terça-feira, 13 de novembro de 2018

833 - O Incidente (tomo 82)

Uma pequena prova de que coisas boas não morrem...

                  Em questão de minutos, os sete mortos invadiram a praça Erico Verissimo, vieram da direção onde a estátua do escritor jaz. Não sei se alguém viu de onde saíram, estabeleceram-se. Do nada. E em um passe de mágicas o público entregou-se. O Incidente é uma daquelas obras que interessam, principalmente quando apresentadas em cruz alta. O texto escrito na década de setenta, fala da ditadura e faz uma crítica tão intensa à sociedade e à politica que chega a melindrar parte da platéia. Os sete mortos deixados insepultos, aqui são interpretados por Cléber Lorenzoni, Dulce Jorge. Renato Casagrande, Alessandra Souza, Ricardo Fenner, Douglas Maldaner e Stalin Ciotti, encontram-se no coreto de Antares. O espetáculo mudou, mudou elenco, foi reduzido, depois aumentado, agora assistimos como uma performance, ou um fragmento, mas sua força continua a mesma. Perde um pouco se levarmos em conta o olhar divertido da platéia que toma O Incidente como um show de Halloween. Cléber, no papel que lidera os mortos, diz o que quer e o público aplaude e assina embaixo. Isso me surpreende mas não tanto, é interessante perceber o quanto a platéia muitas vezes e dependendo de seu grau de ignorância, não capta o que está na entrelinha. Uma pena já que defendo que o teatro não deve ser mastigado como a tv. Se nossa capacidade interpretativa e nossa rapidez de raciocínio começam a decair, logo os espetáculos terão que ser cada vez mais medíocres. 
                     Lorenzoni alcançou um ponto de compreensão do teatro em que o usa para falar o que quer, Acho no mínimo estimulante quando um ator chega nesse ponto, em que sabe que não está mais a serviço do teatro e sim o teatro está a seu serviço de artista. 
                       Durante o espetáculo falou-se dos ônibus, das ruas, do pouco tempo dado à performance, do sol, e até mesmo da impertinente invasão no palco por parte do técnico de som da feira. 
                       A trilha foi um tanto bagunçada, mal operada, não deu para compreender o que se queria, eu aconselharia a usar apenas a trilha tema do espetáculo. Teatro na rua tem várias formas de alcançar o público, as formas de se contar não respeitam as mesmas regras do palco italiano. O Máschara compreende isso, mas as vezes peca. 
                             Dulce Jorge e Alessandra Souza estavam muito bem na cena. Os outros todos fizeram o que se esperava. Ficamos com fome, com vontade de ver mais... Incidente precisa e deve ser reapresentado muitas vezes. Um espetáculo que nos mostra o verdadeiro Erico, aquele Erico critico, que está em O Tempo e o Vento, mas passa meio escondido por causa da saga dos Terra Cambará, aliás na primeira parte de Antares, ele retorna com a mesma linha falando de Campolargo e Vacariano. Mas é ali, no segundo capitulo, ou segunda parte que Verissimo se entrega e nos faz engolirmos em seco...
                                 Foi enfim uma ótima tarde de espetáculo, pena que não foi o espetáculo inteiro.

                                 Arte é vida.
 
                                  A Rainha


Alessandra Souza (***)
Renato Casagrande (**)
Dulce Jorge (***)
Ricardo Fenner (**)
Cléber Lorenzoni (***)
Stalin Ciotti (**)
Douglas Maldaner (**)
Gabriel Giacomini (*) 
                                 

Em cena o elenco de Lili Inventa o Mundo na 22ª Feira de Livros de Cruz Alta


Grupo Máschara na feira de livros de Cruz Alta


Com o público da 22ª Feira de Livros de Cruz Alta


Cléber Lorenzoni - o advogado Dr. Cícero Branco


Entrevista - Melhores do Ano- à Chritiane Josh

1-Primeiramente gostaria de parabenizá-los pelo sucesso do teu Grupo, dizer que com certeza o trabalho de vocês é um dos mais reverenciados no estado e não é a toda. A peça que vocês fizeram na praça durante a feira de livros, com as personagens do Antares, nossa! E eu queria que você nos explicasse o que é, ou são, melhor dizendo, essas postagens que a gente vem acompanhando nas redes sociais com o nome de "Melhores do Ano"?
 
