Lar Clair Segatto/agosto 2005














Dulce Jorge, Kellem Padilha, Alexandre Dill, Lauanda Varone, Rafael Aranha, Lilian Kenpfer, Mirian Kempfer, Cristiano Albuquerque, Tatiana Quadros, Gelton Quadros, Zique, Ricardo Fenner, Dr.Rubilar, Erecí, Rogério Furian, Cléber Lorenzoni, Thiago Amorim, Ana Rita Avancíni, Roger Castro.

Viagem do Circuito Erico em Cena 2005/ Agosto, Setembro, Outubro

Viagens do Circuito Erico em Cena 2005/ Maio, junho, julho

























com o público de Horizontina

  alunos da professora Isa da escola Frederico Jorge Logemam

O Castelo Encantado e o público da feira do livro de Capão da Canoa


















Roberta Corrêa, Angelica Ertel e Renato Casagrande

O Incidente, novo elenco


















À Frente Ricardo Fenner, interpretando o sapateiro Barcelona...