domingo, 17 de junho de 2018

tomo 133 - O Castelo Encantado - 807

                            É difícil analisar o trabalho de direção de Cléber Lorenzoni, devido a versatilidade de estilo e as mil linguagens que ele utiliza. Cléber Lorenzoni não tem medo de ousar e não se prende em apenas uma linguagem. Cléber Lorenzoni além de diretor do espetáculo é roteirista juntamente com Dulce Jorge, e adaptou a obra infantil de Erico Verissimo fazendo de Castelo Encantado uma miscelânea de personagens. 
                         Alessandra Souza se esforça em manter a plateia interessada, cumpre sua função, triangula de forma interessante, mas poderia emocionar de forma mais intensa. A curva da personagem não chega até a platéia, não saio do espetáculo emocionada, tocada como poderia. Alessandra Souza é uma atriz bastante técnica, precisa portanto de mais soluções em seu leque de interpretação. Ao mesmo tempo sua potencia vocal e postura me atraem e ela em nenhum momento deixa de estar viva em cena.
                            Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande, os dois atores em Status I da companhia se dividem na maioria das personagens e tiram água de pedra. Na verdade Casagrande se esparrama com seu Fernando e prende a platéia de forma lúdica e verdadeira. Cléber Lorenzoni tem a seu lado a empatia da platéia. A interpretação do ursinho com música na barriga é um arrojo de trabalho em "máschara" negra que deveria servir de exemplo a todos os colegas. 
                                Nessa apresentação, me emocionei muito com a participação de Evaldo Goulart, com sua figura, com sua força, com sua "fome de palco". A maquiagem é viva, o trabalho corporal é forte e envolvente, a ponto de as crianças gostarem muito do vilão e menos dos mocinhos. Senti falta de ver o ator interpretando o anão na cena do elefante. 
                                Surpreendentemente vi o ator Fábio Novello no espetáculo, foi interessante, cumpriu muito bem sua função, leveza, energia, talvez pudesse ter maior potencia vocal,  embora eu o tenha ouvido muito bem. Acredito que o "dono do circo" é uma das personagens "tour de force" do espetáculo. Nunca o vi ser apresentado de forma realmente marcante, vi coisas muito boas: em Raquel Arigony, Rafael Aranha entre outras... Acredito que talvez uma interpretação menos realista chegaria muito mais longe. No acontecimento fundamental, no passeio de Rosa Maria pelos mundos de Erico, o elefante Basílio nos prende, nos toca, mas a cena poderia ter rendido mais, tanto quanto a dos três porquinhos pobres,  por exemplo, rendeu. 
                                  Douglas Maldaner deve se esforçar mais, ter mais prática de palco, mais profundidade, mais segurança cênica. O Cozinheiro que corre atrás dos porquinhos, deve e pode extrair muita graça de sua cena. O anão cumpre, me envolve, mas seduz, mas o cozinheiro deixa muito a desejar.
                                         A ação cênica ocorre de forma despretensiosa e prende adultos e crianças, um mérito incrível do máschara,  me incomoda muito ver espetáculos onde os pais levam as  crianças e torcem para ir embora, pois tudo parece muito chato. Com o Máschara o público adulto se diverte igual ou mais que o público infantil. Mérito do toque de malícia nas piadas do elenco principal. 
                                           Gabriel Giacomini não é ainda um grande ator, mas brinca e se diverte deliciosamente, ele faz graça de forma elegante e perspicaz. Pode e deve trabalhar a caixa fônica, chegar no centro do auditório com suas colocações, mas me emociona e me toca também. 
                                  Os figurinos são delicados como já elogiei, a trilha é doce e meiga. A maquiagem é linda e recebe assinatura de Cléber Lorenzoni. A Iluminação bolada por Cléber Lorenzoni, tem maõ de Fábio Novello e operação delicada de Stalin Ciotti. Me emociona muito ver os jovens artistas que o Máschara vai levando para o teatro.
                                           Foi uma tarde agradável de teatro, foi mais um dia de sucesso de Cena às 7.
Tomo- 133- 73ª Cena às 7- Produção: Script Produções
Espetáculo - O Castelo Encantado
Texto- Adaptação de Cléber Lorenzoni e Dulce Jorge para a obra de Erico Verissimo
Direção - Cléber Lorenzoni
Elenco : Alessandra Souza (**)
              Cléber Lorenzoni  (**)
              Gabriel Giacomini   (***)
              Renato Casagrande  (***)
              Evaldo Goulart   (***)
              Douglas MAldaner  (*)
              Fabio Novello   (**)
              

Iluminação: Cléber Lorenzoni - Operação : Stalin Ciotti  (**)
Contra-regragem - Sandra LAzzari (**)
                               Clara Devi (***)
                               Kauane Silva (**)
Trilha Sonora : Cléber Lorenzoni, Renato Casagrande e Gabriel Giacomini
Figurinos: Cléber Lorenzoni e Renato Casagrande
Portaria : Ricardo Fenner (**)
Cenário: O Grupo
Maquiagem: Cléber Lorenzoni 
Auxiliar de direção: Dulce Jorge

              
                                        
                             
                       

Os contadores de historias do Castelo Encantado


Os Máschara se preparando para mais um cena às 7