   -Bom, obrigado pelos elogios, serão certamente repassados aos atores que participaram da performance na praça. O melhores do ano, é um premio, que eu (cléber lorenzoni) fui desenvolvendo aos poucos, ele começa a ser mencionado ainda em 2001. Já fazíamos uma menção aos que se destacavam dentro do grupo. Por que são muitos trabalhos, hoje em dia mais ainda, apresentamos em média quinze espetáculos diferentes por ano, incluindo performances. Então precisava haver uma forma de mencionar, valorizar os artistas e registrar seu talento. 

2-Quem escolhe as categorias e por que aquelas categorias? 
      
 -Eu menciono tudo o que é louvado durante o ano, leio nosso blog, consulto colegas, analiso postagens no face, fotos que "bombaram" e vou organizando uma lista. Depois entrego essa lista aos membros do Máschara e eles votam. Os três mais votados se tornam os indicados. Daí nós temos melhor ator... Melhor atriz... Por exemplo troféu de participação especial, para quem fez uma pontinha pequena mas marcou... 

3-E quem fica de fora, fica chateado?
             
            -Com certeza alguém que não foi mencionado mas na verdade somos todos aprendizes, estamos todos ousando quando nos colocamos no palco, nossa arte já é vencedora. mas estamos expondo nosso trabalho para sermos avaliados, e isso sempre, a todo o instante. O premio (troféu) é um carinho. Mas significa muito pouco. Acredito que o grande premio é ser lembrado votado pelos colegas que demonstram que te admiram. E são muitos votos, muitas pessoas muitos personagens. 

4- Aqueles do Incidente estão na premiação né, por que foram incríveis...

         -Na verdade aquele espetáculo é de 2006. Então quase todos os personagens e interpretes daquele espetáculo já ganharam. Quem ganha por um personagem em um ano não é votado novamente. por exemplo eu ganhei melhor ator em 2016 por uma personagem chamada Ulrica em Complexo de Elecktra, agora estamos reapresentando esse espetáculo, eu não vou concorrer novamente, por mais que eu me "quebre" fazendo melhor...

5- Seria então apenas para peças, papéis novos?

          - Mais ou menos isso, eu interpretei Jesus em 2017 e ganhei melhor ator lá, nesse ano não ganho novamente pelo Jesus... Entram na lista Auto de Natal, os novos atores em A Paixão, Lendas da Mui Leal Cidade e algumas substituições.


6-Quando vai acontecer? E o público pode estar presente?
 
            -Sim, sim, familiares, amigos, todos são aguardados. Haverá um convite que as pessoas precisarão adquirir previamente. Acontecerá dia nove de dezembro. Na casa de Cultura às 20 horas. E os indicados, homenageados e membros do Máshcara deverão estar trajados de gala.

7- A noite do oscar. (risos) E o que podemos esperar, sei que vocês adoram fazer grandes entradas...
         
            Acredito que será uma noite linda e inesquecível. De confraternização. O que se pode esperar é a premiação mesmo. Tentaremos que ela seja realmente justa. Todos foram incríveis, trabalharam muito nesse ano. Para mim um ganha mas todos ganham juntos, todos de alguma forma inspiram e auxiliam nas criações das personagens e espetáculos. Se eu sou teu colega de cena e estou bem em cena, vou automaticamente te ajudar a estar bem em cena.  No ano passado foram premiadas grandes interpretações e todos saíram muito felizes. As meninas das Lendas nesse ano foram incríveis, vai ser difícil eleger a melhor. Alessandra Souza por exemplo esteve maravilhosa como a Maria no auto, A Raquel desenvolveu algo muito delicado e bonito no auto de natal, a Laura está indicada em três categorias, por que realmente é muito talentosa. Aí tem os troféus amigos do Máschara. No ano passado damos essa premio ao Alexandre Giacomini e a  Lore do Ponto do Livro. Pois nos ajudaram muito. Esse ano daremos à Oftalmo odonto clínica que patrocina o  cena às 7 e à Secretaria de Cultura. Há os rapazes que nem são atores, mas que participaram da paixão, O Guarací e o Alcídes... então erá uma noite memorável.

8- Eu torço que em 2019 vocês façam ainda mais sucesso e no fim do ano tenham mais premios para entregar. Muito obrigado pelo teu tempo, sei como é corrido. 

       

Cléber Lorenzoni como Rosalinda em A MAldição do Vale NEgro