terça-feira, 17 de abril de 2018

Performance-O tempo e o vento -801 (tomo único)

                      No último domingo estava na casa de uma amiga, tomando chimarrão, e então ela mencionou que terminaríamos mais cedo nosso costumeiro encontro de domingo, ela tinha um cerimonioso compromisso. A inauguração do estátua de Erico Verisimo na praça que leva seu nome. Eu embora sempre atenta aos eventos culturais de nossa cidade, não tinha tomado conhecimento. Com tantas vitrines ao nosso redor nesses tempos das tais redes sociais, é necessário apregoar muito uma informação, contá-la e recontá-la. 
                             Embora não estivesse vestida a caráter, lá fui, prestar meus respeitos á um ídolo de mármore que chega atrasado ao largo da antiga Matriz. Muito antes a mestra Margarida Pardelhas, ou Adauto Mastela Basso, já haviam entrado para o panteão dos grandes a serem imortalizados em figuras pelas ruas da Mui Leal Cidade. 
                            Há mais de trinta anos eu estava presente na inauguração de outro memorial à Erico, hoje abandonado e quebrado no parque de máquinas. Não me iludo, as grandes ações duram o tempo de um aplauso e tem motivações mil, nem todas de cunho tão sensível quanto se imagina. De qualquer forma, lá estava Erico, sentado a sombra produzida por uma das poucas árvores poupadas na questionável reforma da praça. 
                            Logo que me aproximei, do entroncamento Venâncio Aires - Duque de Caxias, fui surpreendida por uma figura de roupas escuras, de rosto pálido qual figura da morte que povoa nossa imaginação. Antes de qualquer explicação eu já sabia, todos sabem, era o Máschara. Grupo esse que sempre está presente nos eventos importantes da comunidade. 
                              Conversei com alguns personagens, que carregavam sua fé cênica com louvor, procurei-os por entre as alamedas e orgulhei-me de meus ídolos. Ainda na década de sessenta eu já havia lido O Continente volumes 1 e 2. Então Capitão Rodrigo, Ana Terra e Dona Bibiana já me eram amigos de longa data. Não era especificamente um espetáculo Teatral, era uma performance, mas as bases do teatro se faziam presentes, triangulação, jogo, domínio de cena e de personagens, técnica vocal, enfim, todo o aparato humano necessário para a arte cênica se estabelecer. 
                               Observei o jogo vivo e intenso entre Capitão Rodrigo e uma jovem que me foi apresentada como Helga, a personagem original era loira, e aquele cabelo cor de milho foi o que seduziu o macho cambará. Porém embora a atriz que a interpretava não tivesse cabelos louros, ela estava ali, intensa, viva, triangulando conosco, com o capitão e com a presença de Bibiana. 
                                   Com um jogo mais intimista Ana Terra e Pedro Missioneiro também chamavam a atenção. A sutileza daqueles vultos entre os transeuntes nos levou diretamente para dentro das entrelinhas de Verissimo e bateu-me uma vontade imensa de voltar a ler a historia dos Terra Cambará. 
                           O teatro tem várias funções, vários caminhos, várias linguagens. Cléber Lorenzoni abusa de todas, nos da dança, nos da o drama, nos presentei-a com a religiosidade, a historia. Busca o teatro infantil e o teatro mudo. O Teatro de Cruz Alta em Cruz Alta é um arrojo. 
                                Após um interlúdio comandado pelo historiador Rossano Cavalari e culminado pela fala coerente do intendente, vimos os espectros  aproximarem-se. Ali frente a imagem de seu criador, era impossível não emocionar-se. A Histórica Praça de Cruz Alta com mais de cem anos, o maior artista dessas paragens, sua estátua sendo reverenciada, o Grupo Máschara que luta assim como Erico lutou, há vinte e cinco anos e finalmente as personagens do icônico O Tempo e o Vento. Um momento tão lindo que me fez buscar o apoio no braço da amiga ao meu lado. 
                                O texto de alguns atores ficou um tanto inaudível, mas a voz em coro com a qual homenagearam seu criador, essa foi bem ouvida. As palavras de Erico gravadas em tom emocional e finalmente a pose final foram extremamente sensíveis. 
                                Ir para perto do público dessa forma sem a proteção da quarta parede, não é tarefa fácil então embora todos estejam de parabéns, aconselho que busque mais, mais trabalho, pesquisa, aprumo de técnica. Para não haver timidez, medo ou insegurança.
                                  Só posso encerrar dizendo Obrigado Grupo Máschara por não desistirem de nós, o contrário de sua permanência ou existência seria o vazio de uma gélida praça em uma tarde ventosa de domingo. O contrário de sua insistência em nos dar o belo seria a ausência do onírico,  do belo, seria  impedir nossos olhos, nossos ouvidos, nossa mente, de viajar na arte.

                                     Arte é vida                       Vida é Teatro

Performance - O tempo e o Vento

Alessandra Souza  .... Ana Terra   (**)
Cléber Lorenzoni ....... Capitão Rodrigo Cambará (***)
Douglas Maldaner .......Pedro Missioneiro (**)
Stalin Ciotti ...............Padre Lara (***)
Kauane Silva ............Luzía Silva (***)
Laura Hoover ............. Helga kunz (***)
Sandra Lazzari ..............Bibiana Terra (***)
Clara Devi .................Jovem Bibiana Terra(**)
Vagner Nardes ......... Contraregragem  (**)
Gabriel Giacomini ....... Conbtraregragem (**)
Renato Casagrande .......................Direção musical e Figurinos (**)
Cléber Lorenzoni .........................Direção Geral e Roteiro 







                             

Personagens de O Tempo e o Vento em inauguração de estátua


Mais uma capa do Jornal Diário Serrano em prol dos trabalhos do Máschara


Deu a Louca no ator - 71ºcena às 7