sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Na semana da criança tem Os Saltibancos, aguardem!


Cena sobre teatro

O Grito
Atriz 1 – (ao telefone) Você precisa de uma apresentação? Mês que vem... Ótimo. Um Espetáculo adulto. Gostaria de escolher a peça? Fica a meu critério? Tudo bem, voltamos a nos falar. Abraços...
Ator 2 – (se maquiando) Oi, estou quase pronto, deixa só dar o acabamento... O que? (surpreso) Você não faz questão de maquiagem? (sem compreender) Como assim?
Atriz 3 – (se vestindo) Como? Se eu tenho uma fantasia mais colorida? (desacorçoada)
Atriz 1 – (surpresa) A então não precisa ser uma peça?
Atriz 4 -  Qualquer coisinha? Desculpe não entendi...
Atriz 8 – (chocada) Uma dancinha...
Atriz 2 – Uma bobagenzinha? Desculpe, eu realmente não entendi...
Ator 5 – (irônico) Eu não faço coisinhas! Eu não faço bobagenzinhas...
Ator 6 – (irritado) Eu faço teatro!
Atriz 7 – Teatro!
Atriz 8 – Teatro!
Atriz 1 – Tá, então precisa ser de graça porque você não tem verba...?
Atriz 3 – (chocada) Eu não vou receber para fazer meu trabalho?
Ator 2 – (tentando entender) Ah, é uma parceria?
Atriz 9 – Eu não entendi... Parceria? O que significa?
Ator 6 – Não me peça de graça a única coisa que tenho para vender!!!
Atriz 7 – Tá então eu vou lá, me maquio, me caracterizo, carrego meu cenário nos braços, monto tudo, e no final das contas é uma “parceria nossa”?
Atriz 4 – Desculpe eu não tô entendendo, não tô visualizando sabe...
Atriz 8 – Ele quer que você faça seu trabalho de graça!!!
Ator 2 – (mostrando o estojo de maquiagens) Isso aqui não é de graça sabia?...
Atriz 4 – Meu trabalho de graça?!?!
Atriz 3 – (mostrando o figurino) Isso tem um custo, sabia...
Atriz 9 – (irônica) Ué, você não é artista? Você não ama o que faz? Não tem paixão?
Ator 10 – Ah é só fazer essas brincadeiras, essas bobagenzinhas, isso nem casnsa...
Atriz 11 – A minha mãe sempre desse que eu era uma palhaça... Então deve ser fácil...
Atriz 7 – (Olhando para o céu com cara de chocada e braços cruzados)
Ator 12 – Tá, eu não vou ganhar nada, mas é uma forma de divulgar o meu trabalho..
Ator 6 – E como você vai pagar as contas do mês?
Ator 12 – (bem sério) Eu pensei em fazer uma bobagenzinha pra moça do caixa...
Atriz 7 – Eu posso fazer umas dessas coisinhas fáceis chamadas teatro para o cara da imobiliária, daí ele não me cobra o aluguel...
Atriz 3 – Oi, eu queria marcar uma consulta, será que o doutor pode me atender de graça? Porque eu tô sem dinheiro...
Atriz 1 – Teatro é minha profissão!
Atriz 3 – Se eu to brincando?
Ator 6 – Teatro é meu trabalho!
Atriz 3 – Não? Ué, mas o doutor não gosta do que faz?
Ator 7 – Eu estudei durante anos...
Atriz 9 – Eu fiz uma faculdade!!!
Ator 10 – Você já leu algo de Shakespeare? Sabe quem foi Molière? Leu algo de Albee, Arthur Muller, ou Tennessee Williams? Não, então me respeite!
Atriz 1 – Tenho que pensar nas crianças, por que elas precisam de teatro?
Ator 5 – E os adultos não precisam de teatro? De arte? Arte é educação!
Ator 2 – Mas eu não estava pensando nas crianças quando passei três meses escolhendo um texto, escolhendo as melhores canções, as cores para os figurinos, a linguagem do espetáculo?...
Atriz 11 – Calma, eu faço teatro há um mês apenas, de certo as coisas mudam...
Ator 13 – Eu faço teatro há dois anos...
Atriz 7 - Eu faço teatro há quatro anos...
Ator 2 - Eu faço teatro há cinco anos...
Ator 10 - Eu faço teatro há dez anos!
Ator 1 - Eu faço teatro há 20 anos!
Atriz 8 – E porque não foram para a Globo?
Ator 6 – (olhando para a câmera com desacorçoamento)
Atriz 3 – Por que a Globo não é teatro, é TV!!!
Ator 6 – Eu cansei de tentar explicar...
Atriz 5 – Quem faz teatro faz TV!
Ator 10 – Mas nem todo mundo que faz TV consegue fazer teatro!
Ator 2 – Mas eu não disse que queria fazer TV, eu faço teatro, faço bem feito e ponto!
Ator 6 – Se eu for embora fazer TV, quem vai fazer teatro para vocês?
Atriz 11 – (sem resposta olhando para o chão)
Atriz 9 – (com cara de duvida)
Atriz 8 – Algum outro palhacinho???
Ator 6 – Palhaço é palhaço, ator é ator...
Atriz 3 – Não é a mesma coisa?
Atriz 9 – Ator é uma coisa, palhaço é outra, e animador é outra...
Atriz 1 – Não a gente não anima festas, a gente faz teatro...
Ator 12 – Tá, mas não dá para fazer umas palhaçadas???
Ator 6 – A gente faz teatro, teatro não é dança, não é animação, não é circo, tem suas regras, técnicas e convenções...
Atriz 3 – Fazemos para você!
Ator 2 – Fazemos no palco, ou nas ruas...
Atriz 7 - Fazemos porque acreditamos que a arte pode mudar as pessoas...
Ator 11 – Melhorá-las...
Atriz 9 – Emocioná-las.
Ator 8 – Não queremos tratamento especial, queremos dignidade...
Ator 6 – Dignidade!
Atriz 4 – Dignidade...
Ator 2 – Se você nunca foi ao teatro, apareça...
Ator 10 – Nos dê uma chance...
Atriz 12 – Conheça nosso trabalho...

