sábado, 26 de setembro de 2015

O Castelo Encantado 94/96

                         Eu amo o teatro, amo o ator, essa criatura tão complexa que produz tanto em troca de tão pouco. Amo essa energia que se alimenta da energia do público, que repete a historia, mas nunca repete o vigor. Ontem fui até a Escola Cooperação porque gosto de teatro, gosto de arte, gosto da interpretação, sobretudo das peças infantis. No teatro infantil (quando bem feito), tudo é tão delicado, tão lúdico. Sentei no fundo, para não atrapalhar a visão dos pequenos sentados em suas cadeirinhas, mas me senti no palco, me senti em cena, principalmente quando Cléber Lorenzoni, um dos protagonistas trazia a narrativa para o meio da platéia. 
                                Um dos maiores méritos do Máschara é transformar qualquer espaço em um pequeno teatro, simples eu sei, basiquinho, mas fantasioso, mágico.  Da para ver uma dramaturgia simples, mas uma direção bastante pontual. Aliás as cenas em que a direção aparece, são as melhores. E o elenco, com algumas exceções, cumpre a proposta da direção.  O roteiro simples, fala de uma menina que mergulha no mundo das historias e que percebe o quanto é gostoso ler, o quanto é gostoso criar, desejar. Algo tão impalpável, tão subjetivo, que as vezes quase escorre perna abaixo, deixando uma sensação de "cuma"? Porém como pretexto para uma boa interpretação a situação se cumpre. As personagens são sólidas. Principalmente: Basílio,  Fernando  e Rafael. O espetáculo é adulto, maduro, no entanto tem ar de coisa nova.
                                  A menina Rosa Maria é empedernida, meio passiva, apática as vezes, mas instigante. Sua força está nas indagações e raciocínios rápidos. A Rosa Maria de Alessandra Souza não fica chatinha como algumas protagonistas infantis, mas precisa ficar atenta para os momentos em que se apaga nas cenas. 
                                  Lorenzoni e Casagrande passeiam com domínio pelo espetáculo como se O castelo tivesse sido escrito para eles, mas o porquinho de Renato fica meio obscurecido. Sabemos que Linguicinha é o Peralta, Sabugo é o lerdo, e Salsicha? No entanto não se pode deixar de elogiar a interpretação coberta do ator em seu "meio" Basílio. Ator bom atua coberto, atua de costas, atua na coxia, enfim, vem pra jogar...
                                  Bruna Malheiros tem muito vigor, embora ainda tenha uma longa trilha pela frente. A atriz emana talento, precisa canalizá-lo, seu energia em cena é deliciosa, mas deve aprimorar sempre a técnica. A atriz tem uma disponibilidade gostosa para o palco que nunca deve ser dispensável.  Evaldo Goulart cumpre com louvor suas cenas maiores, mas se Rafael está redondinho, o bonequinho ruivo passa longe disso. 
                                     O grande sucesso das duas apresentações foi sem duvida Linguicinha, Basílio, e o Ursinho que engoliu um pianinho. Obviamente por ser o criador da ideia, Lorenzoni se sai muito bem em todas as suas composições. No entanto seu Senhor Magico não me parece passar e uma cópia rasa do Senhor Poeta. Não que isso seja um empecilho para embarcar nessa viagem tresloucada, Mas passo todo o começo do espetáculo lembrando de Lili Inventa o Mundo e esperando que ela surja cheia de indagações de algum lugar naquela pilha de adereços. 
                                   O cenário de O Castelo Encantado foi a muito tempo uma carroça mambembe, agora ele é algo meio confuso, um quarto? Um lugar qualquer? Uma loja de brinquedos? Não sei, me pergunto, me irrito, e então surge uma cortina abençoada, cobre aquela bagunça e então posso finalmente descansada, assistir ao espetáculo. 
                                         Os pequenos conflitos se estabelecem e se solucionam rapidamente, o que não aprecio muito, mas percebo que junto as crianças isso é positivo, o raciocínio explosivo, a máschara que de repente desaparece, a capa que vira asa de borboleta... E então a trilha, gosto da musica inicial, mas acho que ela passa longe do restante das musicas. O que elas querem dizer? Alguma coisa se cria no principio, depois se perde... Não sei, para completar ela foi mal operada nas duas seções. 
                                         Mas O Castelo Encantado trás um outro angulo do Máschara. Lili me fala de finais felizes, Os Saltimbancos me fala de aceitação, e O Castelo finalmente me deixa falar do que eu quiser. De onde vem e para onde vão? Não sei, as crianças que decidam.  

Cléber Lorenzoni 
Alessandra Souza  (**)(**)
Renato Casagrande (*)(**)
Evaldo Goulart  (***)(**)
Bruna Malheiros (**)(**)

                                                  A Rainha
                                        
                              

O Castelo Encantado em cartaz na 15ª Matinê do Máschara

A arte de Renato Casagrande


Grupo Máschara protestando em frente à Prefeitura de Cruz Alta