terça-feira, 7 de maio de 2019

Análise crítico do espetáculo A Roupa nova do Rei pelo diretor Camilo de Lélis


Cena Viva 2019 – Festival Internacional de Teatro de Santa Rosa - Crítica dos Espetáculos

A R0UPA NOVA DO REI
Como avaliador e crítico do festival Cena Viva - 2019, de Santa Rosa, foi uma surpresa agradável, para mim, rever o Grupo Máschara, de Cruz Alta, dessa vez com a peça infantil A Roupa Nova do Rei, numa criativa adaptação da obra do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen.
O Grupo Máschara não se limita a contar a conhecida fábula do rei que, por extrema vaidade, foi enganado por dois charlatães, que se passavam por alfaiates. Esses crápulas lhe venderam uma roupa inexistente, alegando que, por ser mágica, ela só poderia ser vista, em sua real beleza, por pessoas inteligentes, sendo invisível aos toleirões.
O mais surpreendente de tudo isso, é que o diretor Kleber Lorenzoni trouxe essa clássica história infantil, sem deturpá-la em nenhum elemento do enredo, para a realidade contemporânea, para situações que estamos vivendo no presente, realçando que os que têm muito desperdiçam, enquanto há tantos necessitados ao nosso redor. A população, em sua maioria, está nua (simbolicamente, nessa obra, a nudez se refere à miséria em todos os sentidos). Outra adaptação significativa e original foi a ideia de representar o rei, que é adulto na fábula de Andersen, como um rei menino, muito mimado. Isso facilita bastante, no resultado das gags da comédia.
O ponto alto do espetáculo, que merece ser realçado, é o momento em que as crianças do público são convidadas a expor a nudez do reizinho vaidoso que, enganado pelos falsos alfaiates, se julgava vestido, e ninguém na corte teve a coragem de passar por burro, denunciando a mentira. As crianças, em sua inocência não temem a verdade. Elas, desde o seu lugar, na plateia, revelam ao rei que ele, de fato, está nu (em roupas de baixo). Isso causa uma virada no personagem, que daí em diante, se torna consciente de sua ambição, resolvendo ser mais generoso com os pobres e com seus empregados, que sempre o amaram e apoiaram. Ao final, a rainha mãe aparece, para um desfecho carinhoso com seu filhinho, numa cena pungente e de grande beleza plástica.
O espetáculo tem todos os seus elementos funcionais equilibrados, contribuindo para o desenvolvimento da fábula. Ou seja, cenário, figurino, luz, trilha e maquiagem atuam harmoniosamente, potencializando a concepção do diretor.
Destaques para Kleber Lorenzoni, que dirige e também protagoniza o espetáculo, com o seu adorável reizinho mimado. Muito importante para a resolução do enredo, é a arlequina e costureira Zuzu, que foi vivida magnificamente por Alessandra Souza (ela também faz uma figuração). Os outros integrantes merecem ser citados, por seu excelente desempenho: Gabriel Giacomini,como Flauber; Renato Casagrande, como Mulec e figuração; Raquel Artigony, como Maluk, Rainha Mãe e figuração.
Vida longa ao reizinho do Grupo Máschara, uma referência de seriedade e criatividade no teatro gaúcho.

Camilo de Lélis - Avaliador e Crítico no Festival Cena Viva - 2019 de Santa Rosa