Atriz 5 – Apaixone-se...

Falta muito pouco para a historia da doutora Olivia subir ao palco...


Sobre Terra A Vista da Companhia Armazém

                             Na véspera do aniversário de Cruz Alta, saí de casa para assistir o espetáculo "Terra à Vista" da Companhia armazém. Ora a Casa de Cultura, mais especificamente o auditório Prudencio Rocha estiveram fechados por quatro anos. Quando aproximou-se a data de reabertura, fiquei excitada, eufórica, ansiosa para ver como um auditório de palestras seria transformado em sala de espetáculos. Ledo engano, a surpresa foi perceber que muito pouco mudou, e as necessidades especificas para se colocar um bom espetáculo sobre o palco não foram sanadas. 
                         Claro que para os leigos, cadeiras estofadas, um tapetinho vermelho e ar condicionado faz parecer que uma grande reforma foi feita. No entanto mesmo a acústica continua defasada.  
                     O espetáculo iniciou de cortina descerrada e rapidamente os atores conseguiram dominar a platéia. Cenário grandioso e funcional. Texto interessante que não subestima as crianças. Ficava eu me perguntando: "Onde estão indo? Qual a direção dessa barca de piratas...?" 
                            Pois bem, depois de muitos circunlóquios, quando o espetáculo começava a cumprir sua função e a personagem da irmã, Manuela, começava a ter sua catarse, eis que surge um pequeno compendio sobre aterro sanitário e outras questões quanto a coleta e separação do lixo. 
                            Havia então um problema de roteiro, como se em um texto concluído, repleto de carpintaria teatral, tivesse recebido uma barriga em sua finalização. 
                               Por outro lado, o domínio cênico mesmo no trecho que parece uma barriga, era muito bem feito. A atriz, aliás, mesmo tendo uma personagem realista, conseguia ter uma presença sólida e muito expressiva. 
                                Não há uma iluminação, possivelmente por que a turnê do espetáculo deve visitar cidades onde pouca ou nenhuma estrutura são oferecidas. Uma pena, já que no primeiro "ato" do espetáculo, muito poderia ser feito com uma luz bem pensada. 
                                 A brincadeira das crianças no sótão prega uma ideia muito interessante e consegue cativar o público, no entanto a barriga do espetáculo sobre o lixo parece tirar o brilho de sua mensagem e quase saímos do teatro esquecendo que o mais importante é manter viva a criança dentro de nós.
                               Foi uma tarde agradável, dou ao espetáculo ** estrelas.


                       Arte é vida

Dentro de algumas semanas tem "O Santo e a Porca" no Cena às 7. Não vai perder


Prólogo - Peça "Lendas da mui leal Cidade"

Adentra a cena um senhor com aparência de muito velho, tem na mão uma cuia, senta-se a frente de um cavalete com uma chaleira. A volta da fogueira estão sentadas algumas crianças.

