segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A Maldição do Vale Negro - 678/679

                  O teatro do interior é feito muito mais como evento comunitário do que como acontecimento profissional. Não que não aja dedicação e profissionalismo, pelo contrário, as vezes há ainda mais que nos grandes centros. No entanto o que move o teatro no interior é quase sempre um clima de amizade, uma disposição para o trabalho de equipe. Esse trabalho de equipe no entanto está ficando a desejar no Máschara, uns poucos carregam nas costas o peso de outros tantos. A Maldição do Vale Negro entrou em cena no palco de Veranópolis às 9 e 10 da manhã, e trouxe para o público um elenco afiado, cenas cortadas e energia deliciosa de se ver. Havia no palco uma energia de sobrevivência, de garra em querer continuar. Os cortes perigosos feitos no texto ajudaram e muito a dar um ritmo novo, ainda mais melodramático; as trocas de roupa foram mais marcantes, surpreendentes por sua velocidade. 
                               No entanto, onde estão todos os integrantes do Máschara? Aquela equipe inteira que chegava nas cidades, trazendo na bagagem uma variedade de pontos de vista, de talentos, e de impressões. 
                              ALGUNS ATORES NASCERAM PARA O TEATRO, outros apenas foram tocados pelo teatro. O teatro é a vida sendo representada no palco, é o grito contra a injustiça, é diversão, é pensar, é arte unindo dança, canto e interpretação. 
                                O teatro muda as pessoas, as melhora, prepara para a vida. O teatro faz pensar, o teatro tira o ser humano de sua posição acomodada e o catapulta para um plano de compreensão de sua existência, onde não haverá espaço para a dominação e a segregação. Mas o teatro também é sacrifício, generosidade, dedicação em prol do outro. E poucos nessa sociedade atual estão tão dispostos a dedicar-se pelo outro. 
                             O público formado por mais de 500 jovens entre as duas apresentações curtiu e aplaudiu em pé o espetáculo, interagindo nas piadas e tramas da narrativa. Conseguir manter tantos jovens concentrados, interessados em uma peça de teatro dentro de uma lona, desconfortável em meio a rua deve ser considerado um grande mérito, se não apenas do grupo teatral, principalmente do fazer teatral. 
                                  A Maldição do Vale Negro é atualmente um dos melhores espetáculos do Máschara, provavelmente por que tem o elenco mais dedicado e coeso atualmente na companhia. Teatro e técnica, além de esforço, sacrifício e dedicação em prol do todo.

Cléber Lorenzoni (***)(**)
Renato Casagrande (***)(**)
Ricardo Fenner (***)(**)
Alessandra Souza (***) (**)
Evaldo Goulart (**)(**)