Velho: Bom dia gurizada buena... (Silêncio)
Velho: Essa mininada de hoje, até parece que fica surda quando tá com esses negócio engraçado nas mão...
Velho: Pelo visto ninguém me acompanha no café num é mesmo?
Lucas: O senhor falou vovô?
Velho: Eu perguntei se ninguém vai me acompanhar no café...
Giulia: Já vamos vovô é que agora a gente entrou numa sala...
Velho: Ara, mas a vó de vocês acabou de encerar o chão da sala e não quer ninguém la dentro...
Vitoria: Não vô, é aqui na rede...
Velho: Vocês tiraram a rede pra fora, tão cedo?
Giulia; (levantando e abraçando o avô) Nós estamos falando da internet vovô!
Velho: Ih, disso aí eu não entendo nada, mas olha só bagualada, vocês vem aqui pra passar as férias no avô e num largam essa troçaria...
Maria Eduarda Jobim: Mas vô, não fica chateado, é que aqui a gente fala com todo mundo, fica ligado com nossos amigos...
Velho: Ah bão, entonces é uma coisa bagual...
Maria Eduarda Jobim : É, vô e a gente pode falar com pessoas de todos os lugares...
Velho: Oi... como é que vão...
Giulia: Não vô, primeiro o senhor adiciona os amigos, depois fala com ele, que são seus amigos?
Velho: Pois olha meus fío, os amigo do vô são oceis...
Lucas: Então é só adicionar vô...
Velho: Mas óia, num era meió a gente se conversa por aqui mesmo, que da pra se abraçar, dar um beijiho no rosto dessas minhas neta linda, conta uma historia...
Vitoria: Ai vô, o senhor não entende...
Velho: É verdade, o vô doceis num entende, vocês me desculpem...
(entra felipe)
Felipe: Vô vamo brinca? Pega bergamota e desce no açude?
Velho: Mas é pra já, é só o vô termina esse mate...
Vitoria: Quem é esse guri, vô?
Velho: Esse é o naná, ele cresceu aqui na estancia, é fio de uma tia doceis... Meu amigão, corre, brinca, pula, inventa historia...
(Vô levanta, ergue o menino na garupa, meio desajeitado, as crianças ficam com ciúme e vão soltando os celulares e Iphones)
Maria Eduarda Jobim: Nós também queremos brincar vô!,
Lucas:Conta para nós uma historia...
Velho: Pois entonces eu vou contar pra oces uns casos aqui da cidade... Historia de muito tempo... historias de amor e de assustação...





Para recordar, a esquete "Quero ser Criança"


Cena III - A família do Estancieiro

               Isaura- Raquel, Alessandra e Luana
              Estancieiro: Douglas, Wesley, 
              Cura: Renato, Douglas, Alessandro
              Jovina: Alessandra, Lavínia, Kauane
              Lívia: Maria Eduarda , Clara, Lavínia, Laura


Na sala de uma casa antiga, mobiliada em estilo rococó, uma senhora altiva esta sentada bordando, parece preocupada.

Estancieiro: Onde está aquela menina Isaurinha, eu já estou perdendo a paciência!
Isaura: Marido, tenha calma, ela já  chega...  Tu sabes como ela fica quando está com as gurias...
Estancieiro: Filha minha não fica até essas horas fora de casa.
Isaura: Bebe um amargo e te senta um pouco, daqui há pouco vais furar as tábuas do chão.
Estancieiro: Isso é tudo culpa sua, que fica passando a mão na cabeça dela.
Jovina: Sinhá, tem gente lá na porteira, os cães não param de latir.
Isaura: Deve ser o senhor cura. Ele sempre chega cedo.
Jovina: Mas o ensopado já está pronto.
Isaura: Então abre para ele e depois põe o jantar.
Jovina: Sim senhora.
Estancieiro: Jovina, manda celar o trovoada, vou atrás daquela guria!
Isaura: Vai nada! Ela já está chegando.
Cura: Buenas noites... Vosmeces estão gritando, aconteceu alguma cosa?
Isaura: Benção padre...
Estancieiro: Padre Máximo, aqui nada está bem, mas já já eu arresolvo...
Isaura: Não sei mais como acalmá-lo. (entra Lívia) Filha, pelo amor do bom Deus, onde tu estava. Cumprimenta o cura. 
Estancieiro: Por donde que tu andavas guria?
Lívia: Estava na praça, com as primas.
Estancieiro: Mentira, onde tu estavas?
Isaura: Não arresponde filha...
Estancieiro: Estava no campo...
Isaura: E isso são horas de uma menina estar no campo?
Lívia: Eu já sou uma mulher! 
Isaura:(gritando ao ver o marido erguer a mão) Não! 
Lívia:O que vai bater em mim?
Estancieiro: A partir de hoje, não sou mais teu pai! E tu Isaura, é a culpada de tudo isso que não soube educar essa guria.